AlentejoAgroRural
E a
Crise dos cereais
1---Há uma grave crise alimentar . Faltam e encareceram, no mercado , o trigo, milho e arroz e, por arrastamento , o leite e ovos .Esta escassez deve-se a múltiplos factores que vão desde o súbito aparecimento de novos consumidores ; ás erradas politicas cerealíferas impostas pela CE da qual o Alentejo é um claro exemplo de ineficácia ; assim como ao facto dos cereais e oleaginosas estarem ser convertidos em carburantes dado que os combustíveis de origem fóssil atingiram preços elevadíssimos A carne continua em excesso e sem aumento de preços Se bem a produção nacional esteja a arruinar agricultores e engordadores , devido á excessiva dependência dos cereais , o abastecimento do mercado processar-se-á ,a partir das zonas aonde a criação de ruminantes se faz em pastagens naturais e , no caso dos porcinos , complementada por resíduos das industrias agro-alimentares .
2---È neste contexto que se enquadra o AlentejoAgroRural . Analisa-lo á luz do moderno conceito da globalização , visando encontrar medidas correctoras , conducentes a superação da nossa ineficiência agrícola , é imperioso. Elas passam por adoptar sistemas agrícolas integrados que tirem partido das condições especificas regionais e, na região , de cada exploração agrícola e, nesta , de cada parcela segundo a sua vocação ecológica .Só assim se torna possível a produção de alimentos com custos suportáveis pelo consumidor e competitivos no mercado global , visando conferir a indispensável estabilidade alimentar perfeitamente possível .Claro que isso implica a existência de agricultores livres ,directos e participativos .É aqui que reside o nosso drama .
a)---. Após mais de vinte anos de integração na CEE (comunidade económica europeia ) e não obstante as imensas ajudas , não melhoramos a produção nem o bem estar rural .A não nos reorganizamos rapidamente e , com isso , melhorarmos a nossa prestação agrícola, vão sendo cada vez mais e maiores as nossas dificuldades na integração da nova ordem imposta pela OCM ( organização comum de mercados) .A nossa falta de êxito neste domínio não pode ser atribuída ao factores externos, nem sequer ao meio, mas tão só a nós mesmos dado não conseguirmos ultrapassar os constrangimentos fundiários que aqui perduram
E a situação agravar-se-á dado que a OCM, após assentar a poeira desta borrasca alimentar ,acaba por reactivar as decisões da Ronda de Doha de onde ressurgirá , com mais vitalidade , a liberalização do mercados dos produtos agrícolas Mas com regras ,que passam punir quem use o dumping ;que cultive tem ter em conta as protecção do ambiente ; avilte os direitos humanas ; produza alimentos portadores de perigosidade para a saúde publica
Pode até haver quem não goste da ideia ,mas ninguém quererá ficar de fora Podem surgir , aqui ou acolá , percalços , mas prosseguirá .. A nação que feche o seu mercado a importação de viveres acaba por ter represálias nas suas exportações É esta a nova ordem global .
b)— Com a liberalização das trocas comerciais agrícolas ( com regras ,como é obvio ) o mundo fica melhor em termos de abastecimento de alimentos .
Imagine-se a espantosa alteração alimentar que seria se cada região produzisse e enviasse para o mercado global os produtos agrícolas que as suas condições edafo-climáticas possibilitam fazer melhor
A faixa equatorial , produz frutos tropicais quase espontaneamente ( bananas ,abacaxi ,goiabas ,anonas ,abacate ,manga ,papaia e outras) substanciais e saborosas que , só por si , aliviariam a carência alimentar ; as pampas argentinas , o Brasil e a Africa Austral a produzirem gado bovino proveniente de manadio com baixíssimos custos de produção que constituem uma imensa reserva alimentar ; os EUA , Canadá ,França vocacionados para a produção de trigo e milho contribuiriam para a o equilíbrio produção / consumo desses cereais ; os colossais rios africanos ,de aguas mornas transbordantes , que decantam fertilidade , aonde se cultiva arroz , em simultâneo com a pesca fluvial , aproveitando a cadencia cíclica da alternância entre enchentes e vazantes , seria uma enorme fonte de produção sem grandes trabalhos de hidráulica agrícola ; Alentejo a produzir e enviar para o mercado global os produtos do montado (cortiça e porcos de montanheira ) e azeite e para auto-consumo uma vasta gama de produtos regionais , que constituem uma riqueza em termos de biodiversidade , capazes de satisfazer , para alem do consumo interno , um previsível turismo gastronómico para o qual temos condições excelentes .A produção nacional ,beneficiando das vantagens de ser consumida localmente , manter-se-á competitiva á concorrência vinda de fora .
Isto contem um recado :-- Cada região natural não pode cair na tentação de cultivar ,este ou aquele produto ,pelo simples facto de outras regiões o fazerem com êxito Cedo se arrependerá quem , caindo daí abaixo , ignorar este facto .. É tão absurdo um africano fazer uma plantação de sobreiros como um alentejano de bananeiras .Isto um exemplo multiplicável por muitos .
c)---Esta crise dos cereais , com efeitos na alimentação humana e pecuária , não tem razão de acontecer entre nós dada a vastíssima área de que somos detentores e os modernos equipamentos disponíveis que simplificam e rentabilizam os trabalhos agrícolas .Temos que abandonar este marasmo rural e optar por uma estratégia agrícola diversificada , na qual a componente cereais ocupe o espaço que o sistema de afolhamentos e rotação de culturas possibilitem .É-nos possível , por esta forma , atingir a quase autoficiencia de trigo que andará próximo do milhão e meio de toneladas ,mesmo prevendo um considerável fluxo turístico Em 1934 colhemos um milhão de toneladas de trigo mesmo com os primitivos meios agrícolas ,mas com muito saber na articulação com o meio .Hoje quedamo-nos pelas duzentas e cinquenta mil toneladas não obstante os fertilizantes e equipamentos eficientíssimos .Algo está ,pois, errado entre nós .
Mesmo havendo regiões com maiores produtividades unitárias , podemos produzir de uma forma bem articulada com o meio do que resulta um produto final com baixo custos de produção Desta forma resistiremos á concorrência , no abastecimento nacional , dado beneficiarmos das vantagens de não termos fretes nem intermediários . Alem disso e sem pôr em causa a solidariedade alimentar entre as nações , anda bem avisado quem providencie algum armazenamento para o que der e vier . É que , em época de crise, os preços sobem e a solidariedade alimentar pode transformar-se em palavra vã já que os governantes não deixam á mingua os seus concidadãos para abastecer outros
Temos que mudar de atitude e não continuar embevecidos perante uma vinha ou um olival de grandes dimensões ,pertença de sociedades cuja origem dos capitais e propósitos não são averiguados , que alardeiam um chorrilho de números e soluções mirabolantes tantas vezes falaciosas e não raro miragens inexequíveis Em contraste, nem se repara ao passar-se por áreas de vinha ou de olival , igualmente grandes e em modernização, pertença de agricultores directos e locais , filiados numa adega ou numa lagar cooperativos igualmente modernos Por todas as razões sejam elas económicas, sociais, politicas, patriotas e outras , os desígnios regionais são melhor conseguidos no segundo caso .
3.--- Agora que o actual governo empreende uma obra de regadio de gigantescas dimensões , mais uma razão para , não só no regadio mas em toda área designadamente os montados , serem objecto de uma exploração cuidada .E deixar de pactuar com o facto do Alentejo continuar a ser ,desde as invasões franco/espanholas , nos princípios de 1800 e até ao presente momento , palco de uma extemporânea colonização do tipo América Latina Aqui ,tal como lá , predominam as grandes empresas , com explorações monoculturais massificadas , que depressa se cansam ,para de seguida votar o espaço ao abandono, ás actividades lúdicas ou especulação fundiária , impedindo, com isso , que a comunidade rural local exerça a ruralidade que está na alma alentejana Para alem da instabilidade produtiva ,é duplamente ruinosa em termos politico/sociais já que, cá como lá, resultam irracionalidades politicas que, não raro , se transformam em turbulência .
.Nós pertencemos a uma Europa aonde tais situações há muito foram banidas E onde a instalação deste tipo colonial é absolutamente impossível A continuar assim , num Alentejo subaproveitado e sem uma classe rural residente defensora de certos valores ,algo de muito grave acontecerá . Acabar com direitos adquiridos de duvidosa legitimidade e fomentar uma ruralidade decente ,eis o que tem que ser feito quanto antes .Foi assim em 1375 , com a lei das Sesmarias , e, com isso, Portugal , revitalizando-se , dissipou as nuvens negras que pairavam sobre a nossa soberania .E bom ter em conta os ensinamentos da história
Francisco Pândega ( agricultor)/// fjnpandega@hotmail.com /// alentejoagrorural.blogspot.com
16.5.08
17.4.08
AlentejoAgroRural
VISTO DE LONGE
1----- Aquando da turbulência agrária ,no pós -25 de Abril, alguns lavradores tentaram reconstituir a actividade noutros países Conheço um que se instalou , primeiro no sul do Brasil depois no Uruguai . È sabido que todos os povos, se bem que apoiem de bom grado toda a espécie de empresários ( comerciantes , industriais ,promotores de turismo , etc ) detestam e hostilizam os agricultores alienígenas . Há aqui uma conotação com colonialismo ,com interferência naquilo que é a sua vivência intima , que lhe desagrada e hostilizam . Acresce o facto de , mesmo que aqui tenham sido bons agricultores , noutras regiões ,com outros sistemas agrícolas e gentes que têm uma atitude mais defensiva do seu meio , a instalação de estranhos não é nada fácil .Dai que todos tenham voltado , claramente derrotados , dizendo-me um :---O Brasil (no sentido da arvore das patacas ) afinal é aqui .
2--- Também passei por essa fase Com a diferença de que eu fui para não mais voltar. Impus ,a mim próprio, como que um degredo .Só depois ,na medida em que me fui ambientado , comecei a constatar quão exaltante , senão mesmo maravilhoso , era tal degredo . Tive de aprender a ser agricultor num meio muito diferente , a vencer a hostilidade dos nativos , enfim , resistir . Mas também aprendi a conhecer melhor o Alentejo agora visto de longe . Em contraste com novas realidades , tem-se uma noção mais precisa das suas potencialidades e dos inumeráveis erros que cometemos na sua gestão Com as limitações próprias de um despretensioso escrito , analisamo-lo no ultimo meio século ,visto de longe e num relance
a) -- Em 1954 , encontrava-me a transportar manadas de gado bovino ,a pé , do Cuanhama ,(sul de Angola ) para o planalto do Huambo ,num percurso de cerca de 700 km, com uma duração media de quatro meses , pelas margens do rio Cunene .
O meu companheiro de jornadas era o António São Braz Pereira , que três anos antes havia vindo , mas que continuava a carpir saudades , do seu longínquo Peroguarda , perto de Beja .Filho de um desventurado seareiro ,tal como eu , ambos vitimas do ruinoso sistema fundiário então, tal como hoje , em uso no Alentejo . Ser seareiro , era uma forma de agricultar por conta própria , mas terras de outrem .Ao cessar o seu acesso era-se convertido em trabalhador agrícola .Por uma questão de orgulho muitos não aceitaram .Preferiram rumar para longe ,para nunca mais voltar .O despovoamento ,nessa década dos anos cinquenta , foi galopante .Reduziu-se a população rural para menos de metade .Drama imenso de muitas famílias, forçadas a abalar , para as mais diversas paragens, aonde , desenraizadas , praguejam contra os responsáveis por terem qwue deixar o seu Alentejo A alternativa era a submissão , na qualidade de trabalhador agrícola , aos grandes proprietários rurais Homens que nasceram livres dificilmente se vergavam aos ditames de quem , pelo facto de ser herdeiro vastas terras , não significava que tivesse credibilidade ou dignidade para nos submeter aos seus ditames .
b)---Nunca em tão longínquas paragens , em volta de uma grande fogueira que servia para nos aquecermos , cozinhar e manter a distancia os leões que seguiam atrás da manada, o problema dos seareiros foi analisado com tanta paixão e objectividade como naquele momento .
Em nossa frente ,na encosta da outra margem do rio , estava o forte Roçadas ,que assinala o feito do intrépido capitão português que , á frente de um pelotão de bravos , desbarataram os aguerridos cuamatos , organizados e municiados pelos alemães do ex- Sudo Africano ( hoje Namíbia ), frustrando-lhes as intenções desanexar essa parte do território de Angola e submeter a tribo residente
Daí uma interrogação óbvia .Porque é que os portugueses , sendo tão valentes , fora do pais , na luta em favor da justiça dos povos , são tão fracos para impor igual justiça nos campos alentejanos ? Estávamos ali duas vitimas transidas de saudades de um Alentejo longínquo ,de onde uma cleptocracia fundiária ,nos havia expulsado . Concluímos, ao fim de longa troca de impressões , que ao Alentejo estava reservado um trágico destino e aos alentejanos a extinção .,se não houvesse a coragem de possibilitar o acessos da terra aos agricultores livres, directos . individuais e residentes .
c)--- Perdi o rasto ao Pereira, nos vinte anos seguintes , que foram divididos pela função publica e agricultura, metade desse tempo , e agricultura e negócios o restante . Fui encontra-lo , casualmente , vinte anos depois ,em Sommersetwest ,nos arredores da cidade do Cabo /Africa do Sul aonde era , e creio que ainda é , um prospero po comerciante . Retomamos a conversa encetada ,vinte anos antes , frente ao forte Roçadas .
Estávamos em 1975 .O Alentejo fervilhava no fragor da reforma agrária Foi esse o tema da conversa Ainda não estava claro ,pelo menos com a informação de que lá dispúnhamos , do caris comunista /colectivista que tinha subjacente .Daí concluirmos que este seria um caminho , um pouco ínvio , certamente , para se proceder á almejada reestruturação fundiária
Se hoje , trinta anos depois , voltasse a encontrar o Pereira teríamos que concluir que a solução encontrada com o 25-de Abril ,foi tão má que redundou na reposição fundiária tal como se encontrava aquando da nossa saída do Alentejo. E ,tendo em conta a a situação a que se chegou e face ao apetite que o Alentejo desperta nos estrangeiros , já se pode antecipar que o golpe de misericórdia esta para breve Incapazes de regionalizar e entregar o desenvolvimento rural aos residentes ; ignorando uma vez mais , e agora definitivamente ,a comunidade rural indígena ; face á tremenda ameaça que impende sobre a soberania regional , concluiríamos por uma exclamação uníssona :-- como é que isto é possível ?
3—Como é possível esta insistência na manutenção de uma formula fundiária esgotada e que tanto tem danificado a região ? Como não perceber que a nossa sociedade ficaria mais estável e coerente se para a sua composição ,houvesse uma maior contributo , do mundo rural no mais nobre sentido da palavra ? .
Há quem sustente que uma tal tomada de posição iria contra os princípios comunitários Não creio. Mas sei que o estado de anormalidade em que se encontra a ruralidade alentejana ,impõe uma intervenção . Isso não obsta a que sejamos tão pró-europeus como quaisquer outros cidadãos dos restantes vinte e seis países comunitários . Corrigir e regulamentar a usufruição do espaço rústico regional , é exercer um direito inalienável que nos assiste ,como quaisquer outros cidadãos dos restantes vinte seis países comunitários nas suas respectivas regiões .
Francisco Pândega(agricultor )// e-mail – fjnpandega@hotmail.com //// blog-alentejoagrorural.blogspot.com.
VISTO DE LONGE
1----- Aquando da turbulência agrária ,no pós -25 de Abril, alguns lavradores tentaram reconstituir a actividade noutros países Conheço um que se instalou , primeiro no sul do Brasil depois no Uruguai . È sabido que todos os povos, se bem que apoiem de bom grado toda a espécie de empresários ( comerciantes , industriais ,promotores de turismo , etc ) detestam e hostilizam os agricultores alienígenas . Há aqui uma conotação com colonialismo ,com interferência naquilo que é a sua vivência intima , que lhe desagrada e hostilizam . Acresce o facto de , mesmo que aqui tenham sido bons agricultores , noutras regiões ,com outros sistemas agrícolas e gentes que têm uma atitude mais defensiva do seu meio , a instalação de estranhos não é nada fácil .Dai que todos tenham voltado , claramente derrotados , dizendo-me um :---O Brasil (no sentido da arvore das patacas ) afinal é aqui .
2--- Também passei por essa fase Com a diferença de que eu fui para não mais voltar. Impus ,a mim próprio, como que um degredo .Só depois ,na medida em que me fui ambientado , comecei a constatar quão exaltante , senão mesmo maravilhoso , era tal degredo . Tive de aprender a ser agricultor num meio muito diferente , a vencer a hostilidade dos nativos , enfim , resistir . Mas também aprendi a conhecer melhor o Alentejo agora visto de longe . Em contraste com novas realidades , tem-se uma noção mais precisa das suas potencialidades e dos inumeráveis erros que cometemos na sua gestão Com as limitações próprias de um despretensioso escrito , analisamo-lo no ultimo meio século ,visto de longe e num relance
a) -- Em 1954 , encontrava-me a transportar manadas de gado bovino ,a pé , do Cuanhama ,(sul de Angola ) para o planalto do Huambo ,num percurso de cerca de 700 km, com uma duração media de quatro meses , pelas margens do rio Cunene .
O meu companheiro de jornadas era o António São Braz Pereira , que três anos antes havia vindo , mas que continuava a carpir saudades , do seu longínquo Peroguarda , perto de Beja .Filho de um desventurado seareiro ,tal como eu , ambos vitimas do ruinoso sistema fundiário então, tal como hoje , em uso no Alentejo . Ser seareiro , era uma forma de agricultar por conta própria , mas terras de outrem .Ao cessar o seu acesso era-se convertido em trabalhador agrícola .Por uma questão de orgulho muitos não aceitaram .Preferiram rumar para longe ,para nunca mais voltar .O despovoamento ,nessa década dos anos cinquenta , foi galopante .Reduziu-se a população rural para menos de metade .Drama imenso de muitas famílias, forçadas a abalar , para as mais diversas paragens, aonde , desenraizadas , praguejam contra os responsáveis por terem qwue deixar o seu Alentejo A alternativa era a submissão , na qualidade de trabalhador agrícola , aos grandes proprietários rurais Homens que nasceram livres dificilmente se vergavam aos ditames de quem , pelo facto de ser herdeiro vastas terras , não significava que tivesse credibilidade ou dignidade para nos submeter aos seus ditames .
b)---Nunca em tão longínquas paragens , em volta de uma grande fogueira que servia para nos aquecermos , cozinhar e manter a distancia os leões que seguiam atrás da manada, o problema dos seareiros foi analisado com tanta paixão e objectividade como naquele momento .
Em nossa frente ,na encosta da outra margem do rio , estava o forte Roçadas ,que assinala o feito do intrépido capitão português que , á frente de um pelotão de bravos , desbarataram os aguerridos cuamatos , organizados e municiados pelos alemães do ex- Sudo Africano ( hoje Namíbia ), frustrando-lhes as intenções desanexar essa parte do território de Angola e submeter a tribo residente
Daí uma interrogação óbvia .Porque é que os portugueses , sendo tão valentes , fora do pais , na luta em favor da justiça dos povos , são tão fracos para impor igual justiça nos campos alentejanos ? Estávamos ali duas vitimas transidas de saudades de um Alentejo longínquo ,de onde uma cleptocracia fundiária ,nos havia expulsado . Concluímos, ao fim de longa troca de impressões , que ao Alentejo estava reservado um trágico destino e aos alentejanos a extinção .,se não houvesse a coragem de possibilitar o acessos da terra aos agricultores livres, directos . individuais e residentes .
c)--- Perdi o rasto ao Pereira, nos vinte anos seguintes , que foram divididos pela função publica e agricultura, metade desse tempo , e agricultura e negócios o restante . Fui encontra-lo , casualmente , vinte anos depois ,em Sommersetwest ,nos arredores da cidade do Cabo /Africa do Sul aonde era , e creio que ainda é , um prospero po comerciante . Retomamos a conversa encetada ,vinte anos antes , frente ao forte Roçadas .
Estávamos em 1975 .O Alentejo fervilhava no fragor da reforma agrária Foi esse o tema da conversa Ainda não estava claro ,pelo menos com a informação de que lá dispúnhamos , do caris comunista /colectivista que tinha subjacente .Daí concluirmos que este seria um caminho , um pouco ínvio , certamente , para se proceder á almejada reestruturação fundiária
Se hoje , trinta anos depois , voltasse a encontrar o Pereira teríamos que concluir que a solução encontrada com o 25-de Abril ,foi tão má que redundou na reposição fundiária tal como se encontrava aquando da nossa saída do Alentejo. E ,tendo em conta a a situação a que se chegou e face ao apetite que o Alentejo desperta nos estrangeiros , já se pode antecipar que o golpe de misericórdia esta para breve Incapazes de regionalizar e entregar o desenvolvimento rural aos residentes ; ignorando uma vez mais , e agora definitivamente ,a comunidade rural indígena ; face á tremenda ameaça que impende sobre a soberania regional , concluiríamos por uma exclamação uníssona :-- como é que isto é possível ?
3—Como é possível esta insistência na manutenção de uma formula fundiária esgotada e que tanto tem danificado a região ? Como não perceber que a nossa sociedade ficaria mais estável e coerente se para a sua composição ,houvesse uma maior contributo , do mundo rural no mais nobre sentido da palavra ? .
Há quem sustente que uma tal tomada de posição iria contra os princípios comunitários Não creio. Mas sei que o estado de anormalidade em que se encontra a ruralidade alentejana ,impõe uma intervenção . Isso não obsta a que sejamos tão pró-europeus como quaisquer outros cidadãos dos restantes vinte e seis países comunitários . Corrigir e regulamentar a usufruição do espaço rústico regional , é exercer um direito inalienável que nos assiste ,como quaisquer outros cidadãos dos restantes vinte seis países comunitários nas suas respectivas regiões .
Francisco Pândega(agricultor )// e-mail – fjnpandega@hotmail.com //// blog-alentejoagrorural.blogspot.com.
25.3.08
AlentejoAgroRural
UMA REGIÃO /UM POVO
1 --- Quis o destino que, também em terras distantes e numa determinada altura , tivesse sido profissional de definição de regiões naturais e, nelas, da forma como respectivos povos, nos mais diversos estádios evolutivos, se inseriam.
Mas ,o que é uma região ? interrogar-se-ão os menos calhados nas relações do homem rústico com o seu meio. Uma região é uma unidade geo-agro-sócio-económica com bastante homogeneidade no seu interior e perfeitamente diferenciada em relação ás circunvizinhas Cada qual com as suas gentes , com a sua bem conhecida adaptabilidade ao respectivo meio , que cria a sua própria língua , ou mesmo dialecto, e organiza-se socialmente . Migrantes e transumantes por aventura ou necessidade , belicosos por natureza , anexam, á sua , outras regiões, geralmente pela força .Assim nasceram as nações e se formaram os impérios .
Hoje ,porem , devido a instantaneidade das comunicação e á globalização comercial dos produtos agrícolas ,está-se a regressar à unidade regional como pilar/base de desenvolvimento . Um pouco por toda a parte , com especial destaque para as nações que se libertaram com a implosão da ex- federação russa ,estão a lutar pela autonomia regional . Esse movimento , de reposição da região natural , como forma de potenciar a especificidade de cada uma , também acaba por acontecer na comunidade europeia ,tanto mais depressa quanto mais soberania for delegada para a entidade supranacional, Isto faz parte intrínseca da génese dos povos para quem a liberdade passa , em primeiro lugar ,pelo exercício da sua identidade regional com um mínimo de interferências exóticas .
2 --- O factor que mais personifica uma região é a sua localização em determinado quadrante . Muito variável no sentido longitudinal devido ao arrefecimento e redução da incidência solar, na medida em que se avança do equador para os pólos No sentido perpendicular, que o mesmo será dizer dos paralelos ,a variabilidade deriva das correntes de ar (quer marítimas quer continentais), das altitudes, da orografia e das formações geológicas (solos) Estas condições geram um certo clima e regime de chuvas que, por sua vez, determinam um tipo de arborização, e outras plantas, espontânea e cultivadas. Eis os princípios básicos que caracterizam uma região
a)---É neste conceito que se inscreve o AlentejoAgroRural. O clima , que é o factor mais importante , é formado por duas correntes marítimas :-- Uma que, pelo vale do Guadiana, transporta uma corrente de ar mediterrânico e outra, pelo vale do Tejo, ar atlântico mais frio. Com intensidades variáveis , misturam-se ao centro da região amenizando a temperatura Em Junho e Julho a corrente marítima atlântica é mais forte daí que as tardes de verão sejam suavizadas pelo ar fresco (maré) , vindo do poente , tornando-as bonançosas
Não tem montanhas , antes sim pequenos relevos arredondados que raramente excedem os duzentos metros o que faz do Alentejo uma imensa planície .Bordejado por serras , a sul , resulta ,desse lado , uma reduzida a influencia marítima já que elas fazem subir o seu efeito para camadas superiores
Com este clima e regime de chuvas ,desenvolve-se uma agro-silvo-pastorícia muito especifica .E ,com base nela, produtos únicos em termos de qualidade e baixos custos que constituem a marca Alentejo. Estamos a falar de cortiça , partes de porco de montanheira , azeite, alguns vinhos , hortícolas em determinado período do ano designadamente tomate para a industria .Impõem-se aumentar o volume de produção , padronizar as suas características , organiza-la e concentra-la de forma a conseguir o próprio nicho nesta complexo mercado global
b)--- Definida a aptidão agrícola, falta acrescentar que a nossa região é dotada de uma estrutura rústica impar: --recursos naturais abundantes e únicos, dimensão suficiente para o exercício da regionalização e potencialidades económicas que, a serem exploradas por quem sabe e quer, dotá-la-iam a de uma grandeza económica incomensurável Se a isto acrescentarmos o facto de ter uma vasta costa marítima, com excelentes condições turísticas, piscatórias e portuárias o Alentejo é efectivamente uma região/potencia,
Enorme , sendo 1/3 da superfície total do pais e compreendendo mais de 50% da sua superfície agrícola útil (já que é praticamente arável/agrícola de lés a lés) é algo que todas as nações almejariam ter. Daí estar transformada no Eldorado de endinheirados, como se uma região milenar, berço de um povo, pudesse ser objecto de transacções como se de uma produto perecível se tratasse.
c) ---Em termos populacionais e não obstante ser uma região salubre, encontra-se despovoado já que nela somente habitam 5% da população dos pais. Trata-se de uma história com início em 1835. Uma longa e triste historia de um povo que tem sido sempre derrotado nas múltiplas tentativas de impor o seus direitos sobre o seu espaço coevo Foram muitos ano de submissão, de perdas de identidade, de pobreza, fome, exclusão, maus tratos e todas as vicissitudes que acontecem aos povos que se deixam vencer .Que perdem a capacidade de reagir
E, hoje, se bem que haja democracia e tenhamos a via parlamentar para defender os interesses regionais, acontece que o houve o cuidado de nos reduzir a uma insignificância electiva Daí deriva o facto de não termos voz parlamentar nem organização social, nem força anímica, para impor a nossa especificidade regional. Representados por 10 deputados (incluso os quatro concelhos do litoral) , num universo de 230, o poder parlamentar encontra-se no norte dos pais. Norte que é substancialmente diferente do Alentejo, com outros problemas que requerem outras soluções; que não coopera connosco, não nos compreende e não gosta de nós; para quem, nós, somos alguém, no distante sul, a quem se atribuem todas as anedotas depreciativas que por aí circulam. Daí que solução terá que partir de nós mesmos usando, para tal , a força da nossa razão.
3---Tal como os EE.UU, a Espanha o Brasil , Portugal insular , etc .um pais desenvolve-se regionalizando-se O Alentejo só passa a barreira da lassidão se conseguir a sua institucionalização com a consequente autonomia do sector rústico . Esta solução vem dar mais coerência a vida rural e ,de uma forma indirecta , beneficiar a urbana Para alem das razões de ordem socio-económica , outras há , de transcendental importância , que importa defender designadamente a reorganização do espaço rústico de forma a humanizar o uso do solo e dar-lhe as multifuncionalidades que lhes estão adstritas,.Tais como:-- a produção de alimentos de qualidade sem degradar os meio ; organização da comercialização produtos agrícolas genuínos neste mercado global ; defesa dos montados, património único em avançada degradação, que importa defender como forma de preservar o meio ambiente ,a paisagem e o clima ; o povoamento do território afim de garantir uma soberania efectiva do espaço rústico ; conservação da identidade histórico/cultural regional do Alentejo e, com isso, honrar os nossos ascendentes que tombaram , por estas chapadas , para no-lo legar.
Francisco Pândega (agricultor) /// e.mail: -fjnpandega@hotmail.com ///blog:-AlentejoAgroRural.blogspot.com
UMA REGIÃO /UM POVO
1 --- Quis o destino que, também em terras distantes e numa determinada altura , tivesse sido profissional de definição de regiões naturais e, nelas, da forma como respectivos povos, nos mais diversos estádios evolutivos, se inseriam.
Mas ,o que é uma região ? interrogar-se-ão os menos calhados nas relações do homem rústico com o seu meio. Uma região é uma unidade geo-agro-sócio-económica com bastante homogeneidade no seu interior e perfeitamente diferenciada em relação ás circunvizinhas Cada qual com as suas gentes , com a sua bem conhecida adaptabilidade ao respectivo meio , que cria a sua própria língua , ou mesmo dialecto, e organiza-se socialmente . Migrantes e transumantes por aventura ou necessidade , belicosos por natureza , anexam, á sua , outras regiões, geralmente pela força .Assim nasceram as nações e se formaram os impérios .
Hoje ,porem , devido a instantaneidade das comunicação e á globalização comercial dos produtos agrícolas ,está-se a regressar à unidade regional como pilar/base de desenvolvimento . Um pouco por toda a parte , com especial destaque para as nações que se libertaram com a implosão da ex- federação russa ,estão a lutar pela autonomia regional . Esse movimento , de reposição da região natural , como forma de potenciar a especificidade de cada uma , também acaba por acontecer na comunidade europeia ,tanto mais depressa quanto mais soberania for delegada para a entidade supranacional, Isto faz parte intrínseca da génese dos povos para quem a liberdade passa , em primeiro lugar ,pelo exercício da sua identidade regional com um mínimo de interferências exóticas .
2 --- O factor que mais personifica uma região é a sua localização em determinado quadrante . Muito variável no sentido longitudinal devido ao arrefecimento e redução da incidência solar, na medida em que se avança do equador para os pólos No sentido perpendicular, que o mesmo será dizer dos paralelos ,a variabilidade deriva das correntes de ar (quer marítimas quer continentais), das altitudes, da orografia e das formações geológicas (solos) Estas condições geram um certo clima e regime de chuvas que, por sua vez, determinam um tipo de arborização, e outras plantas, espontânea e cultivadas. Eis os princípios básicos que caracterizam uma região
a)---É neste conceito que se inscreve o AlentejoAgroRural. O clima , que é o factor mais importante , é formado por duas correntes marítimas :-- Uma que, pelo vale do Guadiana, transporta uma corrente de ar mediterrânico e outra, pelo vale do Tejo, ar atlântico mais frio. Com intensidades variáveis , misturam-se ao centro da região amenizando a temperatura Em Junho e Julho a corrente marítima atlântica é mais forte daí que as tardes de verão sejam suavizadas pelo ar fresco (maré) , vindo do poente , tornando-as bonançosas
Não tem montanhas , antes sim pequenos relevos arredondados que raramente excedem os duzentos metros o que faz do Alentejo uma imensa planície .Bordejado por serras , a sul , resulta ,desse lado , uma reduzida a influencia marítima já que elas fazem subir o seu efeito para camadas superiores
Com este clima e regime de chuvas ,desenvolve-se uma agro-silvo-pastorícia muito especifica .E ,com base nela, produtos únicos em termos de qualidade e baixos custos que constituem a marca Alentejo. Estamos a falar de cortiça , partes de porco de montanheira , azeite, alguns vinhos , hortícolas em determinado período do ano designadamente tomate para a industria .Impõem-se aumentar o volume de produção , padronizar as suas características , organiza-la e concentra-la de forma a conseguir o próprio nicho nesta complexo mercado global
b)--- Definida a aptidão agrícola, falta acrescentar que a nossa região é dotada de uma estrutura rústica impar: --recursos naturais abundantes e únicos, dimensão suficiente para o exercício da regionalização e potencialidades económicas que, a serem exploradas por quem sabe e quer, dotá-la-iam a de uma grandeza económica incomensurável Se a isto acrescentarmos o facto de ter uma vasta costa marítima, com excelentes condições turísticas, piscatórias e portuárias o Alentejo é efectivamente uma região/potencia,
Enorme , sendo 1/3 da superfície total do pais e compreendendo mais de 50% da sua superfície agrícola útil (já que é praticamente arável/agrícola de lés a lés) é algo que todas as nações almejariam ter. Daí estar transformada no Eldorado de endinheirados, como se uma região milenar, berço de um povo, pudesse ser objecto de transacções como se de uma produto perecível se tratasse.
c) ---Em termos populacionais e não obstante ser uma região salubre, encontra-se despovoado já que nela somente habitam 5% da população dos pais. Trata-se de uma história com início em 1835. Uma longa e triste historia de um povo que tem sido sempre derrotado nas múltiplas tentativas de impor o seus direitos sobre o seu espaço coevo Foram muitos ano de submissão, de perdas de identidade, de pobreza, fome, exclusão, maus tratos e todas as vicissitudes que acontecem aos povos que se deixam vencer .Que perdem a capacidade de reagir
E, hoje, se bem que haja democracia e tenhamos a via parlamentar para defender os interesses regionais, acontece que o houve o cuidado de nos reduzir a uma insignificância electiva Daí deriva o facto de não termos voz parlamentar nem organização social, nem força anímica, para impor a nossa especificidade regional. Representados por 10 deputados (incluso os quatro concelhos do litoral) , num universo de 230, o poder parlamentar encontra-se no norte dos pais. Norte que é substancialmente diferente do Alentejo, com outros problemas que requerem outras soluções; que não coopera connosco, não nos compreende e não gosta de nós; para quem, nós, somos alguém, no distante sul, a quem se atribuem todas as anedotas depreciativas que por aí circulam. Daí que solução terá que partir de nós mesmos usando, para tal , a força da nossa razão.
3---Tal como os EE.UU, a Espanha o Brasil , Portugal insular , etc .um pais desenvolve-se regionalizando-se O Alentejo só passa a barreira da lassidão se conseguir a sua institucionalização com a consequente autonomia do sector rústico . Esta solução vem dar mais coerência a vida rural e ,de uma forma indirecta , beneficiar a urbana Para alem das razões de ordem socio-económica , outras há , de transcendental importância , que importa defender designadamente a reorganização do espaço rústico de forma a humanizar o uso do solo e dar-lhe as multifuncionalidades que lhes estão adstritas,.Tais como:-- a produção de alimentos de qualidade sem degradar os meio ; organização da comercialização produtos agrícolas genuínos neste mercado global ; defesa dos montados, património único em avançada degradação, que importa defender como forma de preservar o meio ambiente ,a paisagem e o clima ; o povoamento do território afim de garantir uma soberania efectiva do espaço rústico ; conservação da identidade histórico/cultural regional do Alentejo e, com isso, honrar os nossos ascendentes que tombaram , por estas chapadas , para no-lo legar.
Francisco Pândega (agricultor) /// e.mail: -fjnpandega@hotmail.com ///blog:-AlentejoAgroRural.blogspot.com
13.1.08
AlentejoAgroRural
e o
SOLO RUSTICO
1---- Estou convicto de que a causa da nossa difícil situação socio-económica resulta ,acima de tudo , de ineficiência agrícola. Daí ser recorrente que , sempre que abordamos a ruralidade alentejana , a coerência nos obrigue a concluir que a nossa região , não obstante as suas colossais potencialidade agrícolas , não está a contribuir , como deveria e poderia , para nos equipararmos aos países nossos parceiros comunitários ,em termos de nível de vida . Não , certamente , por deficiência do meio que é imenso e ubérrimo ; nem das suas gentes que , se bem que nas duas ultimas gerações tenham estado em perda de qualidade , ainda lhe resta alguma capacidade de entrosamento , com o meio, condição indispensável para o exercício de uma actividade agrícola de sucesso .
DIMENSÃO FUNCIONAL
.2--- Sendo assim, o que está errado entre nós ? A resposta é taxativa e peremptória :--- O não conseguir perceber que o espaço rústico tem que ser pertença da comunidade rural residente .A permissão do seu apossamento ,sem leis nem regras , por parte de quem não sabe dar-lhe o devido uso e, com isso , o impedimento de se processarem as multifuncionalidades que estão na sua génese .Urge ,pois , intervir .Para o efeito é preciso municiarmo-nos de uma elevada dose de conhecimento ,discernimento e coragem para definir a propriedade agrícola funcional , avaliar a formula reestruturante e agir sem tibieza.
a) --- “À escala do homem ” deve ser a dimensão da propriedade agrícola elegível Mesmo nos nossos dias , e por estranho que pareça , mantém-se inalterada desde há muitas gerações Apercebemo-nos desse facto pelos vestígios no terreno assim como nas consultas dos registos cadastrais .
Exceptuando os baldios , coutadas e morgadios que primavam apela enorme dimensão , por um lado , e por outro as pequenas courelas periféricas dos povoados , produtos de talhonamentos cedidos por aforamento , a propriedade agrícola base rondava os cento e cinquenta hectares ,
Era a dimensão considerada á “escala do homem” na qual se construía um monte ( evitavam-se as deslocações ) aonde moravam diversas famílias que ,com base nos precários instrumentos , cultivam os ferragiais envolventes ,pastavam cabradas ,nos matagais , e se defendiam dos bandoleiros e foragidos que por ali se acoitavam Era considerada a dimensão funcional dado poder ser percorrida , pela extremas , e vir-se almoçar a casa ; ou o gado , no verão , pastar de noite e vir de dia acarrar nas sombras junto á agua .Ou então nas noites de invernia , vir pernoitar á malhada
Foi assim ate aos meados do século XlX altura em que começou o desenvolvimento industrial e se deu a vinda do comboio , factores que dinamizaram um grande desenvolvimento nos campos alentejanos . Durou ate 1950 que foi quando se deu a substituição da tracção animal pelas maquinas Mesmo hoje , apesar da elevada eficiência dos factores de produção , a agricultura está muito condicionada pela preservação do meio ambiente, pela qualidade dos alimentos, assim como pela manutenção dos montados que não resistem a uma má aplicação da maquina . Desta forma não há necessidade de alterar a dimensão da exploração agrícola funcional Afinal o homem , que é o pivot do sistema, mantêm a mesma compleição
b)-- Para a avaliação da estrutura fundiária regional , servimo-nos da seguinte equação ; -- 30.000Km2 distribuídos por 42.000 agricultores resulta uma dimensão media ,por exploração , 70.hectares .Quase boa , mesmo para uma região Mediterrânica como é o Alentejo Esmiuçando ,porem , um pouco mais , conclui-se que a verdade , no terreno , é bem diferente e que as propriedades agrícolas daquela dimensão/media são em numero insignificante .Indo ao fundo da questão conclui-se que :---quatro quintos do Alentejo (24.000 km2) estão ocupados por dois mil latifúndios cuja dimensão média é superior a mil hectares . Os restantes 6.000 km2 , que compreendem a área social publica , já que as pequenas propriedades são circundantes dos povoados , é onde estão os quarenta mil minifundiários com uma área media inferior a 15Ha.,
É aqui que reside o nosso drama agro-rural :-- Enquanto que os primeiros , com elevados níveis de riqueza , geralmente não fazem uma exploração adequada , antes sim , predomina a incompetência ,a ausência e o absentismo .Já os segundos , devido a exiguidade da dimensão , não conseguem fazer uma agricultura auto sustentável .Daí o Alentejo não participar , como devia , no esforço nacional ,em prol do desenvolvimento .Debilitado e em perda de valores , resulta numa inexorável tentação aquisitiva ,por parte de endinheirados alienígenas ,em detrimentos dos indefesos autóctones cuja sorte , ao que parece , é a continuação da servidão e posterior extinção .
c)—A definição da propriedade agrícola , segundo a aptidão dos solos, é perfeitamente exequível dado estarem catalogados e identificados de uma forma bem clara e sem erros São cinco os tipos .De A (os melhores ) a E( os mais fracos) . Entre este dois extremos há três intermédios Evidentemente que não é no âmbito de um simples escrito que se descreve a técnica da sua aplicação .Podemos contudo enunciar as bases afim de melhor se aquilatar da simplicidade do processo
Se na conversão do tipo de solos em pontos aceitarmos que uma propriedade funcional devera ter 25.000 pontos e cada hectare de terra boa (barros e aluviões ) lhe conferirmos 250 pontos essa propriedade terá 100 ha. de superfície .No outro extremo se considerarmos 100 pontos por ha a terra de má qualidade(areias ,xistos esqueléticos ) essa propriedade terá 250 ha.
Como se vê dimensões diferentes ( 100haA, ou 250haE.) tem a mesma pontuação ou seja o mesmo valor agrícola funcional , não obstante terem dimensões tão diferentes .Dado ser comum uma exploração ter diferentes tipos de solo a sua dimensão será o somatório dos mesmos cuja media andará pelos 170ha..È pouca dirão os de mil ha .É mais do que suficiente , exclamarão os de 15ha É a medida certa sabem os que tem experiência nesta matéria .
Dado ser com esta dimensão que a terra promove as diversas funcionalidade (produção agrícola , povoamento do território , ordem e paz social , defesa do meio , preservação histórico-cultural ) é por ai que temos que enveredar importa sem vacilar . Para tal a terra remanescente da propriedade “tipo “ ,tem que ser considerada excedentária , , objecto de impostos progressivos e não elegível aos apoios comunitárias ,como , alias, é pratica comunitária nalgumas matérias
MUDANÇAS URGENTES
3-- O nosso drama , como região e , dada a sua importância , como nação , resulta da nossa inoperacionalidade agro-fundiaria
Com potencialidades quase ilimitadas (na produção agrícola , no emprego , na estabilidade e paz social ) vê-se coarctadas nessas valências pelo facto da terra estar sequestrada e de grande parte do seu uso não se compaginar com a essência dos superiores desígnios regionais .
Ter terra ,, em grande quantidade , hoje como ontem ,constitui um poder que escapa a intervenção da sociedade . Assim , em roda livre , enquanto que os restantes sectores vivem ajoujados sob o império dos impostos , da observação e escrutinação social e da concorrência comercial , os donos das terras , estão praticamente isentos de impostos dado estes não serem actualizados desde longa data ; mesmo aos mais impenitentes absentistas ninguém tem o direito de lhe dizer:-- “olhe lá !. a terra tem uma função social” ; agora está no moda cederem –na , para exploração de campanha , de alguns meses ,em condições leoninas . O facto de não poder aceder á PAC resulta num rápido empobrecimento , tornando insolvente quem tenha a desdita de a tal se submeter, É por estas e outras razões que ser agricultor directo significa descer na escala de valores
Ultimamente , e sempre que lhes dá na real gana , vendem-na , a troco a de malas de dinheiro , a quem , mais parecendo estar ao serviço de um projecto expansionista , vindo de algures , arrogante ,superior e auto-suficiente , se instala sem prestar contas a ninguém .Acontece que terra assim alienada , é terra desanexada da alçada dos interesses locais , que o mesmo será dizer ,perde a função geradora de rendimento local ,de empregabilidade e usufruição como espaço histórico –vivencial
Isto impõe mudanças urgentes .Isto, no mínimo ,configura um insulto a toda uma comunidade rural .. Francisco Pândega (agricultor ) //// e-mail -fjnpandega@hotmail.com//// blog—alentejoagrorural .blogspot.com
e o
SOLO RUSTICO
1---- Estou convicto de que a causa da nossa difícil situação socio-económica resulta ,acima de tudo , de ineficiência agrícola. Daí ser recorrente que , sempre que abordamos a ruralidade alentejana , a coerência nos obrigue a concluir que a nossa região , não obstante as suas colossais potencialidade agrícolas , não está a contribuir , como deveria e poderia , para nos equipararmos aos países nossos parceiros comunitários ,em termos de nível de vida . Não , certamente , por deficiência do meio que é imenso e ubérrimo ; nem das suas gentes que , se bem que nas duas ultimas gerações tenham estado em perda de qualidade , ainda lhe resta alguma capacidade de entrosamento , com o meio, condição indispensável para o exercício de uma actividade agrícola de sucesso .
DIMENSÃO FUNCIONAL
.2--- Sendo assim, o que está errado entre nós ? A resposta é taxativa e peremptória :--- O não conseguir perceber que o espaço rústico tem que ser pertença da comunidade rural residente .A permissão do seu apossamento ,sem leis nem regras , por parte de quem não sabe dar-lhe o devido uso e, com isso , o impedimento de se processarem as multifuncionalidades que estão na sua génese .Urge ,pois , intervir .Para o efeito é preciso municiarmo-nos de uma elevada dose de conhecimento ,discernimento e coragem para definir a propriedade agrícola funcional , avaliar a formula reestruturante e agir sem tibieza.
a) --- “À escala do homem ” deve ser a dimensão da propriedade agrícola elegível Mesmo nos nossos dias , e por estranho que pareça , mantém-se inalterada desde há muitas gerações Apercebemo-nos desse facto pelos vestígios no terreno assim como nas consultas dos registos cadastrais .
Exceptuando os baldios , coutadas e morgadios que primavam apela enorme dimensão , por um lado , e por outro as pequenas courelas periféricas dos povoados , produtos de talhonamentos cedidos por aforamento , a propriedade agrícola base rondava os cento e cinquenta hectares ,
Era a dimensão considerada á “escala do homem” na qual se construía um monte ( evitavam-se as deslocações ) aonde moravam diversas famílias que ,com base nos precários instrumentos , cultivam os ferragiais envolventes ,pastavam cabradas ,nos matagais , e se defendiam dos bandoleiros e foragidos que por ali se acoitavam Era considerada a dimensão funcional dado poder ser percorrida , pela extremas , e vir-se almoçar a casa ; ou o gado , no verão , pastar de noite e vir de dia acarrar nas sombras junto á agua .Ou então nas noites de invernia , vir pernoitar á malhada
Foi assim ate aos meados do século XlX altura em que começou o desenvolvimento industrial e se deu a vinda do comboio , factores que dinamizaram um grande desenvolvimento nos campos alentejanos . Durou ate 1950 que foi quando se deu a substituição da tracção animal pelas maquinas Mesmo hoje , apesar da elevada eficiência dos factores de produção , a agricultura está muito condicionada pela preservação do meio ambiente, pela qualidade dos alimentos, assim como pela manutenção dos montados que não resistem a uma má aplicação da maquina . Desta forma não há necessidade de alterar a dimensão da exploração agrícola funcional Afinal o homem , que é o pivot do sistema, mantêm a mesma compleição
b)-- Para a avaliação da estrutura fundiária regional , servimo-nos da seguinte equação ; -- 30.000Km2 distribuídos por 42.000 agricultores resulta uma dimensão media ,por exploração , 70.hectares .Quase boa , mesmo para uma região Mediterrânica como é o Alentejo Esmiuçando ,porem , um pouco mais , conclui-se que a verdade , no terreno , é bem diferente e que as propriedades agrícolas daquela dimensão/media são em numero insignificante .Indo ao fundo da questão conclui-se que :---quatro quintos do Alentejo (24.000 km2) estão ocupados por dois mil latifúndios cuja dimensão média é superior a mil hectares . Os restantes 6.000 km2 , que compreendem a área social publica , já que as pequenas propriedades são circundantes dos povoados , é onde estão os quarenta mil minifundiários com uma área media inferior a 15Ha.,
É aqui que reside o nosso drama agro-rural :-- Enquanto que os primeiros , com elevados níveis de riqueza , geralmente não fazem uma exploração adequada , antes sim , predomina a incompetência ,a ausência e o absentismo .Já os segundos , devido a exiguidade da dimensão , não conseguem fazer uma agricultura auto sustentável .Daí o Alentejo não participar , como devia , no esforço nacional ,em prol do desenvolvimento .Debilitado e em perda de valores , resulta numa inexorável tentação aquisitiva ,por parte de endinheirados alienígenas ,em detrimentos dos indefesos autóctones cuja sorte , ao que parece , é a continuação da servidão e posterior extinção .
c)—A definição da propriedade agrícola , segundo a aptidão dos solos, é perfeitamente exequível dado estarem catalogados e identificados de uma forma bem clara e sem erros São cinco os tipos .De A (os melhores ) a E( os mais fracos) . Entre este dois extremos há três intermédios Evidentemente que não é no âmbito de um simples escrito que se descreve a técnica da sua aplicação .Podemos contudo enunciar as bases afim de melhor se aquilatar da simplicidade do processo
Se na conversão do tipo de solos em pontos aceitarmos que uma propriedade funcional devera ter 25.000 pontos e cada hectare de terra boa (barros e aluviões ) lhe conferirmos 250 pontos essa propriedade terá 100 ha. de superfície .No outro extremo se considerarmos 100 pontos por ha a terra de má qualidade(areias ,xistos esqueléticos ) essa propriedade terá 250 ha.
Como se vê dimensões diferentes ( 100haA, ou 250haE.) tem a mesma pontuação ou seja o mesmo valor agrícola funcional , não obstante terem dimensões tão diferentes .Dado ser comum uma exploração ter diferentes tipos de solo a sua dimensão será o somatório dos mesmos cuja media andará pelos 170ha..È pouca dirão os de mil ha .É mais do que suficiente , exclamarão os de 15ha É a medida certa sabem os que tem experiência nesta matéria .
Dado ser com esta dimensão que a terra promove as diversas funcionalidade (produção agrícola , povoamento do território , ordem e paz social , defesa do meio , preservação histórico-cultural ) é por ai que temos que enveredar importa sem vacilar . Para tal a terra remanescente da propriedade “tipo “ ,tem que ser considerada excedentária , , objecto de impostos progressivos e não elegível aos apoios comunitárias ,como , alias, é pratica comunitária nalgumas matérias
MUDANÇAS URGENTES
3-- O nosso drama , como região e , dada a sua importância , como nação , resulta da nossa inoperacionalidade agro-fundiaria
Com potencialidades quase ilimitadas (na produção agrícola , no emprego , na estabilidade e paz social ) vê-se coarctadas nessas valências pelo facto da terra estar sequestrada e de grande parte do seu uso não se compaginar com a essência dos superiores desígnios regionais .
Ter terra ,, em grande quantidade , hoje como ontem ,constitui um poder que escapa a intervenção da sociedade . Assim , em roda livre , enquanto que os restantes sectores vivem ajoujados sob o império dos impostos , da observação e escrutinação social e da concorrência comercial , os donos das terras , estão praticamente isentos de impostos dado estes não serem actualizados desde longa data ; mesmo aos mais impenitentes absentistas ninguém tem o direito de lhe dizer:-- “olhe lá !. a terra tem uma função social” ; agora está no moda cederem –na , para exploração de campanha , de alguns meses ,em condições leoninas . O facto de não poder aceder á PAC resulta num rápido empobrecimento , tornando insolvente quem tenha a desdita de a tal se submeter, É por estas e outras razões que ser agricultor directo significa descer na escala de valores
Ultimamente , e sempre que lhes dá na real gana , vendem-na , a troco a de malas de dinheiro , a quem , mais parecendo estar ao serviço de um projecto expansionista , vindo de algures , arrogante ,superior e auto-suficiente , se instala sem prestar contas a ninguém .Acontece que terra assim alienada , é terra desanexada da alçada dos interesses locais , que o mesmo será dizer ,perde a função geradora de rendimento local ,de empregabilidade e usufruição como espaço histórico –vivencial
Isto impõe mudanças urgentes .Isto, no mínimo ,configura um insulto a toda uma comunidade rural .. Francisco Pândega (agricultor ) //// e-mail -fjnpandega@hotmail.com//// blog—alentejoagrorural .blogspot.com
9.12.07
AlentejoAgroRural
DESAFIOS DE HOJE
1--- Comemoram-se dois séculos da formalização de uma coligação franco/ espanhola que antecedeu a invasão e partilha , entre si, o nosso pais .Porque “não há duas sem três” é nosso dever inalienável manter em boa ordem a nossa economia ,bem estar e satisfação social , assim como cultivar o orgulho de ser alentejano Essa é a forma de afastar novas tentações
Em boa verdade a nova invasão já começou , e em grande escala , sobre o espaço territorial alentejano ,que mais não é do que nova tentativa , ao longo da história repetida , de unificar a península ibérica sob a égide de Madrid. Os nossos " hermanos” assim, como que acometidos por uma súbita amizade, para connosco , que contrasta com séculos e séculos de agressividade , optaram por uma nova estratégia que passa por acordos transfronteiriços, tratados de amizade e cooperação ,parcerias com as mais diversas finalidades , com os quais , fazendo uso da sua pujante economia e aproveitando-se da nossa ocasional debilidade e baixa estima , entendem ter chegado a hora de nova tentativa na linha das que, com uma periodicidade bissecular , tem experimentado .
2--- È que , confirmado por sondagens , percebe-se que estamos numa encruzilhada da nossa existência, como nação , em que tudo pode acontecer .Debilitados económica e moralmente estamos prontos a claudicar sem resistência ; incapazes de perceber que a nossa debilidade resulta das nossas enquistadas estruturas fundiárias ,que impedem o desenvolvimento agrícola do Alentejo ; e que a continuar assim não somos capazes de nos integramos na novas ordem global pronta a tragar os que vacilam na defesa dos seus valores .
a)--- Evidentemente que a Espanha não está interessada no nosso pais ,por inteiro e de uma só vez .Pelo simples facto de termos os vícios consumistas dos países desenvolvidos sem a respectiva produção o que ,como se diz em termos de pecuária ,é demasiado o perigo da desmama .Preferem antes progredir nos espaços rurais contíguos as suas regiões . Estão nesse caso , e em estado mais avançado , a Extremadura /Alentejo e o Galiza /Minho Com uma diferença substancial :-- Enquanto que sobre o Minho não nutrem aspirações territoriais , já que os minhotos são donos do seu Minho e tal não permitiriam , conquanto que no Alentejo ,pertença de sociedades cujos donos são dificilmente identificáveis ,não tem a oposição ,sempre temida e desmoralizadora, da comunidade rural residente, pelo simples facto desta não ter nada de seu a defender
Foram muitas gerações de imposição de servidão e de desmesurada punição por parte da oligarquia cleptotárquica que ,desde 1835, domina o Alentejo
b--.Daí o nosso empobrecimento moral e económico e a perda de valores ,referencias e identidade , ao ponto de vermos , sem um gesto de inconformidade , adquirir um quinto do Alentejo sem um mínimo de interferência da autoridades politicas locais .O nosso empobrecimento , absolutamente injustificado ,resulta do Alentejo , não obstante ser 55% dos solos agrícolas do pais , por razões de má gestão do espaço fundiário , não comparticipar , como devia e podia , para a superação dos diversos problemas nacionais :--- produzir alimentos e com isso equilibrar a balança de pagamentos ; proceder ao povoamento harmónico do território e com isso a afirmação de que o Alentejo tem donos . É devido a essa má gestão que há uma debandada dos meios rurais e é essa a razão do aspecto desolador e desumanizado da região .Desse facto resulta uma grande brecha por onde penetram e se instalam os extemporâneos colonizadores do século XXI.Atónitos , se bem que concordem com a substituição dos grandes proprietários que alienam uma boa porção de região , não entendem como isso pode acontecer ignorando a comunidade rural autóctone que é a que tem o querer e saber fazer nos campos alentejanos , para alem de ter a legitimidade da sua posse e o direito de intervir nas regras do seu uso . Que dirão os muitos técnicos agrícolas, pecuários ou florestais que anualmente saem dos centros de ensino sabendo que , por incapacidade de aceder á terra , espera-os o trabalho por conta de um estrangeiro . Ou os nossos emigrantes que , ao regressar ao Alentejo ,sabem estar condenados a ser imigrantes na sua própria terra ? Resposta difícil que alguém terá que dar .
c)--- Nós , pelas razões atrás aduzidas , constituímos um excepção em termos de displicência rural .Senão façamos comparações e retiramos as respectivas ilações .Por força de globalização , a nossa época é caracterizada pelo reajustamento das populações as suas regiões naturais afim de viverem de acordos com as respectivas especificidades Assim se entende a luta dos bascos, catalães , galegos na demanda de maior autonomia no seio de Espanha ; os países do mar Baltico (Estónia Letónia e Lituânia ) ansiosos por se desagregarem da Federação russa e não obstante serem pequenos países ,aderirem ,individualmente , á Europa comunitária a qual pertencem por direito próprio ; as dificuldades , em viverem juntos , na Bélgica , os valões e flamengos ;na Inglaterra e depois da saída da Irlanda agora a contestação do Pais de Gales ; nos Balcãs a luta dos bósnios ,macedónios ,croatas , montenegrinos e agora os Kosovares , para a se libertarem da federação jugoslava e da hegemonia servia . São assim os povos de todos o mundo .A ânsia de uma vivência ao nível regional com os seus concidadãos ,que partilham da mesma identidade e mesmos valores ,de forma individualizada .Podendo federar-se num grande espaço aonde haja ,num patamar mais elevado , algum grau de afinidade ( democracia, religião, respeito pelas diferenças ,) como é o caso da União Europeia , do Brasil e dos Estados Unidos da América , aonde possam cultivar a sua especificidade regional È a essa luz que , surpreendentemente , nós , ao arrepio de qualquer sensatez e ao invés dos outros povos , como se estivéssemos cansados de ser livres e desonrando os nossos antepassados e a certeza dos desprezo das gerações seguinte ,claudicamos sem honra e sem glória .
3---Todos os povos , tal como nós ,estão empenhados na captação de investimentos estrangeiros , fazendo -o , porem , em todos os domínios menos na ocupação do espaço rústico . Nessa área , nós somos um caso único de abertura ao contrario de todos outros que , se bem que digam ter as portas abertas ,a verdade é que defendem o espaço territorial para uso exclusivo dos seus concidadãos .É assim :--- No Brasil aonde há sempre um capanga a reclamar direito sobre determinada terra ; em Africa há pilhagens e sabotagens e insegurança que desmobilizam quaisquer tentativas coloniais ; nos países de leste a terra é cedida em pequenas quantidades e de forma muito precária ; até a democrática França ,em constantes programas de emparcelamento , a propriedade rústica tem preços baixíssimos , visando os financiamento , mas só podendo ser adquirida por vizinhos que justifiquem a sua necessidade para redimensionamentos È assim em toda a parte inclusivamente na democrática França .Não é assim entre nós
A questão fundiária alentejana constitui uma monumental brecha na nossa estrutura organizativa Não me parece que o direito comunitário de livre estabelecimento inclua a espoliação ás comunidades rurais do seu espaço vital .Isso contraria frontalmente o conceito comunitário que defende a Europa as Regiões cujos espaços rústicos são pertença das respectivas comunidades Daí ser impossível que o direito de livre estabelecimento se aplique ao solo rústicos alentejano com a facilidade ,quantidade e velocidade , com que a sus venda se pratica Assim , por clara incapacidade ,nas actuais circunstancias , de darmos ao nosso solo uma função mais patriótica , importa requerer uma clausula de suspensão na EU visando rearrumar o devastado mundo rural alentejano nem que para tal se nacionalize o solo ,repescando o tradicional aforamento ,que tão bons serviços prestou entre nós , para o conceder a privados que se proponham dar-lhe um uso consentânea com os superiores desígnios regionais . Mesmo que isso levante contestação dos se arroguem o direito absoluto sobre a terra ,não raro tendo no bolso um contrato promessa de venda a algum endinheirado estrangeiro, essa pretensa contestação não é mais do que o estertor da desmama ,que não concitará qualquer apoio .Francisco Pândega (agricultor ) ///e-mail-( fjnpandega@hotmail.com) /// blog ( alentejoagrorural.blogspot.com)
DESAFIOS DE HOJE
1--- Comemoram-se dois séculos da formalização de uma coligação franco/ espanhola que antecedeu a invasão e partilha , entre si, o nosso pais .Porque “não há duas sem três” é nosso dever inalienável manter em boa ordem a nossa economia ,bem estar e satisfação social , assim como cultivar o orgulho de ser alentejano Essa é a forma de afastar novas tentações
Em boa verdade a nova invasão já começou , e em grande escala , sobre o espaço territorial alentejano ,que mais não é do que nova tentativa , ao longo da história repetida , de unificar a península ibérica sob a égide de Madrid. Os nossos " hermanos” assim, como que acometidos por uma súbita amizade, para connosco , que contrasta com séculos e séculos de agressividade , optaram por uma nova estratégia que passa por acordos transfronteiriços, tratados de amizade e cooperação ,parcerias com as mais diversas finalidades , com os quais , fazendo uso da sua pujante economia e aproveitando-se da nossa ocasional debilidade e baixa estima , entendem ter chegado a hora de nova tentativa na linha das que, com uma periodicidade bissecular , tem experimentado .
2--- È que , confirmado por sondagens , percebe-se que estamos numa encruzilhada da nossa existência, como nação , em que tudo pode acontecer .Debilitados económica e moralmente estamos prontos a claudicar sem resistência ; incapazes de perceber que a nossa debilidade resulta das nossas enquistadas estruturas fundiárias ,que impedem o desenvolvimento agrícola do Alentejo ; e que a continuar assim não somos capazes de nos integramos na novas ordem global pronta a tragar os que vacilam na defesa dos seus valores .
a)--- Evidentemente que a Espanha não está interessada no nosso pais ,por inteiro e de uma só vez .Pelo simples facto de termos os vícios consumistas dos países desenvolvidos sem a respectiva produção o que ,como se diz em termos de pecuária ,é demasiado o perigo da desmama .Preferem antes progredir nos espaços rurais contíguos as suas regiões . Estão nesse caso , e em estado mais avançado , a Extremadura /Alentejo e o Galiza /Minho Com uma diferença substancial :-- Enquanto que sobre o Minho não nutrem aspirações territoriais , já que os minhotos são donos do seu Minho e tal não permitiriam , conquanto que no Alentejo ,pertença de sociedades cujos donos são dificilmente identificáveis ,não tem a oposição ,sempre temida e desmoralizadora, da comunidade rural residente, pelo simples facto desta não ter nada de seu a defender
Foram muitas gerações de imposição de servidão e de desmesurada punição por parte da oligarquia cleptotárquica que ,desde 1835, domina o Alentejo
b--.Daí o nosso empobrecimento moral e económico e a perda de valores ,referencias e identidade , ao ponto de vermos , sem um gesto de inconformidade , adquirir um quinto do Alentejo sem um mínimo de interferência da autoridades politicas locais .O nosso empobrecimento , absolutamente injustificado ,resulta do Alentejo , não obstante ser 55% dos solos agrícolas do pais , por razões de má gestão do espaço fundiário , não comparticipar , como devia e podia , para a superação dos diversos problemas nacionais :--- produzir alimentos e com isso equilibrar a balança de pagamentos ; proceder ao povoamento harmónico do território e com isso a afirmação de que o Alentejo tem donos . É devido a essa má gestão que há uma debandada dos meios rurais e é essa a razão do aspecto desolador e desumanizado da região .Desse facto resulta uma grande brecha por onde penetram e se instalam os extemporâneos colonizadores do século XXI.Atónitos , se bem que concordem com a substituição dos grandes proprietários que alienam uma boa porção de região , não entendem como isso pode acontecer ignorando a comunidade rural autóctone que é a que tem o querer e saber fazer nos campos alentejanos , para alem de ter a legitimidade da sua posse e o direito de intervir nas regras do seu uso . Que dirão os muitos técnicos agrícolas, pecuários ou florestais que anualmente saem dos centros de ensino sabendo que , por incapacidade de aceder á terra , espera-os o trabalho por conta de um estrangeiro . Ou os nossos emigrantes que , ao regressar ao Alentejo ,sabem estar condenados a ser imigrantes na sua própria terra ? Resposta difícil que alguém terá que dar .
c)--- Nós , pelas razões atrás aduzidas , constituímos um excepção em termos de displicência rural .Senão façamos comparações e retiramos as respectivas ilações .Por força de globalização , a nossa época é caracterizada pelo reajustamento das populações as suas regiões naturais afim de viverem de acordos com as respectivas especificidades Assim se entende a luta dos bascos, catalães , galegos na demanda de maior autonomia no seio de Espanha ; os países do mar Baltico (Estónia Letónia e Lituânia ) ansiosos por se desagregarem da Federação russa e não obstante serem pequenos países ,aderirem ,individualmente , á Europa comunitária a qual pertencem por direito próprio ; as dificuldades , em viverem juntos , na Bélgica , os valões e flamengos ;na Inglaterra e depois da saída da Irlanda agora a contestação do Pais de Gales ; nos Balcãs a luta dos bósnios ,macedónios ,croatas , montenegrinos e agora os Kosovares , para a se libertarem da federação jugoslava e da hegemonia servia . São assim os povos de todos o mundo .A ânsia de uma vivência ao nível regional com os seus concidadãos ,que partilham da mesma identidade e mesmos valores ,de forma individualizada .Podendo federar-se num grande espaço aonde haja ,num patamar mais elevado , algum grau de afinidade ( democracia, religião, respeito pelas diferenças ,) como é o caso da União Europeia , do Brasil e dos Estados Unidos da América , aonde possam cultivar a sua especificidade regional È a essa luz que , surpreendentemente , nós , ao arrepio de qualquer sensatez e ao invés dos outros povos , como se estivéssemos cansados de ser livres e desonrando os nossos antepassados e a certeza dos desprezo das gerações seguinte ,claudicamos sem honra e sem glória .
3---Todos os povos , tal como nós ,estão empenhados na captação de investimentos estrangeiros , fazendo -o , porem , em todos os domínios menos na ocupação do espaço rústico . Nessa área , nós somos um caso único de abertura ao contrario de todos outros que , se bem que digam ter as portas abertas ,a verdade é que defendem o espaço territorial para uso exclusivo dos seus concidadãos .É assim :--- No Brasil aonde há sempre um capanga a reclamar direito sobre determinada terra ; em Africa há pilhagens e sabotagens e insegurança que desmobilizam quaisquer tentativas coloniais ; nos países de leste a terra é cedida em pequenas quantidades e de forma muito precária ; até a democrática França ,em constantes programas de emparcelamento , a propriedade rústica tem preços baixíssimos , visando os financiamento , mas só podendo ser adquirida por vizinhos que justifiquem a sua necessidade para redimensionamentos È assim em toda a parte inclusivamente na democrática França .Não é assim entre nós
A questão fundiária alentejana constitui uma monumental brecha na nossa estrutura organizativa Não me parece que o direito comunitário de livre estabelecimento inclua a espoliação ás comunidades rurais do seu espaço vital .Isso contraria frontalmente o conceito comunitário que defende a Europa as Regiões cujos espaços rústicos são pertença das respectivas comunidades Daí ser impossível que o direito de livre estabelecimento se aplique ao solo rústicos alentejano com a facilidade ,quantidade e velocidade , com que a sus venda se pratica Assim , por clara incapacidade ,nas actuais circunstancias , de darmos ao nosso solo uma função mais patriótica , importa requerer uma clausula de suspensão na EU visando rearrumar o devastado mundo rural alentejano nem que para tal se nacionalize o solo ,repescando o tradicional aforamento ,que tão bons serviços prestou entre nós , para o conceder a privados que se proponham dar-lhe um uso consentânea com os superiores desígnios regionais . Mesmo que isso levante contestação dos se arroguem o direito absoluto sobre a terra ,não raro tendo no bolso um contrato promessa de venda a algum endinheirado estrangeiro, essa pretensa contestação não é mais do que o estertor da desmama ,que não concitará qualquer apoio .Francisco Pândega (agricultor ) ///e-mail-( fjnpandega@hotmail.com) /// blog ( alentejoagrorural.blogspot.com)
23.11.07
AlentejoAgroRural
E
SÁ CARNEIRO
1---Foi a 04 de Dezembro de 1980 ,vão fazer 27 anos , que Sá Carneiro foi morto . Com a sua morte desapareceu a possibilidade do Alentejo ultrapassar esta exclusão fundiária que lhe tem sido imposta ;com a sua morte foi perdida a oportunidade de fazer brotar as suas colossais potencialidades regionais em beneficio da região , das suas gentes e ,em suma, do pais . Sei do que falo ,em relação á agricultura porque é a minha actividade e porque conheço razoavelmente bem o Alentejo agro-rural .Sei o que digo, em relação a Sá Carneiro , por ter sido candidato à Assembleia da Republica , integrado na lista da Aliança Democrática , formação partidária que ,um ano antes, o havia elegido primeiro ministro .Alem de ter participado ,durante a sua governação ,em diversos projectos um dos quais a delimitação do Alentejo natural com vista á regionalização .
2--- Quem tenha alguma sensibilidade para os problemas agro-rurais sabe que , devido a uma estranha falta de coragem no reordenamento do espaço rústico , o Alentejo está perdido para a comunidade rural autóctone e ,quiçá , para o país . Já não é uma questão de tempo O processo de aquisições, por parte de espanhóis , ,tomou tal dimensão que sua perda , se tornou irreversível .
Daí o interesse em analisar a politica agrícola protagonizada por Sá Carneiro assim como as medidas tomadas pelos governos subsequentes do seu partido .È um período da história regional ,que importa registar.
a)--- Após a revolução de Abril , a quase a totalidade dos alentejanos , cientes de que a questão da terra era a causa da terrível opressão regional , aderiu em massa as alterações fundiárias . Fomos , porem , surpreendidos com a solução colectivista adoptada , coisa nova que cedo se percebeu ser imprópria para a nossa mentalidade . Ou seja :- saiu-se de uma situação de profunda injustiça para outra tão ou mais injusta
O mundo rural alentejano era regulamentado pela lei nº77/77 , do então primeiro ministro Mário Soares, com base na qual se desenvolveu a acção de Sá Carneiro . Tinha como principais vectores a devolução , aos proprietários expropriados ,de uma reserva , ali perfeitamente quantificada , mantendo-se a restante expropriada no domino publico .Essa lei funcionava numa área denominada ZIRA (zona de intervenção da reforma agrária ) sita no Alentejo e parte do Ribatejo .Ou seja na mesma área que agora esta a ser intervencionada, conjuntamente , em termos de Qren .De facto há aqui alguma ironia :-- depois de tão vilipendiada volta a ressurgir como o área de intervenção conjunta Nela , a maior parte apropriada por UCPs
O PCP imperava sob a batuta de comités algures .
b)---Foi essa a situação ,altamente degradante e muito explosiva , que Sá Carneiro enfrentou . Clarividente e corajoso ,fê-lo ,tendo em conta os superiores desígnios pátrios e das gentes rurais do Alentejo , determinando que as terras expropriadas começassem a ser cedidas a novos agricultores , devidamente seleccionados , por critérios análogos á extinta lei do aforamento Compreendia a cedência de uma área agrícola subordinada a um plano de exploração aceitável , aquém oferecesse garantias de proceder a uma exploração adequada. Não contemplava o direito de alienação nem hipoteca mas sim ao de sucessório como convinha .Afinal é a formula usada ,por nós ,tradicionalmente e aquela que, sem prejudicar o desenvolvimento rural , garante a produção e a preservação do espaço nacional
A sua acção trouxe-lhe grandes inimizades :-- por parte do PCP que provocava arruaças e caluniava da forma mais torpe .E do seu próprio partido (o PSD aonde se acolheram os donos das terras expropriadas ) o qual sabendo que ,mantendo as terras expropriadas na posse das UCP , de seguida as iam recuperar .Ficavam ,porem , apavorados logo que fossem cedidas a novos agricultores Foi contra tudo , inclusivamente o seu próprio partido , que Sá Carneiro lutou .
c)---A sua morte veio confirmar as suspeitas que nós , os que andávamos em campanha , constatávamos no terreno .Graças ,porem , ao grande politico Francisco de Sousa Tavares ,o primeiro não comunista a ser eleito no ciclo eleitoral ,a politica agrícola regional, traçada por Sá Carneiro ,era divulgada .Consistia principalmente na substituição do colectivismo por agricultores individuais e directos . Com tão persuasivos argumentos , geralmente desmobilizávamos os PCPs ,sempre prontos a fazer abortar os comícios ,mas não raro se rendendo-se aos nossos argumentos , contrastando com os grandes agrários ,que nos acompanhavam , que ficavam em pânico
.Após a sua morte as nossas suspeitas confirmaram-se Desde então e até hoje , salvo um único período sucederam-se governos sem a mínima sensibilidade para a questão agrícola regional . Estavam ,antes sim , apostados e repor a situação tal com se encontrava no tempo do estado novo Foram devolvidas terras a quem, claramente não era merecedor das ter .Governantes que vinham ao Alentejo profundo sem verem a profundidade da injustiça fundiária que fez da comunidade rural tradicional autênticos mártires O perigo que impende ,hoje , sobre a nossa soberania , contra o qual Sá Carneiro se havia antecipado , deriva de não terem seguido o caminho tão claramente por ele trilhado . Optou-se pelo inverso .Com um cinismo inqualificável ,enaltecia-se o seu trabalho , dizendo-se seus seguidores, mas fazendo exactamente ao contrario do caminho por ele traçado.
3---Digo que o Alentejo esta perdido , para os alentejanos e para o pais , a sangrar de dor .Circula tanto dinheiro ,adquirem tanta terra em tão pouco tempo , de uma forma rápida mas discreta , que não se atinge a dimensão do que está em causa .Estima-se que já ultrapassa , neste curto lapso de tempo, um quinto do espaço regional Uma coisa assim é impossível de acontecer em parte alguma .Se por absurdo uma coisa assim se verificasse na restante Europa , com ou sem União , poderia dar origem a terceira guerra mundial Entre nós nada irá acontecer .Assim :-- Os ricos que vendem pedaços da região sabem que o dinheiro não tem pátria ; os intelectuais tem lugar em qualquer lado ; muitos funcionários voltam a afrancesar-se (neste caso a espanholar-se) ; os pobres, a antiga plebe ,sempre prontos a defender os valores pátrios ,hoje ,sem terra para defender , a viver a expensas de uma vasta panóplia de subsídios intercaladas por baixas médicas e reformas antecipadas ,desabituaram-se de lutar por valores mais altos .Contudo , acabam por ser eles , os vencidos/ alvo , que vão sofrer as consequências .
Temo o julgamento da história .E penso que a presente época será recordada por “ a geração vergonha” dos oito séculos de nação .Salvar-se-á Sá Carneiro que, pela sua lúcida ,esclarecida e corajosa acção será dos que “ da lei da morte se foram libertando”.
Francisco Pândeg(agricultor) e-mail fjnpandega@hotmail.com/// blog alentejoagrorural.blogspot.com
E
SÁ CARNEIRO
1---Foi a 04 de Dezembro de 1980 ,vão fazer 27 anos , que Sá Carneiro foi morto . Com a sua morte desapareceu a possibilidade do Alentejo ultrapassar esta exclusão fundiária que lhe tem sido imposta ;com a sua morte foi perdida a oportunidade de fazer brotar as suas colossais potencialidades regionais em beneficio da região , das suas gentes e ,em suma, do pais . Sei do que falo ,em relação á agricultura porque é a minha actividade e porque conheço razoavelmente bem o Alentejo agro-rural .Sei o que digo, em relação a Sá Carneiro , por ter sido candidato à Assembleia da Republica , integrado na lista da Aliança Democrática , formação partidária que ,um ano antes, o havia elegido primeiro ministro .Alem de ter participado ,durante a sua governação ,em diversos projectos um dos quais a delimitação do Alentejo natural com vista á regionalização .
2--- Quem tenha alguma sensibilidade para os problemas agro-rurais sabe que , devido a uma estranha falta de coragem no reordenamento do espaço rústico , o Alentejo está perdido para a comunidade rural autóctone e ,quiçá , para o país . Já não é uma questão de tempo O processo de aquisições, por parte de espanhóis , ,tomou tal dimensão que sua perda , se tornou irreversível .
Daí o interesse em analisar a politica agrícola protagonizada por Sá Carneiro assim como as medidas tomadas pelos governos subsequentes do seu partido .È um período da história regional ,que importa registar.
a)--- Após a revolução de Abril , a quase a totalidade dos alentejanos , cientes de que a questão da terra era a causa da terrível opressão regional , aderiu em massa as alterações fundiárias . Fomos , porem , surpreendidos com a solução colectivista adoptada , coisa nova que cedo se percebeu ser imprópria para a nossa mentalidade . Ou seja :- saiu-se de uma situação de profunda injustiça para outra tão ou mais injusta
O mundo rural alentejano era regulamentado pela lei nº77/77 , do então primeiro ministro Mário Soares, com base na qual se desenvolveu a acção de Sá Carneiro . Tinha como principais vectores a devolução , aos proprietários expropriados ,de uma reserva , ali perfeitamente quantificada , mantendo-se a restante expropriada no domino publico .Essa lei funcionava numa área denominada ZIRA (zona de intervenção da reforma agrária ) sita no Alentejo e parte do Ribatejo .Ou seja na mesma área que agora esta a ser intervencionada, conjuntamente , em termos de Qren .De facto há aqui alguma ironia :-- depois de tão vilipendiada volta a ressurgir como o área de intervenção conjunta Nela , a maior parte apropriada por UCPs
O PCP imperava sob a batuta de comités algures .
b)---Foi essa a situação ,altamente degradante e muito explosiva , que Sá Carneiro enfrentou . Clarividente e corajoso ,fê-lo ,tendo em conta os superiores desígnios pátrios e das gentes rurais do Alentejo , determinando que as terras expropriadas começassem a ser cedidas a novos agricultores , devidamente seleccionados , por critérios análogos á extinta lei do aforamento Compreendia a cedência de uma área agrícola subordinada a um plano de exploração aceitável , aquém oferecesse garantias de proceder a uma exploração adequada. Não contemplava o direito de alienação nem hipoteca mas sim ao de sucessório como convinha .Afinal é a formula usada ,por nós ,tradicionalmente e aquela que, sem prejudicar o desenvolvimento rural , garante a produção e a preservação do espaço nacional
A sua acção trouxe-lhe grandes inimizades :-- por parte do PCP que provocava arruaças e caluniava da forma mais torpe .E do seu próprio partido (o PSD aonde se acolheram os donos das terras expropriadas ) o qual sabendo que ,mantendo as terras expropriadas na posse das UCP , de seguida as iam recuperar .Ficavam ,porem , apavorados logo que fossem cedidas a novos agricultores Foi contra tudo , inclusivamente o seu próprio partido , que Sá Carneiro lutou .
c)---A sua morte veio confirmar as suspeitas que nós , os que andávamos em campanha , constatávamos no terreno .Graças ,porem , ao grande politico Francisco de Sousa Tavares ,o primeiro não comunista a ser eleito no ciclo eleitoral ,a politica agrícola regional, traçada por Sá Carneiro ,era divulgada .Consistia principalmente na substituição do colectivismo por agricultores individuais e directos . Com tão persuasivos argumentos , geralmente desmobilizávamos os PCPs ,sempre prontos a fazer abortar os comícios ,mas não raro se rendendo-se aos nossos argumentos , contrastando com os grandes agrários ,que nos acompanhavam , que ficavam em pânico
.Após a sua morte as nossas suspeitas confirmaram-se Desde então e até hoje , salvo um único período sucederam-se governos sem a mínima sensibilidade para a questão agrícola regional . Estavam ,antes sim , apostados e repor a situação tal com se encontrava no tempo do estado novo Foram devolvidas terras a quem, claramente não era merecedor das ter .Governantes que vinham ao Alentejo profundo sem verem a profundidade da injustiça fundiária que fez da comunidade rural tradicional autênticos mártires O perigo que impende ,hoje , sobre a nossa soberania , contra o qual Sá Carneiro se havia antecipado , deriva de não terem seguido o caminho tão claramente por ele trilhado . Optou-se pelo inverso .Com um cinismo inqualificável ,enaltecia-se o seu trabalho , dizendo-se seus seguidores, mas fazendo exactamente ao contrario do caminho por ele traçado.
3---Digo que o Alentejo esta perdido , para os alentejanos e para o pais , a sangrar de dor .Circula tanto dinheiro ,adquirem tanta terra em tão pouco tempo , de uma forma rápida mas discreta , que não se atinge a dimensão do que está em causa .Estima-se que já ultrapassa , neste curto lapso de tempo, um quinto do espaço regional Uma coisa assim é impossível de acontecer em parte alguma .Se por absurdo uma coisa assim se verificasse na restante Europa , com ou sem União , poderia dar origem a terceira guerra mundial Entre nós nada irá acontecer .Assim :-- Os ricos que vendem pedaços da região sabem que o dinheiro não tem pátria ; os intelectuais tem lugar em qualquer lado ; muitos funcionários voltam a afrancesar-se (neste caso a espanholar-se) ; os pobres, a antiga plebe ,sempre prontos a defender os valores pátrios ,hoje ,sem terra para defender , a viver a expensas de uma vasta panóplia de subsídios intercaladas por baixas médicas e reformas antecipadas ,desabituaram-se de lutar por valores mais altos .Contudo , acabam por ser eles , os vencidos/ alvo , que vão sofrer as consequências .
Temo o julgamento da história .E penso que a presente época será recordada por “ a geração vergonha” dos oito séculos de nação .Salvar-se-á Sá Carneiro que, pela sua lúcida ,esclarecida e corajosa acção será dos que “ da lei da morte se foram libertando”.
Francisco Pândeg(agricultor) e-mail fjnpandega@hotmail.com/// blog alentejoagrorural.blogspot.com
30.10.07
AlentejoAgroRural
e as
SEARAS
1--- O nosso país e , ao que parece , a restante Europa , está a braços com um preocupante deficit de cereais De tal ordem que , nos últimos meses ,o trigo , que era vendido a 25$00kg, passou para cinquenta havendo casos , devido as sementeiras ,que triplicou . Os restantes cereais sobem na mesma proporção e, com isso ,encarecem a carne , os ovos , o leite , etc . Mas a crise começa a atingir o pão , não só em termos de preços como ate a previsível carência . A solução imediata é o recurso as importações dos EE.UU, por um lado e , por outro , dar inicio á retoma da produção regional .
2--- Só se entende a cerealicultura regional desde que se conheça o comportamento do meio ,cujas características dominantes são :--- Cerca de 25% são terras de boa qualidade onde a cultura de cereais pode ser feita de forma intensiva , sem que para tal sejam necessários conhecimentos especiais È nessas terras também que se pratica o regadio se plantam vinhas e olivais Nos restantes mais de dois milhões de hectares de terras ligeiras ,de vocação agro-silvo-pastoríl , tem que haver mais parcimónia no seu cultivo . Importa que se mantenha revestida de montado ,o que não significa que se vote ao abandono como se de uma vulgar floresta se tratasse .Por outro lado , e dada a sua susceptibilidade ao mau uso , implica que se conheça o seu comportamento e , como tal ,se faça uma intervenção ajustada .
a)—Após uma seara , se o solo não for mobilizado inicia a designação de pousio cuja função é a sua recuperação natural :-- Dá-se o reaparecimento da pastagem (se não tiver sido dizimada por herbicidas ) ; recupera o fundo de fertilidade ; aumenta a espessura da camada arável ; eliminam-se as pragas e doenças das culturas anteriores O pousio faz ,pois , parte integrante do sistema .
Porem , se continuar sem mobilização ,a partir dos sete anos ( variável segundo a intensificação anterior ) deixa de se chamar pousio , para se tornar num inculto produtivo .A partir daí dá-se inicio á degradação do solo :--- vão desaparecendo as pastagens e , em seu lugar, surgem os arbustos ; a fertilidade entra em declínio, o solo compacta-se tornando-se impermeável á agua e acidifica-se ; a camada arável de solo perde a espessura devido á erosão ; surgem os musgos e líquenes , vegetais primários que tudo sugam e enfraquecem ; os montados definham e morrem .
É o regresso ao Alentejo do matagais , inóspitos e agressivos ,aonde as medonhas queimadas de outrora voltam a propagar-se dado que a vegetação , ressequida e resinosa ,se torna altamente combustível.
b)--E neste quadro que a cerealicultura se insere em articulação com a pecuária e os montados .Daí a designação de agro-silvo-pastorícia.
Um alqueive , no Inverno ,e inicia-se um novo ciclo de cereais. Chegadas as aguas novas (Setembro ) , no referido alqueive ,e como cabeça de rotação , semeia-se geralmente trigo e no ano seguinte , as denominadas relvas de aveia. Sendo uma regra geral , há excepções de acordo com a maior ou menor densidade do montado e da aptidão do solo Essa seara é ceifada na parte que mereça a pena .Os restos , os “repelos “ sob a copa dos chaparros , nos “arrifes “ pedregosos ou as baixas húmidas ,vão ser aproveitados pelo gado que ao pastoreia directamente ( “ o que não vai a eira vai á salgadeira “) . Após as relvas ,volta a ficar de pousio o qual , passados anos , recomeça outro ciclo e assim sucessivamente com a predeterminada periodicidade.
c)— Nestes condições e aos preços actuais dos cereais , fundas a partir do mil quilos /ha ,em média , já são rentáveis . Convêm acrescentar que , quer os montados , quer as nossas raças autóctones , quer os cereais assim cultivados ,não tem grande performance nem produções unitárias elevadas Espera-se , isso sim , baixos custos de produção e muita qualidade , assim como a perenidade do sistema dado estar harmonizado com o meio .Nestas condições , não se podem imputar os custos somente aos cereais mas sim reparti-los pelo gado e montados que são directamente beneficiários .E indirectamente á preservação paisagística e ambiental ; á protecção contra incêndios ; a manutenção da fauna silvestre ; e até á presença do homem em espaço rural para lhe conferir a indispensável humanização . O Alentejo agro-rural é a assim mesmo :-- tudo tem que ver com tudo e tudo se processa num intrínseco encadeamento A interferência de estranhos ao meio geralmente detentores do espaço rural , destrói esta sequencia de interligações
3--- Contra o sistema tradicional insurgem-se os megalómanos agrícolas que , sem terem em conta a condicionantes do meio , contrapõem o uso de potentes tractores que tudo arrasam ; fertilizantes e pesticidas a esmo .Se falta de chuva faz-se rega artificial , se o tempo vem áspero cobre-se com plásticos .Passado o ímpeto inicial depressa se cansam de tanto errar .Porque influentes é-lhes fácil um emprego ,geralmente no estado , de onde , e com o dinheiro dos contribuintes , impõem regras àquilo onde foram uns falhados
È por isso e por darem ouvidos aos inúmeros investidores que por aqui pululam ,cujos verdadeiros propósitos não são claros , portadores de soluções miraculosas que inebriam os decisores , que isto esta como está :-- a produção de cereais desce para níveis vergonhosos ; as populações rurais empobrecidas vivendo a expensas da segurança social , debandam transidos de saudade .Resta o vazio agro-rural a ser preenchido , de uma forma galopante , pelos novos conquistadores que, desde o inicio do século XIX se haviam esquecido de nos tomar .O que dói é ignorar-se que a solução se encontra entre nós .
Francisco Pândega(agricultor /// e-mail-fjnpandega@hotmail.com/// blog-alentejoagrorural.blospot.com
e as
SEARAS
1--- O nosso país e , ao que parece , a restante Europa , está a braços com um preocupante deficit de cereais De tal ordem que , nos últimos meses ,o trigo , que era vendido a 25$00kg, passou para cinquenta havendo casos , devido as sementeiras ,que triplicou . Os restantes cereais sobem na mesma proporção e, com isso ,encarecem a carne , os ovos , o leite , etc . Mas a crise começa a atingir o pão , não só em termos de preços como ate a previsível carência . A solução imediata é o recurso as importações dos EE.UU, por um lado e , por outro , dar inicio á retoma da produção regional .
2--- Só se entende a cerealicultura regional desde que se conheça o comportamento do meio ,cujas características dominantes são :--- Cerca de 25% são terras de boa qualidade onde a cultura de cereais pode ser feita de forma intensiva , sem que para tal sejam necessários conhecimentos especiais È nessas terras também que se pratica o regadio se plantam vinhas e olivais Nos restantes mais de dois milhões de hectares de terras ligeiras ,de vocação agro-silvo-pastoríl , tem que haver mais parcimónia no seu cultivo . Importa que se mantenha revestida de montado ,o que não significa que se vote ao abandono como se de uma vulgar floresta se tratasse .Por outro lado , e dada a sua susceptibilidade ao mau uso , implica que se conheça o seu comportamento e , como tal ,se faça uma intervenção ajustada .
a)—Após uma seara , se o solo não for mobilizado inicia a designação de pousio cuja função é a sua recuperação natural :-- Dá-se o reaparecimento da pastagem (se não tiver sido dizimada por herbicidas ) ; recupera o fundo de fertilidade ; aumenta a espessura da camada arável ; eliminam-se as pragas e doenças das culturas anteriores O pousio faz ,pois , parte integrante do sistema .
Porem , se continuar sem mobilização ,a partir dos sete anos ( variável segundo a intensificação anterior ) deixa de se chamar pousio , para se tornar num inculto produtivo .A partir daí dá-se inicio á degradação do solo :--- vão desaparecendo as pastagens e , em seu lugar, surgem os arbustos ; a fertilidade entra em declínio, o solo compacta-se tornando-se impermeável á agua e acidifica-se ; a camada arável de solo perde a espessura devido á erosão ; surgem os musgos e líquenes , vegetais primários que tudo sugam e enfraquecem ; os montados definham e morrem .
É o regresso ao Alentejo do matagais , inóspitos e agressivos ,aonde as medonhas queimadas de outrora voltam a propagar-se dado que a vegetação , ressequida e resinosa ,se torna altamente combustível.
b)--E neste quadro que a cerealicultura se insere em articulação com a pecuária e os montados .Daí a designação de agro-silvo-pastorícia.
Um alqueive , no Inverno ,e inicia-se um novo ciclo de cereais. Chegadas as aguas novas (Setembro ) , no referido alqueive ,e como cabeça de rotação , semeia-se geralmente trigo e no ano seguinte , as denominadas relvas de aveia. Sendo uma regra geral , há excepções de acordo com a maior ou menor densidade do montado e da aptidão do solo Essa seara é ceifada na parte que mereça a pena .Os restos , os “repelos “ sob a copa dos chaparros , nos “arrifes “ pedregosos ou as baixas húmidas ,vão ser aproveitados pelo gado que ao pastoreia directamente ( “ o que não vai a eira vai á salgadeira “) . Após as relvas ,volta a ficar de pousio o qual , passados anos , recomeça outro ciclo e assim sucessivamente com a predeterminada periodicidade.
c)— Nestes condições e aos preços actuais dos cereais , fundas a partir do mil quilos /ha ,em média , já são rentáveis . Convêm acrescentar que , quer os montados , quer as nossas raças autóctones , quer os cereais assim cultivados ,não tem grande performance nem produções unitárias elevadas Espera-se , isso sim , baixos custos de produção e muita qualidade , assim como a perenidade do sistema dado estar harmonizado com o meio .Nestas condições , não se podem imputar os custos somente aos cereais mas sim reparti-los pelo gado e montados que são directamente beneficiários .E indirectamente á preservação paisagística e ambiental ; á protecção contra incêndios ; a manutenção da fauna silvestre ; e até á presença do homem em espaço rural para lhe conferir a indispensável humanização . O Alentejo agro-rural é a assim mesmo :-- tudo tem que ver com tudo e tudo se processa num intrínseco encadeamento A interferência de estranhos ao meio geralmente detentores do espaço rural , destrói esta sequencia de interligações
3--- Contra o sistema tradicional insurgem-se os megalómanos agrícolas que , sem terem em conta a condicionantes do meio , contrapõem o uso de potentes tractores que tudo arrasam ; fertilizantes e pesticidas a esmo .Se falta de chuva faz-se rega artificial , se o tempo vem áspero cobre-se com plásticos .Passado o ímpeto inicial depressa se cansam de tanto errar .Porque influentes é-lhes fácil um emprego ,geralmente no estado , de onde , e com o dinheiro dos contribuintes , impõem regras àquilo onde foram uns falhados
È por isso e por darem ouvidos aos inúmeros investidores que por aqui pululam ,cujos verdadeiros propósitos não são claros , portadores de soluções miraculosas que inebriam os decisores , que isto esta como está :-- a produção de cereais desce para níveis vergonhosos ; as populações rurais empobrecidas vivendo a expensas da segurança social , debandam transidos de saudade .Resta o vazio agro-rural a ser preenchido , de uma forma galopante , pelos novos conquistadores que, desde o inicio do século XIX se haviam esquecido de nos tomar .O que dói é ignorar-se que a solução se encontra entre nós .
Francisco Pândega(agricultor /// e-mail-fjnpandega@hotmail.com/// blog-alentejoagrorural.blospot.com
30.9.07
AlentejoAgroRural
e o seu
DESENVOLVIMENTO
1--- Com a reformulação dos critérios da PAC (politica agrícola comum ) ,no sentido de dar especial ênfase ao desenvolvimento rural ,avizinham-se alterações na agro-ruralidade regional a muito curto prazo .Entre elas estão algumas medidas , até agora facultativas , que passam a ser de execução obrigatória por parte dos estados membros Se a isso acrescentarmos o facto do nosso governo estar apostado na revisão do uso da terra, assim como a coincidência de Capoulas Santos ter sido eleito coordenador do desenvolvimento rural (um orgulho regional e a certeza da eficiência ), estamos perante um quadro de alterações ,autênticas pedradas neste charco putrefacto que é a ruralidade alentejana.
2---Efectivamente a CE ,depois de vinte anos de generalizações e de apoios um pouco a esmo , parece ter entendido que os seus propósitos agro-rurais , não estão a ser conseguidos
a)—Daí que a subsidiação vá ter em conta a região natural e, nela , os sistemas e cultivares para os quais tenha vocação ; limite as ajudas a um teto máximo de forma a privilegiar uma certa dimensão de agricultura e tipo de agricultor ou seja volta a ideia inicial de apoiar o agricultor a título principal ;vão ser afinadas as regras da modulação que significa o pagamento de ajudas por meio de escalões regressivamente subsidiados até atingir o teto atrás referido ; também o RPU ,uma forma bizarra de subsidiar, sem que para tal haja produção , vai tornar-se mais exigente .Estas medidas , que são prática nalguns regiões , vão gerar muitas poupanças ,no orçamento da PAC ,as quais se destinam ao desenvolvimento rural
b)---Mas o que é o desenvolvimento rural ? Interrogar-se-ão os menos calhados nas lides agrárias ! È mais uma forma de estar e sentir ,nos campos , do que propriamente uma doutrina .É uma vivência , em comunidade, perfeitamente entrosada no meio cuja função é ,entre outras , :--
Produzir alimentos de qualidade , a baixo preço e sem danificar o meio ambiente ; que a actividade agrícola se processe por meio sistemas que se articulem com o meio regional e com cada exploração em particular ; que os três quartos do Alentejo de terras consideradas agro-silvo-pastoris, sejam agricultadas de forma a que se preservem os montados existentes e facilite o seu repovoamento por meio da regeneração natural ; que se permita que os agricultores ,sendo livres e directos , possam funcionar como autênticos jardineiros da paisagem construindo-a e , com isso , deliciem os que tenham alguma sensibilidade para a natureza ; que se povoe o Alentejo , tendo em conta que este é agrícola de lés a lés , por agricultores directos e residentes constituindo-se ,cada um delas , num marco de afirmação pátria ; nos campos , aonde a natureza facilita a procriação , ainda é possível a manutenção da família nuclear , alargada e ate clãnica , conjunto de circunstâncias que facilitam a natalidade da qual estamos carecidos ; que se fomente a efectivação dos usos ,costumes e tradições ,tantas vezes ligados á historia ,lendas e calendários agrícolas que, no seu conjunto, significam as nossas raízes e que constituem a razão de ser alentejano .
c)---Mas defender o ruralismo não significa isolacionismo No espaço rústico é desejável a coabitação com o urbano , complementando-se , com vantagens para ambos . Toda a Europa rural está pontilhada de zonas industriais . A Auto-Europa , a Taico , e tantas outras empresas , pelo facto de nada terem que ver com a agricultura , não deixam de ser bem vindas já que são empregadores e consumidores ; as diversas fábricas de tomate , indústrias de carne de porco , adegas , lagares, etc. que tenderão a aumentar na medida em que o desenvolvimento rural se processe , se bem que laborem produtos da agricultura , fazem o seu negócio sem atrapalhar a produção ; com um mundo rural livre e desenvolto , outras , muitas outras empresas, emergirão como cogumelos potenciando-se ,entre si , fomentando e/ou dando vazão á produção .
Outras , porem , usam o espaço rústico alentejano para dar satisfação a ganância e especulação fundiária , indiferentes a devastação que causam .Desde aquela empresa que tem quinze mil hectares de terras e que , de tempos a tempos , anuncia grandes empreendimentos turísticos , mas que não passa disso mesmo ,mais parecendo que condiciona o inicio da actividade , á expulsão de uns “agricultores de Sá Carneiro” que estão na periferia ; ou aqueloutra com mil hectares , junto a Évora, que mais parece interessado em esperar pelo TGV do executar o respectivo projecto .Por outro lado abundam os donos da terra ,megalómanos , especuladores imobiliários , abstencionismos e equiparados , que constituem autênticos insultos a arte de ser agricultor e estar no campo
A sua indesejável presença só se mantêm por ausência de regras que penalizem quem não lhe der um uso consentâneo com a sua função.
3--- De uma análise da vida agrícola alentejana , á luz dos novos conceitos de ruralismo , resulta claro que vamos no caminho errado O afastamento da comunidade rural do acesso ao espaço rústico , dando lugar a alienígenas e explorações monoculturais do tipo de colonização americana , está a conduzir-nos para um atoleiro sem recuo .Podem , ate ,estes novos colonos ,ser melhores dos que os ineptos que substituem , mas o seu enquadramento jamais se integra nos conceitos rurícolas hodiernos Podem até haver casos em que aumente a produção mas nunca atingirão os níveis obtidos se essas mesmas áreas monoculturais se dispersassem , integrassem e se compatibilizassem com o tipo /base regional que é a agro-silvo (montados )-pastorícia .
È com a comunidade rural autóctone que o novo conceito de desenvolvimento rural se persegue É ,com base , nessa diversidade que melhor se organiza o trabalho e rentabiliza o equipamento ;se faz o aproveitamento e articulação do variado e complexo mosaico de solos (,fertilidade , inclinação e humidade ) e de exposições ( soalheira ou avisseira ) ; se acautelam as questões fitossanitárias resultantes da concentração ; se evitam questiúnculas político-sociais emergente do estatuto da terra .
Não é ,pois , solução , a manutenção do conceito desenvolvimento rural assente no sistema latifúndio / colonial em uso no Alentejo .Assim se compreende que esta velha e avisada Europa ,defenda o ruralismo cujas funcionalidades atrás se enumeraram .É nele ,e só nele , que reside a solução .Já que é aí que se alberga a salutar variabilidade de valências , se geram os desejáveis equilíbrios agro-sócio-culturais e a indispensável ordem, paz e harmonia regional .Francisco Pândega(agricultor) //e-mail-fjnpandega@hotmail.com// blog-alentejoagrorural.blogspot.com.
e o seu
DESENVOLVIMENTO
1--- Com a reformulação dos critérios da PAC (politica agrícola comum ) ,no sentido de dar especial ênfase ao desenvolvimento rural ,avizinham-se alterações na agro-ruralidade regional a muito curto prazo .Entre elas estão algumas medidas , até agora facultativas , que passam a ser de execução obrigatória por parte dos estados membros Se a isso acrescentarmos o facto do nosso governo estar apostado na revisão do uso da terra, assim como a coincidência de Capoulas Santos ter sido eleito coordenador do desenvolvimento rural (um orgulho regional e a certeza da eficiência ), estamos perante um quadro de alterações ,autênticas pedradas neste charco putrefacto que é a ruralidade alentejana.
2---Efectivamente a CE ,depois de vinte anos de generalizações e de apoios um pouco a esmo , parece ter entendido que os seus propósitos agro-rurais , não estão a ser conseguidos
a)—Daí que a subsidiação vá ter em conta a região natural e, nela , os sistemas e cultivares para os quais tenha vocação ; limite as ajudas a um teto máximo de forma a privilegiar uma certa dimensão de agricultura e tipo de agricultor ou seja volta a ideia inicial de apoiar o agricultor a título principal ;vão ser afinadas as regras da modulação que significa o pagamento de ajudas por meio de escalões regressivamente subsidiados até atingir o teto atrás referido ; também o RPU ,uma forma bizarra de subsidiar, sem que para tal haja produção , vai tornar-se mais exigente .Estas medidas , que são prática nalguns regiões , vão gerar muitas poupanças ,no orçamento da PAC ,as quais se destinam ao desenvolvimento rural
b)---Mas o que é o desenvolvimento rural ? Interrogar-se-ão os menos calhados nas lides agrárias ! È mais uma forma de estar e sentir ,nos campos , do que propriamente uma doutrina .É uma vivência , em comunidade, perfeitamente entrosada no meio cuja função é ,entre outras , :--
Produzir alimentos de qualidade , a baixo preço e sem danificar o meio ambiente ; que a actividade agrícola se processe por meio sistemas que se articulem com o meio regional e com cada exploração em particular ; que os três quartos do Alentejo de terras consideradas agro-silvo-pastoris, sejam agricultadas de forma a que se preservem os montados existentes e facilite o seu repovoamento por meio da regeneração natural ; que se permita que os agricultores ,sendo livres e directos , possam funcionar como autênticos jardineiros da paisagem construindo-a e , com isso , deliciem os que tenham alguma sensibilidade para a natureza ; que se povoe o Alentejo , tendo em conta que este é agrícola de lés a lés , por agricultores directos e residentes constituindo-se ,cada um delas , num marco de afirmação pátria ; nos campos , aonde a natureza facilita a procriação , ainda é possível a manutenção da família nuclear , alargada e ate clãnica , conjunto de circunstâncias que facilitam a natalidade da qual estamos carecidos ; que se fomente a efectivação dos usos ,costumes e tradições ,tantas vezes ligados á historia ,lendas e calendários agrícolas que, no seu conjunto, significam as nossas raízes e que constituem a razão de ser alentejano .
c)---Mas defender o ruralismo não significa isolacionismo No espaço rústico é desejável a coabitação com o urbano , complementando-se , com vantagens para ambos . Toda a Europa rural está pontilhada de zonas industriais . A Auto-Europa , a Taico , e tantas outras empresas , pelo facto de nada terem que ver com a agricultura , não deixam de ser bem vindas já que são empregadores e consumidores ; as diversas fábricas de tomate , indústrias de carne de porco , adegas , lagares, etc. que tenderão a aumentar na medida em que o desenvolvimento rural se processe , se bem que laborem produtos da agricultura , fazem o seu negócio sem atrapalhar a produção ; com um mundo rural livre e desenvolto , outras , muitas outras empresas, emergirão como cogumelos potenciando-se ,entre si , fomentando e/ou dando vazão á produção .
Outras , porem , usam o espaço rústico alentejano para dar satisfação a ganância e especulação fundiária , indiferentes a devastação que causam .Desde aquela empresa que tem quinze mil hectares de terras e que , de tempos a tempos , anuncia grandes empreendimentos turísticos , mas que não passa disso mesmo ,mais parecendo que condiciona o inicio da actividade , á expulsão de uns “agricultores de Sá Carneiro” que estão na periferia ; ou aqueloutra com mil hectares , junto a Évora, que mais parece interessado em esperar pelo TGV do executar o respectivo projecto .Por outro lado abundam os donos da terra ,megalómanos , especuladores imobiliários , abstencionismos e equiparados , que constituem autênticos insultos a arte de ser agricultor e estar no campo
A sua indesejável presença só se mantêm por ausência de regras que penalizem quem não lhe der um uso consentâneo com a sua função.
3--- De uma análise da vida agrícola alentejana , á luz dos novos conceitos de ruralismo , resulta claro que vamos no caminho errado O afastamento da comunidade rural do acesso ao espaço rústico , dando lugar a alienígenas e explorações monoculturais do tipo de colonização americana , está a conduzir-nos para um atoleiro sem recuo .Podem , ate ,estes novos colonos ,ser melhores dos que os ineptos que substituem , mas o seu enquadramento jamais se integra nos conceitos rurícolas hodiernos Podem até haver casos em que aumente a produção mas nunca atingirão os níveis obtidos se essas mesmas áreas monoculturais se dispersassem , integrassem e se compatibilizassem com o tipo /base regional que é a agro-silvo (montados )-pastorícia .
È com a comunidade rural autóctone que o novo conceito de desenvolvimento rural se persegue É ,com base , nessa diversidade que melhor se organiza o trabalho e rentabiliza o equipamento ;se faz o aproveitamento e articulação do variado e complexo mosaico de solos (,fertilidade , inclinação e humidade ) e de exposições ( soalheira ou avisseira ) ; se acautelam as questões fitossanitárias resultantes da concentração ; se evitam questiúnculas político-sociais emergente do estatuto da terra .
Não é ,pois , solução , a manutenção do conceito desenvolvimento rural assente no sistema latifúndio / colonial em uso no Alentejo .Assim se compreende que esta velha e avisada Europa ,defenda o ruralismo cujas funcionalidades atrás se enumeraram .É nele ,e só nele , que reside a solução .Já que é aí que se alberga a salutar variabilidade de valências , se geram os desejáveis equilíbrios agro-sócio-culturais e a indispensável ordem, paz e harmonia regional .Francisco Pândega(agricultor) //e-mail-fjnpandega@hotmail.com// blog-alentejoagrorural.blogspot.com.
24.8.07
AlentejoAgroRural
POLÍTICO
1--- Basta que se tenha um mínimo de sensibilidade sócio – agrária para constatar que o AlentejoAgroRural constitui um caso de desvio politico aos padrões normais de uma sã ruralidade Trata-se de uma comunidade fracturada, em duas formações distintas, cada qual ocupando um extremo do espectro politico O centro, que deveria ser o campo mais numeroso, está desertificado, em termos de adesão politica, por parte dos homens da terra
2---Se bem que hajam, no terreno, três classes sociais, bem diferenciadas, elas agrupam-se em dois partidos políticos: --os trabalhadores rurais militantes no PCP, á esquerda ,e os grandes proprietários assim como os pequenos e médios agricultores, á direita. Parece uma incongruência, (tudo no Alentejo é incoerente) mas é assim mesmo como passamos a pormenorizar.
a)----Trabalhadores rurais são a classe mais numerosa e a que, no meio rural, tem maior implantação autárquica. Organizados pelo PCP, foi nos tempos da reforma agrária que atingiram o pleno Mesmo sendo individualistas, deixam-se arregimentar por essa formação politica, de natureza colectivista, cujo solar são as zonas do operariado industrial e entre uns tantos intelectuais utópicos .Nos campos , a sua existência só é possível quando haja bloqueio fundiário como acontece entre nós. Daí o raciocínio vigente :-- Sendo os latifúndios alentejanos uma forma de colonização ultrajante, venha o que vier não pode ser tão mau como a sua manutenção assim como a possibilidade de desforra contra os arqui-inimigos, ou seja os grandes proprietários rurais a quem atribuem as culpas desta calamitosa situação. Agora, com a venda de terras aos espanhóis o problema agrava-se dado haver também , passada a estupefacção inicial , quem considere: -- se a terra é um bem descartável, como qualquer outro , vendam-na até ao último hectare ,e arquem com as consequências históricas. Se for considerado um bem pátrio , então somos nós ,comunidade rural autóctone , os seus legítimos destinatários. Trata-se de uma situação de enorme gravidade, em relação á qual se tem que prestar atenção , e indefensável seja a que pretexto for .
b) ----Os grandes proprietários rurais, gente ausente, com pouco expressão politica, mas com enorme poder económico e uma estranha capacidade de manobra nos centros de decisão Alem disso exercem uma desmesurada influencia politica através das organizações agrícolas que dominam a seu bel-prazer. Votam na direita sonhando com o regresso do estado novo que representa o apogeu dos seus tempos áureos. Recentemente, talvez por terem percebido que esta forma de deter a terra está esgotada, estão a vendê-la aos espanhóis. Trata-se da derradeira punição ás gentes do Alentejo; trata-se de uma afronta sem precedentes aos fundamentos da nação Só possível devido ao facto de antes ter destruído toda e qualquer capacidade de reacção das gentes rurais . Mais eficazes do que o bolchevismo russo , que subjugou povos durante noventa anos , sem que no entanto tivesse logrado anular a sua capacidade de defenderem as respectivas pátrias Daí que um caso ,como o nosso , de aquisição/venda de uma faixa á nação contigua seja absolutamente inconcebível
c)--- Entre estes dois grupos extremos, do espectro político regional , estão os pequenos e médios agricultores que, pela natureza a sua posição em relação ao seu passado de seareiros , deveriam ocupar um lugar intermédio ou seja: -- o centro politico. Não é isso, porem, que acontece. Votam na direita ao lado dos grandes proprietários rurais Por três ordens de razões e sempre pela negativa: --- não votam com os trabalhadores por uma questão de estatuto social; para não melindrar os grandes donos do Alentejo de quem esperam umas migalhas traduzidas numa courela , para uma cultura de campanha ou uma pastagem , que estes prodigalizem quando estejam bem-humorados; porque ainda se não esqueceram , aquando da reforma agrária, das ameaças de incorporação das courelas na colectivização. Claro que, passada que foi, uma geração essa questão já está atenuada
3---- Como enfrentar esta situação, de puro descalabro politico /partidário? Interrogar-se-ão aqueles que tenham alguma preocupação em relação ao facto do Alentejo estar sob ameaça. De facto o actual sistema proporcional, em ciclos, sem correspondência com as regiões naturais, é injusto e não nos conduz á reabilitação. Isto porque os dois partidos representativos da agricultura, não têm projectos exequíveis. Logo , os desígnios regionais são tomados pelo todo nacional, sempre de forma mitigada, uns porque não compreendem a nossa especificidade regional, outros porque, beneficiado do actual caos, quanto pior melhor.
O nosso problema tem que ser resolvido por nós próprios, com a ajuda do estado já que este é o único responsável por esta degradante situação, dado ter-nos entregue, há mais de um século, ao livre arbítrio dos dois mil donos do Alentejo, que se encarregaram de, usando a terra como meio, nos anular como comunidade rural autóctone
Presentemente, vendo que a sua acção está a chegar ao fim , e como acto derradeiro de mau perder, transferem a terra para estrangeiros, certos da nossa incapacidade reactiva. São os mesmo que há pouco batiam no peito invocando, para si, o sagrado direito á terra. Pelos vistos o seu conceito de sagrado é convertível “ a troco de um prato de lentilhas “ que o mesmo será dizer por uma mala contendo uns milhões de euros.
4--- Evidentemente que ainda há soluções. Mas o estado de degradação é tal que, o que seriam intervenções pontuais, aqui e ali, hoje ,porque insuficientes, terão que ser tomadas medidas de fundo, senão mesmo roturas, no campo agro-rural. E elas terão de incidir no uso da terra (não estou a falar de posse) definindo “o agricultor tipo na exploração funcional” Feita a opção ,há que , de uma forma hábil e paciente , guiar o mundo rural para o predomínio de explorações de média dimensão com um rosto ou seja uma pessoa /família , como responsável . Tema bastante aliciante, que temos abordado sob a designação de AlentejoAgroRural, com alguma minúcia. Será sob a definição de agricultor tipo na exploração funcional que se poderá criar uma onda de adesão ao centro político (de onde emana o actual governo) que dissuadirá aqueles que tem uma visão colonial do uso da terra ; trará para esse centro político a totalidade dos pequenos agricultores, que deixarão de ter necessidade de andar á babugem dos grandes donos do Alentejo; assim como a maioria dos comunistas rurais que se aperceberão que o colectivismo é uma falácia que, a ser levada a efeito, seria tanto ou mais inumana do que a presente situação
FranciscoPândega.(agricultor ) e-mail—fjnpandega@hotmail.com // blog-alentejoagrorural.blogspot.com.
POLÍTICO
1--- Basta que se tenha um mínimo de sensibilidade sócio – agrária para constatar que o AlentejoAgroRural constitui um caso de desvio politico aos padrões normais de uma sã ruralidade Trata-se de uma comunidade fracturada, em duas formações distintas, cada qual ocupando um extremo do espectro politico O centro, que deveria ser o campo mais numeroso, está desertificado, em termos de adesão politica, por parte dos homens da terra
2---Se bem que hajam, no terreno, três classes sociais, bem diferenciadas, elas agrupam-se em dois partidos políticos: --os trabalhadores rurais militantes no PCP, á esquerda ,e os grandes proprietários assim como os pequenos e médios agricultores, á direita. Parece uma incongruência, (tudo no Alentejo é incoerente) mas é assim mesmo como passamos a pormenorizar.
a)----Trabalhadores rurais são a classe mais numerosa e a que, no meio rural, tem maior implantação autárquica. Organizados pelo PCP, foi nos tempos da reforma agrária que atingiram o pleno Mesmo sendo individualistas, deixam-se arregimentar por essa formação politica, de natureza colectivista, cujo solar são as zonas do operariado industrial e entre uns tantos intelectuais utópicos .Nos campos , a sua existência só é possível quando haja bloqueio fundiário como acontece entre nós. Daí o raciocínio vigente :-- Sendo os latifúndios alentejanos uma forma de colonização ultrajante, venha o que vier não pode ser tão mau como a sua manutenção assim como a possibilidade de desforra contra os arqui-inimigos, ou seja os grandes proprietários rurais a quem atribuem as culpas desta calamitosa situação. Agora, com a venda de terras aos espanhóis o problema agrava-se dado haver também , passada a estupefacção inicial , quem considere: -- se a terra é um bem descartável, como qualquer outro , vendam-na até ao último hectare ,e arquem com as consequências históricas. Se for considerado um bem pátrio , então somos nós ,comunidade rural autóctone , os seus legítimos destinatários. Trata-se de uma situação de enorme gravidade, em relação á qual se tem que prestar atenção , e indefensável seja a que pretexto for .
b) ----Os grandes proprietários rurais, gente ausente, com pouco expressão politica, mas com enorme poder económico e uma estranha capacidade de manobra nos centros de decisão Alem disso exercem uma desmesurada influencia politica através das organizações agrícolas que dominam a seu bel-prazer. Votam na direita sonhando com o regresso do estado novo que representa o apogeu dos seus tempos áureos. Recentemente, talvez por terem percebido que esta forma de deter a terra está esgotada, estão a vendê-la aos espanhóis. Trata-se da derradeira punição ás gentes do Alentejo; trata-se de uma afronta sem precedentes aos fundamentos da nação Só possível devido ao facto de antes ter destruído toda e qualquer capacidade de reacção das gentes rurais . Mais eficazes do que o bolchevismo russo , que subjugou povos durante noventa anos , sem que no entanto tivesse logrado anular a sua capacidade de defenderem as respectivas pátrias Daí que um caso ,como o nosso , de aquisição/venda de uma faixa á nação contigua seja absolutamente inconcebível
c)--- Entre estes dois grupos extremos, do espectro político regional , estão os pequenos e médios agricultores que, pela natureza a sua posição em relação ao seu passado de seareiros , deveriam ocupar um lugar intermédio ou seja: -- o centro politico. Não é isso, porem, que acontece. Votam na direita ao lado dos grandes proprietários rurais Por três ordens de razões e sempre pela negativa: --- não votam com os trabalhadores por uma questão de estatuto social; para não melindrar os grandes donos do Alentejo de quem esperam umas migalhas traduzidas numa courela , para uma cultura de campanha ou uma pastagem , que estes prodigalizem quando estejam bem-humorados; porque ainda se não esqueceram , aquando da reforma agrária, das ameaças de incorporação das courelas na colectivização. Claro que, passada que foi, uma geração essa questão já está atenuada
3---- Como enfrentar esta situação, de puro descalabro politico /partidário? Interrogar-se-ão aqueles que tenham alguma preocupação em relação ao facto do Alentejo estar sob ameaça. De facto o actual sistema proporcional, em ciclos, sem correspondência com as regiões naturais, é injusto e não nos conduz á reabilitação. Isto porque os dois partidos representativos da agricultura, não têm projectos exequíveis. Logo , os desígnios regionais são tomados pelo todo nacional, sempre de forma mitigada, uns porque não compreendem a nossa especificidade regional, outros porque, beneficiado do actual caos, quanto pior melhor.
O nosso problema tem que ser resolvido por nós próprios, com a ajuda do estado já que este é o único responsável por esta degradante situação, dado ter-nos entregue, há mais de um século, ao livre arbítrio dos dois mil donos do Alentejo, que se encarregaram de, usando a terra como meio, nos anular como comunidade rural autóctone
Presentemente, vendo que a sua acção está a chegar ao fim , e como acto derradeiro de mau perder, transferem a terra para estrangeiros, certos da nossa incapacidade reactiva. São os mesmo que há pouco batiam no peito invocando, para si, o sagrado direito á terra. Pelos vistos o seu conceito de sagrado é convertível “ a troco de um prato de lentilhas “ que o mesmo será dizer por uma mala contendo uns milhões de euros.
4--- Evidentemente que ainda há soluções. Mas o estado de degradação é tal que, o que seriam intervenções pontuais, aqui e ali, hoje ,porque insuficientes, terão que ser tomadas medidas de fundo, senão mesmo roturas, no campo agro-rural. E elas terão de incidir no uso da terra (não estou a falar de posse) definindo “o agricultor tipo na exploração funcional” Feita a opção ,há que , de uma forma hábil e paciente , guiar o mundo rural para o predomínio de explorações de média dimensão com um rosto ou seja uma pessoa /família , como responsável . Tema bastante aliciante, que temos abordado sob a designação de AlentejoAgroRural, com alguma minúcia. Será sob a definição de agricultor tipo na exploração funcional que se poderá criar uma onda de adesão ao centro político (de onde emana o actual governo) que dissuadirá aqueles que tem uma visão colonial do uso da terra ; trará para esse centro político a totalidade dos pequenos agricultores, que deixarão de ter necessidade de andar á babugem dos grandes donos do Alentejo; assim como a maioria dos comunistas rurais que se aperceberão que o colectivismo é uma falácia que, a ser levada a efeito, seria tanto ou mais inumana do que a presente situação
FranciscoPândega.(agricultor ) e-mail—fjnpandega@hotmail.com // blog-alentejoagrorural.blogspot.com.
18.7.07
AlentejoAgroRural
SUAS GENTES.
1--- A União Europeia e a Organização Comum de Mercados , vulgo globalização, vieram ,num curto espaço de tempo , alterar completamente as relações entre os povos e destes com o seu mundo rural As empresas , os capitais , as pessoas ,circulam e estabelecem-se quase livremente ; industrias , comércios e serviços , surgem e desaparecem frequentemente ; na bolsa fazem-se as mais estranhas transacções .
A instantaneidade das comunicações fizeram do mundo uma aldeia global . Ainda bem ,que assim é , já que há mais diversidade ,intercambio e melhor conhecimentos entre os povos .Mas , como em tudo na vida ,há limites e todos os governos se reservam o direito de condicionar o acesso a certas empresas consideradas estratégicas Direito esse que também o nosso governo já exerceu .Em relação a nós ,falta ainda considerar os solo rural como o bem mais estratégico entre os estratégicos já que do seu somatória resulta a nação em toda a sua dimensão .Trata-se de um domínio altamente sedutor ,onde se jogam grandes interesses ,cuja abordagem requer alguma prudência
2--- Nestas circunstancias há uma pergunta que tem que ser feita :--- que se passa com esta região que , ao fim de quase um milénio integrada no pais , mais pareça estar a deixar-nos e anexar-se ao pais vizinho ? Trata-se de uma pergunta incómoda ,com diversas implicâncias ,que ninguém faz e muito menos responde com saber e frontalidade. Façamos a análise possível .
a)---Não seriam necessárias medidas de contenção se o mundo rural alentejano tivesse um funcionamento normal .O que não é o caso já que está a ser convertido num ElDorado extemporâneo que o mesmo será dizer objecto de uma enorme e estranha colonização , impossível de acontecer na restante Europa ,da qual o Alentejo é uma triste excepção Como ninguém está mandatado para dar a qualquer parcela do pais um destino que não de enquadre nos superiores desígnios regionais , pode resultar num caso de impugnação senão mesmo em agitação social . E com todas as hipóteses de obter vencimento já que , se, por um lado, há o livre direito de estabelecimento no espaço comunitário , há , por outro , o tratado fundacional de Roma que consagra a defesa das regiões e dos povos , que nelas se integram ,do que se depreende que inclui o espaço vital aonde se exerce a regionalidade. Desta forma caucionando o livre direito de estabelecimento no espaço rústico .
b)--- O Alentejo é agricolamente um potentado que só por si dava e sobrava para alimentar a nação, viabilizar o orçamento , equilibrar a balança de pagamentos e anular o desemprego Com os seus quinhentos milhões de euros anuais de cortiça ( limpos, antes do circuito industrial ) daria para viabilizar todos os programas mesmo os mais ambiciosos .É , porem ,totalmente daqui escamoteada. Estamos a falar de uma região riquíssima ,pois ,mas submetida a uma despudorada rapina ..
Não avança porque três quartos da região estão na posse de cerca de dois mil proprietários que tem usado a terra explorando desalmadamente as gentes locais por cedências de campanha (seareiros )Esta situação foi alterada com o Abril/74 e terminou aquando da adesão á comunidade cujos apoios requeriam um certo vinculo á exploração .Sem um aproveitamento eficaz cada vez mais nos vimos atolados neste imenso atasqueiro , onde quanto mais nos mexemos mais nos atascamos , caminhando na direcção da saída da esfera regional senão mesmo da nacional ,como claramente já se nota .
c)---Face a tais desaires dir-se-á que as gentes alentejanas são de pouca valia. Daí a atribuição de um chorrilho de anedotas depreciativas .Não é verdade .O que estamos é socialmente desconjuntados . Nem poderíamos ser melhores , nem diferentes, depois de cento e setenta anos vergado ao livre arbítrio dos que a usando a terra , o poder e forças da ordem , nos vergaram a seus pés fazendo-nos perder a identidade . Perdemos a capacidade de abarcar toda esta envolvente e de lutar por aquilo que é essencial :--o acessos a terra agrícola O sabor , o prazer de ter terra e a sensação de ,com base nela, termos uma palavra na sociedade , não chegou a ser experimentada pela maioria de nós .Á terra liga-nos a cruel servidão ao serviço de outrem .Isto tem sido demolidor para a nossa personalidade .
Contudo, nas nossa veias corre o sangue dos daqui recrutados para a grande vitória de Aljubarrota ; dos vencedores das constantes sortidas fronteiriças ,durante a idade média , por parte dos nossos belicosos vizinhos . Nós somos os descendentes dos vitoriosos das sucessivas batalhas da restauração .Estamos um pouco em baixo , certamente , mas importa considerar que nas nossas veias circula o sangue dos vencedores e essa gesta está latente .
3--Com tão riquíssima região agrícola , na posse de quem não lhe dá o devido uso agro-social e habitado por gentes desmotivadas , corre-se o risco de no-la subtraírem .Mas as coisas não são assim tão simples no domino agro-rural E nós , os que fomos corridos da agricultura do Ultramar , sabemos que é absolutamente impossível a manutenção de agricultores , em espaço rural hostil por oposição dos indígenas . Mesmo os detentores do Alentejo , aqui presentes desde 1835 , nunca se sentiram seguros e tranquilos , não obstante o poder que os apoiava . Houve sempre , da nossa parte, uma subserviência excessiva que mais prenunciava uma resistência latente ,que escondia um incomodativo misto de medo e desprezo E eles sempre souberam disso. Daí a desmesurada punição infligida aos que manifestavam inconformidade .Inseguros , transformaram o Alentejo numa terra a rapinar da qual a cortiça é hoje , um exemplo bem eloquente Em suma :- um somatório de causas /efeitos que colocam ,á presente geração, embaraços de grande monta .Vou repetir-me com uma afirmação peremptória :-- Ninguém está mandatado para dar ao espaço rural um destino que não se enquadre nos superiores desígnios regionais
Francisco Pândega (agricultor)///e-mail-fjnpandega@hotmail.com //// blog- alentejoagrorural.blogspot.com
SUAS GENTES.
1--- A União Europeia e a Organização Comum de Mercados , vulgo globalização, vieram ,num curto espaço de tempo , alterar completamente as relações entre os povos e destes com o seu mundo rural As empresas , os capitais , as pessoas ,circulam e estabelecem-se quase livremente ; industrias , comércios e serviços , surgem e desaparecem frequentemente ; na bolsa fazem-se as mais estranhas transacções .
A instantaneidade das comunicações fizeram do mundo uma aldeia global . Ainda bem ,que assim é , já que há mais diversidade ,intercambio e melhor conhecimentos entre os povos .Mas , como em tudo na vida ,há limites e todos os governos se reservam o direito de condicionar o acesso a certas empresas consideradas estratégicas Direito esse que também o nosso governo já exerceu .Em relação a nós ,falta ainda considerar os solo rural como o bem mais estratégico entre os estratégicos já que do seu somatória resulta a nação em toda a sua dimensão .Trata-se de um domínio altamente sedutor ,onde se jogam grandes interesses ,cuja abordagem requer alguma prudência
2--- Nestas circunstancias há uma pergunta que tem que ser feita :--- que se passa com esta região que , ao fim de quase um milénio integrada no pais , mais pareça estar a deixar-nos e anexar-se ao pais vizinho ? Trata-se de uma pergunta incómoda ,com diversas implicâncias ,que ninguém faz e muito menos responde com saber e frontalidade. Façamos a análise possível .
a)---Não seriam necessárias medidas de contenção se o mundo rural alentejano tivesse um funcionamento normal .O que não é o caso já que está a ser convertido num ElDorado extemporâneo que o mesmo será dizer objecto de uma enorme e estranha colonização , impossível de acontecer na restante Europa ,da qual o Alentejo é uma triste excepção Como ninguém está mandatado para dar a qualquer parcela do pais um destino que não de enquadre nos superiores desígnios regionais , pode resultar num caso de impugnação senão mesmo em agitação social . E com todas as hipóteses de obter vencimento já que , se, por um lado, há o livre direito de estabelecimento no espaço comunitário , há , por outro , o tratado fundacional de Roma que consagra a defesa das regiões e dos povos , que nelas se integram ,do que se depreende que inclui o espaço vital aonde se exerce a regionalidade. Desta forma caucionando o livre direito de estabelecimento no espaço rústico .
b)--- O Alentejo é agricolamente um potentado que só por si dava e sobrava para alimentar a nação, viabilizar o orçamento , equilibrar a balança de pagamentos e anular o desemprego Com os seus quinhentos milhões de euros anuais de cortiça ( limpos, antes do circuito industrial ) daria para viabilizar todos os programas mesmo os mais ambiciosos .É , porem ,totalmente daqui escamoteada. Estamos a falar de uma região riquíssima ,pois ,mas submetida a uma despudorada rapina ..
Não avança porque três quartos da região estão na posse de cerca de dois mil proprietários que tem usado a terra explorando desalmadamente as gentes locais por cedências de campanha (seareiros )Esta situação foi alterada com o Abril/74 e terminou aquando da adesão á comunidade cujos apoios requeriam um certo vinculo á exploração .Sem um aproveitamento eficaz cada vez mais nos vimos atolados neste imenso atasqueiro , onde quanto mais nos mexemos mais nos atascamos , caminhando na direcção da saída da esfera regional senão mesmo da nacional ,como claramente já se nota .
c)---Face a tais desaires dir-se-á que as gentes alentejanas são de pouca valia. Daí a atribuição de um chorrilho de anedotas depreciativas .Não é verdade .O que estamos é socialmente desconjuntados . Nem poderíamos ser melhores , nem diferentes, depois de cento e setenta anos vergado ao livre arbítrio dos que a usando a terra , o poder e forças da ordem , nos vergaram a seus pés fazendo-nos perder a identidade . Perdemos a capacidade de abarcar toda esta envolvente e de lutar por aquilo que é essencial :--o acessos a terra agrícola O sabor , o prazer de ter terra e a sensação de ,com base nela, termos uma palavra na sociedade , não chegou a ser experimentada pela maioria de nós .Á terra liga-nos a cruel servidão ao serviço de outrem .Isto tem sido demolidor para a nossa personalidade .
Contudo, nas nossa veias corre o sangue dos daqui recrutados para a grande vitória de Aljubarrota ; dos vencedores das constantes sortidas fronteiriças ,durante a idade média , por parte dos nossos belicosos vizinhos . Nós somos os descendentes dos vitoriosos das sucessivas batalhas da restauração .Estamos um pouco em baixo , certamente , mas importa considerar que nas nossas veias circula o sangue dos vencedores e essa gesta está latente .
3--Com tão riquíssima região agrícola , na posse de quem não lhe dá o devido uso agro-social e habitado por gentes desmotivadas , corre-se o risco de no-la subtraírem .Mas as coisas não são assim tão simples no domino agro-rural E nós , os que fomos corridos da agricultura do Ultramar , sabemos que é absolutamente impossível a manutenção de agricultores , em espaço rural hostil por oposição dos indígenas . Mesmo os detentores do Alentejo , aqui presentes desde 1835 , nunca se sentiram seguros e tranquilos , não obstante o poder que os apoiava . Houve sempre , da nossa parte, uma subserviência excessiva que mais prenunciava uma resistência latente ,que escondia um incomodativo misto de medo e desprezo E eles sempre souberam disso. Daí a desmesurada punição infligida aos que manifestavam inconformidade .Inseguros , transformaram o Alentejo numa terra a rapinar da qual a cortiça é hoje , um exemplo bem eloquente Em suma :- um somatório de causas /efeitos que colocam ,á presente geração, embaraços de grande monta .Vou repetir-me com uma afirmação peremptória :-- Ninguém está mandatado para dar ao espaço rural um destino que não se enquadre nos superiores desígnios regionais
Francisco Pândega (agricultor)///e-mail-fjnpandega@hotmail.com //// blog- alentejoagrorural.blogspot.com
Subscrever:
Mensagens (Atom)