AlentejoAgroRural
HORTOFRUTICULTURA tradicional
A hortofruticultura alentejana , perfeitamente integrada no sistema agrícola tradicional , foi, até há pouco , uma fonte de alimentação abundante , saudável e diversificada ao longo do ano .
CADA ESTAÇÃO do ano era caracterizada por determinado tipo de alimentação em função do produto hortícola dessa mesma época
---. A primavera era a época das favas e ervilhas As primeiras refogadas com coentros e carne de porco e acompanhadas por abundantes e suculentas saladas de alfaces Toda a gente comia favas quer tivesse quer não faval .Ao ponto de as próprias padarias terem que reduzir o fabrico de pão dada o seu menor consumo .Também era o tempo das ervilhas com ovos , frango e borrego , já que a primavera era a período da postura das galinhas e da engorda natural dos animais
---- No verão toda alimentação andava em volta do tomate . Eram tomatadas com pimentos refogados em no pingo do toucinho e chouriço previamente fritos ; as vagens de feijão com grande incorporação de tomate ; grandes saladas e gaspachos com tomate e pimentos e pepinos ,temperados com orégãos , acompanhadas por paio, toucinho e azeitonas ; beldroegas ( uma erva espontânea das hortas ) com muito alho( para lhe extrair o acre ) e queijo de cabra duro cozido . , As frutas , aquosas e da época , eram melões , melancias , ameixas , que ajudavam a uma boa disposição após a refeição
---O Outono era a transição do verão para o Inverno e ,como tal, também dos alimentos A comida era mais pesada ..Sopas de couve com carne da salgadeira e de caça ; , de feijão com espinafres .Os frutos deixaram de ser sumarentos para dar lugar aos secos :-- designadamente uvas ,peras, ameixas , nozes ,figos , marmelos, romãs
----No Inverno ,quando o frio aperta o corpo precisa de ser compensado por gordura animal . Era o tempo das matanças de porcos ,sendo essa carne em conjunto com a de caça , cozinhados com repolho , grão de bico ou feijão , sempre acompanhadas por azeitonas ,rábanos , laranjas , para “desenratar “.
CADA PARCELA ,segundo as suas condições morfológicas específicas, tinha a sua própria formula de exploração a qual , por sua vez , era integrada num calendário agro-alimentar e tomando ,cada uma a sua designação :--- A horta , quinchoso , o ferragial e o alqueive
----A horta era cultivada no verão numa terra naturalmente húmida ,ou baixa lenteira , afim de reduzir o numero de regas e consumo de agua .Começam o trabalhos em Março , depois de feitos os alfobres , dando-se inicio ás sementeiras/transplantes de tomateiros ,pimenteiros , feijoeiros , pepinos ,abóboras , gilas ,cebolas, em terra armada em tabuadas aplanadas aonde agua , vinda das regadeiras , estagnava e infiltrava , de mansinho, nos canteiros junto aos caules das plantas
--- Quinchoso geralmente implantava-se junto a uma parede de um cabanão ou malhada , protegido do vento norte, sempre virada para nascente ou seja numa exposição soalheira Era fertilizado com as cinzas da lareiras , as varreduras da casa e limpezas dos galinheiros Mesmo nas dias de grande invernia ,lá se ia ,sob o abrigo de um” gabinardo” recolher hortícolas ou condimentos para a refeição do dia Era cultivado nas aguas novas (Setembro ) e nela semeados , para alem dos condimentos , alhos ,couves ,repolhos , rábanos ,espinafres , cenouras , nabos, alfaces e pouco mais
---- Ferragial Também para ser semeada nas aguas novas .Era uma parcela de terra compartimentada em três folhas uma das quais era estrumada todos os anos . Na estrumada era semeada uma parte de favas ,em linha ,afim de possibilitar a sacha já que havia muitas ervas daninhas trazidas pelos estrume .A outra parte semeava-se de alcacer (cevada branca e aveia ) para alimentação ,em verde , de solípedes (cavalos, muares e burros ) os quais , segundo os alveitares (antecessores dos veterinários ) da época , para alem de alimentar , provocava borreira (uma espécie de clister ) e com isso se fazia a limpeza ou desparasitação dos vermes intestinais
----Alqueive é uma lavoura ,no fim do Inverno , numa terra afolhada de forma a ter pousios de pelo menos três anos de idade . O pousio tem a função regeneradora da fertilidade dos solos devido ao descanso , elimina as infestantes por falta de mobilização e os as pragas e doenças por falta de hospedeiro compatível Esse alqueive ou ficava nu ,nas terras piores , ou era revestido, nas boas e mais húmidas .O revestimento era feito por meloal , grão de bico , feijão frade , abóboras e milho No caso do meloal de sequeiro também , tal como hoje , tinha stress hídrica (falta de humidade ) ,mas isso trazia a vantagem de concentrar num fruto mais pequeno um sabor e odor hoje raramente são experimentados
É neste alqueive integrado no sistema de afolhamentos /pousio que tem lugar o regadio, de hoje, no Alentejo , viabilizado pela mobilidade dos equipamentos de rega
FORAM OS ARABES quem introduziu ,entre nós, alentejanos , o sistemas de captação, elevação, armazenamento e distribuição de agua, em uso, nas hortas , até há meio século atrás Já la vai ,pois ,o tempo em que a agua do poço era elevada por uma nora accionada por um burro . Com os olhos tapados por “entronhos” , para não ficar “bêbedo” de tanto andar á roda , lá ia puxando o engenho que convertia o movimento de circulação em rotação vertical Atrás , dependurado no balancim , utensílio que o atrelava ao engenho ,punha-se um chocalho , que chocalhava com os balanços do balancim , e servia para duas coisas :--- logo que o burro parasse o chocalho deixava de tocar denunciando-o de que estava parado , do que resultava num chorrilho de insultos ao pobre animal .Também servia para abafar os passos de alguém que lhe estivesse na peugada pronto para , a qualquer momento que parasse ,o lembrar , de uma forma bem convincente , que a sua função era tirar agua .
E lá ia rodando , essa grande roda , formada por dois arcos paralelos , ligados , entre si , por varões de ferro , cuja espacejamento , era precisamente igual á articulação dos elos ,de uma espécie de corrente, na qual se dependuravam os alcatruzes .
Lentamente , rangendo , lá ia descendo , com os alcatruzes emborcados , em direcção á agua , com um furo no fundo afim de possibilitar a saída do ar na medida em que mergulhava na agua Depois de ir ao fundo dava-se inicio á da subida .Um alcatruz de cada vez emergia á tona ,já cheio , com o esguicho a vazar para o alcatruz imediatamente a seguir de forma que , quando chegavam a cima ,para vazar , ainda se mantinha cheio
Junto ao tanque havia nogueiras e figueiras , arvores de grande porte e muita folhagem no verão , sob cuja copa nos abrigávamos da inclemência do sol Era ai que se “ enresteavam” e se dependuravam ,a secar , as cebolas e alhos ; se abicavam as canas para armar os feijoeiros ; , se aparavam os paus ,de oliveira , para embardar os tomateiros ; se secavam , em estendais , os tomates ,pimentos , figos e abrunhos (ameixas Rainha Cláudia ,vulgo brunhos ) para conserva ; se secavam as semente ,seleccionadas da melhor proveniência , de tomates, pimentos , pepinos ,de abóboras , alfaces ,couves , feijão , cebolas , rábanos , nabos , espinafres ,destinados ao próxima época hortícola .
Era sob essa sombra que se dormiam as grandes sestas já que , nas hortas , o trabalho começava ao “romper da aurora” (uma hora e meia antes do sol nascer )e acabava ao por do “ar dia “ (uma hora e meia depois do sol se pôr )
ESTÁ EXTINTO ,, esse passado recente Os montes estão abandonados ou são adquiridos por bem financiados estrangeiros apostados numa politica de expansão territorial que , contrastando com o nosso atávico desprezo pelos espaço regional , descuramos a sua preservação no seio regional . Perde-se assim a possibilidade , de exercer este”saber fazer”, precioso ponto de partida para uma modernização auto-sustentavel do regadio regional . Perdem-se ,também ,aqueles valores socio-económicos -culturais e acentua-se a dependência de Espanha ,já que é daí que se importam as hortofrutícolas que consumimos
De Espanha , destes nossos ousados vizinhos, que desde há muito ultrapassaram os problemas que aqui nos transem , melhor fariam se , em vez de se substituírem aos responsáveis por esta devastação socio-económica , nos ajudassem , com a sua experiência , a superar esta crise existencial de características agro rurais .
Perde-se definitivamente esta valia económica /alimentar ; este prazer de produzir e comer os produtos por nós produzidos ; o deleite contemplativo deste que é um delicioso jardim hortícola .Sendo a hortofruticultura uma actividade , mais do que dispêndio de esforço físico , exercida com saber meticuloso , próprio de velhos e crianças , também ,com isso , se perde esta formula de relacionamento inter-geracional
Fica a nostalgia bucólica como que se um pedaço de nós próprios fosse depredado em troca de valores fungíveis que nos tornam dependentes e profundamente frágeis, impostos pelos urbanos . E, com isso , acelera-se o grande drama da perda de soberania espacial ,consentida por uma sociedade que Salazar castrou , em termos de intervenção fundiária , que inexoravelmente desembocará , tal como em Navarra , num estranho tipo de escravatura agro-laboral . Francisco Pândega (agricultor )/// fjnpandega@hotmail.com /// alentejoagrorural.blogspot.com.
26.3.07
9.3.07
AlentejoAgroRural
E A
COLONIZAÇÃO AGRÁRIA
1--- O Alentejo é uma imensa e riquíssima região agrícola, cujas potencialidades estão muito aquém do seu possível aproveitamento. .Estima-se que, com a actual relação homem / terra, apenas tem um quarto da produção agrícola, da população residente, assim como do crescimento económico. Daí que a pobreza, a falta de dinamismo, o despovoamento, a debilidade económica aqui existentes, não resultem de falta de aptidão nem do meio nem das suas gentes, mas tão só de uma estranha colonização, que aqui se instalou há cento e setenta anos, aquando da venda dos bens nacionais. O facto de sermos uma das regiões mais pobres da CE só se deve á nossa incapacidade impor justiça fundiária. Nem o resultado poderia ser outro, quando de permite que cerca de dois mil oligarcas colonizadores detenham três quartos da região e, de longe, procedem a uma vil exploração por intermédio de seareiros, rendeiros, de pastores, grupos de trabalhadores rurais de e outras formas , sempre precárias, limitativas e onerosas, que invariavelmente conduzem á penúria e a uma subserviente dependência Com isso destroem a comunidade rural que perde a identidade e , acima de tudo, criando-nos uma imagem de inaptidão para assumir o desenvolvimento regional Acontece isto numa época em que o agricultura é uma actividade que se pretende nobre , muito exigente em conhecimentos e assiduidade, cujo núcleo de trabalho compete a famílias residente, que vão transmitindo a sua experiência a novas gerações, detentoras de mais saber fazer , a partir dos quais se forma uma elite agrária constituindo-se no pilar base da região.
2---- Tal como numa floresta, aonde não se divisa a arvore, também nós, por falta de elementos de comparação , não vemos que esta forma colonial de posse da terra nos arruína completamente. Perdeu-se a noção das proporções e o respeito pela comunidade rural autóctone a qual depois do malogro da reforma agrária não mais se reencontrou consigo mesma Neste ciclo fechado, sem elementos de comparação, assume-se afastada definitivamente do acesso ao seu espaço ancestral como se um atavismo genético se tratasse . Mesmo os emigrantes que vão para países aonde o mundo rural está organizado, não chegam a entendê-lo porque pura e simplesmente lhe esta vedada a sua participação
Quem me ler interrogar-se-á....! E o que o leva a pensar que o Alentejo está colonizado e como tudo isto poderia ser diferente? É simples. Eu explico Estive submetido, tal como a totalidade dos pequenos agricultores da região, ás vicissitudes fundiárias aqui vigentes. Pequeno agricultor de aldeia, seareiro nas herdades da periferia, trabalhador rural. Logo sei do que falo por experiência vivida na própria carne. Quis o destino que, por incapacidade de pactuar, durante mais tempo, com tal situação, emigrasse para Africa aonde me converti de colonizado a colonizador ou seja numa situação inversa á que havia estado submetido no Alentejo Tal e qual como o comum a muitos dos donos do Alentejo, integrei os quadros da função publica, com todas as mordomias que a que a função propicia. Obtive muitas terras aonde exercia a actividade agrícola , de uma forma muito marginal, ao bom estilo do colonizador Alentejo. E garanto-vos que foi bom, enquanto durou.
. Mas a certa altura começou a aparecer no horizonte uma diferença substancial entre os colonizados africanos e os alentejanos. Nós, colonizados no Alentejo deixávamos, sem queixumes que os grandes colonizadores nos pusessem a bota latifundiária no pescoço e nos espremessem até ao tutano. Já os africanos tinham a noção de posse da terra como um património colectivo que os levava a organizarem-se para a sua defesa
Os roubos e os vandalismo eram a forma de nos afastar .As queixas ás autoridade locais, muito solicitas na sua recepção, resultavam invariavelmente em mais incursões , por eles próprios , para quem revertia o espólio . A nossa presença na actividade agrícola tornou-se impossível. E fiquei com a certeza que uma colonização agrária, seja aonde quer que for e por quem quer que seja, não resulta quando contra a anuência das comunidades rurais residentes De todo o mundo se erguiam vozes condenando a nossa presença colonial sendo a questão da terra a que mais exacerbava os ânimos, Ate dos campos alentejanos, precisamente por parte daqueles que aqui estavam numa situação análoga á dos indígenas de lá, vinham vozes contra nós, Sem olhar para si próprios, mais frágeis e incapazes do que eles ,mais valia que cuidassem de si próprios .
3--- A situação aqui presente é mais avassaladora do que foi de Africa, Enquanto lá a concessão da terra era por aforamento, condicionado ao bom aproveitamento, e só depois de se ter verificado que não afectava as populações indígenas, era concedida Assim como era nula e sem valia a aquisição que se fizesse aos indígenas Não havia desculpas para o apossamento abusivo Estamos a falar de legislação produzida pelo mesmo governos que governaram cá e lá, simplesmente para lá acautelavam-se as necessidades das populações Enquanto isso, aqui, no Alentejo, cujos donos incorporavam os governos , nós, os aldeãos rurais, éramos , para eles ,e ainda somos, ninguém. Os custos de nos terem destruído como comunidade rural são imensos . A falta da nossa acção, como elementos de dissuasão, contra os apetites que impendem sobre os nossos território, é irreparável. Asneiras desta pagam-se sempre caras. Ou será que tudo isto foi calculado com minúcia e antecipação?
Temos presentemente um excelente governo que tenta controlar certos direito adquiridos que nos arruínam como nação Acho, porem, que tarda na tomada de medidas no sentido de disciplinar a actividade agrícola no Alentejo Tanto mais que a transferência para alienígenas se está a processar a uma velocidade impressionante . Mais algum tempo e perde-se o controlo .
Uma medida aplicada , há dias, pelo governo, serviria na perfeição, com as necessárias adaptações, para a presente situação alentejana Estou a falar da OPA hostil sobre uma empresa considerada estratégica, mas blindada afim de afastar aquisições indesejáveis. Com muito mais razões, dado que se trata dos fundamentos da pátria, não se compreende porque não se blinde o acesso a terra a quem não esteja em condições de se integrar nos superiores desígnios regionais. Francisco Pândega (agricultor) E-mail// fjnpandega@hotmail.com /// blog – – alentejoagrorural.blogspot.com.
E A
COLONIZAÇÃO AGRÁRIA
1--- O Alentejo é uma imensa e riquíssima região agrícola, cujas potencialidades estão muito aquém do seu possível aproveitamento. .Estima-se que, com a actual relação homem / terra, apenas tem um quarto da produção agrícola, da população residente, assim como do crescimento económico. Daí que a pobreza, a falta de dinamismo, o despovoamento, a debilidade económica aqui existentes, não resultem de falta de aptidão nem do meio nem das suas gentes, mas tão só de uma estranha colonização, que aqui se instalou há cento e setenta anos, aquando da venda dos bens nacionais. O facto de sermos uma das regiões mais pobres da CE só se deve á nossa incapacidade impor justiça fundiária. Nem o resultado poderia ser outro, quando de permite que cerca de dois mil oligarcas colonizadores detenham três quartos da região e, de longe, procedem a uma vil exploração por intermédio de seareiros, rendeiros, de pastores, grupos de trabalhadores rurais de e outras formas , sempre precárias, limitativas e onerosas, que invariavelmente conduzem á penúria e a uma subserviente dependência Com isso destroem a comunidade rural que perde a identidade e , acima de tudo, criando-nos uma imagem de inaptidão para assumir o desenvolvimento regional Acontece isto numa época em que o agricultura é uma actividade que se pretende nobre , muito exigente em conhecimentos e assiduidade, cujo núcleo de trabalho compete a famílias residente, que vão transmitindo a sua experiência a novas gerações, detentoras de mais saber fazer , a partir dos quais se forma uma elite agrária constituindo-se no pilar base da região.
2---- Tal como numa floresta, aonde não se divisa a arvore, também nós, por falta de elementos de comparação , não vemos que esta forma colonial de posse da terra nos arruína completamente. Perdeu-se a noção das proporções e o respeito pela comunidade rural autóctone a qual depois do malogro da reforma agrária não mais se reencontrou consigo mesma Neste ciclo fechado, sem elementos de comparação, assume-se afastada definitivamente do acesso ao seu espaço ancestral como se um atavismo genético se tratasse . Mesmo os emigrantes que vão para países aonde o mundo rural está organizado, não chegam a entendê-lo porque pura e simplesmente lhe esta vedada a sua participação
Quem me ler interrogar-se-á....! E o que o leva a pensar que o Alentejo está colonizado e como tudo isto poderia ser diferente? É simples. Eu explico Estive submetido, tal como a totalidade dos pequenos agricultores da região, ás vicissitudes fundiárias aqui vigentes. Pequeno agricultor de aldeia, seareiro nas herdades da periferia, trabalhador rural. Logo sei do que falo por experiência vivida na própria carne. Quis o destino que, por incapacidade de pactuar, durante mais tempo, com tal situação, emigrasse para Africa aonde me converti de colonizado a colonizador ou seja numa situação inversa á que havia estado submetido no Alentejo Tal e qual como o comum a muitos dos donos do Alentejo, integrei os quadros da função publica, com todas as mordomias que a que a função propicia. Obtive muitas terras aonde exercia a actividade agrícola , de uma forma muito marginal, ao bom estilo do colonizador Alentejo. E garanto-vos que foi bom, enquanto durou.
. Mas a certa altura começou a aparecer no horizonte uma diferença substancial entre os colonizados africanos e os alentejanos. Nós, colonizados no Alentejo deixávamos, sem queixumes que os grandes colonizadores nos pusessem a bota latifundiária no pescoço e nos espremessem até ao tutano. Já os africanos tinham a noção de posse da terra como um património colectivo que os levava a organizarem-se para a sua defesa
Os roubos e os vandalismo eram a forma de nos afastar .As queixas ás autoridade locais, muito solicitas na sua recepção, resultavam invariavelmente em mais incursões , por eles próprios , para quem revertia o espólio . A nossa presença na actividade agrícola tornou-se impossível. E fiquei com a certeza que uma colonização agrária, seja aonde quer que for e por quem quer que seja, não resulta quando contra a anuência das comunidades rurais residentes De todo o mundo se erguiam vozes condenando a nossa presença colonial sendo a questão da terra a que mais exacerbava os ânimos, Ate dos campos alentejanos, precisamente por parte daqueles que aqui estavam numa situação análoga á dos indígenas de lá, vinham vozes contra nós, Sem olhar para si próprios, mais frágeis e incapazes do que eles ,mais valia que cuidassem de si próprios .
3--- A situação aqui presente é mais avassaladora do que foi de Africa, Enquanto lá a concessão da terra era por aforamento, condicionado ao bom aproveitamento, e só depois de se ter verificado que não afectava as populações indígenas, era concedida Assim como era nula e sem valia a aquisição que se fizesse aos indígenas Não havia desculpas para o apossamento abusivo Estamos a falar de legislação produzida pelo mesmo governos que governaram cá e lá, simplesmente para lá acautelavam-se as necessidades das populações Enquanto isso, aqui, no Alentejo, cujos donos incorporavam os governos , nós, os aldeãos rurais, éramos , para eles ,e ainda somos, ninguém. Os custos de nos terem destruído como comunidade rural são imensos . A falta da nossa acção, como elementos de dissuasão, contra os apetites que impendem sobre os nossos território, é irreparável. Asneiras desta pagam-se sempre caras. Ou será que tudo isto foi calculado com minúcia e antecipação?
Temos presentemente um excelente governo que tenta controlar certos direito adquiridos que nos arruínam como nação Acho, porem, que tarda na tomada de medidas no sentido de disciplinar a actividade agrícola no Alentejo Tanto mais que a transferência para alienígenas se está a processar a uma velocidade impressionante . Mais algum tempo e perde-se o controlo .
Uma medida aplicada , há dias, pelo governo, serviria na perfeição, com as necessárias adaptações, para a presente situação alentejana Estou a falar da OPA hostil sobre uma empresa considerada estratégica, mas blindada afim de afastar aquisições indesejáveis. Com muito mais razões, dado que se trata dos fundamentos da pátria, não se compreende porque não se blinde o acesso a terra a quem não esteja em condições de se integrar nos superiores desígnios regionais. Francisco Pândega (agricultor) E-mail// fjnpandega@hotmail.com /// blog – – alentejoagrorural.blogspot.com.
26.2.07
AlentejoAgroRural
e a
CE (comunidade europeia)
A CE volta a referendar a constituição . Agora revista, continua a ser de concepção federalista, como convém, mas expurgada dos factores que deram origem anterior rejeição. Actualmente governada com base no tratado de Nice, elaborado para outra época, para outras questões e para um menor número de membros, tornou-se claro ser insuficiente para lidar com os problemas actuais. A Europa, precisa de uma constituição unificadora para as relações internacionais mas descentralizada internamente com base nas regiões naturais .
A EUROPA COMUNITÁRIA, esta velha e muito experiente Europa, detentora de uma vasta experiência adquirida em guerras fratricidas, dizimada por fomes e varrida por pestes, conhece, por experiência vivida, o valor da paz e da ordem. Defensora intransigente do seu mundo rural, traduzida nos substanciais apoios da PAC, mesmo ao arrepio dos ditames da OCM (organização comum de mercados), sabe ter o dever inalienável de preservar as suas raízes e, com isso, a estabilidade social e segurança alimentar. É nesse conceito governativo que nós, região Alentejo, tentamos inserir-nos mas, por deficiências estruturais básicas, não conseguimos alcançar os seus padrões de desenvolvimento, já que persistimos na manutenção de uma estática fórmula fundiária; capitulamos seduzidos perante o dinheiro que jorra do lado de lá das fronteiras; inebriamo-nos face a sistemas agrícolas exóticos, certamente funcionais noutros meios regionais não o sendo necessariamente aqui; subavaliamos o quer e saber regional preterindo-o em beneficio de miragens agrícolas que, umas a seguir ás outras, vão sendo um somatório de fracassos.
Estamos a falar da Europa pós guerra sobre cujas cinzas adoptou uma nova ordem A sua génese fundacional teve por base as regiões ou povos, que são uma e a mesma coisa , e não Europa das nações como comummente se denomina. É que entre uma região e uma nação hão diferenças enormes Uma nação é uma construção formada por diferentes regiões anexadas por guerras e mantidas pela força. Já a região é uma unidade geográfica diferenciada das circunvizinhas da qual resulta uma agricultura muito própria a consequente multiplicidade de actividades exógenas das quais deriva um homem cujo comportamento social é a emanação desse mesmo meio. Acontece que as nações, quer porque compelidas pelos povos que as integram, quer por razões de estratégia económica, foram autonomizando as suas regiões naturais. O exemplo da Espanha, aqui ao lado, com as suas diversas regiões cada uma com diferentes estatutos autonómicos ,é o paradigma da eficiência regional. Nós não o fizemos. A nossa tentação pelo concentracionismo, a incapacidade de resistir aos poderosos interesses que ,de longe nos condicionam arruínam-nos completamente em termos económicos, sociais e identitários, ao ponto depor em causa a nossa soberania
O NOSSO MODELO agro rural centralizado, está esgotado não tendo a menor possibilidade de se integrar nos conceito comunitário. Sendo o Alentejo riquíssimo é incompreensível que tenha caída tão baixo ao ponto de claudicar por incapacidade de se governar . É como morrer-se de sede atolado em agua só até ao pescoço Tal como está , nem o resultado poderá ser outro . Uma administração a partir de Lisboa que detêm a governação até ao pormenor ; o poder sobre a terra concentra-se no exterior da região ,na posse de pseudo –agricultores ,incapazes de cumprir o dever que a sua posse impõe . No campo ficam gentes que pouco mais têm do que as ruas das aldeias e umas parcas courelas inviáveis para a agricultura de hoje . A afectividade rural soçobra .Face aos intransponíveis constrangimentos fundiários sentimo-nos estranhos no nosso próprio meio Daí a facilidade com que esta extemporânea colonização se estabelece ,sem o menor obstáculo que lhe modere o ímpeto ,mais parecendo uma fúria pela captura de espaço
Contudo , os fundamentos desta colonização assentam numa fraude monumental: --- somos acusados de não sermos capazes de produzir. Mentira. Fomos nós que, em condições desvantajosas , fizemos do Alentejo o celeiro de Portugal .Desenvolvemos o sistema, hoje recuperado pelas medidas agro-ambientais, denominado agro-silvo-pastoril , que integra o olival, a vinha e o regadio, articulados entre si constituindo-se num todo perfeito em todos os aspectos inclusivamente a rendibilidade qualidade e ambiente A génese da nossa destruição, como povo, reside na questão fundiária. Eis, pois, o drama, com que sempre esbarramos e que nos arruína como comunidade rural .
Os estrangeiros, porem, não obstante a abundância de recursos e facilidades na captura de subsídios, ainda não demonstraram que fazem tão bem como nós ou tão pouco que fazem algo perdurável . Dão nas vistas por ser exótico sem que na pratica passem disso mesmo .Só nós estamos em condições de proporcionar aos campos a multifuncionalidade que lhe esta inerente .Ou seja, para alem da produção de alimentos proceder a um povoamento harmónico do território, preservar o ambiente ,manter as raízes históricas , enfim manter vivo e actuante o nosso Alentejo .E isso somos nós quem tem o querer e o saber fazer .Que os estranhos ao meio não acertem nas formulas viáveis de agricultar é sabido já que “na terra aonde não nascer faça como ver fazer “ e eles, como aliás , todos os conquistadores , não têm a humildade de aprender com os conquistados
Tem que ser imposta alguma ordem nesta escalada colonizadora . Não é impune que uma nação milenar, como a nossa , que pelo facto de estar a atravessar um mau momento, possa ser seduzida e adquirida, pela nação contigua, nos que são os seus fundamentos básicos. E se há coisas que o dinheiro não compra é o solo e a dignidade de um povo Evidentemente que o que poderia ser uma coexistência pacífica acaba, mais tarde ou mais cedo, por descambar para o tumulto logo que as suas consequências, que presentemente se circunscrevem aos campos, transbordem para os meios urbanos o que, dada a velocidade com que tudo isto se processa, acontecerá rapidamente. E a inconformidade , que a razão acentua , acabará por ir parar ao tribunal das comunidade onde será dirimida .
ORA É AQUI QUE COMEÇA a razão deste escrito. Faz parte intrínseca da génese comunitária a defesa dos povos nas suas respectivas regiões Face a isso não lhe resta outra hipótese, perante o facto de uma comunidade rural autóctone estar a ser esbulhada dos legítimos direitos sobre o seu espaço ancestral, senão decidir em seu favor. Tudo isto poderia ser evitado se imperasse o bom senso Como tal não aconteceu, espera-se, ao menos, que esta contenda se processe , não só com decoro e elevação, mas também suficientemente convincente para ser entendida em toda a sua profundidade : -- trata-se de um povo que não aceita a substituição de indesejáveis donos de terras , por outros igualmente estranhos ao meio ,nenhum dos quais capazes de dar á terra as diversas funcionalidades que constituem a autenticidade regional .Somos nós, para alem da natural legitimidade , quem tem o querer e o saber fazer no mundo rural alentejano .Já o fizemos e voltaremos a fazê-lo desde que tal nos seja permitido . FRANCISCO PÂNDEGA (agricultor) /// e-mail - fjnpandega@hotmail.com /// Blog-alentejoagrorural.blogspot.com.
e a
CE (comunidade europeia)
A CE volta a referendar a constituição . Agora revista, continua a ser de concepção federalista, como convém, mas expurgada dos factores que deram origem anterior rejeição. Actualmente governada com base no tratado de Nice, elaborado para outra época, para outras questões e para um menor número de membros, tornou-se claro ser insuficiente para lidar com os problemas actuais. A Europa, precisa de uma constituição unificadora para as relações internacionais mas descentralizada internamente com base nas regiões naturais .
A EUROPA COMUNITÁRIA, esta velha e muito experiente Europa, detentora de uma vasta experiência adquirida em guerras fratricidas, dizimada por fomes e varrida por pestes, conhece, por experiência vivida, o valor da paz e da ordem. Defensora intransigente do seu mundo rural, traduzida nos substanciais apoios da PAC, mesmo ao arrepio dos ditames da OCM (organização comum de mercados), sabe ter o dever inalienável de preservar as suas raízes e, com isso, a estabilidade social e segurança alimentar. É nesse conceito governativo que nós, região Alentejo, tentamos inserir-nos mas, por deficiências estruturais básicas, não conseguimos alcançar os seus padrões de desenvolvimento, já que persistimos na manutenção de uma estática fórmula fundiária; capitulamos seduzidos perante o dinheiro que jorra do lado de lá das fronteiras; inebriamo-nos face a sistemas agrícolas exóticos, certamente funcionais noutros meios regionais não o sendo necessariamente aqui; subavaliamos o quer e saber regional preterindo-o em beneficio de miragens agrícolas que, umas a seguir ás outras, vão sendo um somatório de fracassos.
Estamos a falar da Europa pós guerra sobre cujas cinzas adoptou uma nova ordem A sua génese fundacional teve por base as regiões ou povos, que são uma e a mesma coisa , e não Europa das nações como comummente se denomina. É que entre uma região e uma nação hão diferenças enormes Uma nação é uma construção formada por diferentes regiões anexadas por guerras e mantidas pela força. Já a região é uma unidade geográfica diferenciada das circunvizinhas da qual resulta uma agricultura muito própria a consequente multiplicidade de actividades exógenas das quais deriva um homem cujo comportamento social é a emanação desse mesmo meio. Acontece que as nações, quer porque compelidas pelos povos que as integram, quer por razões de estratégia económica, foram autonomizando as suas regiões naturais. O exemplo da Espanha, aqui ao lado, com as suas diversas regiões cada uma com diferentes estatutos autonómicos ,é o paradigma da eficiência regional. Nós não o fizemos. A nossa tentação pelo concentracionismo, a incapacidade de resistir aos poderosos interesses que ,de longe nos condicionam arruínam-nos completamente em termos económicos, sociais e identitários, ao ponto depor em causa a nossa soberania
O NOSSO MODELO agro rural centralizado, está esgotado não tendo a menor possibilidade de se integrar nos conceito comunitário. Sendo o Alentejo riquíssimo é incompreensível que tenha caída tão baixo ao ponto de claudicar por incapacidade de se governar . É como morrer-se de sede atolado em agua só até ao pescoço Tal como está , nem o resultado poderá ser outro . Uma administração a partir de Lisboa que detêm a governação até ao pormenor ; o poder sobre a terra concentra-se no exterior da região ,na posse de pseudo –agricultores ,incapazes de cumprir o dever que a sua posse impõe . No campo ficam gentes que pouco mais têm do que as ruas das aldeias e umas parcas courelas inviáveis para a agricultura de hoje . A afectividade rural soçobra .Face aos intransponíveis constrangimentos fundiários sentimo-nos estranhos no nosso próprio meio Daí a facilidade com que esta extemporânea colonização se estabelece ,sem o menor obstáculo que lhe modere o ímpeto ,mais parecendo uma fúria pela captura de espaço
Contudo , os fundamentos desta colonização assentam numa fraude monumental: --- somos acusados de não sermos capazes de produzir. Mentira. Fomos nós que, em condições desvantajosas , fizemos do Alentejo o celeiro de Portugal .Desenvolvemos o sistema, hoje recuperado pelas medidas agro-ambientais, denominado agro-silvo-pastoril , que integra o olival, a vinha e o regadio, articulados entre si constituindo-se num todo perfeito em todos os aspectos inclusivamente a rendibilidade qualidade e ambiente A génese da nossa destruição, como povo, reside na questão fundiária. Eis, pois, o drama, com que sempre esbarramos e que nos arruína como comunidade rural .
Os estrangeiros, porem, não obstante a abundância de recursos e facilidades na captura de subsídios, ainda não demonstraram que fazem tão bem como nós ou tão pouco que fazem algo perdurável . Dão nas vistas por ser exótico sem que na pratica passem disso mesmo .Só nós estamos em condições de proporcionar aos campos a multifuncionalidade que lhe esta inerente .Ou seja, para alem da produção de alimentos proceder a um povoamento harmónico do território, preservar o ambiente ,manter as raízes históricas , enfim manter vivo e actuante o nosso Alentejo .E isso somos nós quem tem o querer e o saber fazer .Que os estranhos ao meio não acertem nas formulas viáveis de agricultar é sabido já que “na terra aonde não nascer faça como ver fazer “ e eles, como aliás , todos os conquistadores , não têm a humildade de aprender com os conquistados
Tem que ser imposta alguma ordem nesta escalada colonizadora . Não é impune que uma nação milenar, como a nossa , que pelo facto de estar a atravessar um mau momento, possa ser seduzida e adquirida, pela nação contigua, nos que são os seus fundamentos básicos. E se há coisas que o dinheiro não compra é o solo e a dignidade de um povo Evidentemente que o que poderia ser uma coexistência pacífica acaba, mais tarde ou mais cedo, por descambar para o tumulto logo que as suas consequências, que presentemente se circunscrevem aos campos, transbordem para os meios urbanos o que, dada a velocidade com que tudo isto se processa, acontecerá rapidamente. E a inconformidade , que a razão acentua , acabará por ir parar ao tribunal das comunidade onde será dirimida .
ORA É AQUI QUE COMEÇA a razão deste escrito. Faz parte intrínseca da génese comunitária a defesa dos povos nas suas respectivas regiões Face a isso não lhe resta outra hipótese, perante o facto de uma comunidade rural autóctone estar a ser esbulhada dos legítimos direitos sobre o seu espaço ancestral, senão decidir em seu favor. Tudo isto poderia ser evitado se imperasse o bom senso Como tal não aconteceu, espera-se, ao menos, que esta contenda se processe , não só com decoro e elevação, mas também suficientemente convincente para ser entendida em toda a sua profundidade : -- trata-se de um povo que não aceita a substituição de indesejáveis donos de terras , por outros igualmente estranhos ao meio ,nenhum dos quais capazes de dar á terra as diversas funcionalidades que constituem a autenticidade regional .Somos nós, para alem da natural legitimidade , quem tem o querer e o saber fazer no mundo rural alentejano .Já o fizemos e voltaremos a fazê-lo desde que tal nos seja permitido . FRANCISCO PÂNDEGA (agricultor) /// e-mail - fjnpandega@hotmail.com /// Blog-alentejoagrorural.blogspot.com.
14.2.07
AlentejoAgroRural
e a
PÁTRIA
A Pátria ,como a saúde , a liberdade e outros, é um bem cuja grandeza só é entendida,,em toda a sua plenitude ,depois de perdida .Daí que aqueles que tenham passado pela desdita de dela ter precisado , como ultimo recurso, para manter a dignidade senão mesmo a integridade física, têm o dever de alertar os seus concidadãos para a sua superior valia .. Podem até certas pessoas alegar que a sua pátria é o mundo. Será, para eles, até os factos lhe demonstrarem o contrario. Não o é certamente para o comum cidadão que moureja , emigrado por aí, que exulta embevecido ao referir-se à sua pátria e sente na carne o facto da sua integração, em terras estranhas, ser sempre relativa.
PARA QUE SERVE ? interrogam-se aqueles ,porque a têm , nunca sentiram a sua verdadeira finalidade . Interiorizei isto ,por amarga experiência vivida , aquando de uma fuga dramática do ex-ultramar. Tamborilava na minha cabeça a repetitiva cantilena: --“ vai-te embora branco colono explorador que esta não é a tua terra “. Terra, pátria, valores que, a partir desse momento ,assumiram, em mim, uma grandeza até então não sentida. E no meio da debandada , de milhares de pessoas em desvairada corrida, interrogávamo-nos:-- aonde está a nossa pátria que nos entrega ,sem apoio , á barbárie ? Soubemos , mais tarde, que a nossa pátria estava doente , com tal gravidade , que ainda hoje não se recuperou .
Foi assim que, no verão de 1975 , chegamos ,com vida , cerca de cem mil portugueses , aos campos de concentração de refugiados , de Cullinann ,arredores de Pretória ,Africa do Sul .Connosco vinham estrangeiros ,predominantemente agricultores alemães ,residentes em Angola desde antes da ultima guerra e alguns com origem no ex-Sudoeste Alemão , agora Namíbia . Esses , mal chegavam, eram visitados e recolhidos pelos respectivos cônsules aos quais as autoridades sul-africanas prestavam uma invejável deferência .Contrastando connosco e representantes do nosso pais , em relação aos quais eram arrogantes e sobranceiros .Nós ,para eles ,éramos os poltrões que fogem sem dar luta e a nossa pátria resvalava para o comunismo .Para eles , porque duros senão mesmo violentos ,ser cobarde ou comunista são comportamentos desprezíveis .Esta estranha atitude não invalidava o apreço que tinham pela nossa história ,tida de homens determinados e valentes . Daí manterem um elevado respeito pelo padrão implantado por Bartolomeu Dias assim como a gruta do correio de Vasco da Gama .Para eles mais do que um lugar de turismo , é uma espécie de culto . Até mesmo as duas melhores avenidas da cidade do Cabo , tinham os nomes desses nossos navegadores .O que ,francamente , nos embevecia mas, por outro lado , nos colocava uma interrogação ;- como foi possível termos caído tão baixo ? .
MAS O QUE È A PÀTRIA ?- Convêm abordar esta seriíssima questão , agora que há alguns portugueses para quem a Pátria não ocupa o lugar cimeiro na sua hierarquia de valores. Antes sim permitem-se sondagens que mais não são do uma denuncia da baixa moral de quem as produz .A pátria não se discute ,dizia Salazar ,o ditador que errou , excessivamente , nos mais variados domínios , mas não neste .
Mas ,em suma , o que é a nossa pátria ? É este espaço físico sobre o qual se exerce a nossa nacionalidade ,se fala uma língua própria e se foi construindo uma história .A língua e a história são , porem , valores adquiridos que só perduram enquanto este espaço territorial for nosso .Isso deixa de acontecer , tal como com Olivença , se o perdermos O espaço territorial ( a terra ) , esse sim constitui a essência da pátria e congrega , em si , esses e muitos outros valores . Daí haver alguma estranheza ouvir responsáveis defender que as empresas ,tidas por estratégicas (tanto quanto os conheço não se referem ao mundo rural ) , devem permanecer em mãos nacionais ,sem que tenham uma postura , tanto ou mais determinada , quando se trate do nosso espaço territorial já que o somatório de todas as explorações agrícolas corresponde exactamente ao tamanho da nossa pátria
O ÂMAGO DA PATRIA é o mundo rural .Porem , nesse campo ,somos a mais absoluta negação em termos de eficácia Defendi , há vinte anos ,sem resultados visíveis , que o estado , através da Caixa Geral de Depósitos , deveria apoiar a aquisição de terra própria ,nos moldes em que o faz para casa própria .Com isso aproveitávamos os abundantes recursos financeiros , disponibilizados pela PAC, para o efeito . Aliás era uma antecipação do que agora faz o banco Santander na aquisição do Alentejo por parte dos espanhóis Não há ,pois , entre nós, uma visão estratégica para o nosso mundo rural Há antes sim uma inépcia agrícola gritante .A prova-lo esta o despovoamento mais parecendo um vazio humano ; , a falta de produção devida ao sequestro da terra ; o facto da maior parte da região ser detida por quem não exerce a actividade ; a incapacidade das gentes rurais defenderem o seu espaço e os seus valores É uma inépcia que já deixou de surpreender . Agora, que não consigamos fazer a interacção entre agricultura e pátria , já é surpreendente porque displicente .
Francisco Pândega (agricultor ) /// e-mail—fjnpandega@hotmail.com //// blog-alentejoagrorural.blogspot.com
e a
PÁTRIA
A Pátria ,como a saúde , a liberdade e outros, é um bem cuja grandeza só é entendida,,em toda a sua plenitude ,depois de perdida .Daí que aqueles que tenham passado pela desdita de dela ter precisado , como ultimo recurso, para manter a dignidade senão mesmo a integridade física, têm o dever de alertar os seus concidadãos para a sua superior valia .. Podem até certas pessoas alegar que a sua pátria é o mundo. Será, para eles, até os factos lhe demonstrarem o contrario. Não o é certamente para o comum cidadão que moureja , emigrado por aí, que exulta embevecido ao referir-se à sua pátria e sente na carne o facto da sua integração, em terras estranhas, ser sempre relativa.
PARA QUE SERVE ? interrogam-se aqueles ,porque a têm , nunca sentiram a sua verdadeira finalidade . Interiorizei isto ,por amarga experiência vivida , aquando de uma fuga dramática do ex-ultramar. Tamborilava na minha cabeça a repetitiva cantilena: --“ vai-te embora branco colono explorador que esta não é a tua terra “. Terra, pátria, valores que, a partir desse momento ,assumiram, em mim, uma grandeza até então não sentida. E no meio da debandada , de milhares de pessoas em desvairada corrida, interrogávamo-nos:-- aonde está a nossa pátria que nos entrega ,sem apoio , á barbárie ? Soubemos , mais tarde, que a nossa pátria estava doente , com tal gravidade , que ainda hoje não se recuperou .
Foi assim que, no verão de 1975 , chegamos ,com vida , cerca de cem mil portugueses , aos campos de concentração de refugiados , de Cullinann ,arredores de Pretória ,Africa do Sul .Connosco vinham estrangeiros ,predominantemente agricultores alemães ,residentes em Angola desde antes da ultima guerra e alguns com origem no ex-Sudoeste Alemão , agora Namíbia . Esses , mal chegavam, eram visitados e recolhidos pelos respectivos cônsules aos quais as autoridades sul-africanas prestavam uma invejável deferência .Contrastando connosco e representantes do nosso pais , em relação aos quais eram arrogantes e sobranceiros .Nós ,para eles ,éramos os poltrões que fogem sem dar luta e a nossa pátria resvalava para o comunismo .Para eles , porque duros senão mesmo violentos ,ser cobarde ou comunista são comportamentos desprezíveis .Esta estranha atitude não invalidava o apreço que tinham pela nossa história ,tida de homens determinados e valentes . Daí manterem um elevado respeito pelo padrão implantado por Bartolomeu Dias assim como a gruta do correio de Vasco da Gama .Para eles mais do que um lugar de turismo , é uma espécie de culto . Até mesmo as duas melhores avenidas da cidade do Cabo , tinham os nomes desses nossos navegadores .O que ,francamente , nos embevecia mas, por outro lado , nos colocava uma interrogação ;- como foi possível termos caído tão baixo ? .
MAS O QUE È A PÀTRIA ?- Convêm abordar esta seriíssima questão , agora que há alguns portugueses para quem a Pátria não ocupa o lugar cimeiro na sua hierarquia de valores. Antes sim permitem-se sondagens que mais não são do uma denuncia da baixa moral de quem as produz .A pátria não se discute ,dizia Salazar ,o ditador que errou , excessivamente , nos mais variados domínios , mas não neste .
Mas ,em suma , o que é a nossa pátria ? É este espaço físico sobre o qual se exerce a nossa nacionalidade ,se fala uma língua própria e se foi construindo uma história .A língua e a história são , porem , valores adquiridos que só perduram enquanto este espaço territorial for nosso .Isso deixa de acontecer , tal como com Olivença , se o perdermos O espaço territorial ( a terra ) , esse sim constitui a essência da pátria e congrega , em si , esses e muitos outros valores . Daí haver alguma estranheza ouvir responsáveis defender que as empresas ,tidas por estratégicas (tanto quanto os conheço não se referem ao mundo rural ) , devem permanecer em mãos nacionais ,sem que tenham uma postura , tanto ou mais determinada , quando se trate do nosso espaço territorial já que o somatório de todas as explorações agrícolas corresponde exactamente ao tamanho da nossa pátria
O ÂMAGO DA PATRIA é o mundo rural .Porem , nesse campo ,somos a mais absoluta negação em termos de eficácia Defendi , há vinte anos ,sem resultados visíveis , que o estado , através da Caixa Geral de Depósitos , deveria apoiar a aquisição de terra própria ,nos moldes em que o faz para casa própria .Com isso aproveitávamos os abundantes recursos financeiros , disponibilizados pela PAC, para o efeito . Aliás era uma antecipação do que agora faz o banco Santander na aquisição do Alentejo por parte dos espanhóis Não há ,pois , entre nós, uma visão estratégica para o nosso mundo rural Há antes sim uma inépcia agrícola gritante .A prova-lo esta o despovoamento mais parecendo um vazio humano ; , a falta de produção devida ao sequestro da terra ; o facto da maior parte da região ser detida por quem não exerce a actividade ; a incapacidade das gentes rurais defenderem o seu espaço e os seus valores É uma inépcia que já deixou de surpreender . Agora, que não consigamos fazer a interacção entre agricultura e pátria , já é surpreendente porque displicente .
Francisco Pândega (agricultor ) /// e-mail—fjnpandega@hotmail.com //// blog-alentejoagrorural.blogspot.com
28.1.07
AlentejoAgroRural
e as
LIÇÕES DA HISTÓRIA
1---Mais parece uma premonição que, com uma periodicidade bissecular, submete o nosso pais a duras provas de nacionalidade . São ciclos que invariavelmente se sucedem pela seguinte ordem :-- a um período de euforia nacional e abundância de recursos ,de origem externa e em proveito de gente bem colocada , segue-se outro de apatia e perda de vitalidade resultante de um certo cansaço e decrepitude que se instala entre nós .Por fim a invasão espanhola e consequente anexação do nosso território ao deles
De há seiscentos anos a esta parte ,estes ciclos sucederam-se três vezes , o ultimo dos quais culminou com a invasão franco /espanhola. Temos conseguido recuperar .Umas vezes com rasgos de coragem e valentia outras por sorte Sendo assim , e logo agora que coincide com mais um bicentenário , importa que nos ponhamos de atalaia não vá a historia repetir-se .
2--- EM CICLOS ,foi assim em 1385 ,1580 , 1800 e hoje tudo indica que se repita Com métodos mais sofisticados ; com outros enquadramentos , com roupagens revestidas de alguma candura , sem alterações nos propósitos.
----- Em 1385 deu-se a batalha de Aljubarrota . Antecedida por um período de grande fervor patriótico na libertação do território do domínio árabe ; seguiu-se um extraordinário desenvolvimento económico e povoamento agro-rural protagonizado por D Diniz . Depois o declínio derivado de um estranho conúbio com Castela do qual resultou no nosso enfraquecimento Uma medida , tomada por D. Fernando (ao que parece a única coisa acertada que fez na vida ) foi a lei das Sesmarias .Por meio dela procedeu ao povoamento da fronteira (de Mértola a vila Velha de Ródão ) ainda hoje bem visível ,e com isso puniu e dissuadiu as constantes surtidas sobre o nosso território. Mas mais:-- tornou afoitos os alentejanos que ,” avezados” a bater nos castelhanos foram decisivos em Aljubarrota .
----Em 1580 capitulamos , sem luta , às mãos de Espanha . Depois do período mais glorioso da nossa história ,(os descobrimentos ) , seguiu-se o do dinheiro fácil resultante das especiarias ; a luxúria e o amolecimento conduziram-nos à decadência e à perda de independência só recuperada (sessenta anos depois ) graças a ajuda da Catalunha .Triste , muito triste ,esta pagina da nossa história .
---- Em 1800 ,depois de um período áureo resultante do ouro e diamantes do Brasil , voltamos e entrar em crise de soberania . A Espanha e a França celebram tratados (Fontainebleau e Basileia) , visando o ataque e partilha ,entre si , do nosso pais A governação pôs-se a jeito , inebriada pelos conceitos de igualdade e fraternidade , afrancesou-se e espanholou-se .Foi um período de grande desonra nacional que importa não repetir . Sem governação , estávamos submetidos a livre arbítrio e a voracidade dos conquistadores franco /espanhóis .Só o frio da Rússia , dizimando as tropas de Napoleão , veio em nosso socorro ,não sem que antes se tivesse devastado a nossa sociedade, surripiado os nossos valores , perdido Olivença e experimentado alguma dificuldade em nos livrarmos do aliado inglês que veio em nossos socorro e, soube-se depois , não só .
---- Hoje , vinte anos depois da integração na CE e beneficiários de abundantes fundos da PAC , seria suposto que a nossa economia agrária , assim como o povoamento do território , tivessem acontecido e alterado o panorama socio-económico regional e com isso solidificado a nossa auto estima e o orgulho nacional /regional A nossa inépcia agrícola , que vai ao cúmulo de não distinguir as diferenças de critérios da actividade agro-rural das dos restantes sectores, a tal não conduziu .O não ser capaz de entender que a terra tem uma função especifica que ultrapassa as simples regras do mercado, está a conduzir-nos para os “braços amigos dos espanhóis” .E logo agora que é o fatídico bicentenário .
3----TEMOS EM MÃOS um gravíssimo problema de natureza económica , social e de soberania cujos contornos se podem enquadrar neste cenário:--- Uma falta de produção agrícola que nos angustia e torna dependentes ; um mundo rural que não contribui para a estabilidade social já que não absorve os desmandos urbanos antes sim é subsidiaria deles ; uma baixa auto-estima nacional ; o não entender que a intervenção do estado, ao pretender defender o sector agro-regional ,passa mais por impedir que seja coarctado na sua função , do que tentar conduzi-lo na sua acção ; e uma clara ameaça ,aonde mais dói , que e ao nosso chão sagrado Evidentemente que estas terras , tal como aconteceu com Olivença , não mudam de lugar .Muda sim o azimute da sua função o que nas actuais circunstancias é praticamente a mesma coisa Tanta debilidade criou-nos , em relação á Espanha , uma situação atípica de sentimentos de inferioridade , assaz perigosa , que se pode sintetizar assim :--
--- A integração comunitária implica o livre direito de estabelecimento e tem programas, de apoio , transfronteiriços Pretende-se certamente tornar melhores as relações de uma mesma região natural divididas em duas por fronteiras politicas .Não proíbe nem incentiva a aquisição de uma faixa de terra , na nação contigua para anexar a outra , pelo simples facto disso ser completamente impossível de acontecer, seja onde for , muito menos na Europa comunitária. Contudo , os nossos vizinhos aproveitando-se da circunstancia de estarmos um pouco em baixo , fazem-no ,sem pejo nem decoro e sem pensar que só seria aceitável se houvesse um mínimo de reciprocidade (estou a falar de terra )
--- A Espanha é formada por regiões e estados cada qual com a sua própria autonomia . Diversas dessas regiões , que nos envolvem , têm o seu natural prolongamento para o nosso território .Está nesse caso a Extremadura que é a continuação do Alentejo para o interior da península Ora ,se o que se está a passar no Alentejo , que se estima ter um oitavo do seu espaço adquirido por eles , acontecer na restante fronteira, Portugal acaba por, pura e simplesmente , desaparecer por incorporação nas regiões espanholas .Tudo muito legal ,negócios de particular para particular ; tudo sob a cândida complacência de interregs comunitários . Enquanto que nós, indignos representantes das gerações anteriores, assistimos , impávidos e serenos ,ao esbulhar da nossa soberania , tais moicanos, presos a direitos que nos desfavorecem sem coragem para proceder a reformas quanto mais a roturas .
4--- SOLUÇÃO –Com uma sondagem que dá 27% dos portugueses serem favoráveis à integração na Espanha ; com os donos das terras , receando terem que prestar contas à comunidade rural ,do uso que lhes estão a dar , a aprestarem-se a transferi-la rapidamente ; uma comunidade rural que pouco ou nada tem a defender a não ser as prestações mensais da segurança social ; e tendo em conta a pouca margem de manobra que o governo tem nesta matéria ; que fazer ? Será que a solução passa pelos nossos emigrantes que mourejam por esses mundo a carpir saudades do seu querido Portugal mas que ao regressarem as suas terras não aceitem continuar a trabalhar ,nelas , novamente ao serviço de estrangeiros ? Há aqui uma questão de raízes históricas que estão a ser ultrapassadas Não creio que seja pacifico, mas há que ter esperança .Está tudo em começo sendo susceptível de reversão .Até pode ser que acordemos a tempo e a premonição bicentenária , que constitui um enguiço da nossa história , se quebre .
Francisco Pândega(agricultor ) /// e-mail -- fjnpandega@hotmail.com ; ///blog -- alentejoagrorural.blogspot.com///
e as
LIÇÕES DA HISTÓRIA
1---Mais parece uma premonição que, com uma periodicidade bissecular, submete o nosso pais a duras provas de nacionalidade . São ciclos que invariavelmente se sucedem pela seguinte ordem :-- a um período de euforia nacional e abundância de recursos ,de origem externa e em proveito de gente bem colocada , segue-se outro de apatia e perda de vitalidade resultante de um certo cansaço e decrepitude que se instala entre nós .Por fim a invasão espanhola e consequente anexação do nosso território ao deles
De há seiscentos anos a esta parte ,estes ciclos sucederam-se três vezes , o ultimo dos quais culminou com a invasão franco /espanhola. Temos conseguido recuperar .Umas vezes com rasgos de coragem e valentia outras por sorte Sendo assim , e logo agora que coincide com mais um bicentenário , importa que nos ponhamos de atalaia não vá a historia repetir-se .
2--- EM CICLOS ,foi assim em 1385 ,1580 , 1800 e hoje tudo indica que se repita Com métodos mais sofisticados ; com outros enquadramentos , com roupagens revestidas de alguma candura , sem alterações nos propósitos.
----- Em 1385 deu-se a batalha de Aljubarrota . Antecedida por um período de grande fervor patriótico na libertação do território do domínio árabe ; seguiu-se um extraordinário desenvolvimento económico e povoamento agro-rural protagonizado por D Diniz . Depois o declínio derivado de um estranho conúbio com Castela do qual resultou no nosso enfraquecimento Uma medida , tomada por D. Fernando (ao que parece a única coisa acertada que fez na vida ) foi a lei das Sesmarias .Por meio dela procedeu ao povoamento da fronteira (de Mértola a vila Velha de Ródão ) ainda hoje bem visível ,e com isso puniu e dissuadiu as constantes surtidas sobre o nosso território. Mas mais:-- tornou afoitos os alentejanos que ,” avezados” a bater nos castelhanos foram decisivos em Aljubarrota .
----Em 1580 capitulamos , sem luta , às mãos de Espanha . Depois do período mais glorioso da nossa história ,(os descobrimentos ) , seguiu-se o do dinheiro fácil resultante das especiarias ; a luxúria e o amolecimento conduziram-nos à decadência e à perda de independência só recuperada (sessenta anos depois ) graças a ajuda da Catalunha .Triste , muito triste ,esta pagina da nossa história .
---- Em 1800 ,depois de um período áureo resultante do ouro e diamantes do Brasil , voltamos e entrar em crise de soberania . A Espanha e a França celebram tratados (Fontainebleau e Basileia) , visando o ataque e partilha ,entre si , do nosso pais A governação pôs-se a jeito , inebriada pelos conceitos de igualdade e fraternidade , afrancesou-se e espanholou-se .Foi um período de grande desonra nacional que importa não repetir . Sem governação , estávamos submetidos a livre arbítrio e a voracidade dos conquistadores franco /espanhóis .Só o frio da Rússia , dizimando as tropas de Napoleão , veio em nosso socorro ,não sem que antes se tivesse devastado a nossa sociedade, surripiado os nossos valores , perdido Olivença e experimentado alguma dificuldade em nos livrarmos do aliado inglês que veio em nossos socorro e, soube-se depois , não só .
---- Hoje , vinte anos depois da integração na CE e beneficiários de abundantes fundos da PAC , seria suposto que a nossa economia agrária , assim como o povoamento do território , tivessem acontecido e alterado o panorama socio-económico regional e com isso solidificado a nossa auto estima e o orgulho nacional /regional A nossa inépcia agrícola , que vai ao cúmulo de não distinguir as diferenças de critérios da actividade agro-rural das dos restantes sectores, a tal não conduziu .O não ser capaz de entender que a terra tem uma função especifica que ultrapassa as simples regras do mercado, está a conduzir-nos para os “braços amigos dos espanhóis” .E logo agora que é o fatídico bicentenário .
3----TEMOS EM MÃOS um gravíssimo problema de natureza económica , social e de soberania cujos contornos se podem enquadrar neste cenário:--- Uma falta de produção agrícola que nos angustia e torna dependentes ; um mundo rural que não contribui para a estabilidade social já que não absorve os desmandos urbanos antes sim é subsidiaria deles ; uma baixa auto-estima nacional ; o não entender que a intervenção do estado, ao pretender defender o sector agro-regional ,passa mais por impedir que seja coarctado na sua função , do que tentar conduzi-lo na sua acção ; e uma clara ameaça ,aonde mais dói , que e ao nosso chão sagrado Evidentemente que estas terras , tal como aconteceu com Olivença , não mudam de lugar .Muda sim o azimute da sua função o que nas actuais circunstancias é praticamente a mesma coisa Tanta debilidade criou-nos , em relação á Espanha , uma situação atípica de sentimentos de inferioridade , assaz perigosa , que se pode sintetizar assim :--
--- A integração comunitária implica o livre direito de estabelecimento e tem programas, de apoio , transfronteiriços Pretende-se certamente tornar melhores as relações de uma mesma região natural divididas em duas por fronteiras politicas .Não proíbe nem incentiva a aquisição de uma faixa de terra , na nação contigua para anexar a outra , pelo simples facto disso ser completamente impossível de acontecer, seja onde for , muito menos na Europa comunitária. Contudo , os nossos vizinhos aproveitando-se da circunstancia de estarmos um pouco em baixo , fazem-no ,sem pejo nem decoro e sem pensar que só seria aceitável se houvesse um mínimo de reciprocidade (estou a falar de terra )
--- A Espanha é formada por regiões e estados cada qual com a sua própria autonomia . Diversas dessas regiões , que nos envolvem , têm o seu natural prolongamento para o nosso território .Está nesse caso a Extremadura que é a continuação do Alentejo para o interior da península Ora ,se o que se está a passar no Alentejo , que se estima ter um oitavo do seu espaço adquirido por eles , acontecer na restante fronteira, Portugal acaba por, pura e simplesmente , desaparecer por incorporação nas regiões espanholas .Tudo muito legal ,negócios de particular para particular ; tudo sob a cândida complacência de interregs comunitários . Enquanto que nós, indignos representantes das gerações anteriores, assistimos , impávidos e serenos ,ao esbulhar da nossa soberania , tais moicanos, presos a direitos que nos desfavorecem sem coragem para proceder a reformas quanto mais a roturas .
4--- SOLUÇÃO –Com uma sondagem que dá 27% dos portugueses serem favoráveis à integração na Espanha ; com os donos das terras , receando terem que prestar contas à comunidade rural ,do uso que lhes estão a dar , a aprestarem-se a transferi-la rapidamente ; uma comunidade rural que pouco ou nada tem a defender a não ser as prestações mensais da segurança social ; e tendo em conta a pouca margem de manobra que o governo tem nesta matéria ; que fazer ? Será que a solução passa pelos nossos emigrantes que mourejam por esses mundo a carpir saudades do seu querido Portugal mas que ao regressarem as suas terras não aceitem continuar a trabalhar ,nelas , novamente ao serviço de estrangeiros ? Há aqui uma questão de raízes históricas que estão a ser ultrapassadas Não creio que seja pacifico, mas há que ter esperança .Está tudo em começo sendo susceptível de reversão .Até pode ser que acordemos a tempo e a premonição bicentenária , que constitui um enguiço da nossa história , se quebre .
Francisco Pândega(agricultor ) /// e-mail -- fjnpandega@hotmail.com ; ///blog -- alentejoagrorural.blogspot.com///
10.1.07
AlentejoAgroRural
UM ESTILO DE VIDA
Estamos a pagar um preço excessivamente elevado pelo facto de não percebermos que o mundo rural se rege por parâmetros diferentes dos restantes sectores socio-económicos Com uma estranha sedução pela administração centralizada, no topo da qual se tomam medidas nem sempre coincidentes com a verdade agro-regional , estamos a fragilizar de forma irreversível o mundo rural alentejano Daí que , não obstante as colossais potencialidades agro-económicos regionais , o Alentejo não esteja a contribuir , como poderia e deveria ,para a superação da crise económica ,antes sim , está a ser motivo de vergonha nacional .Daí que qualquer solução com vista a reorganizar o mundo rural alentejano tenha que ser de âmbito regional e antecedida de um debate ,a esse mesmo nível , afim de definir quem representa quem.
Nós não podemos persistir no erro de dar um tratamento igual a coisas diferentes A vida de uma região eminentemente agrícola ( o nosso caso) comporta dois estilos : --- Um de índole urbana -- ,o comercio, industria e serviços ( que inclui o promissor sector do turismo ),-- com as suas regras , dimensão e âmbito transnacional ; e outro a agro-silvo-pastorícia , também com as suas regras o a sua dimensão mas de âmbito condicionado pela realidade edafo-climática regional .Senão vejamos
O MERCADO é o factor por excelência para seleccionar os empresários :-- aos bons abre-lhe o caminho do sucesso e aos maus o da substituição Esta é a única forma de um desenvolvimento sustentado .
. Acontece que , sendo valido para os restantes sectores , só parcialmente o é para a agricultura Mais de metade dos nossos campos estão apossados por quem não sabe ou não quer dar-lhe o devido uso sem que a força do mercado os obrigue á respectiva substituição tal como nos outros sectores Fazem uma exploração longínqua e incompetente , por interpostas pessoas , para inglês ver , acobertar uma despudorada rapina dos recursos naturais , a captura de subsídios ,manter um elevado estatuto social e punir os inconformados alentejanos . Impedem , com isso , o normal uso da terra e fragilizam a região que , incapaz de reagir por si própria , esta ser transferida para a posse de estrangeiros
As gentes , sem meios e dependente da segurança social desespera perante a incompreensão do poder que pelo menos até agora tem sido um joguete nas mãos dos poderosos
. Falta, entre nós , um instrumento , complementar do mercado , que consagre simplesmente isto :--- “” que ninguém está mandatado para dar á terra um uso que não se compagine com os superiores desígnios regionais “” . Com ele e a ser usado por entidades que se pautem por princípios honradez regional , solucionar-se-iam , ainda a tempo , os gravíssimos problemas que nos minam.
O TRABALHO ----O conceito de trabalhador rural por conta de outrem é, claramente ,diferente do urbano . Nas cidades tem por principio o cumprimento de horários sob apertada vigilância e em delegar para terceiros a protecção na doença , no desemprego e velhice.
Nos campos , o protótipo do trabalhador rural alentejano ,(não o que trabalhava em grandes ranchos para alguém desconhecido cujas relações eram normalmente de desprezo mutuo assumido individualmente e em grupo). tipo em pequenos grupos
ao serviço de um agricultor , tinha por base um virtual contrato de defesa de interesses mútuos
.O patrão sabia fazer-se respeitar , pela correcção de comportamento , humanização do trato e pelo o exemplo , sendo frequente iniciar os trabalhos dizendo :-- “” façam assim como eu estou a fazer “. sem deixar duvidas quanto a sua exequibilidade
Mas havia outra questão muito importante . Estava sempre subjacente , em nós , a esperança de um dia vir a ser agricultor por conta própria Para o efeito preparávamo-nos intensamente :--- juntava-se dinheiro poupando e trabalhando até ao limite do humano , aperfeiçoava-nos permanentemente e com isso ascendia-se socialmente , facilitando o matrimónio preferencialmente com uma rapariga com bens .O conceito do trabalho próprio assim o impunha Uma experiência milenar a ditar as regras .
Com a transição da lavoura de tracção animal para a mecânica e a extinção dos seareiros , ( o auto-emprego possível á época ) esse sonho longamente acalentado feneceu e com ele a esperança Sem essa perspectiva , trabalhar na sua terra para alguém detestável , tido por usurpador , tornou-se num suplicio Daí o anátema de sermos maus trabalhadores na própria região .
A FAMILIA . Criamos uma sociedade de tal forma defeituosa que deixou de cumprir o dever básico de constituir família e ter filhos .Com isso deixamos envelhecer o nosso tecido social ao ponto de , só por si , se tornar incapaz de se auto-rejuvenescer. Ao que parece a solução passa por entregar essa tarefa aos imigrantes .De facto , quando se chega a isso , torna-se claro que estamos em vias de extinção.
Mas se bem que ter filhos nas urbes se torna num sacrifício o mesmo não acontece no rústico . Numa sociedade rural estabilizada como foi e ainda pode vir a ser a nossa , constituir família e procriar são questões quotidianas que fazem parte da forma de ser e estar no nosso mundo rural . Não estamos a falar de programas , que vão neste ou naquele sentido , afim de aumentar a natalidade .Estamos a falar de afastar os constrangimentos , aqui existentes , para que o ruralismo autêntico funcione em toda a sua plenitude . A constituição da família nuclear é como que um desígnio da natureza ; e ,dela resulta a alargada ou clânica , que constitui como que uma malha de segurança envolvente .É assim o homem rural . Fazem-se filhos para pagar a divida contraída aos progenitores e garantir apoios na velhice . ,Constitui-se família e fazem-se filhos porque é assim mesmo e mais nada .É a natureza a ditar as suas regras .
FACE AO EXPOSTO ,dir-se-á ! Que se passa connosco para que os valores da ruralidade não influenciem beneficamente os da urbanidade , potenciando-se mutuamente ? O mal não está nos urbanos Estes seguem o seu caminho ao seu próprio ritmo O mal está em nós que não conseguimos libertar-nos dos factores que impedem a prossecução do nossos destino
A minha experiência ,na qualidade de trabalhador rural por conta de outrem e pequeno agricultor ,nos campos alentejanos e ,posteriormente e noutras paragens , pesquisador etnólogo especialmente dedicado a articulação dos povos rurais com o meio ,concluo que não há povo algum que resista se impedido de aceder ao seu espaço circundante.
Está nesse caso a comunidade rural alentejana que pode ser assim caracterizada,:--- Limitada na usufruição do seu espaço vital de há 170 anos a esta parte , tem sido severamente punida por não se conformar com tal situação da qual resultou ,não só a perda da capacidade de luta, como da percepção do que lhe esta a acontecer ; os grandes donos do Alentejo ,ausentes e entretidos na dissipação das fabulosas receitas daqui auferidas sentem-se como casta com um direito divino sobre o nosso espaço ancestral , sem que se sintam na obrigação de prestar contas a ninguém ; e estado ( há a esperança que o actual governo encare esta situação de uma forma mais patriótica ) e até a nível da CE , aceitam como representantes da região precisamente os responsáveis pela degradante situação regional .Efectivamente há aqui um ajuste de contas que tarda em ser feito -- Francisco Pândega (agricultor)/// e-mail --fjpandega@hotmail.com /// blog—alentejoagrorural.blogspot.com .
UM ESTILO DE VIDA
Estamos a pagar um preço excessivamente elevado pelo facto de não percebermos que o mundo rural se rege por parâmetros diferentes dos restantes sectores socio-económicos Com uma estranha sedução pela administração centralizada, no topo da qual se tomam medidas nem sempre coincidentes com a verdade agro-regional , estamos a fragilizar de forma irreversível o mundo rural alentejano Daí que , não obstante as colossais potencialidades agro-económicos regionais , o Alentejo não esteja a contribuir , como poderia e deveria ,para a superação da crise económica ,antes sim , está a ser motivo de vergonha nacional .Daí que qualquer solução com vista a reorganizar o mundo rural alentejano tenha que ser de âmbito regional e antecedida de um debate ,a esse mesmo nível , afim de definir quem representa quem.
Nós não podemos persistir no erro de dar um tratamento igual a coisas diferentes A vida de uma região eminentemente agrícola ( o nosso caso) comporta dois estilos : --- Um de índole urbana -- ,o comercio, industria e serviços ( que inclui o promissor sector do turismo ),-- com as suas regras , dimensão e âmbito transnacional ; e outro a agro-silvo-pastorícia , também com as suas regras o a sua dimensão mas de âmbito condicionado pela realidade edafo-climática regional .Senão vejamos
O MERCADO é o factor por excelência para seleccionar os empresários :-- aos bons abre-lhe o caminho do sucesso e aos maus o da substituição Esta é a única forma de um desenvolvimento sustentado .
. Acontece que , sendo valido para os restantes sectores , só parcialmente o é para a agricultura Mais de metade dos nossos campos estão apossados por quem não sabe ou não quer dar-lhe o devido uso sem que a força do mercado os obrigue á respectiva substituição tal como nos outros sectores Fazem uma exploração longínqua e incompetente , por interpostas pessoas , para inglês ver , acobertar uma despudorada rapina dos recursos naturais , a captura de subsídios ,manter um elevado estatuto social e punir os inconformados alentejanos . Impedem , com isso , o normal uso da terra e fragilizam a região que , incapaz de reagir por si própria , esta ser transferida para a posse de estrangeiros
As gentes , sem meios e dependente da segurança social desespera perante a incompreensão do poder que pelo menos até agora tem sido um joguete nas mãos dos poderosos
. Falta, entre nós , um instrumento , complementar do mercado , que consagre simplesmente isto :--- “” que ninguém está mandatado para dar á terra um uso que não se compagine com os superiores desígnios regionais “” . Com ele e a ser usado por entidades que se pautem por princípios honradez regional , solucionar-se-iam , ainda a tempo , os gravíssimos problemas que nos minam.
O TRABALHO ----O conceito de trabalhador rural por conta de outrem é, claramente ,diferente do urbano . Nas cidades tem por principio o cumprimento de horários sob apertada vigilância e em delegar para terceiros a protecção na doença , no desemprego e velhice.
Nos campos , o protótipo do trabalhador rural alentejano ,(não o que trabalhava em grandes ranchos para alguém desconhecido cujas relações eram normalmente de desprezo mutuo assumido individualmente e em grupo). tipo em pequenos grupos
ao serviço de um agricultor , tinha por base um virtual contrato de defesa de interesses mútuos
.O patrão sabia fazer-se respeitar , pela correcção de comportamento , humanização do trato e pelo o exemplo , sendo frequente iniciar os trabalhos dizendo :-- “” façam assim como eu estou a fazer “. sem deixar duvidas quanto a sua exequibilidade
Mas havia outra questão muito importante . Estava sempre subjacente , em nós , a esperança de um dia vir a ser agricultor por conta própria Para o efeito preparávamo-nos intensamente :--- juntava-se dinheiro poupando e trabalhando até ao limite do humano , aperfeiçoava-nos permanentemente e com isso ascendia-se socialmente , facilitando o matrimónio preferencialmente com uma rapariga com bens .O conceito do trabalho próprio assim o impunha Uma experiência milenar a ditar as regras .
Com a transição da lavoura de tracção animal para a mecânica e a extinção dos seareiros , ( o auto-emprego possível á época ) esse sonho longamente acalentado feneceu e com ele a esperança Sem essa perspectiva , trabalhar na sua terra para alguém detestável , tido por usurpador , tornou-se num suplicio Daí o anátema de sermos maus trabalhadores na própria região .
A FAMILIA . Criamos uma sociedade de tal forma defeituosa que deixou de cumprir o dever básico de constituir família e ter filhos .Com isso deixamos envelhecer o nosso tecido social ao ponto de , só por si , se tornar incapaz de se auto-rejuvenescer. Ao que parece a solução passa por entregar essa tarefa aos imigrantes .De facto , quando se chega a isso , torna-se claro que estamos em vias de extinção.
Mas se bem que ter filhos nas urbes se torna num sacrifício o mesmo não acontece no rústico . Numa sociedade rural estabilizada como foi e ainda pode vir a ser a nossa , constituir família e procriar são questões quotidianas que fazem parte da forma de ser e estar no nosso mundo rural . Não estamos a falar de programas , que vão neste ou naquele sentido , afim de aumentar a natalidade .Estamos a falar de afastar os constrangimentos , aqui existentes , para que o ruralismo autêntico funcione em toda a sua plenitude . A constituição da família nuclear é como que um desígnio da natureza ; e ,dela resulta a alargada ou clânica , que constitui como que uma malha de segurança envolvente .É assim o homem rural . Fazem-se filhos para pagar a divida contraída aos progenitores e garantir apoios na velhice . ,Constitui-se família e fazem-se filhos porque é assim mesmo e mais nada .É a natureza a ditar as suas regras .
FACE AO EXPOSTO ,dir-se-á ! Que se passa connosco para que os valores da ruralidade não influenciem beneficamente os da urbanidade , potenciando-se mutuamente ? O mal não está nos urbanos Estes seguem o seu caminho ao seu próprio ritmo O mal está em nós que não conseguimos libertar-nos dos factores que impedem a prossecução do nossos destino
A minha experiência ,na qualidade de trabalhador rural por conta de outrem e pequeno agricultor ,nos campos alentejanos e ,posteriormente e noutras paragens , pesquisador etnólogo especialmente dedicado a articulação dos povos rurais com o meio ,concluo que não há povo algum que resista se impedido de aceder ao seu espaço circundante.
Está nesse caso a comunidade rural alentejana que pode ser assim caracterizada,:--- Limitada na usufruição do seu espaço vital de há 170 anos a esta parte , tem sido severamente punida por não se conformar com tal situação da qual resultou ,não só a perda da capacidade de luta, como da percepção do que lhe esta a acontecer ; os grandes donos do Alentejo ,ausentes e entretidos na dissipação das fabulosas receitas daqui auferidas sentem-se como casta com um direito divino sobre o nosso espaço ancestral , sem que se sintam na obrigação de prestar contas a ninguém ; e estado ( há a esperança que o actual governo encare esta situação de uma forma mais patriótica ) e até a nível da CE , aceitam como representantes da região precisamente os responsáveis pela degradante situação regional .Efectivamente há aqui um ajuste de contas que tarda em ser feito -- Francisco Pândega (agricultor)/// e-mail --fjpandega@hotmail.com /// blog—alentejoagrorural.blogspot.com .
28.12.06
AlentejoAgroRural
Bom Ano Novo
É costume, quando finda um ano e se inicia outro, fazer-se uma análise retrospectiva das questões mais importantes e, numa óptica prospectiva, aventarem-se soluções. Nessa conformidade elegi o emprego / segurança económica, mais concretamente o emprego por conta própria, como o tema de fundo mais importante nas actuais circunstâncias. Fala-vos quem foi, durante catorze anos, funcionário publico . Mas que o chamamento à liberdade falou mais alto sem que, com isso, deixasse de continuar a prestar serviço à colectividade E hoje tenho legitimidade para afirmar que “há mais vida para alem do emprego” por mais direitos que nele se adquiram.
FLEXI-EMPREGO/SEGURANÇA são dois termos que estão a fazer a entrada no nosso léxico linguístico. Mas o facto de se fazerem anteceder do prefixo flexi altera-lhe completamente o sentido. Este novo conceito indicia que a manutenção de um emprego, por conta de outrem, só se manterá enquanto interessar a ambas as partes. Cessando logo que tal deixe de se verificar. Disto resultará aumento de produtividade e eficiência; rotatividade e refrescamento laboral; perda do receio de abrir postos de trabalho; ganhar coragem para se lançar, como alternativa, na constituição do seu próprio posto de trabalho; e de, por fim, deixar de haver lugar para os que “ nada mais prejudica quem trabalha do que a presença dos que nada fazem “ já que estes serão automaticamente excluídos.
As mudanças de emprego tornar-se-ão uma constante da vida com a vantagem de dilatar os horizontes do conhecimento, da auto-formação e satisfação profissional, enfim, de dar a nós mesmos a oportunidade de fazermos, nós próprios, as nossas escolhas e não o sermos uma espécie de marionetas accionadas por cordelinhos desconhecidos.
A poupança e aforro serão um desígnio da vida, não só para fazer face aos achaques, que vão surgindo, como para aproveitar a oportunidade de dar inicio ao próprio emprego; nós próprios deliberaremos qual o tipo de segurança económica que nos convêm; aumentará a apetência pela constituição da família, e esta mais numerosa, afim de, não só pagar a divida contraída para com os progenitores, como assegurar uma velhice apoiada, digna, no local afectivo, e uma morte na certeza de ter merecido a pena viver.
UMA MUDANÇA DE ATITUDE. Dir-se-á que é muito mais cómodo haver uma entidade empregadora que pague, ao fim do mês, o salário, seja qual for o desempenho; e, ao fim de alguns anos, ainda em boa forma física, obter-se a reforma e ir-se trabalhar para outro lado. É bom enquanto houver quem pague, e isso esta a chegar ao fim. E esse fim já se começa a fazer-se sentir com a exaustão dos contribuintes em suportar tais encargos mais a mais obtendo, em troca, uma compensação muito aquém da possível. O nosso modelo laboral chegou ao fim tendo batido no fundo, em termos de descrédito agora que as classes mais privilegiadas se tornaram as mais contestatárias.
A globalização traz-nos diariamente produtos, pela porta dentro, das mais estranhas origens com as mais desencontradas regras laborais, que são comercializadas por alguém que, (salvo o exagero) espreita 24 horas por dia, detrás de uma porta a oportunidade de comerciar. O efeito sobre os produtos resultantes das empresas de mão-de-obra intensiva são demolidores. A deslocalização, paragem ou falência , em tais condições ,são uma inevitabilidade.
Os país não aguenta mais manter uma boa parte dos seus filhos, certamente os melhores de entre nós, a apodrecer em empregos que nem sempre se justificam ou onde a produtividade é muito baixa. Assim retirados da vida útil, triturados por uma gigantesca maquina viciada , deixam de ter a possibilidade de mostrarem o que valem deixando de ser úteis a si e aos outros.
É nessa perspectiva que elegi, como prioridade nacional /regional, o auto-emprego e a auto-segurança económica.
O ARADO/TERRA simbolizam os instrumentos de recuperação. O nosso país, devido à sua improdutividade, vive sob grande ameaça. Agora clara e efectiva aonde mais dói: -- o nosso espaço rural ancestral. Reformar ,impõe-se-nos , começando precisamente por ai que é o que está mais claramente ao nosso alcance dado haver espaço excelente para o exercício da actividade agrícola e , consequentemente , para uma multiplicidade de actividades a ela destinadas ou dela derivadas .
Dizia um imperador austríaco que as guerras, nas quais se incluíam as económicas, se ganham com soldados que tenham algo a defender. Nós dizemos “ se queres um bom soldado vai busca-lo ao arado”. Afinal tudo isto se resume em ter as raízes na terra. Homens do arado, na verdadeira acepção da palavra, praticamente não existem . Porque incómodos e potencialmente perigosos, foram eliminados, para sossego dos sequestradores do solo alentejano, neste ultimo meio século de desvario pseudo-empresarial agrícola. Os poucos que restam, vencidos, desorganizados e acabrunhados, dificilmente se disponibilizam a participar numa altitude defensiva. A justificação, para tal recusa, deriva do facto do espaço rural envolvente das aldeias, se bem que seja aí que guardam a memória comum, ser pertença de não se saber quem, de onde são permanentemente enxotados como se fossem leprosos. È a tal história do arado a funcionar ao contrário E rematam: - quaisquer outros que venham não podem ser tão predadores como estes.
Resta a numerosa classe de empregados por conta de outrem, (no estado, autarquias, empresas publicas e outras), a quem se pede que cooperem. Não só a bem do país, ou da comunidade rural alentejana, mas em sua própria defesa já que, por este andar, a sua vez , de serem questionados os seus direitos adquiridos , inexoravelmente acabará por chegar. E quem pense que, pelo facto dos novos colonos estarem só entretidos na agricultura , sem considerarem o resto, andam mal avisados Estamos a falar de agricultura, a fonte do dinheiro alentejano, com o qual se pagam os direitos e os serviços que as pessoas prestam. E esse deixa de estar em nosso poder. Irá ser controlado a partir de outra torneira .
Espero que as coisas não cheguem até aí e que, daqui a um ano, ao voltarmos a esta tribuna, já as actuais nuvens, tenebrosas e carregadas que ensombram o nosso horizonte, se tenham dissipado. Bom ano novo meus estimados leitores. Francisco Pândega (agricultor) ///e-mail – – fjnpandega@hotmail.com ///bloco – AlentejoAgroRural.blogspot. com
Bom Ano Novo
É costume, quando finda um ano e se inicia outro, fazer-se uma análise retrospectiva das questões mais importantes e, numa óptica prospectiva, aventarem-se soluções. Nessa conformidade elegi o emprego / segurança económica, mais concretamente o emprego por conta própria, como o tema de fundo mais importante nas actuais circunstâncias. Fala-vos quem foi, durante catorze anos, funcionário publico . Mas que o chamamento à liberdade falou mais alto sem que, com isso, deixasse de continuar a prestar serviço à colectividade E hoje tenho legitimidade para afirmar que “há mais vida para alem do emprego” por mais direitos que nele se adquiram.
FLEXI-EMPREGO/SEGURANÇA são dois termos que estão a fazer a entrada no nosso léxico linguístico. Mas o facto de se fazerem anteceder do prefixo flexi altera-lhe completamente o sentido. Este novo conceito indicia que a manutenção de um emprego, por conta de outrem, só se manterá enquanto interessar a ambas as partes. Cessando logo que tal deixe de se verificar. Disto resultará aumento de produtividade e eficiência; rotatividade e refrescamento laboral; perda do receio de abrir postos de trabalho; ganhar coragem para se lançar, como alternativa, na constituição do seu próprio posto de trabalho; e de, por fim, deixar de haver lugar para os que “ nada mais prejudica quem trabalha do que a presença dos que nada fazem “ já que estes serão automaticamente excluídos.
As mudanças de emprego tornar-se-ão uma constante da vida com a vantagem de dilatar os horizontes do conhecimento, da auto-formação e satisfação profissional, enfim, de dar a nós mesmos a oportunidade de fazermos, nós próprios, as nossas escolhas e não o sermos uma espécie de marionetas accionadas por cordelinhos desconhecidos.
A poupança e aforro serão um desígnio da vida, não só para fazer face aos achaques, que vão surgindo, como para aproveitar a oportunidade de dar inicio ao próprio emprego; nós próprios deliberaremos qual o tipo de segurança económica que nos convêm; aumentará a apetência pela constituição da família, e esta mais numerosa, afim de, não só pagar a divida contraída para com os progenitores, como assegurar uma velhice apoiada, digna, no local afectivo, e uma morte na certeza de ter merecido a pena viver.
UMA MUDANÇA DE ATITUDE. Dir-se-á que é muito mais cómodo haver uma entidade empregadora que pague, ao fim do mês, o salário, seja qual for o desempenho; e, ao fim de alguns anos, ainda em boa forma física, obter-se a reforma e ir-se trabalhar para outro lado. É bom enquanto houver quem pague, e isso esta a chegar ao fim. E esse fim já se começa a fazer-se sentir com a exaustão dos contribuintes em suportar tais encargos mais a mais obtendo, em troca, uma compensação muito aquém da possível. O nosso modelo laboral chegou ao fim tendo batido no fundo, em termos de descrédito agora que as classes mais privilegiadas se tornaram as mais contestatárias.
A globalização traz-nos diariamente produtos, pela porta dentro, das mais estranhas origens com as mais desencontradas regras laborais, que são comercializadas por alguém que, (salvo o exagero) espreita 24 horas por dia, detrás de uma porta a oportunidade de comerciar. O efeito sobre os produtos resultantes das empresas de mão-de-obra intensiva são demolidores. A deslocalização, paragem ou falência , em tais condições ,são uma inevitabilidade.
Os país não aguenta mais manter uma boa parte dos seus filhos, certamente os melhores de entre nós, a apodrecer em empregos que nem sempre se justificam ou onde a produtividade é muito baixa. Assim retirados da vida útil, triturados por uma gigantesca maquina viciada , deixam de ter a possibilidade de mostrarem o que valem deixando de ser úteis a si e aos outros.
É nessa perspectiva que elegi, como prioridade nacional /regional, o auto-emprego e a auto-segurança económica.
O ARADO/TERRA simbolizam os instrumentos de recuperação. O nosso país, devido à sua improdutividade, vive sob grande ameaça. Agora clara e efectiva aonde mais dói: -- o nosso espaço rural ancestral. Reformar ,impõe-se-nos , começando precisamente por ai que é o que está mais claramente ao nosso alcance dado haver espaço excelente para o exercício da actividade agrícola e , consequentemente , para uma multiplicidade de actividades a ela destinadas ou dela derivadas .
Dizia um imperador austríaco que as guerras, nas quais se incluíam as económicas, se ganham com soldados que tenham algo a defender. Nós dizemos “ se queres um bom soldado vai busca-lo ao arado”. Afinal tudo isto se resume em ter as raízes na terra. Homens do arado, na verdadeira acepção da palavra, praticamente não existem . Porque incómodos e potencialmente perigosos, foram eliminados, para sossego dos sequestradores do solo alentejano, neste ultimo meio século de desvario pseudo-empresarial agrícola. Os poucos que restam, vencidos, desorganizados e acabrunhados, dificilmente se disponibilizam a participar numa altitude defensiva. A justificação, para tal recusa, deriva do facto do espaço rural envolvente das aldeias, se bem que seja aí que guardam a memória comum, ser pertença de não se saber quem, de onde são permanentemente enxotados como se fossem leprosos. È a tal história do arado a funcionar ao contrário E rematam: - quaisquer outros que venham não podem ser tão predadores como estes.
Resta a numerosa classe de empregados por conta de outrem, (no estado, autarquias, empresas publicas e outras), a quem se pede que cooperem. Não só a bem do país, ou da comunidade rural alentejana, mas em sua própria defesa já que, por este andar, a sua vez , de serem questionados os seus direitos adquiridos , inexoravelmente acabará por chegar. E quem pense que, pelo facto dos novos colonos estarem só entretidos na agricultura , sem considerarem o resto, andam mal avisados Estamos a falar de agricultura, a fonte do dinheiro alentejano, com o qual se pagam os direitos e os serviços que as pessoas prestam. E esse deixa de estar em nosso poder. Irá ser controlado a partir de outra torneira .
Espero que as coisas não cheguem até aí e que, daqui a um ano, ao voltarmos a esta tribuna, já as actuais nuvens, tenebrosas e carregadas que ensombram o nosso horizonte, se tenham dissipado. Bom ano novo meus estimados leitores. Francisco Pândega (agricultor) ///e-mail – – fjnpandega@hotmail.com ///bloco – AlentejoAgroRural.blogspot. com
10.12.06
AlentejoAgroRural
E O ADN REGIONAL
HÁ DUAS FORMAS AGRICULTAR :-- uma intensiva geralmente com o recurso ao uso de factores de produção tecnológicos exógenos ; e outra extensiva ou tradicional por meio de animais e plantas rústico/regionais que se desenvolvem lentamente e um pouco ao sabor da natureza
-- Com a primeira, visa-se forçar a natureza a produzir determinadas plantas ou animais mesmo que contra o calendário natural, usando para tal modificações genéticas, fertilizantes, pesticidas e medicamentos, alimentos, com os quais se conseguem maiores produções, mas mais caras, descaracterizadas e de pior qualidade. Os resultados são, por vezes, difíceis de prever e de controlar Foi devido a isso que surgiu a BSE nos de bovinos, dado que foi incorporado, nas rações , carne de outros bovinos; horto-frutícolas que são pulverizadas por insecticidas sistémicos, muito venenosos, sem que tivesse sido guardado o necessário intervalo de segurança ou seja , sem que, antes, a planta os tivesse enviado para o solo ; carne de porco e frango que tresandam a antibióticos do que resulta que, quando os consumidores têm uma infecção e necessitam de ser tratadas por estes fármacos, eles não actuem Só os grandes avanços científicos da medicina têm impedido as calamidades. Mas que, hoje, há grandes perigos, pela via alimentar, lá isso há.
-- Com o outro ,ou seja a agricultura tradicional ou extensiva, agora também chamada biológica, recorre-se, em vez das modificações genéticas, cruzamento ou hibridações, ao apuramento genético das raças de animais e espécies de plantas, por meio de selecções aonde se potenciam os factores favoráveis sem a consequente descaracterização da planta ou animal ; os fertilizantes, em vez de produtos químicos, são substituídos por uma boa gestão dos pousios e rotação de culturas; a necessidade de pesticidas fica reduzida com o cultivo da coisa certa, no local acertado, na devida época e dispenso-lhe os necessários granjeios .
Se bem que haja uma menor produção e um desenvolvimento mais lento, eles são compensados por menores custos e aumento de qualidade, devido à rusticidade que lhes é conferida pela liberdade, nos amimais , ou pela adequação ao meio e época, nas plantas.
O ADN ALENTEJANO, se fosse possível estabelecer um código genético regional, defini-lo-ia assim: -- Uma região natural imensa e riquíssima, com características inigualáveis. Pena é que, por razão históricas, não tenhamos ainda superado os constrangimentos, aqui presentes, de forma que essa dimensão e essa riqueza potencial, não se tivessem traduzido em acolhimento de mais população, nem em maior bem-estar social. Abordo-o, muito sucintamente, nas características que me parecem ser as mais relevantes, visando justificar a viabilidade da agricultura tradicional/biológica, assim com a definição da dimensão da propriedade agrícola à escala do homem.
--- È de facto uma imensa planície, totalmente arável, em que o fundo de fertilidade regride com o cultivo intensivo e exagerado e se regenera se deixado algum tempo de pousio. Mas tem um limite. Se estiver demasiado tempo sem que os solos sejam mobilizados inicia-se um processo de reversão em resultado da compactação, alterações físico -químicas e perda de matéria orgânica que é arrastada, pela erosão, sem que, por meio das mobilizações, se aumente a camada arável. Entra no estádio que se designa de inculto produtivo. Desaparece a vegetação herbácea e, a seguir, a arbustiva e a arbórea começam a rarear, enfraquecidas , devido à presença de parasitas vegetais sendo o mais comum os musgos. O conhecer este comportamento é indispensável já que é a partir dele que se organize o mapa de culturas e respectivo calendário.
-– Outro factor com implicações na estratégia agrícola reside nas suas características pedológicas. È formado por um complexo de cinco tipos ou classes de solos que se distribuem em parcelas de dimensão e configuração muito variada, de forma que uma exploração de media dimensão pode conter dois três ou mais tipos de solo. Esta circunstancia condiciona a estratégia agrícola, inviabiliza a monocultura extensiva ,aconselhando uma exploração da terra ao nível da parcela a qual, por sua vez, implica que o agricultor seja participativo, assíduo e conhecedor do meio aonde exerce a actividade.
A “ HORA DA VERDADE”, esse conceito que se aplica quando escasseiam as hipóteses de tergiversar, também já chegou, finalmente, a agricultura alentejana. As definições atrás explanadas , que para a região funcionam como o ADN nos restantes corpos, são únicas exclusivas, da região Alentejo, e sem semelhança em mais parte alguma . Implicam que as soluções agrícolas sejam exclusivamente nossas certos que as provindas de outras regiões não têm aqui aplicação pratica
Estes conceitos determinam soluções enquadráveis no que se designa por marcas regionais Servindo os subsídios para agilizar o seu desenvolvimento mas jamais gerar habituação e dependência .
Um novo, e provavelmente o ultimo, QREN (ex-quadro comunitário de apoio), está em discussão. Sendo importante que não se repitam os erros dos anteriores. Não se podem subsidiar culturas ou animais exóticos; nem promover sistemas estranhos; nem tratar o montado com uma vulgar floresta; nem apoiar coisa alguma se desenquadre deste código genético regional.
É que os custos da inadequação ao meio são enormes, os efeitos fungíveis e o tempo perdido irrecuperável.
Francisco Pândega (agricultor) /// fjnpandega@hotmail.com./// alentejoagrorural.blogspot.com.
E O ADN REGIONAL
HÁ DUAS FORMAS AGRICULTAR :-- uma intensiva geralmente com o recurso ao uso de factores de produção tecnológicos exógenos ; e outra extensiva ou tradicional por meio de animais e plantas rústico/regionais que se desenvolvem lentamente e um pouco ao sabor da natureza
-- Com a primeira, visa-se forçar a natureza a produzir determinadas plantas ou animais mesmo que contra o calendário natural, usando para tal modificações genéticas, fertilizantes, pesticidas e medicamentos, alimentos, com os quais se conseguem maiores produções, mas mais caras, descaracterizadas e de pior qualidade. Os resultados são, por vezes, difíceis de prever e de controlar Foi devido a isso que surgiu a BSE nos de bovinos, dado que foi incorporado, nas rações , carne de outros bovinos; horto-frutícolas que são pulverizadas por insecticidas sistémicos, muito venenosos, sem que tivesse sido guardado o necessário intervalo de segurança ou seja , sem que, antes, a planta os tivesse enviado para o solo ; carne de porco e frango que tresandam a antibióticos do que resulta que, quando os consumidores têm uma infecção e necessitam de ser tratadas por estes fármacos, eles não actuem Só os grandes avanços científicos da medicina têm impedido as calamidades. Mas que, hoje, há grandes perigos, pela via alimentar, lá isso há.
-- Com o outro ,ou seja a agricultura tradicional ou extensiva, agora também chamada biológica, recorre-se, em vez das modificações genéticas, cruzamento ou hibridações, ao apuramento genético das raças de animais e espécies de plantas, por meio de selecções aonde se potenciam os factores favoráveis sem a consequente descaracterização da planta ou animal ; os fertilizantes, em vez de produtos químicos, são substituídos por uma boa gestão dos pousios e rotação de culturas; a necessidade de pesticidas fica reduzida com o cultivo da coisa certa, no local acertado, na devida época e dispenso-lhe os necessários granjeios .
Se bem que haja uma menor produção e um desenvolvimento mais lento, eles são compensados por menores custos e aumento de qualidade, devido à rusticidade que lhes é conferida pela liberdade, nos amimais , ou pela adequação ao meio e época, nas plantas.
O ADN ALENTEJANO, se fosse possível estabelecer um código genético regional, defini-lo-ia assim: -- Uma região natural imensa e riquíssima, com características inigualáveis. Pena é que, por razão históricas, não tenhamos ainda superado os constrangimentos, aqui presentes, de forma que essa dimensão e essa riqueza potencial, não se tivessem traduzido em acolhimento de mais população, nem em maior bem-estar social. Abordo-o, muito sucintamente, nas características que me parecem ser as mais relevantes, visando justificar a viabilidade da agricultura tradicional/biológica, assim com a definição da dimensão da propriedade agrícola à escala do homem.
--- È de facto uma imensa planície, totalmente arável, em que o fundo de fertilidade regride com o cultivo intensivo e exagerado e se regenera se deixado algum tempo de pousio. Mas tem um limite. Se estiver demasiado tempo sem que os solos sejam mobilizados inicia-se um processo de reversão em resultado da compactação, alterações físico -químicas e perda de matéria orgânica que é arrastada, pela erosão, sem que, por meio das mobilizações, se aumente a camada arável. Entra no estádio que se designa de inculto produtivo. Desaparece a vegetação herbácea e, a seguir, a arbustiva e a arbórea começam a rarear, enfraquecidas , devido à presença de parasitas vegetais sendo o mais comum os musgos. O conhecer este comportamento é indispensável já que é a partir dele que se organize o mapa de culturas e respectivo calendário.
-– Outro factor com implicações na estratégia agrícola reside nas suas características pedológicas. È formado por um complexo de cinco tipos ou classes de solos que se distribuem em parcelas de dimensão e configuração muito variada, de forma que uma exploração de media dimensão pode conter dois três ou mais tipos de solo. Esta circunstancia condiciona a estratégia agrícola, inviabiliza a monocultura extensiva ,aconselhando uma exploração da terra ao nível da parcela a qual, por sua vez, implica que o agricultor seja participativo, assíduo e conhecedor do meio aonde exerce a actividade.
A “ HORA DA VERDADE”, esse conceito que se aplica quando escasseiam as hipóteses de tergiversar, também já chegou, finalmente, a agricultura alentejana. As definições atrás explanadas , que para a região funcionam como o ADN nos restantes corpos, são únicas exclusivas, da região Alentejo, e sem semelhança em mais parte alguma . Implicam que as soluções agrícolas sejam exclusivamente nossas certos que as provindas de outras regiões não têm aqui aplicação pratica
Estes conceitos determinam soluções enquadráveis no que se designa por marcas regionais Servindo os subsídios para agilizar o seu desenvolvimento mas jamais gerar habituação e dependência .
Um novo, e provavelmente o ultimo, QREN (ex-quadro comunitário de apoio), está em discussão. Sendo importante que não se repitam os erros dos anteriores. Não se podem subsidiar culturas ou animais exóticos; nem promover sistemas estranhos; nem tratar o montado com uma vulgar floresta; nem apoiar coisa alguma se desenquadre deste código genético regional.
É que os custos da inadequação ao meio são enormes, os efeitos fungíveis e o tempo perdido irrecuperável.
Francisco Pândega (agricultor) /// fjnpandega@hotmail.com./// alentejoagrorural.blogspot.com.
2.12.06
AlentejoAgroRural
NÓS SOMOS CAPAZES
SERÁ QUE NÓS , por incapacidade de prover a nossa alimentação ,se bem que com condições excelentes para o efeito ,estamos condenados a importar 80% dos alimentos que consumimos muitos dos quais , para nossa vergonha , provenientes da , aqui ao lado , homóloga Extremadura ? Parece que sim .Mas não se culpabilize nem o meio nem o homem rural alentejanos , antes sim forças exógenas que sequestram o normal uso da terra Não havendo razões derivadas do meio nem do homem, só pode ser resultante de politicas erradas ou falta de aplicação de instrumentos correctores Um ,entre os diversos ,exemplo ilustrativo :--.Durante a ultima grande guerra , logo após a guerra civil espanhola , Franco decidiu fazer uma grande regadio na Extremadura .Sendo o Guadiana um rio internacional , convidou Salazar, e este aceitou ,para o discutir a ideia .Salazar ,entusiasmado reuniu em Beja ,com os donos da terra mas, ao contrario do que seria suposto ,foi obrigado a recuar . O mesmo em Espanha , á cabeça do qual encontrava-se um poderoso dignitário da nobreza Franco chamou –o e , (conta-se ) , peremptório ,intimou-o :--.Ou cedes a terra ou eu confisco-ta ; depois insurges-te contra mim e eu prendo-te ; e depois se verá ( ainda estavam frescas , na memoria do espanhóis , a pratica de fuzilamentos) . A persuasão ,com tais argumentos, resultou numa total cooperação .Em tão boa hora se estabeleceu o regadio que deu origem a que esta região , se especializasse na hortofruticultura motor de arranque para as restantes actividades económicas . Estamos a falar no pós-grande guerra, numa Europa faminta , quando ainda a globalização era uma miragem .
ENQUANTO ISSO DELAPIDAMOS o precioso capital humano então residente no mundo rural alentejano .Regredíamos miseravelmente para produções agrícolas perfeitamente desprezíveis ; a população passou de um para meio milhão de habitantes e mesmo essa concentrou-se as cidades da região , já que nos campos se tornou impossível conciliar o orgulho e identidade desta gente , com a indignidade da uma submissão ao poder fundiário .Desenraizados e ressabiados sabendo-se vitimas de uma tremenda injustiça ,presas fáceis de aliciamentos que nada tem que ver com uma postura responsável , alinharam nas reivindicações extremistas
.E hei-los activos e muito atrevidos ,de braço no ar, incorporando as contestações do professores esquecendo-se que uma sociedade debilitada lhes paga para ensinarem e não para se recusarem a serem avaliados ; dos militares que sem perceberem que são gente igual aos mais , não querem perder regalias nem o estatuto social , esquecendo que também eles têm a sua cota parte de responsabilidade na crise que o actual governo quer conter ; nas dos funcionários ( não todos felizmente )aterrorizados com a hipótese de virem para o pais real , injusto , bloqueado e cheio de armadilhas , que alguns deles , em lugares chave , cooperam para que fosse o que é .
Erramos assistindo passivamente a este drama social que marcou indelevelmente as gentes rurais daquela época .E hoje ,neste vazio humano , aonde se pratica uma agricultura , sem alma e sem produção , coexistem lado a lado , a pobreza económica e de espírito , a par com uma imensa feira de vaidades e exibicionismo bem expresso em milhões a troco de terra ; no alardear empreendedorismo agrícola bacoco , em empresarialização fundiária que nada tem que ver com agricultura mas antes sim com estatuto de posse , diversão e recreio , e especulação fundiária .Conseguem, porem ,,com tais baboseiras , inebriar os crédulos sem perceber que vem na linha das soluções salvadoras ,que redundaram noutros tantos desastres, a que nos habituaram. Com uma agravante :-- agora incluso o apossamento do nosso chão sagrado o que não deixa de construir algum perigo e muitas interrogações .E então nós ,comunidade rural autóctone não somos nada nem ninguém ‘?
E porque não vão para Africa ou para o resto da Europa e porquê esta fixação com o Alentejo ? Porque em Africa o mínimo que lhes pode acontecer são as sabotagens que inviabilizam a exploração, ; na restante Europa não porque pura e simplesmente esses povos sabem que liberdade e espaço nacional são uma e a mesma coisa e tem pago bem caro para manter .,portanto tudo bem, em todo o lado, menos por ai ; entre nós porque se aperceberam que os órgãos do governo têm pouca margem de manobra para a preservação do espaço nacional é a população que compete a defesa .Mas sendo 80% do território pertença de quem nunca se sabe de que lado está,(e a historia tem-nos demonstrado ), e a restante população ,que pouco ou nada tem a defender para alem dos direitos sobre o erário publico ou sobre a segurança social , não entende o que está em causa .Ao estado , que nos destruiu como entidade interventora , compete restabelecer a dignidade que nos foi retirada.
EVIDENTEMENTE QUE DADO a situação de absoluta desordem e injustiça fundiária , têm que ser tomadas medidas de contenção ,por uma entidade reguladora formada pelas gentes residentes e que tenham alguma sensibilidade para problema .E dar um claro aviso :---“O uso da terra ( já passou a época de se falar de posse ) tem que se processar de acordo com os superiores desígnios regionais .Aqueles que não sentirem em condições de neles se enquadrarem vão ter que mudar de vida já que vão ser objecto de medidas fiscais . Isto porque ,já que a sua detenção ,sem o devido uso ,pressupõe que ela representa um luxo ou um factor especulativo ,como tal tem que ser taxado “ .Nestas condições acontece o indispensável desbloqueamento da terra e, com isso , a oportunidade dos aldeãos transmitirem o seu legado/saber , a jovens licenciados ainda imberbes , que anualmente deixam as universidades .É que ,face a tantos falhanços agro-rurais, ficamos com a certeza de a solução passa por nós ,Nós somos capazes pelo simples facto de termos o quer e saber de experiência vivida . Se duvidam ponham-nos à prova .
Francisco Pândega (agricultor ) /// fjnpandega@hotmail.com /// alentejoagrorural .blogspot.com ///
NÓS SOMOS CAPAZES
SERÁ QUE NÓS , por incapacidade de prover a nossa alimentação ,se bem que com condições excelentes para o efeito ,estamos condenados a importar 80% dos alimentos que consumimos muitos dos quais , para nossa vergonha , provenientes da , aqui ao lado , homóloga Extremadura ? Parece que sim .Mas não se culpabilize nem o meio nem o homem rural alentejanos , antes sim forças exógenas que sequestram o normal uso da terra Não havendo razões derivadas do meio nem do homem, só pode ser resultante de politicas erradas ou falta de aplicação de instrumentos correctores Um ,entre os diversos ,exemplo ilustrativo :--.Durante a ultima grande guerra , logo após a guerra civil espanhola , Franco decidiu fazer uma grande regadio na Extremadura .Sendo o Guadiana um rio internacional , convidou Salazar, e este aceitou ,para o discutir a ideia .Salazar ,entusiasmado reuniu em Beja ,com os donos da terra mas, ao contrario do que seria suposto ,foi obrigado a recuar . O mesmo em Espanha , á cabeça do qual encontrava-se um poderoso dignitário da nobreza Franco chamou –o e , (conta-se ) , peremptório ,intimou-o :--.Ou cedes a terra ou eu confisco-ta ; depois insurges-te contra mim e eu prendo-te ; e depois se verá ( ainda estavam frescas , na memoria do espanhóis , a pratica de fuzilamentos) . A persuasão ,com tais argumentos, resultou numa total cooperação .Em tão boa hora se estabeleceu o regadio que deu origem a que esta região , se especializasse na hortofruticultura motor de arranque para as restantes actividades económicas . Estamos a falar no pós-grande guerra, numa Europa faminta , quando ainda a globalização era uma miragem .
ENQUANTO ISSO DELAPIDAMOS o precioso capital humano então residente no mundo rural alentejano .Regredíamos miseravelmente para produções agrícolas perfeitamente desprezíveis ; a população passou de um para meio milhão de habitantes e mesmo essa concentrou-se as cidades da região , já que nos campos se tornou impossível conciliar o orgulho e identidade desta gente , com a indignidade da uma submissão ao poder fundiário .Desenraizados e ressabiados sabendo-se vitimas de uma tremenda injustiça ,presas fáceis de aliciamentos que nada tem que ver com uma postura responsável , alinharam nas reivindicações extremistas
.E hei-los activos e muito atrevidos ,de braço no ar, incorporando as contestações do professores esquecendo-se que uma sociedade debilitada lhes paga para ensinarem e não para se recusarem a serem avaliados ; dos militares que sem perceberem que são gente igual aos mais , não querem perder regalias nem o estatuto social , esquecendo que também eles têm a sua cota parte de responsabilidade na crise que o actual governo quer conter ; nas dos funcionários ( não todos felizmente )aterrorizados com a hipótese de virem para o pais real , injusto , bloqueado e cheio de armadilhas , que alguns deles , em lugares chave , cooperam para que fosse o que é .
Erramos assistindo passivamente a este drama social que marcou indelevelmente as gentes rurais daquela época .E hoje ,neste vazio humano , aonde se pratica uma agricultura , sem alma e sem produção , coexistem lado a lado , a pobreza económica e de espírito , a par com uma imensa feira de vaidades e exibicionismo bem expresso em milhões a troco de terra ; no alardear empreendedorismo agrícola bacoco , em empresarialização fundiária que nada tem que ver com agricultura mas antes sim com estatuto de posse , diversão e recreio , e especulação fundiária .Conseguem, porem ,,com tais baboseiras , inebriar os crédulos sem perceber que vem na linha das soluções salvadoras ,que redundaram noutros tantos desastres, a que nos habituaram. Com uma agravante :-- agora incluso o apossamento do nosso chão sagrado o que não deixa de construir algum perigo e muitas interrogações .E então nós ,comunidade rural autóctone não somos nada nem ninguém ‘?
E porque não vão para Africa ou para o resto da Europa e porquê esta fixação com o Alentejo ? Porque em Africa o mínimo que lhes pode acontecer são as sabotagens que inviabilizam a exploração, ; na restante Europa não porque pura e simplesmente esses povos sabem que liberdade e espaço nacional são uma e a mesma coisa e tem pago bem caro para manter .,portanto tudo bem, em todo o lado, menos por ai ; entre nós porque se aperceberam que os órgãos do governo têm pouca margem de manobra para a preservação do espaço nacional é a população que compete a defesa .Mas sendo 80% do território pertença de quem nunca se sabe de que lado está,(e a historia tem-nos demonstrado ), e a restante população ,que pouco ou nada tem a defender para alem dos direitos sobre o erário publico ou sobre a segurança social , não entende o que está em causa .Ao estado , que nos destruiu como entidade interventora , compete restabelecer a dignidade que nos foi retirada.
EVIDENTEMENTE QUE DADO a situação de absoluta desordem e injustiça fundiária , têm que ser tomadas medidas de contenção ,por uma entidade reguladora formada pelas gentes residentes e que tenham alguma sensibilidade para problema .E dar um claro aviso :---“O uso da terra ( já passou a época de se falar de posse ) tem que se processar de acordo com os superiores desígnios regionais .Aqueles que não sentirem em condições de neles se enquadrarem vão ter que mudar de vida já que vão ser objecto de medidas fiscais . Isto porque ,já que a sua detenção ,sem o devido uso ,pressupõe que ela representa um luxo ou um factor especulativo ,como tal tem que ser taxado “ .Nestas condições acontece o indispensável desbloqueamento da terra e, com isso , a oportunidade dos aldeãos transmitirem o seu legado/saber , a jovens licenciados ainda imberbes , que anualmente deixam as universidades .É que ,face a tantos falhanços agro-rurais, ficamos com a certeza de a solução passa por nós ,Nós somos capazes pelo simples facto de termos o quer e saber de experiência vivida . Se duvidam ponham-nos à prova .
Francisco Pândega (agricultor ) /// fjnpandega@hotmail.com /// alentejoagrorural .blogspot.com ///
22.11.06
AlentejoAgroRural
A GLOBALIZAÇÃO .---um enorme desafio
É A QUESTÃO que ,presentemente , mais afecta e condiciona as relações entre os povos a nível do planeta . Interfere transversalmente em todos os ramos da actividade muito especialmente no domínio da agricultura , principal razão da sua criação . Já há cinquenta anos que a globalização comercial dos alimentos era defendida pela FAO (organização da Nações Unidas que trata da fome e alimentação ) , para a qual tive a honra de trabalhar durante alguns anos .Já então se defendia que , se o planeta se organizasse de forma a que cada região produzisse e comercializasse livremente a aquilo para o qual tem vocação ecológica , se tornaria possível eliminar a fome e a subnutrição que afectam uma parte considerável da população .A presente globalização vem na sequência daquela constatação .
NÃO SE PENSE que a globalização é daquelas inovações que vêm e vão .Esta não É consistente e veio para se eternizar ,eliminar os inaptos e premiar os mais capazes .O melhor remédio é habituarmo-nos a coexistir com ela já é útil e funcional na medida em vem interligar dois campos geralmente antagónicos :--- produtores agrícolas e os consumidores dos respectivos víveres
Este movimento ,de enorme agilidade , tem-se disseminado de uma forma global e galopante no curto lapso de tempo de vinte anos .Na primeira década foi o arranque iniciado sob a designação de Uruguai Round aonde se anuiu dar o arranque decisivo da liberalização da comercialização os produtos agrícolas . Emperrou devido ao facto de a CEE , EE.UU , entre outros , subsidiarem fortemente o sector agrícola o que desvirtuava as regras do mercado ou , melhor dizendo , impedia que os países produtores exportassem para a Europa .do que resultou começarem a ensaiarem-se formas de boicotes aos produtos industriais europeus Na segunda década ,já UE , na Ronda de Doha , ficou assente que a globalização se incrementaria e os apoios directos á agricultura seriam progressivamente desmantelados .É nessa fase que nos encontramos .
Em simultâneo sucederam-se profundas transformações no nosso tecido comercial .Primeiro as grandes cadeias comerciais, perfeitamente aptas para comercializar os afluxos de géneros alimentícios das mais diversas proveniências , com novas regras e novos métodos do que resultou a total adesão dos consumidores e a condenação á extinção do comércio tradicional
Seguiu-se a vinda dos chineses , agora em começo , com o horários, produtos , preços e métodos absolutamente inovadores e suficientemente numerosos , moldáveis , imperceptíveis e organizados , para alterar radicalmente as regras comerciais , laborais e outras, completando , se não mesmo condicionando , as grandes superfícies l .
Expostos os produtos num supermercado o consumidor adquire-os , indiferentemente ao facto de ser nacional ou não , tendo em conta somente a correlação preços /qualidade / apresentação . .O trabalho infantil , a destruição do meio ambiente ou a falta de direitos dos trabalhadores , que deram origem aquele produto , não são para ali chamados .Essas são questões para outros fóruns e que se movimentam por outros interesses .Sendo assim , harmonizarmo-nos com este nova ordem , é o melhor remédio .
ESTA NOVA ORDEM comercial ,tendo em conta a facilidade dos transportes , obriga uma certa revisão nos produtos cultivados na nossa região . Assim , a carne de bovino das pampas argentinas , os ovinos da Austrália , as frutas tropicais , as hortícolas do outro hemisfério , o arroz das aguas dos grandes rios africanos, o trigo do Canadá ,o vinho do Chile etc , dada a facilidade com que atingem os nossos mercados não só o interno como os nossos clientes, obrigam que façamos somente aquilo para a qual as nossas condições edafoclimáticas tenham vocação
Mas há outras implicações quer na adequação das estruturas fundiárias quer na mentalidades dos agricultores que importa implementar .O tempo escasseia outros se aprestam a substituírem-nos
Francisco Pandega (agricultor ) //// fjnpandega @hotmail.com //// alentejoagrorural blogspot.com
A GLOBALIZAÇÃO .---um enorme desafio
É A QUESTÃO que ,presentemente , mais afecta e condiciona as relações entre os povos a nível do planeta . Interfere transversalmente em todos os ramos da actividade muito especialmente no domínio da agricultura , principal razão da sua criação . Já há cinquenta anos que a globalização comercial dos alimentos era defendida pela FAO (organização da Nações Unidas que trata da fome e alimentação ) , para a qual tive a honra de trabalhar durante alguns anos .Já então se defendia que , se o planeta se organizasse de forma a que cada região produzisse e comercializasse livremente a aquilo para o qual tem vocação ecológica , se tornaria possível eliminar a fome e a subnutrição que afectam uma parte considerável da população .A presente globalização vem na sequência daquela constatação .
NÃO SE PENSE que a globalização é daquelas inovações que vêm e vão .Esta não É consistente e veio para se eternizar ,eliminar os inaptos e premiar os mais capazes .O melhor remédio é habituarmo-nos a coexistir com ela já é útil e funcional na medida em vem interligar dois campos geralmente antagónicos :--- produtores agrícolas e os consumidores dos respectivos víveres
Este movimento ,de enorme agilidade , tem-se disseminado de uma forma global e galopante no curto lapso de tempo de vinte anos .Na primeira década foi o arranque iniciado sob a designação de Uruguai Round aonde se anuiu dar o arranque decisivo da liberalização da comercialização os produtos agrícolas . Emperrou devido ao facto de a CEE , EE.UU , entre outros , subsidiarem fortemente o sector agrícola o que desvirtuava as regras do mercado ou , melhor dizendo , impedia que os países produtores exportassem para a Europa .do que resultou começarem a ensaiarem-se formas de boicotes aos produtos industriais europeus Na segunda década ,já UE , na Ronda de Doha , ficou assente que a globalização se incrementaria e os apoios directos á agricultura seriam progressivamente desmantelados .É nessa fase que nos encontramos .
Em simultâneo sucederam-se profundas transformações no nosso tecido comercial .Primeiro as grandes cadeias comerciais, perfeitamente aptas para comercializar os afluxos de géneros alimentícios das mais diversas proveniências , com novas regras e novos métodos do que resultou a total adesão dos consumidores e a condenação á extinção do comércio tradicional
Seguiu-se a vinda dos chineses , agora em começo , com o horários, produtos , preços e métodos absolutamente inovadores e suficientemente numerosos , moldáveis , imperceptíveis e organizados , para alterar radicalmente as regras comerciais , laborais e outras, completando , se não mesmo condicionando , as grandes superfícies l .
Expostos os produtos num supermercado o consumidor adquire-os , indiferentemente ao facto de ser nacional ou não , tendo em conta somente a correlação preços /qualidade / apresentação . .O trabalho infantil , a destruição do meio ambiente ou a falta de direitos dos trabalhadores , que deram origem aquele produto , não são para ali chamados .Essas são questões para outros fóruns e que se movimentam por outros interesses .Sendo assim , harmonizarmo-nos com este nova ordem , é o melhor remédio .
ESTA NOVA ORDEM comercial ,tendo em conta a facilidade dos transportes , obriga uma certa revisão nos produtos cultivados na nossa região . Assim , a carne de bovino das pampas argentinas , os ovinos da Austrália , as frutas tropicais , as hortícolas do outro hemisfério , o arroz das aguas dos grandes rios africanos, o trigo do Canadá ,o vinho do Chile etc , dada a facilidade com que atingem os nossos mercados não só o interno como os nossos clientes, obrigam que façamos somente aquilo para a qual as nossas condições edafoclimáticas tenham vocação
Mas há outras implicações quer na adequação das estruturas fundiárias quer na mentalidades dos agricultores que importa implementar .O tempo escasseia outros se aprestam a substituírem-nos
Francisco Pandega (agricultor ) //// fjnpandega @hotmail.com //// alentejoagrorural blogspot.com
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