Alentejo agrorural
E O QREN (quadro referencia estratégica nacional )
1---- QREN é a nova designação dos apoios comunitários nos quais se incluem os da PAC, ou seja os destinados à agricultura. Vem substituir o QCA (quadro comunitário de apoio), e a sua vigência será até 2013.Destina-se a preparar a nossa agricultura para a integração nas regras da OCM (organização comum de mercados). Possivelmente o último nestes moldes, já que os países exportadores de produtos agrícolas sentem-se prejudicados, devido à subsidiação agrícola da PAC, o que não deixa de ser verdade. Efectivamente os três QCA anteriores, que se traduziram em apoios consideráveis (acrescidos da sobrevalorização da cortiça, aqui produzida, implicando quantias impressionantes), totalizaram verbas verdadeiramente astronómicas. Contudo o resultado pratico, no terreno, vinte anos depois , traduziu-se em menor produção, despovoamento a raiar o vazio humano, tornando apetecível a sua ocupação Sendo assim, importa reavaliar, de alto a baixo, o que está mal entre nós, já que um desaire no próximo QCA, tendo em conta que estamos sob a mira de endinheirados colonizadores, implica a nossa substituição nos destinos da região.
2---- A estrutura fundiária. Dizer-se que o Alentejo tem pouca valia agrícola é uma velha peta ,destinada a confundir quem não percebe nada disto e visa acobertar os enormes proventos daqui subtraídos . Solos excelentes, matas (os nossos preciosos montados) de regeneração espontânea, clima previsível e sem aleatoriedades assinaláveis. O Alentejo é excelente. Que o digam aqueles que já exerceram a actividade agrícola noutras paragens. Daí que não haja razão alguma, de ordem natural, para que não se possa triplicar a produção e a densidade populacional no curto espaço de tempo deste QREN ou seja sete anos.
2.a) ---Os solos;Os solos alentejanos estão catalogados e classificados em parcelas de A a E, sendo a primeira letra correspondente aos solos de barro e aluviões e a segunda a terrenos declivosos , arenosos e esqueléticos . Entre estes dois extremos há os B, C e D que são os de valia intermédia. Formando parcelas de dimensão e configuração muito variáveis, elas estão devidamente inscritas nesse precioso instrumento que é a carta de capacidade de uso dos solos. Porem, algumas vezes, a mesma parcela tem diferentes classes de tal forma interligadas, entre si, que leva a que sejam a classificadas segundo a percentagem de solos de cada tipo. È por isso que vamos fazer uma classificação, mais pratica e compreensível, sem que disso resultem desvios assinaláveis, quer em relação à minúcia da carta quer à realidade no terreno. Assim, dividem-se em terras boas (as A e parte B); más (as E e parte das D) ; e regulares (parte das D todas as C e parte das B). Nestas condições, o Alentejo é formado por 15 % das terras boas (Beja, Moura, Montoito, Elvas, Monforte) 50% são más (sul do Baixo Alentejo, margens do Guadiana e transição para a charneca do Ribatejo e terras beirãs) e 35% de terras regulares dispersas por todo o Alentejo. Conclui-se assim, que o Alentejo, nos seus 3.000. 000 de hectares , tem 450.000 há . de terras boas; 1.500.000 hectares de terras más e 1.050.000 hectares de terras medianas .Acontece que uma propriedade agrícola, de razoável dimensão, pode conter os três tipos de solos. Do que resulta alguma dificuldade na avaliação da propriedade. Daí ter nascido a necessidade da conversão em pontos, que são a resultante da correlação da área + qualidade = X pontos. O índice de conversão mais comum, segundo as diversas leis Quadro da Reforma Agrária, aproximando-se de um hectare de terra boa vale 225 pontos; um hectare de terra mediana 150 pontos e um hectare de terra má vale 90 pontos. Sendo assim a valia agrícola do Alentejo, nos seus 3.000.000 hectares é de 101.250.000 pontos de terras boas + 105.000.000 terras medianas e135.500.000 hectares de terras más, perfazendo um total 394.250.000 pontos ou seja 131,5 pontos hectare em media.
b)--- De quem são estas terras alentejanas? Interrogar-se-á o comum cidadão. Uma resposta, a esta interrogação terá que ser encontrada rapidamente e antes que se avance com medidas de reestruturação inclusivamente a aplicação do QREN. A estrutura fundiária tem-se mantido estática desde há 180 anos a esta parte . Mas a sua caracterização está mais dificultada devido ao facto das terras terem deixado de ter como dono, (um rosto,) para se tornarem propriedade de sociedades (há cerca de doze mil sociedades agrícolas). Sociedades pró-forma, já que os donos são os mesmos, nas mesmas terras ,agora subdivididas artificialmente. Com isso visaram obter o triplo das reservas aquando da Reforma agrária; depois a multiplicação , por muitos, da captura de subsídios comunitários ; por fim , porque tanta terra na mão de uma pessoa , tendo em conta que esta é um bem comum que deve ser detido individualmente por quem queira e saiba dar-lhe o devido uso (o conceito ancestral da terra a quem a trabalha ), começa a ser incómodo, senão mesmo insultuoso, para com os aldeãos.Não obstante estas manobras de dissimulação sabe-se que há, noAlentejo cerca de mil proprietários com mais de mil hectares cada um, havendo-os com cinco, dez e mesmo mais o que corresponde a cerca de metade do Alentejo, 15.000 Km2 x (13.150 pontos = 197.250.000). Há cerca de outros mil proprietários com entre os 250 e os mil hectares, grande parte pertença de herdeiros que vivem algures, muitos são funcionários públicos .Por outro lado é também aqui que se encontram alguns agricultores dignos desse nome, cujos descendentes constituem o cordão umbical que liga as gerações a forma de ser alentejano e de estar no Alentejo. Poucos, evidentemente, mas há-os. Detêm uma área correspondente a 1/4 do Alentejo ou seja cerca de 7500 km2 x (13.150 = 98.625.000); o outro 1/4 o Alentejo (7,500 km2) é onde se concentram os quarenta mil pequenos agricultores, com áreas médias de 12 hectares, sendo a restante do domínio publico.
c)--A propriedade tipo;Há uma dimensão óptima, com base na qual se atinge o pleno da produção, do povoamento, da defesa do ambiente e, consequentemente, o bem-estar rural. Quando se ultrapassa muito há a tendência para viver dos rendimentos, sem correr riscos, criar a mania das grandezas, e uma propensão para a exploração do homem, em vez da terra .Para as que fiquem aquém da propriedade funcional procedem a uma intensificação excessiva ;há uma perda de combatividade e de competitividade, a degradação do meio acentua-se ; e o abandono da agricultura, por troca com outras actividades , acontece . A propriedade agrícola aqui defendida tem por base a observação de inúmeras explorações ; a experiência pessoal, já que sou agricultor •, há trinta anos, numa exploração com esta dimensão; adequa-se á actual fase evolutiva dos equipamentos; das as exigências da globalização comercial dos produtos agrícolas; do povoamento do território e defesa da soberania; e até do que se denomina por dimensão à escala do homem. Sendo assim, consideramos que 22.500 pontos (171ha) para a média regional; 250 ha de terrenos pobres; 100 ha de barro) são a medida certa para um normal do exercício da actividade agrícola. Mesmo sem excessiva intensificação acolherá , em media, uma família residente e mais duas em regime sazonal ou eventual. Agora um simples exercício nos cinquenta por cento do Alentejo detido por mil donos , um autentico deserto humana , poder vir a acolher .( 197.250.000 :- 22.500 x 3 =) 26.000 famílias constituindo uma malha de povoamento razoavelmente apertada ; a produzir em pleno que multiplicaria por muitos as capacidade empregadora ; com uma boa percentagem de gente a trabalhar por conta própria .Factor de estabilidade e racionalidade politica que se perde quando predominam os dependentes do emprego . A dimensão aqui defendida funciona como indicativo. De forma alguma se pretende usa-la como se fosse uma rasoira aonde tudo fosse igual. Esta medida seria o indicador para onde os parcelamentos das grandes ou o emparcelamento das pequenas tenderia O meio será a fiscalidade que, com base no zero para a dimensão funcional ,iria em crescendo para as as maiores constituído um sério aviso de que a comunidade regional entende que com propriedades á escala do homem são melhor defendidos os interessses regionais .Bom seria que o fossem fazendo por motu-próprio
d)--- Como implementar o sistema:Há o perigo de (salvo o devido exagero) no dia seguinte o Alentejo ser vendido e anexado economicamente ao país contíguo . Deixa de o ser se for mostrada firmeza na implementação desta estruturação. Sendo uma questão do foro regional, campo em que a EU não interfere , já que ,sendo decisãos gerais e abstractas não excluem nem condicionam ninguém Que venham se instalem e compitam em todos os ramos da actividade, certo. Mas a terra, o espaço físico aonde se exerce a regionalidade, aí não. pelo menos enquanto não houver reciprocidade em relaçãos noutrosl paises comunitarios Há aqui uma questão do foro intimo que tem que ser tomada em conta Nós não somos mais do que um elo nesta longa cadeia humana que vem do antanho .Temos deveres para com os nossos antepassados e para com os vindouros. Não conseguimos controlar a colonização de 1835 .Esta acbara por nos extinguir .Iso não pode acontecer Esta colonização galopante de que estamos a ser alvo só acontece porque os colonizadores sabem que nos encontramos num verdadeiro estado de abulia. Sabem que entre nós e os oligarcas que dominam os solos alentejanos existe uma mutua repulsa. Atónitos, e sem despertar verdadeiramente para o problema , a nossa reacção é de " venha o que vier não pode ser tão mau como o que está ". Se bem que moribundos , dado que os povos por vezes surpreendem, tudo pode acontecer . O vinte e cinco de Abril é disso uma prova. Isto para dizer que uma colonização agrícola é impossível em oposição a comunidade rural residente , Que o digam muitos de nós que fomos agricultores em Africa , de onde há pouco fomos escorraçados . Para implementar as medidas aqui preconizadas não é preciso legislação nova mas somente ajustes na existente. Ou seja temos os instrumentos legislativos necessários e suficientes, para o efeito. O que aqui defendo não constitui novidade. Está tudo legislado. Foi tudo dito. Só falta agir. A avaliação dos solos encontra-se na carta de capacidade de uso dos solos que cobre todo o Alentejo e que tão bons serviços tem prestado; a pontuação e limitação de atribuição de terra está na Lei-quadro da Reforma agrária ; a limitação do uso , na lei do Arrendamento rural, à qual se lhe devem acrescentar algumas ideias da lei do aforamento, extinto aquando do vinte e cinco de Abril; a lei 186/96 de Cavaco Silva, que define as condições de candidatura para aceder á terra; temos a lei dos indivisos, em uso, mas desactualizada, assim como uma dos aproveitamentos mínimos, que falta regulamentar, que parece ser uma actualização da velha lei das Sesmarias; a aplicação da fiscalidade assim como a institucionalização de uma banco de terras, são da autoria do ex-ministro da agricultura Capoulas Santos, o homem que mais sabe da problemática agro-rural alentejana. Não é preciso mais nada. Estas são suficientes para alterar radicalmente a vida no Alentejo.
3--- Conclusão:É inadmissível que cerca de mil oligarcas detenham metade do Alentejo. Como se a excessiva dimensão da propriedade agrícola, só por si, não constituísse uma afronta ao harmónico povoamento da região, o facto de os solos estarem subaproveitados, tornam-se num factor impeditivo do desenvolvimento da comunidade rural residente. Não restem duvidas: se não se alterar a presente situação fundiária, o novo quadro comunitário de apoio redundará num desastre tal como os três anteriores. Temos que ser pragmáticos e não embarcar na ladainha dos grandes proprietários rurais quando, ao bater no peito invocando o sagrado direito á terra,(podendo até ter no bolso uma promessa de venda algum bem finaciado estrangeiross ) maiis não fazem que preservar um modo de vida luxuriante; ou ao auto-intitularem-se empresários, pretendem emparceirar-se, no conceito social , com os sacrificados comerciantes e industriais. Contudo há uma diferença abissal : O comércio ou a indústria estão permanentemente submetidos à concorrência. Se não forem competitivos, depressa se estabelece , ao lado, na cave , em cima, concorrentes que o anulam e excluem da actividade . Até mesmo os políticos, porque permanentemente submetidos ao escrutínio popular, são excluídos ou premiados, conforme o seu desempenho. Já um latifundiário, escapando a estas regras, pode manter-se indefinidamente na posse de terras, que o mesmo será dizer impedir o aceso por parte de quem queira e saiba dar-lhe o devido uso .È imperioso que haja ordem na detenção da terra. Não se pode consentir que um ou mais grandes proprietários de terras envolvam uma aldeia, qual tenaz que espreme impiedosa até ao tutano , usando-a como forma de submeter aos seus propósitos, tantas vezes torpes e egoístas, um povoado e, com isso, ou obter a subserviência dos mais conformados ou provocar a debandado dos que não se submetem a esta aviltante situação .Havendo razões objectivas para por em causa a sua legitimidade, importa que debatamos esta questão, já que está em causa o nosso espaço e quiçá a manutenção do Alentejo como parte integrante da nação Pomos , nos pratos de uma balança, esta dualidade de opções :--- de um lado a preservação dos direitos adquiridos dos mil oligarcas responsáveis pela rapina dos nossos recursos naturais, pela destruição da comunidade rural; pelo vazio populacional e pela transferência do nosso chão sagrado para estranhos ao meio . Do outro lado a preservação de uma exangue comunidade rural, formada por muitos milhares de famílias, que fenece e se desvaloriza por incapacidade de aceder á terra. Desapaixonadamente e sem ter medo das palavras temos que concluir que os interesses regionais são obviamente melhor defendidos pela opção na comunidade rural residente.
FRANCISCO PÂNDEGA (agricultor ) e-mail fjnpandega@hotmail.com ; blog --alentejoagrorural .blogspot .com
26.9.06
3.8.06
AlentejoAgroRural
A ESPECIFICIDADE REGIONAL
1---Já homenzinho, e com experiência da agricultura tradicional alentejana, na década cinquenta, fui para Africa, mais propriamente para Colonato Europeu da Cela, integrado num grupo, de cerca de duas mil famílias de colonos, cujo objectivo era o povoamento de Angola por europeus. A Cela era, e é, uma vasta planície formada por várzeas imensas, longitudinais ás linhas de água, intercaladas por morros íngremes. Localiza-se na transição entre da região temperada do Planalto do Huambo, e a região equatorial do Amboim.Se bem que fossemos agricultores profissionais, originários das diferentes regiões dos pais, nem por isso deixamos de ter sérias dificuldades de adaptação nesta nova realidade regional Éramos apoiados por inúmeros técnicos, o que seria de supor que a nossa integração acontecesse sem percalços de maior. Não foi isso, porém, que aconteceu. Bem pelo contrario : foram a mais completa desilusão Desde o inicio que nos fomos apercebendo disso Éramos, porem, compelidos a seguir as suas directrizes já que eles detinham incentivos, tal como presentemente com os fundos da PAC, com quais e de forma indirecta, nos levavam a fazer asneiras atrás de asneiras. Desde animais inadaptados, mobilizações da terra inadequadas, cultura estranhas e fora de tempo. Enfim. A inexperiência de braço dado com a possibilidade de concessão de apoios. . Só começamos a acertar o passo quando conseguimos libertarmo-nos dos seus conselhos. Deu-se a natural selecção, entre os colonos / agricultores, e, ao fim de algum tempo, conseguíamos abastecer Luanda de lacticínios, hortaliças e carne A certa altura havia-se instalado, na região, um agricultor com uma grande exploração o qual, segundo os nossos técnicos, era o protótipo da eficiência que convinha seguir Nas comparações, que amiúde se faziam em relação a nós, não raro redundavam num depreciativo “ sois uns nabos” Um dia, no meu velho camião, fui vender horto-frutícolas a Luanda, tendo descoberto casualmente toda a verdade. Um carro avariado na beira da estrada; um sujeito, de meia-idade a pedir boleia. Durante o longo caminho, conversa puxa conversa, tendo ficado a saber que era o tal agricultor bem sucedido comummente usado como elemento de comparação connosco. A certa altura o homem abriu-se: ---“ Olhe! Estou farto de ali enterrar dinheiro Já gastei o dinheiro de uma roça de café que vendi nos Demãos e estou endividado. Isto não dá nada. Estou farto da fazenda.Se não aparecer alguém que a compre, por qualquer quantia, abandono-a. Errei fazendo culturas inadequadas, adquiri gados caros que não se adaptam. Isto é um desastre. Deixei-me levar por conselhos técnicos; fui imprudente e errei demais “ De volta à Cela continuei a assistir à exaltação da eficiência agrícola do referido agricultor. Conhecedor do que se passava fazia, muito discretamente, aquele gesto de Bordalo Pinheiro. Hábito que, desde então, dada a abundância de oportunidades, continuo a usar.
2--- Por estranho que pareça , os factos atrás narrados repetem-se, aqui, no Alentejo , outra região, noutro hemisfério , meio século depois , e com os mesmos nefastos contornos . Continua a contrariar-se a natureza agro rural específica da região ; usam-se os subsídios como incentivos ao fomento de culturas pertença de outras regiões ; e permite-se que a comunidade rural autóctone , que é quem tem o querer e o saber fazer, seja objecto de mais incríveis constrangimentos fundiários
a)---Cada região é uma unidade geo-sócio-económica individualizada aonde se tem que praticar uma agricultura adequada a sua realidade edafo –climática . Introduzir sistemas agrícolas , culturas ou animais exóticos , resultam danos económicos e ambientais inexoravelmente Esta verdade ,sendo indiscutível, é frequentemente desrespeitada Acontece a tecnologia também chegou aos campos e, com ela , para o bem e para o mal , praticamente tudo é possível --- Desde cultivar arroz num cabeço ,contanto que se terrecei a terra e se eleve a agua ou , o seu contrario , se cultive cultivar trigo num brejo desde que se drene a agua e se corrija a acidez do solo Isso porem tem custos que as inviabilizam em termos de mercado .---Podem-se cultivar hortícolas, numa varanda , em vasos de areia , desde que se acrescente agua e micro nutrientes . A resultante ,porem , são produtos insípidos ,descaracterizados ,não prestam para nada ,e fazem mal à saúde .---Podem-se criar e engordar animais ,confinados a um espaço mínimo , alimentados por rações de alta energia , na qual se adicionam anabolizantes , antibióticos .Mas isto , para alem de uma violência à condição animal , resulta ,em vez de carne ,numa massa informe que , não raro ,constitui um atentado a saúde pública ----Todos nós somos tentados ,perante os frondosos laranjais da orla do Mediterrânico, a interrogar-nos .Porque não fazemos o mesmo Alentejo ? ignorando que entre nós há o factor geada que condiciona o seu cultivo .---- Ao vermos olivais , altamente produtivos , nas terras beneficiadas pelo ar mediterrânico , que sobe pelo vale do Guadiana, interrogamo-nos :-- .Porque é que os homens antigos não fizeram olivais na peniplanicie de Évora ,em vez de se limitarem a enxertia de zambujeiros por bolhas da variedade galega ? Já sabiam que , nesta , a produção de azeitona ,por oliveira , é metade do a que se verifica na bacia do Guadiana e que a mesma quantidade de azeitona dá menos de metade do azeite A opção pela galega em vez das variedades massanilha verdeal e outras , deriva do facto de se saber que esta de facto produz ,para alem de um bom azeite , azeitonas de conserva inigualáveis ---- A Califórnia , com um clima análogo ao Alentejo ,tem feito inúmeras tentativas para introduzir aí o sobreiro ,Se bem que também tenham plantas da família das quercínias, o sobreiro não resulta .Enquanto que na nossa região, de regeneração espontânea , estamos muito longe de tirar todo o partido desta fantástica dádiva da natureza É assim a natureza das regiões a ditarem as suas regras ..Compreendê-las em toda a sua profundidade não sei se é possível . Harmonizarmo-nos com ela é o que devemos fazer e está perfeitamente ao nosso alcance
b)---- No Alentejo abundam os factores responsáveis por esta falta de produtividade . Não sendo o maior , um deles , é haver uma descoordenação entre os técnicos agrícolas e os agricultores na verdadeira acepção da palavra ,não sendo a maior responsável , contudo algum efeito . .Aqueles , uma boa parte a exercer funções públicas, só são ouvidos quando isso implique o acesso aos subsídios, para evitar punições ou repressões de gaveta Disto resulta obviamente um mutuo descrédito Creio que a superação deste diferendo é relativamente simples desde que se divida o sector nas duas partes em que ele se compõe :-- Uma ,o ecossistema ou seja a organização do espaço e seu aproveitamento , na qual o homem que trabalha a terra directamente , tem uma percepção local muito realista .A outra, dos técnicos , os detentores do saber globalizado com muita capacidade de apreender as novas tecnologias e usar os factores de produção Porque um assunto de certo interesse convêm ser um pouco mais explicito :--O primeiro , o agricultor directo, sabe ordenar espaço designadamente os afolhamentos ,rotação de culturas , pousios e alqueives ;espécies e raças de animas e seu maneio e de plantas adequadas à região e seu cultivo ; o sistema integrado denominado agro-silvo-pastoril que inclui as culturas anuais de sequeiro e regadios no sub-coberto ; integração do montado, vinhas e olivais articulados e complementares entre si ; um calendário agrícola de acordo com as épocas do ano tendo em conta as questões laborais , alimentares e até lúdicas O outro , o técnico agrícola , de conhecimentos globalizados , sabe, ou se não sabe facilmente aprende , dos modernos equipamentos informáticos; , os semoventes ,alfaias, ferramentas e utensílios ; fertilizantes , pesticidas , rações e medicamentos ; melhoramento fundiários ; equipamento de rega; etc. etc.Seria bom, para ambas as partes e para o Alentejo em particular , que estes dois grupos se entendessem na forma de juntar a experiência do saber feito com as capacidades de interpretar e implementar as novas tecnologias agrícolas .Contudo o ideal seria proporcionar conhecimento aos filhos dos homens da terra (os futuros agricultores ), e terras aos técnicos que saem das universidades para aí exercerem as funções para as quais foram preparados
c)--- Nós , agricultores , estamos a atravessar um mau momento . O facto de sermos desunidos impede-nos de fazer valer a nossa verdade . O facto de alguns de nós de terem transformado em autenticos sorvedores de subsidios coloca-nos , a todos de uma maneira geral , em descrédito perante a opinião pública Há pois uma destrinça a fazer O agricultor tal como é definido em termos comunitários e os donos de terras que estão por aí deambulam ,algures , tantas vezes na luxúria, a dissipar os vastos proventos daqui auferidos Esta estranha desorganização da classe não aconteceu por obra do acaso Tem ,na presente geração, o seu grande responsável :--o ministro da agricultura com inicio de funções em 1986 ´Álvaro Barreto Teve a sus acção no pós reforma agraria e início dos apoios comunitários Foi , sem duvida o ministro mais anacrónico , retrógrado e disfuncional que se pode imaginar Numa altura em que a desactivação das UCP prosseguia , a bom ritmo, por acção de Sá Carneiro , seria suposto que a sua excelente politica agrícola , tivesse prosseguimento Mas não .Fez-se tudo ao contrário do que seria expectável :--- A reimplantação dos infindáveis latifúndios da nossa desgraça ; um arrendamento acintoso e gerador de uma dependência imprópria para a época ; absurdas cedências de terra , em regime de exploração de campanha (seis meses ), repescada dos antigos seareiros ,esses abnegados homens da terra levados a exaustão pelos desumanizados detentores da terra ; a prevalência de sociedades agrícolas ,ou seja, agricultura sem rosto aonde a terra pode ser detida pelas mais estranhas criaturas com os propósitos mais inconfessáveis ; fez a negociação do primeiro QCA visando os interesses dos grandes donos do Alentejo e não a agricultura regional com a agravante daquele se ter encadeado com os dois seguintes que coartou seriamente a acção dos governates seguintes ; .O Alentejo ficou a produzir menos , mais despovoado , fragilizado, e vulnerável .Transformou-se no que se vê : num El`Dorado em franca colonização alienígena , autêntico moicano de final de ciclo ,
3----.O facto do Alentejo estar a ser alvo de uma enorme aquisição de terras por parte de estranjeiros , por detrás dos quias se acobertam autênticas centrais de financiamento que não olham a preços , custos , prazos ou juros, perante uma promessa de compra de terras no Alentejo , assume contornos invulgares com consequências difíceis de imaginar . É que estamos a tratar do espaço físico ancestral sobre o qual se exerce na nossa nacionalidade / regionalidade ,que, de forma alguma ,pode ser alienado seja a que pretexto for .Não é convertível em dinheiro nem em coisa alguma . Enquanto isso está a acontecer há inúmeros aldeãos alentejanos válidos , famintos de terra ; há milhares de jovens com formação agrícola ,que vivem numa tremenda frustração por impossibilidade de a ela aceder Temo que isto tenha consequências . Mas se outras não houver , de uma não nos livramos :--- o sermos a geração vergonha , incapaz de pôr em causa certos direito adquiridos e de implantar alguma justiça fundiária .Geração que capitula miseravelmente ,abrindo mão de uma faixa do nosso território ,e com ela os restos dos cadáveres dos nossos avós que tombaram ,por essas chapadas , para no-las legar. Francisco Pândega (agricultor ); e-mail / Fjnpandega@hotmail.com ; blog / alentejoagrorural.blogspot.com
A ESPECIFICIDADE REGIONAL
1---Já homenzinho, e com experiência da agricultura tradicional alentejana, na década cinquenta, fui para Africa, mais propriamente para Colonato Europeu da Cela, integrado num grupo, de cerca de duas mil famílias de colonos, cujo objectivo era o povoamento de Angola por europeus. A Cela era, e é, uma vasta planície formada por várzeas imensas, longitudinais ás linhas de água, intercaladas por morros íngremes. Localiza-se na transição entre da região temperada do Planalto do Huambo, e a região equatorial do Amboim.Se bem que fossemos agricultores profissionais, originários das diferentes regiões dos pais, nem por isso deixamos de ter sérias dificuldades de adaptação nesta nova realidade regional Éramos apoiados por inúmeros técnicos, o que seria de supor que a nossa integração acontecesse sem percalços de maior. Não foi isso, porém, que aconteceu. Bem pelo contrario : foram a mais completa desilusão Desde o inicio que nos fomos apercebendo disso Éramos, porem, compelidos a seguir as suas directrizes já que eles detinham incentivos, tal como presentemente com os fundos da PAC, com quais e de forma indirecta, nos levavam a fazer asneiras atrás de asneiras. Desde animais inadaptados, mobilizações da terra inadequadas, cultura estranhas e fora de tempo. Enfim. A inexperiência de braço dado com a possibilidade de concessão de apoios. . Só começamos a acertar o passo quando conseguimos libertarmo-nos dos seus conselhos. Deu-se a natural selecção, entre os colonos / agricultores, e, ao fim de algum tempo, conseguíamos abastecer Luanda de lacticínios, hortaliças e carne A certa altura havia-se instalado, na região, um agricultor com uma grande exploração o qual, segundo os nossos técnicos, era o protótipo da eficiência que convinha seguir Nas comparações, que amiúde se faziam em relação a nós, não raro redundavam num depreciativo “ sois uns nabos” Um dia, no meu velho camião, fui vender horto-frutícolas a Luanda, tendo descoberto casualmente toda a verdade. Um carro avariado na beira da estrada; um sujeito, de meia-idade a pedir boleia. Durante o longo caminho, conversa puxa conversa, tendo ficado a saber que era o tal agricultor bem sucedido comummente usado como elemento de comparação connosco. A certa altura o homem abriu-se: ---“ Olhe! Estou farto de ali enterrar dinheiro Já gastei o dinheiro de uma roça de café que vendi nos Demãos e estou endividado. Isto não dá nada. Estou farto da fazenda.Se não aparecer alguém que a compre, por qualquer quantia, abandono-a. Errei fazendo culturas inadequadas, adquiri gados caros que não se adaptam. Isto é um desastre. Deixei-me levar por conselhos técnicos; fui imprudente e errei demais “ De volta à Cela continuei a assistir à exaltação da eficiência agrícola do referido agricultor. Conhecedor do que se passava fazia, muito discretamente, aquele gesto de Bordalo Pinheiro. Hábito que, desde então, dada a abundância de oportunidades, continuo a usar.
2--- Por estranho que pareça , os factos atrás narrados repetem-se, aqui, no Alentejo , outra região, noutro hemisfério , meio século depois , e com os mesmos nefastos contornos . Continua a contrariar-se a natureza agro rural específica da região ; usam-se os subsídios como incentivos ao fomento de culturas pertença de outras regiões ; e permite-se que a comunidade rural autóctone , que é quem tem o querer e o saber fazer, seja objecto de mais incríveis constrangimentos fundiários
a)---Cada região é uma unidade geo-sócio-económica individualizada aonde se tem que praticar uma agricultura adequada a sua realidade edafo –climática . Introduzir sistemas agrícolas , culturas ou animais exóticos , resultam danos económicos e ambientais inexoravelmente Esta verdade ,sendo indiscutível, é frequentemente desrespeitada Acontece a tecnologia também chegou aos campos e, com ela , para o bem e para o mal , praticamente tudo é possível --- Desde cultivar arroz num cabeço ,contanto que se terrecei a terra e se eleve a agua ou , o seu contrario , se cultive cultivar trigo num brejo desde que se drene a agua e se corrija a acidez do solo Isso porem tem custos que as inviabilizam em termos de mercado .---Podem-se cultivar hortícolas, numa varanda , em vasos de areia , desde que se acrescente agua e micro nutrientes . A resultante ,porem , são produtos insípidos ,descaracterizados ,não prestam para nada ,e fazem mal à saúde .---Podem-se criar e engordar animais ,confinados a um espaço mínimo , alimentados por rações de alta energia , na qual se adicionam anabolizantes , antibióticos .Mas isto , para alem de uma violência à condição animal , resulta ,em vez de carne ,numa massa informe que , não raro ,constitui um atentado a saúde pública ----Todos nós somos tentados ,perante os frondosos laranjais da orla do Mediterrânico, a interrogar-nos .Porque não fazemos o mesmo Alentejo ? ignorando que entre nós há o factor geada que condiciona o seu cultivo .---- Ao vermos olivais , altamente produtivos , nas terras beneficiadas pelo ar mediterrânico , que sobe pelo vale do Guadiana, interrogamo-nos :-- .Porque é que os homens antigos não fizeram olivais na peniplanicie de Évora ,em vez de se limitarem a enxertia de zambujeiros por bolhas da variedade galega ? Já sabiam que , nesta , a produção de azeitona ,por oliveira , é metade do a que se verifica na bacia do Guadiana e que a mesma quantidade de azeitona dá menos de metade do azeite A opção pela galega em vez das variedades massanilha verdeal e outras , deriva do facto de se saber que esta de facto produz ,para alem de um bom azeite , azeitonas de conserva inigualáveis ---- A Califórnia , com um clima análogo ao Alentejo ,tem feito inúmeras tentativas para introduzir aí o sobreiro ,Se bem que também tenham plantas da família das quercínias, o sobreiro não resulta .Enquanto que na nossa região, de regeneração espontânea , estamos muito longe de tirar todo o partido desta fantástica dádiva da natureza É assim a natureza das regiões a ditarem as suas regras ..Compreendê-las em toda a sua profundidade não sei se é possível . Harmonizarmo-nos com ela é o que devemos fazer e está perfeitamente ao nosso alcance
b)---- No Alentejo abundam os factores responsáveis por esta falta de produtividade . Não sendo o maior , um deles , é haver uma descoordenação entre os técnicos agrícolas e os agricultores na verdadeira acepção da palavra ,não sendo a maior responsável , contudo algum efeito . .Aqueles , uma boa parte a exercer funções públicas, só são ouvidos quando isso implique o acesso aos subsídios, para evitar punições ou repressões de gaveta Disto resulta obviamente um mutuo descrédito Creio que a superação deste diferendo é relativamente simples desde que se divida o sector nas duas partes em que ele se compõe :-- Uma ,o ecossistema ou seja a organização do espaço e seu aproveitamento , na qual o homem que trabalha a terra directamente , tem uma percepção local muito realista .A outra, dos técnicos , os detentores do saber globalizado com muita capacidade de apreender as novas tecnologias e usar os factores de produção Porque um assunto de certo interesse convêm ser um pouco mais explicito :--O primeiro , o agricultor directo, sabe ordenar espaço designadamente os afolhamentos ,rotação de culturas , pousios e alqueives ;espécies e raças de animas e seu maneio e de plantas adequadas à região e seu cultivo ; o sistema integrado denominado agro-silvo-pastoril que inclui as culturas anuais de sequeiro e regadios no sub-coberto ; integração do montado, vinhas e olivais articulados e complementares entre si ; um calendário agrícola de acordo com as épocas do ano tendo em conta as questões laborais , alimentares e até lúdicas O outro , o técnico agrícola , de conhecimentos globalizados , sabe, ou se não sabe facilmente aprende , dos modernos equipamentos informáticos; , os semoventes ,alfaias, ferramentas e utensílios ; fertilizantes , pesticidas , rações e medicamentos ; melhoramento fundiários ; equipamento de rega; etc. etc.Seria bom, para ambas as partes e para o Alentejo em particular , que estes dois grupos se entendessem na forma de juntar a experiência do saber feito com as capacidades de interpretar e implementar as novas tecnologias agrícolas .Contudo o ideal seria proporcionar conhecimento aos filhos dos homens da terra (os futuros agricultores ), e terras aos técnicos que saem das universidades para aí exercerem as funções para as quais foram preparados
c)--- Nós , agricultores , estamos a atravessar um mau momento . O facto de sermos desunidos impede-nos de fazer valer a nossa verdade . O facto de alguns de nós de terem transformado em autenticos sorvedores de subsidios coloca-nos , a todos de uma maneira geral , em descrédito perante a opinião pública Há pois uma destrinça a fazer O agricultor tal como é definido em termos comunitários e os donos de terras que estão por aí deambulam ,algures , tantas vezes na luxúria, a dissipar os vastos proventos daqui auferidos Esta estranha desorganização da classe não aconteceu por obra do acaso Tem ,na presente geração, o seu grande responsável :--o ministro da agricultura com inicio de funções em 1986 ´Álvaro Barreto Teve a sus acção no pós reforma agraria e início dos apoios comunitários Foi , sem duvida o ministro mais anacrónico , retrógrado e disfuncional que se pode imaginar Numa altura em que a desactivação das UCP prosseguia , a bom ritmo, por acção de Sá Carneiro , seria suposto que a sua excelente politica agrícola , tivesse prosseguimento Mas não .Fez-se tudo ao contrário do que seria expectável :--- A reimplantação dos infindáveis latifúndios da nossa desgraça ; um arrendamento acintoso e gerador de uma dependência imprópria para a época ; absurdas cedências de terra , em regime de exploração de campanha (seis meses ), repescada dos antigos seareiros ,esses abnegados homens da terra levados a exaustão pelos desumanizados detentores da terra ; a prevalência de sociedades agrícolas ,ou seja, agricultura sem rosto aonde a terra pode ser detida pelas mais estranhas criaturas com os propósitos mais inconfessáveis ; fez a negociação do primeiro QCA visando os interesses dos grandes donos do Alentejo e não a agricultura regional com a agravante daquele se ter encadeado com os dois seguintes que coartou seriamente a acção dos governates seguintes ; .O Alentejo ficou a produzir menos , mais despovoado , fragilizado, e vulnerável .Transformou-se no que se vê : num El`Dorado em franca colonização alienígena , autêntico moicano de final de ciclo ,
3----.O facto do Alentejo estar a ser alvo de uma enorme aquisição de terras por parte de estranjeiros , por detrás dos quias se acobertam autênticas centrais de financiamento que não olham a preços , custos , prazos ou juros, perante uma promessa de compra de terras no Alentejo , assume contornos invulgares com consequências difíceis de imaginar . É que estamos a tratar do espaço físico ancestral sobre o qual se exerce na nossa nacionalidade / regionalidade ,que, de forma alguma ,pode ser alienado seja a que pretexto for .Não é convertível em dinheiro nem em coisa alguma . Enquanto isso está a acontecer há inúmeros aldeãos alentejanos válidos , famintos de terra ; há milhares de jovens com formação agrícola ,que vivem numa tremenda frustração por impossibilidade de a ela aceder Temo que isto tenha consequências . Mas se outras não houver , de uma não nos livramos :--- o sermos a geração vergonha , incapaz de pôr em causa certos direito adquiridos e de implantar alguma justiça fundiária .Geração que capitula miseravelmente ,abrindo mão de uma faixa do nosso território ,e com ela os restos dos cadáveres dos nossos avós que tombaram ,por essas chapadas , para no-las legar. Francisco Pândega (agricultor ); e-mail / Fjnpandega@hotmail.com ; blog / alentejoagrorural.blogspot.com
11.6.06
Alentejo agrorural
E O
DEZ DE JUNHO .
Dia de Portugal , e das Comunidades Lusíadas .Ou seja de Portugal e dessas diásporas lusas , espalhadas pelo mundo , constituídas por portugueses a quem as adversidades da vida ,ou o desejo de aventura , levaram a abalar. Foi Camões quem ,melhor do que ninguém , soube expressar a amargura da ausência da pátria , a dor de senti-la combalida e a magoa de vê-la a perder-se Um drama que tem perpassado por muitos nós em iguais circunstâncias Mas essa dor é particularmente sentida por parte dos que , no rescaldo da descolonização muito longe e em perigo , não foram socorridos mais parecendo ter sido objecto de obscuras negociações .
O 10 de Junho de 1975 foi particularmente penoso para mim e muitos outros portugueses que debandavam de Africa A pátria havia-nos abandonado . Sabemos ,por sentir na carne , o que é ser abandonado em situação de perigo .Na fuga ficou-nos ouvidos um “vai-te embora colono explorador que esta não é a tua terra” . Terra /pátria duas palavras que assumem gigantesco significado quando longe e nas situações de perigo Com mulher e três filhas meti-me ao caminho sempre a lutar para manter a integridade física . Atravessei as terras desérticas da Namíbia aonde bandos criminosos esperavam os incautos que as atravessavam, com especial predilecção para brancos principalmente se portugueses . O medo , nas vastidões ,modifica-nos .Sem saber como , apossamo-nos de uma certa coragem e ousadia que desconhecíamos possuir O meu maior desejo era ter uma máquina que catapultasse a minha família ,por cima do Atlântico, fazendo-a pousar em Portugal ,afim de que ,com ela a salvo , ficar mais disponível para a luta.
Depois de ter atravessado a Africa Austral , com inicio no Zaire , parei ,meses depois , aonde “acaba a terra e começa o mar” ou seja na cidade do Cabo. Um modesto emprego numa quinta pertença de uma família - ele sueco ela bóer - .Precisava de pôr os nervos em ordem . E de uma explicação para o facto da pátria me ter abandonado.
Começou ,porem ,aí , outra fase do mesmo drama . As noticias eram más .A pátria estava a esboroar-se . Isso tinha reflexos imediatos nas relações com as outras comunidades presentes na Africa do Sul . Nós éramos, para eles , poltrões que fogem sem dar luta ; néscios e estúpidos com opções colectivistas ; os madeirenses , a maior colónia estrangeira , da Africa do sul, diziam-se ser madeirenses somente ; alguns de nós evitavam dizer-se portugueses . Passar pela deprimente experiência de sentir-se apátrida ,é uma situação atroz que nos vara , fragiliza e faz-nos adoecer . Atónito e transido de dor, ia frequentemente ao promontório do Cabo das Tormentas . Local aonde esteve o nosso antepassado Camões e onde certamente sofreu , tal como nós , as magoas provocadas por uma pátria nem sempre justa para com alguns dos seus filhos .Precisava de pôr em ordem os meus conceitos já que as circunstâncias ,os desorganizavam na minha cabeça . Aquele lugar convidava à reflexão . As notícias vindas de Portugal afectavam-me imenso . No alto do colossal penhasco ,viam-se , a nossos pés ,na linha imaginária que separa o Atlântico do Indico , recifes emergentes .Certamente aqueles com os quais colidiram as nossas naus . Á memória ocorria-me aquele quadro , sempre presente na escola primaria da minha infância , em que , a sair de um tormentoso naufrágio, Camões nadava para terra , de braço erguido com os Lusíadas numa das mãos . Era um pedaço de uma pátria com um passado glorioso que contrastava com a cobardia porque estávamos a passar .
Regressar à minha pátria tornou-se numa obsessão .Afinal eu era e sou pertença do Alentejo Mal eu pensava que ai vinha a ser recebido ,não como ignoto filho que regressasse a casa , mas sim como alguém que andou por lá “a explorar os pretos e estava de volta para retirar os empregos dos que cá estavam” . Tive pena dos meus ex-companheiros de trabalhos esforçados dos donos das herdades , da periferia da aldeia mas que nem sequer conhecíamos , onde congeminamos inocentes acções revolucionarias . Cristalizados ,tive pena deles . Ao vê-los sentia-me insultado pelo que fizeram dos meus indefesas companheiros que nem sequer sabem avaliar a força da sua razão. Mal vai a pátria que não administra o seu espaço rural de forma a dar uma oportunidade aos seus filhos . O mantê-los na dependência de estranhos, que se apoderam do meio e retiram a identidade de um povo, tem custos ,Estão-se agora a pagar
E hoje , 10 de Junho de 2006, continuo com fundadas razões para estar preocupado em relação á integridade territorial da minha pátria . Agora , por processos mais modernos , está a ser adquirida por estrangeiros coisa que ao longo da história não conseguiram pela força das armas . Isto não aconteceria se tivesse havido o cuidado de incluir as gentes rústicas na administração da vida das aldeias . Sequiosos por dinheiro , alienamos o nosso espaço sagrado . Seduzidos por uma aparente eficácia agrícola , não percebemos podemos estar na presença de investimentos a ser feitos à conta dos custos de ocupação ; não percebemos que as sucessivas miraculosas soluções agrícolas , que impensadamente andamos a exaltar , se têm traduzido em outros tantos e sucessivos fracassos .Resistem esses estóicos e ignorados agricultores tradicionais que , sem alterar os sistemas mas sim os equipamentos, mantêm viva a chama agrícola adequada ás exigências da globalização
Já Camões sabia que , entre nós , havia, e há, muitos que capitulam deslumbrados pelo poder económico dos nossos vizinhos . Há , porem, outros, entre os quais os causticados por longa permanência no estrangeiro que , conjuntamente com a arraia miúda , não irão deixar de responder as suas responsabilidades para com a pátria É que ,a continuar assim ,dentre em pouco tempo ,não haverão razões para festejar o 10 de Junho ,no Alentejo
Certamente que as coisas não chegarão a tanto .Felizmente temos um governo a quem não falta coragem para enfrentar as corporações . Que não demore a confrontar as corporações fundiárias , com as exigências da pátria , é o que se espera . È que ,a não ser que se actue com celeridade , os próximos 10 de Junho podem não ter razão de acontecer entre nós .FRANCISCO PÂNDEGA (agricultor ) ; E-mail :- fjnpandega@hotmail.com ; blog.- alentejoagrorural.blogspot.com
E O
DEZ DE JUNHO .
Dia de Portugal , e das Comunidades Lusíadas .Ou seja de Portugal e dessas diásporas lusas , espalhadas pelo mundo , constituídas por portugueses a quem as adversidades da vida ,ou o desejo de aventura , levaram a abalar. Foi Camões quem ,melhor do que ninguém , soube expressar a amargura da ausência da pátria , a dor de senti-la combalida e a magoa de vê-la a perder-se Um drama que tem perpassado por muitos nós em iguais circunstâncias Mas essa dor é particularmente sentida por parte dos que , no rescaldo da descolonização muito longe e em perigo , não foram socorridos mais parecendo ter sido objecto de obscuras negociações .
O 10 de Junho de 1975 foi particularmente penoso para mim e muitos outros portugueses que debandavam de Africa A pátria havia-nos abandonado . Sabemos ,por sentir na carne , o que é ser abandonado em situação de perigo .Na fuga ficou-nos ouvidos um “vai-te embora colono explorador que esta não é a tua terra” . Terra /pátria duas palavras que assumem gigantesco significado quando longe e nas situações de perigo Com mulher e três filhas meti-me ao caminho sempre a lutar para manter a integridade física . Atravessei as terras desérticas da Namíbia aonde bandos criminosos esperavam os incautos que as atravessavam, com especial predilecção para brancos principalmente se portugueses . O medo , nas vastidões ,modifica-nos .Sem saber como , apossamo-nos de uma certa coragem e ousadia que desconhecíamos possuir O meu maior desejo era ter uma máquina que catapultasse a minha família ,por cima do Atlântico, fazendo-a pousar em Portugal ,afim de que ,com ela a salvo , ficar mais disponível para a luta.
Depois de ter atravessado a Africa Austral , com inicio no Zaire , parei ,meses depois , aonde “acaba a terra e começa o mar” ou seja na cidade do Cabo. Um modesto emprego numa quinta pertença de uma família - ele sueco ela bóer - .Precisava de pôr os nervos em ordem . E de uma explicação para o facto da pátria me ter abandonado.
Começou ,porem ,aí , outra fase do mesmo drama . As noticias eram más .A pátria estava a esboroar-se . Isso tinha reflexos imediatos nas relações com as outras comunidades presentes na Africa do Sul . Nós éramos, para eles , poltrões que fogem sem dar luta ; néscios e estúpidos com opções colectivistas ; os madeirenses , a maior colónia estrangeira , da Africa do sul, diziam-se ser madeirenses somente ; alguns de nós evitavam dizer-se portugueses . Passar pela deprimente experiência de sentir-se apátrida ,é uma situação atroz que nos vara , fragiliza e faz-nos adoecer . Atónito e transido de dor, ia frequentemente ao promontório do Cabo das Tormentas . Local aonde esteve o nosso antepassado Camões e onde certamente sofreu , tal como nós , as magoas provocadas por uma pátria nem sempre justa para com alguns dos seus filhos .Precisava de pôr em ordem os meus conceitos já que as circunstâncias ,os desorganizavam na minha cabeça . Aquele lugar convidava à reflexão . As notícias vindas de Portugal afectavam-me imenso . No alto do colossal penhasco ,viam-se , a nossos pés ,na linha imaginária que separa o Atlântico do Indico , recifes emergentes .Certamente aqueles com os quais colidiram as nossas naus . Á memória ocorria-me aquele quadro , sempre presente na escola primaria da minha infância , em que , a sair de um tormentoso naufrágio, Camões nadava para terra , de braço erguido com os Lusíadas numa das mãos . Era um pedaço de uma pátria com um passado glorioso que contrastava com a cobardia porque estávamos a passar .
Regressar à minha pátria tornou-se numa obsessão .Afinal eu era e sou pertença do Alentejo Mal eu pensava que ai vinha a ser recebido ,não como ignoto filho que regressasse a casa , mas sim como alguém que andou por lá “a explorar os pretos e estava de volta para retirar os empregos dos que cá estavam” . Tive pena dos meus ex-companheiros de trabalhos esforçados dos donos das herdades , da periferia da aldeia mas que nem sequer conhecíamos , onde congeminamos inocentes acções revolucionarias . Cristalizados ,tive pena deles . Ao vê-los sentia-me insultado pelo que fizeram dos meus indefesas companheiros que nem sequer sabem avaliar a força da sua razão. Mal vai a pátria que não administra o seu espaço rural de forma a dar uma oportunidade aos seus filhos . O mantê-los na dependência de estranhos, que se apoderam do meio e retiram a identidade de um povo, tem custos ,Estão-se agora a pagar
E hoje , 10 de Junho de 2006, continuo com fundadas razões para estar preocupado em relação á integridade territorial da minha pátria . Agora , por processos mais modernos , está a ser adquirida por estrangeiros coisa que ao longo da história não conseguiram pela força das armas . Isto não aconteceria se tivesse havido o cuidado de incluir as gentes rústicas na administração da vida das aldeias . Sequiosos por dinheiro , alienamos o nosso espaço sagrado . Seduzidos por uma aparente eficácia agrícola , não percebemos podemos estar na presença de investimentos a ser feitos à conta dos custos de ocupação ; não percebemos que as sucessivas miraculosas soluções agrícolas , que impensadamente andamos a exaltar , se têm traduzido em outros tantos e sucessivos fracassos .Resistem esses estóicos e ignorados agricultores tradicionais que , sem alterar os sistemas mas sim os equipamentos, mantêm viva a chama agrícola adequada ás exigências da globalização
Já Camões sabia que , entre nós , havia, e há, muitos que capitulam deslumbrados pelo poder económico dos nossos vizinhos . Há , porem, outros, entre os quais os causticados por longa permanência no estrangeiro que , conjuntamente com a arraia miúda , não irão deixar de responder as suas responsabilidades para com a pátria É que ,a continuar assim ,dentre em pouco tempo ,não haverão razões para festejar o 10 de Junho ,no Alentejo
Certamente que as coisas não chegarão a tanto .Felizmente temos um governo a quem não falta coragem para enfrentar as corporações . Que não demore a confrontar as corporações fundiárias , com as exigências da pátria , é o que se espera . È que ,a não ser que se actue com celeridade , os próximos 10 de Junho podem não ter razão de acontecer entre nós .FRANCISCO PÂNDEGA (agricultor ) ; E-mail :- fjnpandega@hotmail.com ; blog.- alentejoagrorural.blogspot.com
28.5.06
Alentejo agro-rural
e a
TITULARIDADE DA PROPRIEDADE RÚSTICA
1--- È inadmissível que o nosso Alentejo , se bem que uma região vastíssima e ubérrima , tenha tão baixos níveis de produção e tão mau estar rural ; que ,tendo tão vastas potencialidades agro-sócio-económicas , as suas gentes debandem por lhes ser impossível a permanência , aqui, com um mínimo de dignidade ; sabido que é deste facto que deriva este estranho estado de abulia , permissão e complacência , ao ponto de permitimos a anexação económica de uma larga faixa de Alentejo , ao território estrangeiro contíguo, sem um gesto de desagrado , algo está errado entre nós .E a pergunta óbvia impõem-se-nos . Como caímos tão baixo ?.E o que é preciso fazer para arribarmos ?
Façamos um pequeno exercício de analise, de desde há duzentos anos para cá ,( o fim da estabilidade agro-rural e inicio do presente desaire ) e identificar-se-ão uma sucessão de asneiras ,que mais parecem ser crimes lesa pátria , e encontrar-se-ão as soluções possíveis para sairmos deste atoleiro .
È preciso que se entenda , de uma vez por todas, que :--- A nossa debilidade sócio-económica é de origem rural ,sector que perpassa transversalmente toda a nossa sociedade , afectando severamente a nossa vivência colectiva ..Por outras palavras :-- só regressaremos à normalidade depois de ordenado o nosso mundo rural , dando oportunidade de acesso aos mais capazes ,.Ou, por fim, se assuma que :- nada, mas mesmo nada, resulta e funciona , entre nós , enquanto não tivermos a coragem de restabelecer um sector rural , sólido e autónomo, que funcione como factor de equilíbrio da nossa vivência colectiva .
2)---- Até ao ultimo quartel do século XIX , as terras eram pertença , de três entidades :--- a igreja/ordens religiosas ,dos nobres , e das comunidades locais a quem pertenciam os baldios tutelados pelos municípios .A terra não era objecto de venda processando-se a sua transmissão por sucessão, doação , aforamento ou enfiteuse e consuetudinário ou usucapião. Nos dois séculos seguintes , e até aos nossos dias , o Alentejo foi palco da maior selvajaria fundiária , de uma ocupação sem regras ,por parte de alienígenas , do que resultou na mais despudorada e inumana submissão da indefesa comunidade rural autóctone , incapaz de se opor aos novos conquistadores .Do que resultou , desde então e até hoje , o Alentejo estar submetido a uma incrível rapina de meios e subjugação das suas gentes . Daí que tenhamos caída tão baixo ao ponto da própria soberania estar ameaçada , o que implica a tomada de medidas corajosas que forçosamente terão que pôr em causa muitos direitos adquiridos inclusivamente uma limitação da titularidade já que nos tornamos indignos da actual fórmula de alienação
a)----O Alentejo , do ultimo quartel do século XIX , devido á forma como o mato regenera e aos pouco eficientes equipamentos agrícolas de então , era um matagal . Mas todo tinha dono. A igreja , que é a parte que vamos tratar neste escrito , tinha uma parte considerável estimada em cerca de um terço da área total Obtinha as terras geralmente por doações , dado haver pessoas que , quer porque não tivessem herdeiros , porque tivessem promessas por pagar , quer porque fossem benfeitoras , legavam os seus bens ,no todo ou em parte, á igreja Era a partir daí que provinham meios para a assistência social para a qual , desde sempre , teve particular vocação:--- ensino , hospitais , hospícios ,creches, lares , etc.
O aforamento era a formula usual de cedência de propriedades agrícolas Escolhido o foreiro , entre as pessoas , de bem e aptas para o exercício da actividade , era elaborado o respectivo contrato que incluía a forma de pagamento , em espécie , que consistia em determinadas quantidades de trigo, azeite ,carne, ovos ,lã ,borregos, porcos , frutas , etc. , de acordo com o tipo de exploração a praticar A duração era ilimitada não podendo o contrato ser denunciado enquanto o foreiro cumprisse as anuidades ; a transmissão era exclusivamente pela via da herança
Convenhamos que o sistema era humano , estava certo e tinha todos os componentes para permitir o desenvolvimento agro-social Que mais uma comunidade rural pode aspirar do que ter terra com garantia de permanência e sucessão , pagando uma anuidade previamente acordada cujo destino era a beneficência , o apoio aos desvalidos , o ensino e a saúde ?
b)----A dimensão mais usual do foro (propriedade agrícola ) , era na ordem dos 150Ha. Singularidade que importa realçar dado ser essa superfície funcional ainda hoje Era a quantidade viável para ser percorrida ,pelas estremas, e vir almoçar a casa ; para o gado dar uma volta e vir acarrar ao monte ; enfim, era, e é, a dimensão considerada á escala do homem .
.Num local salubre construíam uma casa e currais e abriam um poço ,que iam melhorando na medida em que houvessem posses e vagar . Nela iam residir diversos lares ,no ordem dos cinco mais ou menos , geralmente da mesma família .
Na periferia, um quinchoso, uma horta , um ferragial ; umas oliveiras enxertadas em zambujeiros umas pereiras e marmeleiro enxertadas sobre carapeteiros ; o resto era matagal aonde pastavam cabras , no mato denso e espinhoso ; ovelhas ,vacas , porcos (dependente da área de montado) ; cavalos , burros e muares . Umas galinha e outras aves (perus, patos, pombos pavões ,) , o colmeal, numa soalheira, caça ,pesca e recolecções e assim se obtenha a auto suficiência alimentar e excedentes que , por sua vez, eram levados para o mercado .
Para alem dos fogos individuais , o monte era o lar comum constituindo-se os residentes num agrupamento do tipo clânico
Há um pormenor que certamente foi tido em conta para esta dimensão e este agrupamento familiar :-- a insegurança.
Esses tempos eram de perseguições , muito violentas e o matagais alentejanos locais de refúgio de marginais . A proximidade de Espanha tornava os matagais tambem usados ,como esconderijo , pelos nossos vizinhos ; as perseguições religiosas e outras ,muito punitivas nessa época , faziam com que muita gente andasse a monte ; depois a desorganização social resultantes das invasões francesas conjuntas com os espanhóis ; mais tarde as lutas liberais .Tudo isso provocava o aparecimento de sucessivas hordas de foragidos que andavam a monte . Impossibilitados de se abastecer nos povoados, atacavam e pilhavam os montes/habitação .
A autodefesa impunha-se Um monte , de paredes sólidas , construído por materiais incombustíveis ;uma boa reserva de alimentos , agua e lenha ; bem armados e municiados ; resistiam bastante bem .Há memoria de quem se tivesse aguentado ,a ataques e cercos , até que viessem em seu socorro ou os sitiantes desistissem .
c)---- Mas entre nós, alentejanos , e ao que parece por ausência de um valor comum que nos una , há uma atávica fragilidade colectiva .Foi-o há duzentos anos é-o ainda hoje e, ao não nos entendermos quanto a unificação do Alentejo ,como região ,continuaremos a ser frageis
O confisco dos bens da igreja resultou na posterior aquisição por uma burguesia de Lisboa , Endinheirada e sem escrúpulos apoderou ,não só das terras como de todos órgão administrativos e rodeou-se de poderosas forças da ordem As punições eram extraordinariamente severas ,prendendo e maltratando todo e qualquer que desse sinais de inconformidade Anularam os legítimos direitos foreiros que haviam sido conferidos pela igreja ; converteram-nos em criados e seareiros ; esbulharam os baldios , locais aonde as gentes das aldeias , pastavam as aduas .
As magnificas oportunidades de desenvolvimento , que se foram sucedendo , foram-se sistematicamente desperdiçando na voragem da rapina . Restando um Alentejo inculto ,empobrecido ,desagregado e subserviente , como convinha . Assim , na segunda metade do séculos dezanove , com a vinda do comboio o aumentos do consumo em Lisboa , o aparecimento da charrua vira aiveca , a substituição dos trabalhos braçais pela tracção animal, a produção a aumentou sem que , para a região tivesse havido a necessária correspondência sm termos de desenvolvimento . Mais tarde , no pós segunda guerra mundial , com a transição da agricultura de tracção animal para a mecanizada , em vez do natural desenvolvimento sócio-económico , deu-se um imenso êxodo rural .Perdeu-se uma oportunidade soberana dado que as aldeias estavam povoadas de gente séria e muito trabalhadora, ansiosa por terra , capaz de dar o desejável impulso . Já nos nossos dias ocorreu uma enorme abundância de fundos comunitários em simultâneo com verbas, ainda maiores, da sobrevalorização da cortiça .Contudo isto saldou-se no estado deplorável em que nos encontramos ,ao ponto de estarmos a claudicar perante os nossos bem financiados vizinhos espanhóis .
Importa reconhecer que na ultima geração foram tomadas algumas medidas no bom sentido :--- António Barreto devolveu as terras , então achadas suficientes , aos latifundiários expropriados ; Sá Carneiro , a partir das áreas remanescentes , instalou alguns milhares de novos agricultores ; Capoulas Santos ,prevendo o que ia acontecer , condicionou a venda da terra , institucionalizou um banco de terras para opção de aquisição , plafonou os subsídios, etc . Mas o poder instalado , desde 1835, já se havia recomposto .A sedução pelas receitas fáceis , sem ser escrutinado pelas regras do mercado e dispensando a anuência da comunidade rural residente , é de facto uma situação de privilegio que importava recuperar . Conseguiram anular todas estas óptimas iniciativas Só a globalização e a regionalização os faz tremer .Daí a venda apressada ,sem olhar a quem , desde que haja dinheiro .
Nunca se sabe se algum dele terá origem nas montanhas do Afeganistão .É a tradicional rapina no seu melhor . Mais parece o precipitado abandono do barco. Barco que eles abalroaram .
3---- A nossa ineficiência rural é alarmante ; o apetite pelo nosso espaço é preocupante ; a nossa inoperacionalidade agricola ,em época de globalização , é desesperante .As soluções que poderiam ter sido tomadas de forma faseada terão que ser impostas de supetão Mexer no estatuto da terra , heresia que até há era apodada de comunismo , agora tornou-se numa inevitabilidade urgente . Efectivamente isto já não vai com paninhos quentes .Tem que se ir ao cerne da questão ou seja á limitação da titularidade da terra .Nós não fomos dignos da presente liberdade de alienação .Não obstante terem passado duzentos anos e a marcha do tempo ter trazido considerável modernidade , a fórmula aforamento / desenvolvimento social , que era usada pelas ordens religiosas , contem as bases para a presente reforma . Com novos meios e outros protagonistas , certamente .De facto há regras imutáveis. Esta é uma delas
Francisco Pândega (agricultor ) ; e-mail:-- fjnpandega@hotmail.com
; blog:-alentejoagrorural.blospot.com
e a
TITULARIDADE DA PROPRIEDADE RÚSTICA
1--- È inadmissível que o nosso Alentejo , se bem que uma região vastíssima e ubérrima , tenha tão baixos níveis de produção e tão mau estar rural ; que ,tendo tão vastas potencialidades agro-sócio-económicas , as suas gentes debandem por lhes ser impossível a permanência , aqui, com um mínimo de dignidade ; sabido que é deste facto que deriva este estranho estado de abulia , permissão e complacência , ao ponto de permitimos a anexação económica de uma larga faixa de Alentejo , ao território estrangeiro contíguo, sem um gesto de desagrado , algo está errado entre nós .E a pergunta óbvia impõem-se-nos . Como caímos tão baixo ?.E o que é preciso fazer para arribarmos ?
Façamos um pequeno exercício de analise, de desde há duzentos anos para cá ,( o fim da estabilidade agro-rural e inicio do presente desaire ) e identificar-se-ão uma sucessão de asneiras ,que mais parecem ser crimes lesa pátria , e encontrar-se-ão as soluções possíveis para sairmos deste atoleiro .
È preciso que se entenda , de uma vez por todas, que :--- A nossa debilidade sócio-económica é de origem rural ,sector que perpassa transversalmente toda a nossa sociedade , afectando severamente a nossa vivência colectiva ..Por outras palavras :-- só regressaremos à normalidade depois de ordenado o nosso mundo rural , dando oportunidade de acesso aos mais capazes ,.Ou, por fim, se assuma que :- nada, mas mesmo nada, resulta e funciona , entre nós , enquanto não tivermos a coragem de restabelecer um sector rural , sólido e autónomo, que funcione como factor de equilíbrio da nossa vivência colectiva .
2)---- Até ao ultimo quartel do século XIX , as terras eram pertença , de três entidades :--- a igreja/ordens religiosas ,dos nobres , e das comunidades locais a quem pertenciam os baldios tutelados pelos municípios .A terra não era objecto de venda processando-se a sua transmissão por sucessão, doação , aforamento ou enfiteuse e consuetudinário ou usucapião. Nos dois séculos seguintes , e até aos nossos dias , o Alentejo foi palco da maior selvajaria fundiária , de uma ocupação sem regras ,por parte de alienígenas , do que resultou na mais despudorada e inumana submissão da indefesa comunidade rural autóctone , incapaz de se opor aos novos conquistadores .Do que resultou , desde então e até hoje , o Alentejo estar submetido a uma incrível rapina de meios e subjugação das suas gentes . Daí que tenhamos caída tão baixo ao ponto da própria soberania estar ameaçada , o que implica a tomada de medidas corajosas que forçosamente terão que pôr em causa muitos direitos adquiridos inclusivamente uma limitação da titularidade já que nos tornamos indignos da actual fórmula de alienação
a)----O Alentejo , do ultimo quartel do século XIX , devido á forma como o mato regenera e aos pouco eficientes equipamentos agrícolas de então , era um matagal . Mas todo tinha dono. A igreja , que é a parte que vamos tratar neste escrito , tinha uma parte considerável estimada em cerca de um terço da área total Obtinha as terras geralmente por doações , dado haver pessoas que , quer porque não tivessem herdeiros , porque tivessem promessas por pagar , quer porque fossem benfeitoras , legavam os seus bens ,no todo ou em parte, á igreja Era a partir daí que provinham meios para a assistência social para a qual , desde sempre , teve particular vocação:--- ensino , hospitais , hospícios ,creches, lares , etc.
O aforamento era a formula usual de cedência de propriedades agrícolas Escolhido o foreiro , entre as pessoas , de bem e aptas para o exercício da actividade , era elaborado o respectivo contrato que incluía a forma de pagamento , em espécie , que consistia em determinadas quantidades de trigo, azeite ,carne, ovos ,lã ,borregos, porcos , frutas , etc. , de acordo com o tipo de exploração a praticar A duração era ilimitada não podendo o contrato ser denunciado enquanto o foreiro cumprisse as anuidades ; a transmissão era exclusivamente pela via da herança
Convenhamos que o sistema era humano , estava certo e tinha todos os componentes para permitir o desenvolvimento agro-social Que mais uma comunidade rural pode aspirar do que ter terra com garantia de permanência e sucessão , pagando uma anuidade previamente acordada cujo destino era a beneficência , o apoio aos desvalidos , o ensino e a saúde ?
b)----A dimensão mais usual do foro (propriedade agrícola ) , era na ordem dos 150Ha. Singularidade que importa realçar dado ser essa superfície funcional ainda hoje Era a quantidade viável para ser percorrida ,pelas estremas, e vir almoçar a casa ; para o gado dar uma volta e vir acarrar ao monte ; enfim, era, e é, a dimensão considerada á escala do homem .
.Num local salubre construíam uma casa e currais e abriam um poço ,que iam melhorando na medida em que houvessem posses e vagar . Nela iam residir diversos lares ,no ordem dos cinco mais ou menos , geralmente da mesma família .
Na periferia, um quinchoso, uma horta , um ferragial ; umas oliveiras enxertadas em zambujeiros umas pereiras e marmeleiro enxertadas sobre carapeteiros ; o resto era matagal aonde pastavam cabras , no mato denso e espinhoso ; ovelhas ,vacas , porcos (dependente da área de montado) ; cavalos , burros e muares . Umas galinha e outras aves (perus, patos, pombos pavões ,) , o colmeal, numa soalheira, caça ,pesca e recolecções e assim se obtenha a auto suficiência alimentar e excedentes que , por sua vez, eram levados para o mercado .
Para alem dos fogos individuais , o monte era o lar comum constituindo-se os residentes num agrupamento do tipo clânico
Há um pormenor que certamente foi tido em conta para esta dimensão e este agrupamento familiar :-- a insegurança.
Esses tempos eram de perseguições , muito violentas e o matagais alentejanos locais de refúgio de marginais . A proximidade de Espanha tornava os matagais tambem usados ,como esconderijo , pelos nossos vizinhos ; as perseguições religiosas e outras ,muito punitivas nessa época , faziam com que muita gente andasse a monte ; depois a desorganização social resultantes das invasões francesas conjuntas com os espanhóis ; mais tarde as lutas liberais .Tudo isso provocava o aparecimento de sucessivas hordas de foragidos que andavam a monte . Impossibilitados de se abastecer nos povoados, atacavam e pilhavam os montes/habitação .
A autodefesa impunha-se Um monte , de paredes sólidas , construído por materiais incombustíveis ;uma boa reserva de alimentos , agua e lenha ; bem armados e municiados ; resistiam bastante bem .Há memoria de quem se tivesse aguentado ,a ataques e cercos , até que viessem em seu socorro ou os sitiantes desistissem .
c)---- Mas entre nós, alentejanos , e ao que parece por ausência de um valor comum que nos una , há uma atávica fragilidade colectiva .Foi-o há duzentos anos é-o ainda hoje e, ao não nos entendermos quanto a unificação do Alentejo ,como região ,continuaremos a ser frageis
O confisco dos bens da igreja resultou na posterior aquisição por uma burguesia de Lisboa , Endinheirada e sem escrúpulos apoderou ,não só das terras como de todos órgão administrativos e rodeou-se de poderosas forças da ordem As punições eram extraordinariamente severas ,prendendo e maltratando todo e qualquer que desse sinais de inconformidade Anularam os legítimos direitos foreiros que haviam sido conferidos pela igreja ; converteram-nos em criados e seareiros ; esbulharam os baldios , locais aonde as gentes das aldeias , pastavam as aduas .
As magnificas oportunidades de desenvolvimento , que se foram sucedendo , foram-se sistematicamente desperdiçando na voragem da rapina . Restando um Alentejo inculto ,empobrecido ,desagregado e subserviente , como convinha . Assim , na segunda metade do séculos dezanove , com a vinda do comboio o aumentos do consumo em Lisboa , o aparecimento da charrua vira aiveca , a substituição dos trabalhos braçais pela tracção animal, a produção a aumentou sem que , para a região tivesse havido a necessária correspondência sm termos de desenvolvimento . Mais tarde , no pós segunda guerra mundial , com a transição da agricultura de tracção animal para a mecanizada , em vez do natural desenvolvimento sócio-económico , deu-se um imenso êxodo rural .Perdeu-se uma oportunidade soberana dado que as aldeias estavam povoadas de gente séria e muito trabalhadora, ansiosa por terra , capaz de dar o desejável impulso . Já nos nossos dias ocorreu uma enorme abundância de fundos comunitários em simultâneo com verbas, ainda maiores, da sobrevalorização da cortiça .Contudo isto saldou-se no estado deplorável em que nos encontramos ,ao ponto de estarmos a claudicar perante os nossos bem financiados vizinhos espanhóis .
Importa reconhecer que na ultima geração foram tomadas algumas medidas no bom sentido :--- António Barreto devolveu as terras , então achadas suficientes , aos latifundiários expropriados ; Sá Carneiro , a partir das áreas remanescentes , instalou alguns milhares de novos agricultores ; Capoulas Santos ,prevendo o que ia acontecer , condicionou a venda da terra , institucionalizou um banco de terras para opção de aquisição , plafonou os subsídios, etc . Mas o poder instalado , desde 1835, já se havia recomposto .A sedução pelas receitas fáceis , sem ser escrutinado pelas regras do mercado e dispensando a anuência da comunidade rural residente , é de facto uma situação de privilegio que importava recuperar . Conseguiram anular todas estas óptimas iniciativas Só a globalização e a regionalização os faz tremer .Daí a venda apressada ,sem olhar a quem , desde que haja dinheiro .
Nunca se sabe se algum dele terá origem nas montanhas do Afeganistão .É a tradicional rapina no seu melhor . Mais parece o precipitado abandono do barco. Barco que eles abalroaram .
3---- A nossa ineficiência rural é alarmante ; o apetite pelo nosso espaço é preocupante ; a nossa inoperacionalidade agricola ,em época de globalização , é desesperante .As soluções que poderiam ter sido tomadas de forma faseada terão que ser impostas de supetão Mexer no estatuto da terra , heresia que até há era apodada de comunismo , agora tornou-se numa inevitabilidade urgente . Efectivamente isto já não vai com paninhos quentes .Tem que se ir ao cerne da questão ou seja á limitação da titularidade da terra .Nós não fomos dignos da presente liberdade de alienação .Não obstante terem passado duzentos anos e a marcha do tempo ter trazido considerável modernidade , a fórmula aforamento / desenvolvimento social , que era usada pelas ordens religiosas , contem as bases para a presente reforma . Com novos meios e outros protagonistas , certamente .De facto há regras imutáveis. Esta é uma delas
Francisco Pândega (agricultor ) ; e-mail:-- fjnpandega@hotmail.com
; blog:-alentejoagrorural.blospot.com
14.5.06
Alentejo agro-rural
E O NOSSO CHÃO SAGRADO
1--- São milhares de quilómetros quadrados, de solo alentejano, que estão a passar para a posse de estrangeiros designadamente espanhóis. As gentes dos campos, atónitas e incapazes de reagir, comentam: -- seja quem for que vier é impossível que seja tão detestável como estes que cá estão..! Outros, mais conscientes da gravidade, passada a fase de estupefacção, raciocinam: -- Se até aqui havia a esperança de os substituirmos essa fica perdida definitivamente ..! Não tardará muito que se procurem os responsáveis , quer pela da acção quer por omissão , deste acto que configura um crime de lesa – pátria.
2--- Os nossos irmãos extremenhos estavam, até há setenta anos, numa situação análoga à nossa. Conseguiram libertar-se da oligarquia fundiária, dedicaram-se a agricultura, criaram riqueza e hoje são um caso de sucesso em termos agro-económicos.
a-- Mais determinados, enfrentaram-se numa guerra civil feroz e mortífera. Lutaram, sofreram e morreram mas saíram moralmente fortalecidos ,libertando-se dos factores obstrutivos ao seu desenvolvimento agro-rural. Então, libertos e desinibidos, atiraram-se ao trabalho agrícola e restantes actividade socio-económicas, derivadas da agricultura ou para ela destinadas Enquanto isso, nós, incapazes de reagir, vencidos, incultos, empobrecido e dependentes, como convém a quem dispõe de nós, continuamos à margem do desenvolvimento. b--Empreenderam grandes obras de hidráulica agrícola. Represaram a água de Guadiana e desenvolveram o regadio, de tal ordem e em tão boa época, que se desenvolveram exponencialmente. Porque o Guadiana é um rio internacional, Franco reuniu-se com Salazar, na área da irrigar, do que resultou que o nosso ditador, ficando entusiasmado com as suas potencialidades, resolveu, ali mesmo, dar inicio à barragem de Alqueva. Para tal reuniu-se com os grandes proprietários alentejanos. Tão negativa foi a sua reacção que o velho ditador não só recuou, no seu propósito, como entregou as gentes alentejanas ao seu livre arbítrio. Daí o êxodo da década cinquenta. Daí a nossa estagnação que, não obstante os colossais incentivos, perdura até aos dias de hoje.
c) – Adquiriram autonomia regional, com poderes alargados validados pela votação livre e consciente dos extremenhos. Enquanto que nós , deixamos abortar todas as tentativas nesse sentido. Divididos, estamos a fazer o jogo dos poderosos grandes proprietários . Acontece que estes, sabendo que no dia em que o poder democrático regional estiver institucionalizado, entre nós, terão que mudar de atitude em relação ao uso da terra. Assim melhor se compreende esta apressada transmissão para estrangeiros A detenção da terra ,tal como está , não serve os propósitos regionais sendo somente uma forma de luxúria ostensiva e uma maneira de vergar as gentes do campo. Impantes de poder, sem a devida correspondência em termos profissionais, sempre que ponha em causa a sua legitimidade e o seu desempenho, alardeiem o sagrado direito à terra. Blasfémia que causa náuseas.
d) ---- Esta é uma questão importante que nos pode lançar uns contra os outros. Importa traçar o cenário previsível afim de cada um assumir as suas responsabilidade: ----Os grandes proprietários rurais, aqui implantados desde 1835 e a quem devemos a nossa anulação como povo, vendem o resto das terras e desaparecem e ,com isso, nós mudamos de dono ; a agricultura desenvolve-se imenso a partir da Espanha de onde vêm os factores de produção e para aonde vão as produções afim de serem transformadas e comercializadas; aos pequenos e médios agricultores, certos de que a qualquer conquistador não interessa ter-los como inimigos , já que podem ser sérios perturbadores do indispensvel ios sossego das explorações agrícolas, ficam a produzir para o auto-consumo já que deixam de ter acesso aos sectores comerciais; a restante população, acantonada nas cidades, directa ou indirectamente dependente de salários, cujas verbas terão que vir de Espanha (já que é para ai que vai a produção /impostos) dividem-se em dois grupos :--- os bons profissionais , no activo , não mudam de estatuto já os restantes terão que justificar os direitos adquiridos em termos laborais, reformas, mordomias.Daí que seja preferível sermos nós a fazermos pela vida, mesmo com alguns sacrifícios iniciais, do que faze-lo a mando de outros para quem vá o proveito.
3--- Esta alienação do nosso território tem base falsos pressupostos Sendo verdade que a nossa adesão á UE implica o livre direito de circulação de pessoas , bens e serviços , assim como o de estabelecimento, que o mesmo será dizer a aquisição de bancos, comércios, industrias, etc.,, não é menos verdade que não inclui a livre compra de terras agrícolas. Aliás nem a UE iria incluir ou excluir este sector já que o mesmo é pertença única e exclusiva das comunidades rurais tradicionais. Alem disso os acordos fundacionais da comunidade tem por base a preservação dos povos , nas suas respectivas comunidades , e a intociabilidade nas regiões. Logo, no que respeita á alienação dos espaços aonde se exercem aqueles desígnios , a EU não intervêm (Veja-se o caso da Irlanda)Ora a aquisição e anexação económica de uma considerável parte do Alentejo é algo que ninguém está mandatado para fazer tendo em conta que nós somos simples depositários de um bem com a obrigação implícita de o transmitir a geração seguinte. Ou mais propriamente: -- A terra alentejana não é nossa (no sentido lato do termo) nós é que somos dela e, como tal, não é vendável, já que isso corresponderia a vendermo-nos a nós mesmos .Sendo assim, nós vamos seguir as pegadas estremenhas de êxito garantido :--libertarmo-nos desta estranha oligarquia, instalar o regadio e obter a regionalização . Não precisamos da ajuda de ninguém mas tão só que não nos atrapalhem. Depois , de igual para igual e não de vencidos para vencedores, iremos fazer os acordos que entendermos necessários e que sirvam os interesses de ambas as regiões. De igual para igual, repito. Francisco Pândega (agricultor); e-mail –fjnpandega@hotmail.com; blog – alentejoagrorural.blogspot.com
E O NOSSO CHÃO SAGRADO
1--- São milhares de quilómetros quadrados, de solo alentejano, que estão a passar para a posse de estrangeiros designadamente espanhóis. As gentes dos campos, atónitas e incapazes de reagir, comentam: -- seja quem for que vier é impossível que seja tão detestável como estes que cá estão..! Outros, mais conscientes da gravidade, passada a fase de estupefacção, raciocinam: -- Se até aqui havia a esperança de os substituirmos essa fica perdida definitivamente ..! Não tardará muito que se procurem os responsáveis , quer pela da acção quer por omissão , deste acto que configura um crime de lesa – pátria.
2--- Os nossos irmãos extremenhos estavam, até há setenta anos, numa situação análoga à nossa. Conseguiram libertar-se da oligarquia fundiária, dedicaram-se a agricultura, criaram riqueza e hoje são um caso de sucesso em termos agro-económicos.
a-- Mais determinados, enfrentaram-se numa guerra civil feroz e mortífera. Lutaram, sofreram e morreram mas saíram moralmente fortalecidos ,libertando-se dos factores obstrutivos ao seu desenvolvimento agro-rural. Então, libertos e desinibidos, atiraram-se ao trabalho agrícola e restantes actividade socio-económicas, derivadas da agricultura ou para ela destinadas Enquanto isso, nós, incapazes de reagir, vencidos, incultos, empobrecido e dependentes, como convém a quem dispõe de nós, continuamos à margem do desenvolvimento. b--Empreenderam grandes obras de hidráulica agrícola. Represaram a água de Guadiana e desenvolveram o regadio, de tal ordem e em tão boa época, que se desenvolveram exponencialmente. Porque o Guadiana é um rio internacional, Franco reuniu-se com Salazar, na área da irrigar, do que resultou que o nosso ditador, ficando entusiasmado com as suas potencialidades, resolveu, ali mesmo, dar inicio à barragem de Alqueva. Para tal reuniu-se com os grandes proprietários alentejanos. Tão negativa foi a sua reacção que o velho ditador não só recuou, no seu propósito, como entregou as gentes alentejanas ao seu livre arbítrio. Daí o êxodo da década cinquenta. Daí a nossa estagnação que, não obstante os colossais incentivos, perdura até aos dias de hoje.
c) – Adquiriram autonomia regional, com poderes alargados validados pela votação livre e consciente dos extremenhos. Enquanto que nós , deixamos abortar todas as tentativas nesse sentido. Divididos, estamos a fazer o jogo dos poderosos grandes proprietários . Acontece que estes, sabendo que no dia em que o poder democrático regional estiver institucionalizado, entre nós, terão que mudar de atitude em relação ao uso da terra. Assim melhor se compreende esta apressada transmissão para estrangeiros A detenção da terra ,tal como está , não serve os propósitos regionais sendo somente uma forma de luxúria ostensiva e uma maneira de vergar as gentes do campo. Impantes de poder, sem a devida correspondência em termos profissionais, sempre que ponha em causa a sua legitimidade e o seu desempenho, alardeiem o sagrado direito à terra. Blasfémia que causa náuseas.
d) ---- Esta é uma questão importante que nos pode lançar uns contra os outros. Importa traçar o cenário previsível afim de cada um assumir as suas responsabilidade: ----Os grandes proprietários rurais, aqui implantados desde 1835 e a quem devemos a nossa anulação como povo, vendem o resto das terras e desaparecem e ,com isso, nós mudamos de dono ; a agricultura desenvolve-se imenso a partir da Espanha de onde vêm os factores de produção e para aonde vão as produções afim de serem transformadas e comercializadas; aos pequenos e médios agricultores, certos de que a qualquer conquistador não interessa ter-los como inimigos , já que podem ser sérios perturbadores do indispensvel ios sossego das explorações agrícolas, ficam a produzir para o auto-consumo já que deixam de ter acesso aos sectores comerciais; a restante população, acantonada nas cidades, directa ou indirectamente dependente de salários, cujas verbas terão que vir de Espanha (já que é para ai que vai a produção /impostos) dividem-se em dois grupos :--- os bons profissionais , no activo , não mudam de estatuto já os restantes terão que justificar os direitos adquiridos em termos laborais, reformas, mordomias.Daí que seja preferível sermos nós a fazermos pela vida, mesmo com alguns sacrifícios iniciais, do que faze-lo a mando de outros para quem vá o proveito.
3--- Esta alienação do nosso território tem base falsos pressupostos Sendo verdade que a nossa adesão á UE implica o livre direito de circulação de pessoas , bens e serviços , assim como o de estabelecimento, que o mesmo será dizer a aquisição de bancos, comércios, industrias, etc.,, não é menos verdade que não inclui a livre compra de terras agrícolas. Aliás nem a UE iria incluir ou excluir este sector já que o mesmo é pertença única e exclusiva das comunidades rurais tradicionais. Alem disso os acordos fundacionais da comunidade tem por base a preservação dos povos , nas suas respectivas comunidades , e a intociabilidade nas regiões. Logo, no que respeita á alienação dos espaços aonde se exercem aqueles desígnios , a EU não intervêm (Veja-se o caso da Irlanda)Ora a aquisição e anexação económica de uma considerável parte do Alentejo é algo que ninguém está mandatado para fazer tendo em conta que nós somos simples depositários de um bem com a obrigação implícita de o transmitir a geração seguinte. Ou mais propriamente: -- A terra alentejana não é nossa (no sentido lato do termo) nós é que somos dela e, como tal, não é vendável, já que isso corresponderia a vendermo-nos a nós mesmos .Sendo assim, nós vamos seguir as pegadas estremenhas de êxito garantido :--libertarmo-nos desta estranha oligarquia, instalar o regadio e obter a regionalização . Não precisamos da ajuda de ninguém mas tão só que não nos atrapalhem. Depois , de igual para igual e não de vencidos para vencedores, iremos fazer os acordos que entendermos necessários e que sirvam os interesses de ambas as regiões. De igual para igual, repito. Francisco Pândega (agricultor); e-mail –fjnpandega@hotmail.com; blog – alentejoagrorural.blogspot.com
25.4.06
Alentejo agro-rural
E OS VALORES IDENTITÁRIOS REGIONAIS
1---Não discuto se a regionalização é, ou não, vantajosa para sectores como a justiça, saúde, ensino, etc., ou até mesmo para os centros urbanos. Contudo, sei que, para a agricultura, ambiente, organização do território e poder local, porque actividades que funcionam em articulação com o meio natural, ela é decisiva para uma governação eficaz É imperiosa a sua institucionalização como solução para a gravíssima situação agro-sócio-económica da nossa região Mas o que é uma região, interrogar-se-á quem não esteja calhado com questões desta natureza? É uma determinada área, situada em determinado espaço geográfico, referenciado por coordenadas, a qual, devido a sua localização, entre os pólos e equador, tem um determinado clima. Porem, mesmo no mesmo paralelo, o clima é geralmente modificado pelas correntes de ar que podem ser quentes, frias, húmidas, secas ,se , e quando , a sua proveniência for marítima, continental, polar, equatorial.Desta forma a terra, no sentido lato da palavra, é a somatório das suas regiões. Regiões que, devido aqueles factores , têm vocações agrícolas muito diferenciadas umas das outras. E em cada uma delas o homem, na sua conhecida capacidade de adaptabilidade ao meio, molda-se e articula-se tirando partido dele em seu próprio proveito .Daí ser verdadeira a definição de que uma região é uma unidade geo-sócio-económica , circunscrita a determinado espaço, com características bem diferenciadas . Este é um facto que nós, os agricultores que exercemos a actividade em regiões distantes, bem conhecemos .Tantas vezes por amargas experiências.
2----É neste quadro que se inscreve o Alentejo natural. Directamente influenciado pelo Mediterrâneo, cuja porta de entrada é o Guadiana, que se espraia e determina esta imensa planície. É o nosso Alentejo natural Do encontro entre esta corrente mediterrânica e a atlântica, que sobe pelo vale do Tejo, está a linha de separação entre a planície e a charneca Termina assim o Alentejo e começa o Ribatejo. Ou, como diziam os antigos, acabam as terras transtaganas (Alentejo) e começam as escalabitanas (Ribatejo). Aliás, muito aproximadamente pelos limites administrativos actuais O facto disto não ter sido entendido, tem resultado sucessivos desaires que deformam a nossa vida agro-sócio-económica regional. É neste quadro regional e por entidades locais, que os nossos problemas agro-rurais terão que encontrar solução .È com base na região, com alguma autonomia nas questões agrícolas , que nós teremos que solucionar as contradições que nos minam, que passam pelo desenvolvimento da nossa agro-silvo-pastorícia e pela dignificação da nossa comunidade rural
a)---É que , por não se ter compreendido isto, se levaram a aprovação comunitária programas inadequados á nossa região . Essa é uma, das diversas razões, da nossa ineficácia na aplicação dos fundos comunitários. Do que resulta que, não obstante termos atravessado um período irrepetível de vacas gordas, em que para aqui foram carreadas verbas comunitárias de impressionante volume e , em simultâneo, receitas , ainda muito maiores, provenientes da cortiça, nós saímos dessa abastança como se tivéssemos sido destroçados por uma tremenda intempérie . Nem sequer procedermos ás indispensáveis alterações fundiárias, sector praticamente inamovível desde a idade média.Para dar uma ideia, recordo que a ultima herdade, (a Defesa da Pedra Alçada ) que foi dividida e posta á venda na minha aldeia (Santiago Maior), comprou, meu avô, uma courela, ainda antes de meu pai nascer, (1911). Ora , como só a partir das herdades se redimensionam as courelas dos pequenos agricultores e se fomentam os emparcelamentos , entre si, estando esse sector bloqueado , melhor se compreende que nada, mas mesmo nada, resulta no Alentejo, enquanto este constrangimento não for enfrentado.
b) --Uma abordagem do mundo rural alentejano, à luz da globalização em que estamos inseridos, implica uma autêntica revisão de meios e dos conceitos a nível regional Passada a fase da monocultura cerealífera e dos últimos loucos vinte anos , cujo objectivo foi a captura de subsídios, estamos inseridos numa nova era, que nos é imposta pela livre circulação dos produtos agrícolas , em que temos que reformular as relações homem - terra ,única forma de enfrentar a tremenda concorrência global . Isso impõe que seja dada uma resposta bem fundamentada à interrogação: ---o que produzir e com que sistemas, visando obter um lugar nesse mercado alargado e altamente concorrencial ?. Ou seja, nós somos obrigados a concorrer com regiões que para aqui enviam produtos agrícolas produzidos em concordância com determinado meio regional Vou repetir dada a importância desta afirmação: --- a agricultura tem que ser uma ciência exacta, praticada por verdadeiros conhecedores do meio capazes de produzir de produtos de qualidade e a baixos custos . Isso implica duas condições: --- assiduidade do agricultor e conhecimento da sua exploração ao nível da parcela. Sejamos francos. Os actuais grandes proprietários rurais enquadrar-se-ão nestes conceitos? Evidentemente que não. Temos que ser nós, comunidade rural tradicional, a ombrear o problema. Temos que ser nós a transmitir aos nossos filhos, a nossa experiência, para que eles, alguns dos quais com conhecimentos agrícolas de nível universitário, possam, de uma forma lenta mas sustentada, introduzir-lhes as novas soluções tecnológicas.
c) ---- Ora, é neste quadro que se inscreve o típico homem rústico alentejano Diferente do de outras regiões , já que moldado neste meio inigualável, do qual obviamente resulta um homem rural específico. Homem esse que é a resultante da ancestral exposição e articulação com este clima, solos, correntes de ar , regime e chuvas, orografia, estações do ano, povoamentos arbóreos, recursos naturais e outros. Estes factores determinam um tipo de homem com determinadas características físicas , alimentares, habitacionais, indumentária, dicção, comportamentais ; os quais por sua vez a adoptam usos, costumes e tradições, geralmente relacionados com as actividades e os calendários agrícolas; transmitem, de geração em geração , valores de carácter religioso, mítico e lendário, étnico, muito usados, entre nós, até aos meados do século passado, altura em que se iniciou o grande êxodo rural; celebram e enaltecem os valores históricos, comemorando acontecimentos importantes, abundantes na nossa região. Nós, os homens rústicos, que fazemos parte integrante dessa especificidade regional, somos o produto acabado dessa circunstância única e inigualável .Esses caracteres, especialmente os de ordem moral , só se transmitem , para as sucessivas gerações, se o homem for o livre detentor do seu meio, única forma desse desígnio de processar naturalmente. Como isso não acontece , entre nós , é a razão pela qual nós somos socialmente um desastre Contudo havia, entre nós, até há pouco, uma réstia de esperança na reversão da situação. Esperança essa que se vai esvaindo na medida que o nosso espaço vai sendo alienado para a posse de alienígenas.
3--- Num quadro regional assim , em que a comunidade rural está assi debilitada e o meio altamente viciado, só medidas ousadas e rápidas poderão reverter a situação. Ousadas, na ida ao fundo da questão; e rápidas para não dar tempo a vender tudo aos espanhóis Nós temos a necessária experiência ,no campo da reestruturação fundiária . Falta-nos , porem , assumir a necessidade de a pôr em prática. Mas convenhamos que isso é ir contra poderosos interesses instalados. Contudo é relativamente pacífica dado que é muito reduzido o número de afectados e porque é comummente adquirido ser essa a causa do nosso drama social e económico. O problema aumenta de gravidade na medida em que já constitui uma clara ameaça á nossa soberania.Importa, como primeiro passo , reconhecer que o mercado , se bem que eficaz na eliminação dos incompetentes noutros sectores da actividade , é absolutamente ineficiente no sector fundiário já que é incapaz , de igual procedimento , em relação aos absentistas e incompetentes que por aí pululam . A nova era da globalização não se compadece com existência de detentores de terras que mais não fazem que impedir o seu normal uso por parte da comunidade rural estabelecida Já que o mercado é insuficiente, na questão fundiária , resta a intervenção da comunidade que , através dos seus representantes regionais , terá que suprir essa lacuna por meio da fiscalidade. Aliás, era esse o meio previsto pelo ex-ministro da agricultura Capoulas Santos, para humanizar o mundo rural alentejano , iniciando essa intervenção pela área de Alqueva . Mas uma condição :--- tem que ser feito por nós , a nível da região , já que outros ,de outras regiões , porque tem problemas diferentes senão mesmo inversos , não nos entendem , não cooperam .Francisco Pândega (agricultor)E-mail: -fjnpandega@hotmail.com Blog. ---Alentejoagrorural.blogspot.com.
E OS VALORES IDENTITÁRIOS REGIONAIS
1---Não discuto se a regionalização é, ou não, vantajosa para sectores como a justiça, saúde, ensino, etc., ou até mesmo para os centros urbanos. Contudo, sei que, para a agricultura, ambiente, organização do território e poder local, porque actividades que funcionam em articulação com o meio natural, ela é decisiva para uma governação eficaz É imperiosa a sua institucionalização como solução para a gravíssima situação agro-sócio-económica da nossa região Mas o que é uma região, interrogar-se-á quem não esteja calhado com questões desta natureza? É uma determinada área, situada em determinado espaço geográfico, referenciado por coordenadas, a qual, devido a sua localização, entre os pólos e equador, tem um determinado clima. Porem, mesmo no mesmo paralelo, o clima é geralmente modificado pelas correntes de ar que podem ser quentes, frias, húmidas, secas ,se , e quando , a sua proveniência for marítima, continental, polar, equatorial.Desta forma a terra, no sentido lato da palavra, é a somatório das suas regiões. Regiões que, devido aqueles factores , têm vocações agrícolas muito diferenciadas umas das outras. E em cada uma delas o homem, na sua conhecida capacidade de adaptabilidade ao meio, molda-se e articula-se tirando partido dele em seu próprio proveito .Daí ser verdadeira a definição de que uma região é uma unidade geo-sócio-económica , circunscrita a determinado espaço, com características bem diferenciadas . Este é um facto que nós, os agricultores que exercemos a actividade em regiões distantes, bem conhecemos .Tantas vezes por amargas experiências.
2----É neste quadro que se inscreve o Alentejo natural. Directamente influenciado pelo Mediterrâneo, cuja porta de entrada é o Guadiana, que se espraia e determina esta imensa planície. É o nosso Alentejo natural Do encontro entre esta corrente mediterrânica e a atlântica, que sobe pelo vale do Tejo, está a linha de separação entre a planície e a charneca Termina assim o Alentejo e começa o Ribatejo. Ou, como diziam os antigos, acabam as terras transtaganas (Alentejo) e começam as escalabitanas (Ribatejo). Aliás, muito aproximadamente pelos limites administrativos actuais O facto disto não ter sido entendido, tem resultado sucessivos desaires que deformam a nossa vida agro-sócio-económica regional. É neste quadro regional e por entidades locais, que os nossos problemas agro-rurais terão que encontrar solução .È com base na região, com alguma autonomia nas questões agrícolas , que nós teremos que solucionar as contradições que nos minam, que passam pelo desenvolvimento da nossa agro-silvo-pastorícia e pela dignificação da nossa comunidade rural
a)---É que , por não se ter compreendido isto, se levaram a aprovação comunitária programas inadequados á nossa região . Essa é uma, das diversas razões, da nossa ineficácia na aplicação dos fundos comunitários. Do que resulta que, não obstante termos atravessado um período irrepetível de vacas gordas, em que para aqui foram carreadas verbas comunitárias de impressionante volume e , em simultâneo, receitas , ainda muito maiores, provenientes da cortiça, nós saímos dessa abastança como se tivéssemos sido destroçados por uma tremenda intempérie . Nem sequer procedermos ás indispensáveis alterações fundiárias, sector praticamente inamovível desde a idade média.Para dar uma ideia, recordo que a ultima herdade, (a Defesa da Pedra Alçada ) que foi dividida e posta á venda na minha aldeia (Santiago Maior), comprou, meu avô, uma courela, ainda antes de meu pai nascer, (1911). Ora , como só a partir das herdades se redimensionam as courelas dos pequenos agricultores e se fomentam os emparcelamentos , entre si, estando esse sector bloqueado , melhor se compreende que nada, mas mesmo nada, resulta no Alentejo, enquanto este constrangimento não for enfrentado.
b) --Uma abordagem do mundo rural alentejano, à luz da globalização em que estamos inseridos, implica uma autêntica revisão de meios e dos conceitos a nível regional Passada a fase da monocultura cerealífera e dos últimos loucos vinte anos , cujo objectivo foi a captura de subsídios, estamos inseridos numa nova era, que nos é imposta pela livre circulação dos produtos agrícolas , em que temos que reformular as relações homem - terra ,única forma de enfrentar a tremenda concorrência global . Isso impõe que seja dada uma resposta bem fundamentada à interrogação: ---o que produzir e com que sistemas, visando obter um lugar nesse mercado alargado e altamente concorrencial ?. Ou seja, nós somos obrigados a concorrer com regiões que para aqui enviam produtos agrícolas produzidos em concordância com determinado meio regional Vou repetir dada a importância desta afirmação: --- a agricultura tem que ser uma ciência exacta, praticada por verdadeiros conhecedores do meio capazes de produzir de produtos de qualidade e a baixos custos . Isso implica duas condições: --- assiduidade do agricultor e conhecimento da sua exploração ao nível da parcela. Sejamos francos. Os actuais grandes proprietários rurais enquadrar-se-ão nestes conceitos? Evidentemente que não. Temos que ser nós, comunidade rural tradicional, a ombrear o problema. Temos que ser nós a transmitir aos nossos filhos, a nossa experiência, para que eles, alguns dos quais com conhecimentos agrícolas de nível universitário, possam, de uma forma lenta mas sustentada, introduzir-lhes as novas soluções tecnológicas.
c) ---- Ora, é neste quadro que se inscreve o típico homem rústico alentejano Diferente do de outras regiões , já que moldado neste meio inigualável, do qual obviamente resulta um homem rural específico. Homem esse que é a resultante da ancestral exposição e articulação com este clima, solos, correntes de ar , regime e chuvas, orografia, estações do ano, povoamentos arbóreos, recursos naturais e outros. Estes factores determinam um tipo de homem com determinadas características físicas , alimentares, habitacionais, indumentária, dicção, comportamentais ; os quais por sua vez a adoptam usos, costumes e tradições, geralmente relacionados com as actividades e os calendários agrícolas; transmitem, de geração em geração , valores de carácter religioso, mítico e lendário, étnico, muito usados, entre nós, até aos meados do século passado, altura em que se iniciou o grande êxodo rural; celebram e enaltecem os valores históricos, comemorando acontecimentos importantes, abundantes na nossa região. Nós, os homens rústicos, que fazemos parte integrante dessa especificidade regional, somos o produto acabado dessa circunstância única e inigualável .Esses caracteres, especialmente os de ordem moral , só se transmitem , para as sucessivas gerações, se o homem for o livre detentor do seu meio, única forma desse desígnio de processar naturalmente. Como isso não acontece , entre nós , é a razão pela qual nós somos socialmente um desastre Contudo havia, entre nós, até há pouco, uma réstia de esperança na reversão da situação. Esperança essa que se vai esvaindo na medida que o nosso espaço vai sendo alienado para a posse de alienígenas.
3--- Num quadro regional assim , em que a comunidade rural está assi debilitada e o meio altamente viciado, só medidas ousadas e rápidas poderão reverter a situação. Ousadas, na ida ao fundo da questão; e rápidas para não dar tempo a vender tudo aos espanhóis Nós temos a necessária experiência ,no campo da reestruturação fundiária . Falta-nos , porem , assumir a necessidade de a pôr em prática. Mas convenhamos que isso é ir contra poderosos interesses instalados. Contudo é relativamente pacífica dado que é muito reduzido o número de afectados e porque é comummente adquirido ser essa a causa do nosso drama social e económico. O problema aumenta de gravidade na medida em que já constitui uma clara ameaça á nossa soberania.Importa, como primeiro passo , reconhecer que o mercado , se bem que eficaz na eliminação dos incompetentes noutros sectores da actividade , é absolutamente ineficiente no sector fundiário já que é incapaz , de igual procedimento , em relação aos absentistas e incompetentes que por aí pululam . A nova era da globalização não se compadece com existência de detentores de terras que mais não fazem que impedir o seu normal uso por parte da comunidade rural estabelecida Já que o mercado é insuficiente, na questão fundiária , resta a intervenção da comunidade que , através dos seus representantes regionais , terá que suprir essa lacuna por meio da fiscalidade. Aliás, era esse o meio previsto pelo ex-ministro da agricultura Capoulas Santos, para humanizar o mundo rural alentejano , iniciando essa intervenção pela área de Alqueva . Mas uma condição :--- tem que ser feito por nós , a nível da região , já que outros ,de outras regiões , porque tem problemas diferentes senão mesmo inversos , não nos entendem , não cooperam .Francisco Pândega (agricultor)E-mail: -fjnpandega@hotmail.com Blog. ---Alentejoagrorural.blogspot.com.
3.4.06
Alentejo agro-rural
E OS MONTADOS
1---- O Alentejo, região tão desejada se bem que vilipendiada, está a ser objecto de uma nova, mas muito sofisticada, forma de apropriação dos seu espaço rústico. Desta vez o álibi chama-se floresta. Convém lembrar, já no início deste escrito, que nós não temos florestas, na verdadeira acepção da palavra, mas sim montados. Estes, com características muito próprias, mais se assemelham a um pomar, se bem que rústico, mas mesmo assim não deixa de ter maiores afinidades com esse tipo de formação arbórea. Por muitas razões, uma das quais porque integrado no tradicional sistemas agro-silvo-pastoril, perfeitamente estabilizado, entre nós, e, agora, reacreditado por força da globalização. Nestas condições, o aparecimento de uma movimento pró florestas, que se propõe adquirir vastas áreas, coincidindo com um estudo universitário, muito vago e alheio a realidade regional, mais parece uma força concertada de ataque. Conhecidos grandes proprietários rurais, conluiados com espanhóis, aprestam-se a adquirirem montados fazendo crer, a incautos decisores, que de florestas vulgares se trata.
2---Mas não é nada disso. Enquanto que uma floresta ou um bosque, é uma formação arbórea composta por diversas espécies de arvores espontâneas, que coexistem no mesmo espaço, em perfeito equilíbrio entre si, o qual ,atingido o estádio de clímax , mantem-se nele indefinidamente sem a intervenção do homem. Já o montado, é formado por duas árvores da mesma família (azinheiras e sobreiros) cada qual em territórios separados só acontecendo sobreposição nas faldas ou em faixas ao longo das linhas de água. Ao contrário da floresta, não pode ser votado a si mesmo, antes sim, ser objecto de periódicas mobilizações do solo, de podas e desbastes. Em suma estar integrado no tradicional sistema agro-silvo-pastoril que nós tão bem sabemos fazer Daí que o aparecimento de interventores florestais, certamente funcionais em florestas autênticas, virem para os montados, é usar este para, de uma forma encapotado, se apoderarem do nosso espaço rústico, aliás já em avançado estado de aquisição.
a) ---- O montado é autóctone do Alentejo aonde, não obstante os maus-tratos que lhe têm sido infligidos, ainda constitui uma área considerável. Regenera espontaneamente, com maior ou menor dificuldade, em toda a região. Como uma dádiva do destino, somos o maior produtor mundial de cortiça sendo a nossa produção superior à dos restantes todos juntos. Pena é que, por razões politicas, não reverta minimamente em benefício da região produtora Para alem da cortiça, em que , em termos de receitas , é uma autêntico poço de petróleo, produz frutos (lande e bolota) lenha, rama e paisagem. Sendo, também, factor de estabilidade climática, funcionando como cortinas contra o vento e protecção dos solos contra a erosão. O Alentejo, sem montados tornar-se-ia, a breve trecho, numa paisagem lunar. Daí que defende-los, integrados nos sistemas agrícolas tradicionais, impõe-se-nos. Não é, porem, o que se vislumbra com estas medidas florestais Os montados têm passado por diversas vicissitudes ao longo dos últimos cento e cinquenta anos, tantos quantos a duração média de uma árvore e a idade do nosso sistema integrador l. Até aos meados do século XIX os montados estava dispersos pelo matagal. Muito decrépitos e de reduzida longevidade, ralos e combalidos, lá ia sobrevivendo, a muito custo, devido a concorrência dos arbustos De tempos a tempos eram varridos por enormes queimadas. Ressequidos e cobertos por musgos, ardiam como se fossem tochas. Foi nessa altura que se inventou a charrua vira-aiveca e se disciplinaram os sistemas agrícolas constituídos por afolhamentos e rotação de culturas, do qual resultaram os saudáveis e enormes montados, dos quais, os que restam hoje, não são mais do que uma pálida amostra daqueles de então.Nos anos trinta, do século passado, por força das campanhas cerealíferas, foram-lhe diminuídos os períodos de pousio, O ciclo anterior foi cortado e o declínio acentuou-se. No pós última grande guerra, com a introdução da mecanização, e até aos nossos dias, os montado têm sido seriamente molestados. Constata-se não só pela diminuição da área, em si, como ainda na pequena percentagem de árvores de substituição, com menos de meio século de idade, como ainda pelo seu estado geral de decrepitude
b) – A agricultura é perfeitamente compatível, senão mesmo indispensável , com a preservação dos montados. Para se entender esta afirmação é preciso que se perceba o comportamento /resposta do meio ás intervenções do homem. Por regra, um solo, com ou sem montado, que tenha estado submetido ao normal cultivo, se deixar de ser mobilizado, ao fim de sete anos (mais ou menos), começa progressivamente por desaparecer a erva, que por sua vez dá lugar aos arbustos, acabando estes por serem afectado pelos musgos Estes, plantas primárias e parasitária que cobrem de crostas o solo, empobrece-o e asfixia-o. Instala-se nas arvores parasitando-as, enfraquecendo-as, matando-as. O solo, compactado, torna-se impermeável à circulação da água e do ar provocando alterações físico-químicas que lhe reduzem a fertilidade. Nestas condições não há montado que resista. È o regresso aos tempos dos matagais inicialmente referidos Daí que a nossa experiência vá no sentido da mobilizarmos os solos com uma periodicidade media dos sete anos, variável de acordo com o seu tipo. Coincide com as podas das árvores (formação manutenção e rejuvenescimento conforme o estado vegetativo de cada uma delas). Depois da poda o chão fica coberto de folharascas que vão compensar a perda de fertilidade debaixo da copa.Com o chão desensombrado , a seara, sob o coberto, não difere da das abertas ou clareiras envolventes Nas águas novas é altura das sementeiras e, então ,raciocinamos assim: --- já que a capacidade do reaparecimento da erva está diminuída e porque foi feita a despesa do alqueive, já agora, convêm semea-la : ---- de cereais nas terras melhores, e de proteaginosas ou forragens nas terras mais fracas. Culturas essas que podem vir a ser ceifadas, para grão, se a resposta tiver sido boa; para fenar se se justificar, ou para o pastoreio directo nos restantes casos.Ou seja :-- os custos do alqueive, das fertilizações e das sementes, vão ser atribuídos aos cereais colhidos, gado, pastagens, montado, caça, protecção dos incêndios.Assim distribuídos os custos , já começa a fazer sentido a afirmação de que o Alentejo é totalmente agrícola, devendo ser arado e semeado de lés a lés. Afirmação, esta, que tantos engulhos causa a quem não percebe nada disto.
c) — Mas essa mobilização também é compatível com a emergência e manutenção de novas árvores de substituição. Como se disse, a terra volta a ser lavrada depois de sete anos após a última mobilização. Nesse entretanto nasceram e desenvolveram-se novas plantas algumas das quais , nesse período, podem atingir cerca de um metro de altura. É dever do tractorista contorna-las poupando aquelas cuja localização sirva para preencher clareiras ou que se encontrem junto de arvores envelhecidas visando a sua substituição. Era assim no tempo da lavoura de bois. Não só como forma de repovoamento do montado mas também porque , impedindo a charrua de embicar nas árvores, também se evitava que os animais não ficassem ariscos ou os trastes se partissem, o que acarretaria grandes trabalhos se fossemos de encontro delas. Com os tractores é o inverso . Andar a contornar as arvores é cansativo e desgasta a maquina . Pisa-las e deixa-las em fanicos dá menos trabalho e não há denuncia já que atrás só restam farripas soterradas. E uma das principais razões da decrepitude dos montados já que os trabalhos são sempre efectuados por trabalhadores e empreiteiros Ora ,estes , apercebendo-se de que e estão a gerar receitas para alguém , ausente, manter, algures, uma continuada espoliação regional, à falta de melhor é o montado é quem sofre. È a este facto , que ninguém gosta de abordar, uma das razões porque os montados alentejanos estão tão degradados. Daí que, pelo que atrás de expôs , a solução passa pelos trabalhos nos montados devam ser feitos por famílias de agricultores directos, estáveis, efectivos e livres. O Alentejo, porque não tem florestas, não é compatível com essa nova ordem florestal, que já se vislumbra no horizonte. Já é mais do que tempo de se acabar, com este acobertar de estranhos interesses, cujas intenções dissimulam propósitos inconfessáveis
3---- São reais as ameaças que periodicamente impendem sobre o mundo rural alentejano. A presente, uma estranha conjugação de interesses, numa igualmente estranha simultaneidade, mais parece um concertado cambão contra o qual nos temos que precaver. Teimando em considerar o montado uma floresta, na base do qual se alinham candidaturas aos fundos comunitários, nacionais e estrangeiros, isenções fiscais. etc., sempre em nome da uma pseudo defesa dos interesses regionais, outros arranjos se projectam Muito oportunamente um insípido estudo, tal como a cereja no cocuruto do bolo, vem funcionar como o justificativo que faltava. Em fileira, como tanto gostam, conhecidos donos de terras alentejanas, conluiados com espanhóis, adquirem o estatuto de exploradores florestais e, como tal, o respectivo certificado, que lhe confere a possibilidade de desferirem o golpe de misericórdia nas gentes rurais alentejanas È este o destino dos povos quando inseridos num todo nacional aonde as especificidades regionais não são entendidas. È este o destino de um povo que não consegue organizar-se na defesa dos seus valores.Francisco Pândega. (agricultor) E-mail—fjnpandega@hotmais.com; Bloco— www.alentejoagrorural.blogspot.com
E OS MONTADOS
1---- O Alentejo, região tão desejada se bem que vilipendiada, está a ser objecto de uma nova, mas muito sofisticada, forma de apropriação dos seu espaço rústico. Desta vez o álibi chama-se floresta. Convém lembrar, já no início deste escrito, que nós não temos florestas, na verdadeira acepção da palavra, mas sim montados. Estes, com características muito próprias, mais se assemelham a um pomar, se bem que rústico, mas mesmo assim não deixa de ter maiores afinidades com esse tipo de formação arbórea. Por muitas razões, uma das quais porque integrado no tradicional sistemas agro-silvo-pastoril, perfeitamente estabilizado, entre nós, e, agora, reacreditado por força da globalização. Nestas condições, o aparecimento de uma movimento pró florestas, que se propõe adquirir vastas áreas, coincidindo com um estudo universitário, muito vago e alheio a realidade regional, mais parece uma força concertada de ataque. Conhecidos grandes proprietários rurais, conluiados com espanhóis, aprestam-se a adquirirem montados fazendo crer, a incautos decisores, que de florestas vulgares se trata.
2---Mas não é nada disso. Enquanto que uma floresta ou um bosque, é uma formação arbórea composta por diversas espécies de arvores espontâneas, que coexistem no mesmo espaço, em perfeito equilíbrio entre si, o qual ,atingido o estádio de clímax , mantem-se nele indefinidamente sem a intervenção do homem. Já o montado, é formado por duas árvores da mesma família (azinheiras e sobreiros) cada qual em territórios separados só acontecendo sobreposição nas faldas ou em faixas ao longo das linhas de água. Ao contrário da floresta, não pode ser votado a si mesmo, antes sim, ser objecto de periódicas mobilizações do solo, de podas e desbastes. Em suma estar integrado no tradicional sistema agro-silvo-pastoril que nós tão bem sabemos fazer Daí que o aparecimento de interventores florestais, certamente funcionais em florestas autênticas, virem para os montados, é usar este para, de uma forma encapotado, se apoderarem do nosso espaço rústico, aliás já em avançado estado de aquisição.
a) ---- O montado é autóctone do Alentejo aonde, não obstante os maus-tratos que lhe têm sido infligidos, ainda constitui uma área considerável. Regenera espontaneamente, com maior ou menor dificuldade, em toda a região. Como uma dádiva do destino, somos o maior produtor mundial de cortiça sendo a nossa produção superior à dos restantes todos juntos. Pena é que, por razões politicas, não reverta minimamente em benefício da região produtora Para alem da cortiça, em que , em termos de receitas , é uma autêntico poço de petróleo, produz frutos (lande e bolota) lenha, rama e paisagem. Sendo, também, factor de estabilidade climática, funcionando como cortinas contra o vento e protecção dos solos contra a erosão. O Alentejo, sem montados tornar-se-ia, a breve trecho, numa paisagem lunar. Daí que defende-los, integrados nos sistemas agrícolas tradicionais, impõe-se-nos. Não é, porem, o que se vislumbra com estas medidas florestais Os montados têm passado por diversas vicissitudes ao longo dos últimos cento e cinquenta anos, tantos quantos a duração média de uma árvore e a idade do nosso sistema integrador l. Até aos meados do século XIX os montados estava dispersos pelo matagal. Muito decrépitos e de reduzida longevidade, ralos e combalidos, lá ia sobrevivendo, a muito custo, devido a concorrência dos arbustos De tempos a tempos eram varridos por enormes queimadas. Ressequidos e cobertos por musgos, ardiam como se fossem tochas. Foi nessa altura que se inventou a charrua vira-aiveca e se disciplinaram os sistemas agrícolas constituídos por afolhamentos e rotação de culturas, do qual resultaram os saudáveis e enormes montados, dos quais, os que restam hoje, não são mais do que uma pálida amostra daqueles de então.Nos anos trinta, do século passado, por força das campanhas cerealíferas, foram-lhe diminuídos os períodos de pousio, O ciclo anterior foi cortado e o declínio acentuou-se. No pós última grande guerra, com a introdução da mecanização, e até aos nossos dias, os montado têm sido seriamente molestados. Constata-se não só pela diminuição da área, em si, como ainda na pequena percentagem de árvores de substituição, com menos de meio século de idade, como ainda pelo seu estado geral de decrepitude
b) – A agricultura é perfeitamente compatível, senão mesmo indispensável , com a preservação dos montados. Para se entender esta afirmação é preciso que se perceba o comportamento /resposta do meio ás intervenções do homem. Por regra, um solo, com ou sem montado, que tenha estado submetido ao normal cultivo, se deixar de ser mobilizado, ao fim de sete anos (mais ou menos), começa progressivamente por desaparecer a erva, que por sua vez dá lugar aos arbustos, acabando estes por serem afectado pelos musgos Estes, plantas primárias e parasitária que cobrem de crostas o solo, empobrece-o e asfixia-o. Instala-se nas arvores parasitando-as, enfraquecendo-as, matando-as. O solo, compactado, torna-se impermeável à circulação da água e do ar provocando alterações físico-químicas que lhe reduzem a fertilidade. Nestas condições não há montado que resista. È o regresso aos tempos dos matagais inicialmente referidos Daí que a nossa experiência vá no sentido da mobilizarmos os solos com uma periodicidade media dos sete anos, variável de acordo com o seu tipo. Coincide com as podas das árvores (formação manutenção e rejuvenescimento conforme o estado vegetativo de cada uma delas). Depois da poda o chão fica coberto de folharascas que vão compensar a perda de fertilidade debaixo da copa.Com o chão desensombrado , a seara, sob o coberto, não difere da das abertas ou clareiras envolventes Nas águas novas é altura das sementeiras e, então ,raciocinamos assim: --- já que a capacidade do reaparecimento da erva está diminuída e porque foi feita a despesa do alqueive, já agora, convêm semea-la : ---- de cereais nas terras melhores, e de proteaginosas ou forragens nas terras mais fracas. Culturas essas que podem vir a ser ceifadas, para grão, se a resposta tiver sido boa; para fenar se se justificar, ou para o pastoreio directo nos restantes casos.Ou seja :-- os custos do alqueive, das fertilizações e das sementes, vão ser atribuídos aos cereais colhidos, gado, pastagens, montado, caça, protecção dos incêndios.Assim distribuídos os custos , já começa a fazer sentido a afirmação de que o Alentejo é totalmente agrícola, devendo ser arado e semeado de lés a lés. Afirmação, esta, que tantos engulhos causa a quem não percebe nada disto.
c) — Mas essa mobilização também é compatível com a emergência e manutenção de novas árvores de substituição. Como se disse, a terra volta a ser lavrada depois de sete anos após a última mobilização. Nesse entretanto nasceram e desenvolveram-se novas plantas algumas das quais , nesse período, podem atingir cerca de um metro de altura. É dever do tractorista contorna-las poupando aquelas cuja localização sirva para preencher clareiras ou que se encontrem junto de arvores envelhecidas visando a sua substituição. Era assim no tempo da lavoura de bois. Não só como forma de repovoamento do montado mas também porque , impedindo a charrua de embicar nas árvores, também se evitava que os animais não ficassem ariscos ou os trastes se partissem, o que acarretaria grandes trabalhos se fossemos de encontro delas. Com os tractores é o inverso . Andar a contornar as arvores é cansativo e desgasta a maquina . Pisa-las e deixa-las em fanicos dá menos trabalho e não há denuncia já que atrás só restam farripas soterradas. E uma das principais razões da decrepitude dos montados já que os trabalhos são sempre efectuados por trabalhadores e empreiteiros Ora ,estes , apercebendo-se de que e estão a gerar receitas para alguém , ausente, manter, algures, uma continuada espoliação regional, à falta de melhor é o montado é quem sofre. È a este facto , que ninguém gosta de abordar, uma das razões porque os montados alentejanos estão tão degradados. Daí que, pelo que atrás de expôs , a solução passa pelos trabalhos nos montados devam ser feitos por famílias de agricultores directos, estáveis, efectivos e livres. O Alentejo, porque não tem florestas, não é compatível com essa nova ordem florestal, que já se vislumbra no horizonte. Já é mais do que tempo de se acabar, com este acobertar de estranhos interesses, cujas intenções dissimulam propósitos inconfessáveis
3---- São reais as ameaças que periodicamente impendem sobre o mundo rural alentejano. A presente, uma estranha conjugação de interesses, numa igualmente estranha simultaneidade, mais parece um concertado cambão contra o qual nos temos que precaver. Teimando em considerar o montado uma floresta, na base do qual se alinham candidaturas aos fundos comunitários, nacionais e estrangeiros, isenções fiscais. etc., sempre em nome da uma pseudo defesa dos interesses regionais, outros arranjos se projectam Muito oportunamente um insípido estudo, tal como a cereja no cocuruto do bolo, vem funcionar como o justificativo que faltava. Em fileira, como tanto gostam, conhecidos donos de terras alentejanas, conluiados com espanhóis, adquirem o estatuto de exploradores florestais e, como tal, o respectivo certificado, que lhe confere a possibilidade de desferirem o golpe de misericórdia nas gentes rurais alentejanas È este o destino dos povos quando inseridos num todo nacional aonde as especificidades regionais não são entendidas. È este o destino de um povo que não consegue organizar-se na defesa dos seus valores.Francisco Pândega. (agricultor) E-mail—fjnpandega@hotmais.com; Bloco— www.alentejoagrorural.blogspot.com
15.3.06
Alentejo agro rural
E O
REORDENAMENTO DO ESPAÇO RÚSTICO
1----- Defender-se que as propriedades agrícolas ainda deveriam ser maiores , do que o que são, é revelador de uma grave ignorância ,senão mesmo uma maldade ou , porque não , a auto-defesa dos beneficiários desta clamorosa injustiça fundiária . A nossa mísera situação regional não pode ser atribuível nem a factores naturais nem humanos , mas sim a este anormal tipo de ocupação, por parte de uma oligarquia fundiária , que, para manter uma insultuosa opulência , coarcta impiedosamente o desenvolvimento regional .
Culpados? O estado somente . Isto porque, desde há mais de um século ,a esta parte , nos lançou numa cruel dependência dos donos da terra do que resultou numa grave perda de qualidade e de identidade dos nossos aldeãos .
2---O espaço rural Alentejo , porque desde há mais de um século está bloqueado , é um factor impeditivo do desenvolvimento rural , pouco contribuindo , como deveria e poderia , comparticipando do esforço nacional , para sair da crise Esta situação tem a origem pura e simplesmente numa estranha irracionalidade fundiária que aqui se perpetua estando na razão directa da insignificante produção agrícola em relação à possível ; a vida politica e consequentemente o debate de ideias estão extremadas ; o mau estar rural , do que resulta um injustificado êxodo , dificilmente explicável fora do contexto agro-fundiário .
a)---- A desproporção da dimensão da propriedade agrícola e a inexistência de explorações de média dimensão são questões que têm que ser rapidamente corrigidas sob pena do desenvolvimento agrícola e dos restantes sectores ,por arrastamento , jamais chegar a acontecer sob a nossa jurisdição.
A fórmula fundiária presente no Alentejo , comummente usada na colonização dos povos conquistados ,é absolutamente imprópria de uma nação europeia , inadequada á integração na nova ordem comercial imposta pelas regras da OCM
Quem não conheça , no terreno ,estas disparidades , é tentado a raciocinar assim :---- A superfície do Alentejo é de 30.000Km2 .Dividida por 40.000 agricultores dá uma média 0.75 Km2 ou seja 75 hectares , o que é excelente .Contudo a realidade é bem diferente . Cerca de 2000 sociedades agrícolas , detém uma media superior a mil hectares (algumas com cinco e dez mil ) e a restante área reparte-se por 38.000 pequenos agricultores que fenecem nas suas míseras courelas cuja área pouco vai alem dos dez . Explorações de media dimensão , que deveriam constituir a maioria e sobre as quais assentaria a economia agrária , são praticamente inexistentes. Na prática 80% do Alentejo é pertença de herdeiros , muitos dos quais não percebem nada disto , ou por especulares fundiários que fazem aplicações de capital . Os numeroso grupo de pequenos agricultores, sem área suficiente , procede a um sobre- aproveitamento absolutamente inviável em termos funcionais .
b)---- Esta anormalidade fundiária , também impede a necessária diversidade política já que , tal como está , faculta o aparecimento de uma demasiada presença de ideias colectivistas , impróprias de um mundo rural estável . Sabido que o solar dessas ideias são as cidades , aonde se concentra uma classe de pseudo- intelectuais sonhadores e irrealistas , ou nas periferias por entre uma classe operária sem horizontes , a sua presença , nos campos , indicia a existência de graves constrangimentos
As grandes explorações agrícolas , detidas por sociedades anónimas ,funcionam como kolkoses ao contrario. Já que o proprietário ,sócios e seus apaniguados sonham com um Le Pen e os restantes , criados indiferenciados , do género do quanto pior melhor . Essa experiência, tão bem conhecida de nós , tem dado maus resultados ,tanto no Alentejo como nos países de leste, e resulta ,em ambos os caso , da opressão fundiária .
É que , também aqui ,a atitude dum trabalhador da terra difere da de um operário . È atávico , entre nós , que a terra é pertença da comunidade ,para ser usada por quem a trabalhe . Isto vem do tempo em que a terra era cedida , por aforamento , a quem a trabalhasse sendo-lhe cassado esse direito , logo que o deixasse de fazer Assim, melhor se compreende que ,entre nós , perante uma grande herdade ou qualquer terra mal explorada , o exclamarmos “deveriam tirar-lha “
.c)--- O mundo rural que , por natureza , deveria ser o paradigma da estabilidade , da conservação das sãs formas de viver ; lugar para onde se regresse , em paz , para um aprazível período de sossego proporcionada pela bonomia do meio e até por um certo bucolismo repousante ; lugar aonde a família, não é palavra vã ; de estabilidade , onde os embates sociais , provenientes das cidades , se amortecessem e perdessem eficácia . Não, não é isso que acontece no Alentejo .Bem pelo contrário .O viver nos campos é símbolo de subserviência perante o poder fundiário .Enfim , lugar de onde se tem que debandar . Tal como está ,porque absolutamente injusto , é impróprio para o estabelecimento da indispensável comunidade rural, lacuna gravíssima , que está na origem de todos os nossos problemas inclusivamente a ameaça á nossa soberania .
Detido por sociedades agrícolas ,(mais de doze mil ) por cotas/acções , pode mudar de donos sem que nos apercebemos de tal . Podem , as gentes de determinada aldeia ,acordar com as terras envolventes a serem pertença de alguém das mais estranhas origens (de qualquer lado inclusivamente das montanhas do Afeganistão) e para os fins mais inconfessáveis .
Nós, todos, por meio dos nossos legais representantes , a nível regional ,e sem a interferência de outras regiões , não podemos continuar a ser marginados em relação aos destinos dos solos da nossa região .Nós , os guardiães deste espaço, que os nossos antepassados nos legaram , deveríamos ter meios , não só de avaliação de a quem se atribui a terra, como em relação ás quantidades necessárias para o exercício da actividade agrícola .
3. ---Sendo esta incongruência fundiária a responsável pela falta de produção , pela anomalia política e pelo mal estar rural ,que se espera para não se proceder ás necessárias correcções ?
Depois de bem analisada a questão fundiária regional ; as nossas obrigações para com a UE ; as reacções dos alienígenas que verem escapar-se-lhes o último El Dourado no mundo ; e a nova ordem agro-económica resultante da globalização . em meia dúzia de linhas e , eis ,em síntese , o produto da minha experiência neste domínio :----
------ Cessação imediata da venda e doação de solos rústicos ,a partir de uma certa dimensão (talvez alterar os indivisos) a quem não se enquadre no D.lei Nº186/86 ; definir a propriedade agrícola “tipo “ funcional , sendo a restante área considerada excedentária e, como tal , objecto de um imposto progressivo ; actualizar a lei do arrendamento rural , incorporando-lhe o extinto aforamento , com séculos de excelentes serviços entre nós.------
Só isto . Parece pouco .Mas chega muito bem .
Vistas bem as coisas , o que aqui se defende não é susceptível de controvérsia ,já que não se põe em causa a posse da terra mas tão só o seu uso; todos podem ficar com toda a terra que têm , simplesmente a que for para alem da considerada “ tipo” será objecto de um imposto .Podem haver queixas ao tribunal das comunidades ,tal como fizeram os ingleses em relação aos irlandeses, que esta , quando se trate de direitos das populações rurais ,não interfere ; A sua capacidade de agitação política é insignificante ,já que a generalidade da população vê nesse tipo de explorações ,insultuosamente grandes , a causa do estado depressivo da região . Que aleguem que “foi comprada com o meu dinheiro “!. Que fosse ! A comunidade rural local é que não lha deveria ter concedido em tais quantidades Trata-se tão só de repor a ordem numa questão que dura há cento e setenta anos a qual não deveria ter acontecido -- Francisco Pândega (agricultor) ;
e-mail:-- fjnpandega@hotmail.com ; Blog:-- alentejoagrorural.blogspot.com
E O
REORDENAMENTO DO ESPAÇO RÚSTICO
1----- Defender-se que as propriedades agrícolas ainda deveriam ser maiores , do que o que são, é revelador de uma grave ignorância ,senão mesmo uma maldade ou , porque não , a auto-defesa dos beneficiários desta clamorosa injustiça fundiária . A nossa mísera situação regional não pode ser atribuível nem a factores naturais nem humanos , mas sim a este anormal tipo de ocupação, por parte de uma oligarquia fundiária , que, para manter uma insultuosa opulência , coarcta impiedosamente o desenvolvimento regional .
Culpados? O estado somente . Isto porque, desde há mais de um século ,a esta parte , nos lançou numa cruel dependência dos donos da terra do que resultou numa grave perda de qualidade e de identidade dos nossos aldeãos .
2---O espaço rural Alentejo , porque desde há mais de um século está bloqueado , é um factor impeditivo do desenvolvimento rural , pouco contribuindo , como deveria e poderia , comparticipando do esforço nacional , para sair da crise Esta situação tem a origem pura e simplesmente numa estranha irracionalidade fundiária que aqui se perpetua estando na razão directa da insignificante produção agrícola em relação à possível ; a vida politica e consequentemente o debate de ideias estão extremadas ; o mau estar rural , do que resulta um injustificado êxodo , dificilmente explicável fora do contexto agro-fundiário .
a)---- A desproporção da dimensão da propriedade agrícola e a inexistência de explorações de média dimensão são questões que têm que ser rapidamente corrigidas sob pena do desenvolvimento agrícola e dos restantes sectores ,por arrastamento , jamais chegar a acontecer sob a nossa jurisdição.
A fórmula fundiária presente no Alentejo , comummente usada na colonização dos povos conquistados ,é absolutamente imprópria de uma nação europeia , inadequada á integração na nova ordem comercial imposta pelas regras da OCM
Quem não conheça , no terreno ,estas disparidades , é tentado a raciocinar assim :---- A superfície do Alentejo é de 30.000Km2 .Dividida por 40.000 agricultores dá uma média 0.75 Km2 ou seja 75 hectares , o que é excelente .Contudo a realidade é bem diferente . Cerca de 2000 sociedades agrícolas , detém uma media superior a mil hectares (algumas com cinco e dez mil ) e a restante área reparte-se por 38.000 pequenos agricultores que fenecem nas suas míseras courelas cuja área pouco vai alem dos dez . Explorações de media dimensão , que deveriam constituir a maioria e sobre as quais assentaria a economia agrária , são praticamente inexistentes. Na prática 80% do Alentejo é pertença de herdeiros , muitos dos quais não percebem nada disto , ou por especulares fundiários que fazem aplicações de capital . Os numeroso grupo de pequenos agricultores, sem área suficiente , procede a um sobre- aproveitamento absolutamente inviável em termos funcionais .
b)---- Esta anormalidade fundiária , também impede a necessária diversidade política já que , tal como está , faculta o aparecimento de uma demasiada presença de ideias colectivistas , impróprias de um mundo rural estável . Sabido que o solar dessas ideias são as cidades , aonde se concentra uma classe de pseudo- intelectuais sonhadores e irrealistas , ou nas periferias por entre uma classe operária sem horizontes , a sua presença , nos campos , indicia a existência de graves constrangimentos
As grandes explorações agrícolas , detidas por sociedades anónimas ,funcionam como kolkoses ao contrario. Já que o proprietário ,sócios e seus apaniguados sonham com um Le Pen e os restantes , criados indiferenciados , do género do quanto pior melhor . Essa experiência, tão bem conhecida de nós , tem dado maus resultados ,tanto no Alentejo como nos países de leste, e resulta ,em ambos os caso , da opressão fundiária .
É que , também aqui ,a atitude dum trabalhador da terra difere da de um operário . È atávico , entre nós , que a terra é pertença da comunidade ,para ser usada por quem a trabalhe . Isto vem do tempo em que a terra era cedida , por aforamento , a quem a trabalhasse sendo-lhe cassado esse direito , logo que o deixasse de fazer Assim, melhor se compreende que ,entre nós , perante uma grande herdade ou qualquer terra mal explorada , o exclamarmos “deveriam tirar-lha “
.c)--- O mundo rural que , por natureza , deveria ser o paradigma da estabilidade , da conservação das sãs formas de viver ; lugar para onde se regresse , em paz , para um aprazível período de sossego proporcionada pela bonomia do meio e até por um certo bucolismo repousante ; lugar aonde a família, não é palavra vã ; de estabilidade , onde os embates sociais , provenientes das cidades , se amortecessem e perdessem eficácia . Não, não é isso que acontece no Alentejo .Bem pelo contrário .O viver nos campos é símbolo de subserviência perante o poder fundiário .Enfim , lugar de onde se tem que debandar . Tal como está ,porque absolutamente injusto , é impróprio para o estabelecimento da indispensável comunidade rural, lacuna gravíssima , que está na origem de todos os nossos problemas inclusivamente a ameaça á nossa soberania .
Detido por sociedades agrícolas ,(mais de doze mil ) por cotas/acções , pode mudar de donos sem que nos apercebemos de tal . Podem , as gentes de determinada aldeia ,acordar com as terras envolventes a serem pertença de alguém das mais estranhas origens (de qualquer lado inclusivamente das montanhas do Afeganistão) e para os fins mais inconfessáveis .
Nós, todos, por meio dos nossos legais representantes , a nível regional ,e sem a interferência de outras regiões , não podemos continuar a ser marginados em relação aos destinos dos solos da nossa região .Nós , os guardiães deste espaço, que os nossos antepassados nos legaram , deveríamos ter meios , não só de avaliação de a quem se atribui a terra, como em relação ás quantidades necessárias para o exercício da actividade agrícola .
3. ---Sendo esta incongruência fundiária a responsável pela falta de produção , pela anomalia política e pelo mal estar rural ,que se espera para não se proceder ás necessárias correcções ?
Depois de bem analisada a questão fundiária regional ; as nossas obrigações para com a UE ; as reacções dos alienígenas que verem escapar-se-lhes o último El Dourado no mundo ; e a nova ordem agro-económica resultante da globalização . em meia dúzia de linhas e , eis ,em síntese , o produto da minha experiência neste domínio :----
------ Cessação imediata da venda e doação de solos rústicos ,a partir de uma certa dimensão (talvez alterar os indivisos) a quem não se enquadre no D.lei Nº186/86 ; definir a propriedade agrícola “tipo “ funcional , sendo a restante área considerada excedentária e, como tal , objecto de um imposto progressivo ; actualizar a lei do arrendamento rural , incorporando-lhe o extinto aforamento , com séculos de excelentes serviços entre nós.------
Só isto . Parece pouco .Mas chega muito bem .
Vistas bem as coisas , o que aqui se defende não é susceptível de controvérsia ,já que não se põe em causa a posse da terra mas tão só o seu uso; todos podem ficar com toda a terra que têm , simplesmente a que for para alem da considerada “ tipo” será objecto de um imposto .Podem haver queixas ao tribunal das comunidades ,tal como fizeram os ingleses em relação aos irlandeses, que esta , quando se trate de direitos das populações rurais ,não interfere ; A sua capacidade de agitação política é insignificante ,já que a generalidade da população vê nesse tipo de explorações ,insultuosamente grandes , a causa do estado depressivo da região . Que aleguem que “foi comprada com o meu dinheiro “!. Que fosse ! A comunidade rural local é que não lha deveria ter concedido em tais quantidades Trata-se tão só de repor a ordem numa questão que dura há cento e setenta anos a qual não deveria ter acontecido -- Francisco Pândega (agricultor) ;
e-mail:-- fjnpandega@hotmail.com ; Blog:-- alentejoagrorural.blogspot.com
26.2.06
Alentejo agrorural –
E O REGRESSO Á TERRA
l
BREVE CARACTERIZAÇÃO
AS COMUNIDADES RURAIS – as vítimas . O Alentejo agrorural , tendo em conta a velocidade com as terras estão transferidas para a posse de estrangeiros ,em menos de uma geração vai escapar-se da nossa influencia político –administrativa .
Deste desfecho catastrófico só de nós mesmos , e de mais ninguém , nos podemos queixar .Justificações ? não há . Só condenações .Já que a situação a que chegamos deve-se somente á nossa inépcia e falta de coragem para irradicar os factores que estão na origem deste desastre
--- Jamais nos podemos queixar do meio já que este é incrivelmente rico .A tal ponto que só a cortiça ( estou a falar da cortiça em bruto tal como cai da arvore ,e sem qualquer valor acrescentado ) aqui produzida , anualmente , daria para viabilizar os sonhos de uma região se dela fosse pertença . Porem , porque submetido á mais feroz rapina, se algum caso se investimento , nos campos , aqui foi feito , a partir dela , escapou a minha atenta observação . --- Nem sequer do homem alentajano , esse denodado trabalhador , simples , frugal e honesto que , desde há mais de um século, trabalha a sua terra ,ao serviço dos que dela se apossaram
Temos muitos defeitos , evidentemente . Mas , ao fim de tantos anos de submissão , não se pode exigir que sejamos melhores nem sequer diferentes Ao fim de tantos anos , perdemos a capacidade de luta e a noção do que está a acontecer ; perdemos a percepção de que as nossas esperanças , longamente acalentadas , estão a ficar perdidas ; perdemos a capacidade de avaliação da força da nossa razão .
Mas os povos , por vezes , surpreendem E , entre nós, por exemplo , basta que claudiquem aos apoios sociais , que nos mantêm em estado de hibernação , para que surjam forças onde parece terem sido extintas .Os estrangeiros têm disso mais experiência do que nós .Se calhar está aí a razão porque a aquisição do Alentejo não está ainda mais avançada .
a)--- A QUESTÃO FUNDIÁRIA --- Que se instalem em empresas comerciais industriais ou outras , estratégicas ou não , derivadas ou destinadas a agricultura , suprindo a nossa incapacidade , na matéria , do mal ao menos È o custo da nossa mediocridade agrícola . Mas entrar pelo nossos património fundiária aí já dói . Isso constitui ,está claramente provado , uma ameaça a nossa soberania Isso condiciona , se não mesmo inviabiliza , a nossa recuperação quando acordarmos ,quiçá tarde e a más horas , para o nossos problemas sócio-económico .
A raiz dos nossos problemas reside na questão fundiria As terras não estão a ser usadas tendo em conta os grandes desígnios regionais . Não estão a contribuir para a superação da crise que atravessamos .Não está a contribuir para :--- a produção de alimentos ,o bem estar social das populações ,o povoamento harmónico do território ,a preservação da soberania , entre outros . Ora estes desideratos não estão a ser conseguidos por parte da generalidade dos grandes proprietários rurais. Destoa abordar-se esta questão . Contudo , tem que ser assumida e tratada . Se olvidada o cerne do problema fica truncado .
Importa reconhecer que a classe de grandes proprietários , insignificantes numericamente , e de valia eleitoral desprezível ,detém , porem , um poder de manobra e uma influencia descomunal .Mal que se ponha em dúvida a sua eficácia ou a legitimidade dos direitos adquiridos , empertigam-se e clamando pelo sagrado direito a terra como se de uma agricultor directo , efectivo e participativo se tratasse Fá-lo com enorme desplanta mesmo até tendo , já no bolso, um contrato promessa de venda a algum espanhol
Nós, os descendentes dos extintos seareiros , subjugados, vilipendiados , expolidas e empobrecidos , despojados do acesso a terra de uma forma ignóbil , sabemos bem que por detrás desse estranho comportamento está subjacente o tradicional habito punitivo contra a indefesa comunidade rural tradicional
b)---- O FASCÍNIO PELOS ESTRANGEIROS --- Há uma questão que se designa por hospitalidade e boa vizinhança que é tradicional entre nós. Mas isso não é extensivo a alienação do nosso território .O dever para com os nossos antepassados e para os nossos descendentes impede-nos de alienar o nosso património espacial . E nisso , nós , a classe rural tradicional , somos particularmente sensíveis dado que , em relação a sua exclusão , somos portadores de amargas experiências
Que em Espanha seja tudo mais barato , mais livre , menos conflituoso , menos intervencionista, lá isso é verdade .Que o espanhol tenha um mais elevado nível de vida ,mais alegria de viver ,mais integração rural ,é certo . Mas isso não são razões para claudicar de inveja .Mas sim , e de acordo com a nossa especificidade regional , para arregaçar as mangas e fazer da nossa região um local aprazível que dê gosto viver nele .Nós somos capazes enquanto tivermos espaço de manobra ou seja terra .
Mas é connosco e não com agricultores estrangeiros Esses ao contrario do que se pretende fazer crer , não são exemplo de melhor integração agrícola mas sim de como se captam subsídios . Senão repare-se :--- O solar das vacas leiteiras ( frísias e holandesas ) é onde abunda a erva durante todo o ano o que não é o caso da nossa região ; os olivais, tendo em conta que na fronteira , uma tonelada de azeitona dá mais de duzentos litros de azeite e aqui , na peneplanície de Évora , dificilmente atinge os cem , pode-se concluir que , por alguma razão , os antigos se limitaram á enxertia dos zambujeiros e não á implantação de grandes olivais ; em relação á vinha , que tradicionalmente está integrada nos sistemas agrícolas em uso , devido á forma de implantação (não estou a falar da surriba ) deixou de existir a tradicional interacção , com os restantes ramos do sistema .
Há aqui muitos fundos comunitários aplicados na instalação que , em termos de verdade regional , poderiam ser poupados ; muita cópia do que se faz no estrangeiro e pouca experiência regional ;pouca articulação com os outros ramos da actividade agrícola como por exemplo o pastoreio de ovelhas entre Setembro e Março ; a falta de estratégia para o pós--quarenta anos que consiste em , antes que a vinha morra , o solo já esteja ocupado por oliveiras , nuns locais , e por montados , noutros
São desvios á vocação da região que nós, em termos de verdade agrícola , não praticaríamos .mas que seduzidos por estrangeirismo não nos atrevemos a reprovar
c)--FALANDO DE SOLUÇOES - A solução possível , neste apertado leque de condicionantes ,seria , se houvesse coragem política para tanto ,do seguinte teor :---- cessação imediata da transmissão da posse (só posse , não uso ) da propriedade rústica .O desenvolvimento da Irlanda , embora isso não se mencione sempre que se exalta o seu milagre económico , foi devido a uma atitude destas .Claro que nós não somos capazes .
Há ,porem , outras medidas intermédias , mais suaves , que não implicam alterações na posse da terra ( mexer na posse seria como faze-lo a um ninho de vespas de onde jamais se sairia) mas tão só o uso da considerada excedentária ,depois de definida a propriedade tipo .Essa parte excedentária ,objecto de taxas fiscais , seria atribuída de acordo com a legislação em vigor (decreto lei 158/89 ). E aí ,sim , seriam repescados os saberes regionais. Mas rapidamente , antes que se consume a nossa extinção dada a autentica razia a que estamos a alvo
E um assunto importante que iremos abordar em próximo escrito
Francisco Pândega (agricultor)
e-mail:-- fjnpandega@hotmail.comBlog:-- alentejoagrorural.blogspot.com
E O REGRESSO Á TERRA
l
BREVE CARACTERIZAÇÃO
AS COMUNIDADES RURAIS – as vítimas . O Alentejo agrorural , tendo em conta a velocidade com as terras estão transferidas para a posse de estrangeiros ,em menos de uma geração vai escapar-se da nossa influencia político –administrativa .
Deste desfecho catastrófico só de nós mesmos , e de mais ninguém , nos podemos queixar .Justificações ? não há . Só condenações .Já que a situação a que chegamos deve-se somente á nossa inépcia e falta de coragem para irradicar os factores que estão na origem deste desastre
--- Jamais nos podemos queixar do meio já que este é incrivelmente rico .A tal ponto que só a cortiça ( estou a falar da cortiça em bruto tal como cai da arvore ,e sem qualquer valor acrescentado ) aqui produzida , anualmente , daria para viabilizar os sonhos de uma região se dela fosse pertença . Porem , porque submetido á mais feroz rapina, se algum caso se investimento , nos campos , aqui foi feito , a partir dela , escapou a minha atenta observação . --- Nem sequer do homem alentajano , esse denodado trabalhador , simples , frugal e honesto que , desde há mais de um século, trabalha a sua terra ,ao serviço dos que dela se apossaram
Temos muitos defeitos , evidentemente . Mas , ao fim de tantos anos de submissão , não se pode exigir que sejamos melhores nem sequer diferentes Ao fim de tantos anos , perdemos a capacidade de luta e a noção do que está a acontecer ; perdemos a percepção de que as nossas esperanças , longamente acalentadas , estão a ficar perdidas ; perdemos a capacidade de avaliação da força da nossa razão .
Mas os povos , por vezes , surpreendem E , entre nós, por exemplo , basta que claudiquem aos apoios sociais , que nos mantêm em estado de hibernação , para que surjam forças onde parece terem sido extintas .Os estrangeiros têm disso mais experiência do que nós .Se calhar está aí a razão porque a aquisição do Alentejo não está ainda mais avançada .
a)--- A QUESTÃO FUNDIÁRIA --- Que se instalem em empresas comerciais industriais ou outras , estratégicas ou não , derivadas ou destinadas a agricultura , suprindo a nossa incapacidade , na matéria , do mal ao menos È o custo da nossa mediocridade agrícola . Mas entrar pelo nossos património fundiária aí já dói . Isso constitui ,está claramente provado , uma ameaça a nossa soberania Isso condiciona , se não mesmo inviabiliza , a nossa recuperação quando acordarmos ,quiçá tarde e a más horas , para o nossos problemas sócio-económico .
A raiz dos nossos problemas reside na questão fundiria As terras não estão a ser usadas tendo em conta os grandes desígnios regionais . Não estão a contribuir para a superação da crise que atravessamos .Não está a contribuir para :--- a produção de alimentos ,o bem estar social das populações ,o povoamento harmónico do território ,a preservação da soberania , entre outros . Ora estes desideratos não estão a ser conseguidos por parte da generalidade dos grandes proprietários rurais. Destoa abordar-se esta questão . Contudo , tem que ser assumida e tratada . Se olvidada o cerne do problema fica truncado .
Importa reconhecer que a classe de grandes proprietários , insignificantes numericamente , e de valia eleitoral desprezível ,detém , porem , um poder de manobra e uma influencia descomunal .Mal que se ponha em dúvida a sua eficácia ou a legitimidade dos direitos adquiridos , empertigam-se e clamando pelo sagrado direito a terra como se de uma agricultor directo , efectivo e participativo se tratasse Fá-lo com enorme desplanta mesmo até tendo , já no bolso, um contrato promessa de venda a algum espanhol
Nós, os descendentes dos extintos seareiros , subjugados, vilipendiados , expolidas e empobrecidos , despojados do acesso a terra de uma forma ignóbil , sabemos bem que por detrás desse estranho comportamento está subjacente o tradicional habito punitivo contra a indefesa comunidade rural tradicional
b)---- O FASCÍNIO PELOS ESTRANGEIROS --- Há uma questão que se designa por hospitalidade e boa vizinhança que é tradicional entre nós. Mas isso não é extensivo a alienação do nosso território .O dever para com os nossos antepassados e para os nossos descendentes impede-nos de alienar o nosso património espacial . E nisso , nós , a classe rural tradicional , somos particularmente sensíveis dado que , em relação a sua exclusão , somos portadores de amargas experiências
Que em Espanha seja tudo mais barato , mais livre , menos conflituoso , menos intervencionista, lá isso é verdade .Que o espanhol tenha um mais elevado nível de vida ,mais alegria de viver ,mais integração rural ,é certo . Mas isso não são razões para claudicar de inveja .Mas sim , e de acordo com a nossa especificidade regional , para arregaçar as mangas e fazer da nossa região um local aprazível que dê gosto viver nele .Nós somos capazes enquanto tivermos espaço de manobra ou seja terra .
Mas é connosco e não com agricultores estrangeiros Esses ao contrario do que se pretende fazer crer , não são exemplo de melhor integração agrícola mas sim de como se captam subsídios . Senão repare-se :--- O solar das vacas leiteiras ( frísias e holandesas ) é onde abunda a erva durante todo o ano o que não é o caso da nossa região ; os olivais, tendo em conta que na fronteira , uma tonelada de azeitona dá mais de duzentos litros de azeite e aqui , na peneplanície de Évora , dificilmente atinge os cem , pode-se concluir que , por alguma razão , os antigos se limitaram á enxertia dos zambujeiros e não á implantação de grandes olivais ; em relação á vinha , que tradicionalmente está integrada nos sistemas agrícolas em uso , devido á forma de implantação (não estou a falar da surriba ) deixou de existir a tradicional interacção , com os restantes ramos do sistema .
Há aqui muitos fundos comunitários aplicados na instalação que , em termos de verdade regional , poderiam ser poupados ; muita cópia do que se faz no estrangeiro e pouca experiência regional ;pouca articulação com os outros ramos da actividade agrícola como por exemplo o pastoreio de ovelhas entre Setembro e Março ; a falta de estratégia para o pós--quarenta anos que consiste em , antes que a vinha morra , o solo já esteja ocupado por oliveiras , nuns locais , e por montados , noutros
São desvios á vocação da região que nós, em termos de verdade agrícola , não praticaríamos .mas que seduzidos por estrangeirismo não nos atrevemos a reprovar
c)--FALANDO DE SOLUÇOES - A solução possível , neste apertado leque de condicionantes ,seria , se houvesse coragem política para tanto ,do seguinte teor :---- cessação imediata da transmissão da posse (só posse , não uso ) da propriedade rústica .O desenvolvimento da Irlanda , embora isso não se mencione sempre que se exalta o seu milagre económico , foi devido a uma atitude destas .Claro que nós não somos capazes .
Há ,porem , outras medidas intermédias , mais suaves , que não implicam alterações na posse da terra ( mexer na posse seria como faze-lo a um ninho de vespas de onde jamais se sairia) mas tão só o uso da considerada excedentária ,depois de definida a propriedade tipo .Essa parte excedentária ,objecto de taxas fiscais , seria atribuída de acordo com a legislação em vigor (decreto lei 158/89 ). E aí ,sim , seriam repescados os saberes regionais. Mas rapidamente , antes que se consume a nossa extinção dada a autentica razia a que estamos a alvo
E um assunto importante que iremos abordar em próximo escrito
Francisco Pândega (agricultor)
e-mail:-- fjnpandega@hotmail.comBlog:-- alentejoagrorural.blogspot.com
15.1.06
Alentejo agrorural
e a
MÃE REGIÃO
1---- Quando propuseram, ao chefe índio de Seatle ,a compra das suas terras , ele respondeu com irredutível altivez :-- mas a terra é mãe e a mãe não se vende .
Nas minhas deambulações por outros continentes e, nestes, por diversas paragens , na observação da relação homem/terra , e até na participação directa dos seus “mundos rurais “ é assim ,como disse o índio americano ,em todo o lado .Excepto no nosso Alentejo que está sendo objecto de uma excessiva colonização por parte de estrangeiros .
Isto vem a propósito da celeuma em volta da questão da electricidade .
Que outros sectores de actividade , estratégicos ou não , sejam adquiridos por estrangeiros quem sou eu (, um simples servo da gleba ),para me pronunciar a favor ou contra ? Outros o farão , quiçá , com mais propriedade . Porem ,quando se trate da alienação do nosso espaço físico , (a terra ) este chão sagrado que nos foi legado pelas nossos antepassados , lá a isso oponho-me terminantemente com argumentos validos e irrebatíveis
O facto do sector energético estar a ser adquirido pelos espanhóis está a fazer-nos despertar daquilo que parece ser uma longa sonolência Pena é que jamais tenha havido idêntica postura perante o facto de uma considerável fatia do Alentejo ,junto a fronteira da Extremadura , estar a ser incorporada na economia vizinha .Há aqui uma clara inversão de valores que , no mínimo , traduzem uma preocupante decrepitude moral e um perigosíssimo laxismo na avaliação ,preservação e defesa dos nossos interesses básicos .
Quanto a mim , podem perder-se essas empresas que nem tudo fica perdido . Mantenhamos , porem , o nosso espaço regional certos de que , sobre ele e com gente determinada , ergueremos outras . Sem espaço e com gente acomodada espera-nos a subserviência abjecta , a outros poderes ; limitações de acção ; partilha de rendimentos ; extinção desta nossa comunidade rural milenar Em suma entramos para a galeria dos povos que se deixaram vencer e extinguir .Ou seja a geração /vergonha ao fim de um milénio de nacionalidade
2----- A terra não pode ser vendida como se de um objecto descartável se tratasse . Deve ser , sim, detida pelos melhores de entre nós que lhe dêem o devido uso .
Na actual situação, em que se vive numa autêntica paranóia pela captura de investimentos ,a venda do Alentejo está a ser uma fonte receitas .Só possível , porem , devida a esta confrangedora abulia da comunidade rural local .Venda essa que , ,sendo legal ,nem por isso deixa de ser eticamente imoral. Isto só é possível por ter havido previamente o cuidado de tonar inoperacional as suas gentes
Ha razões do passado recente que levam a comunidade rural tradicional a abominar os campos . Foram cento e setenta anos de servidão inqualificável , de perda de identidade , de exclusão e maus tratos .O doce sabor que dimana do facto de ter terra e de nela exercer a actividade digna que lhe está implícita , com orgulho e grandeza de alma , foi-nos esbulhado . A existência de uma forma de estar no mundo rural , com seus diversos equilíbrios , foi apagada . E os campos , que deveriam ser um meio de manter em paz e sossego uma boa percentagem da população ; que deveriam ser como que a almofada que amortecesse os choque sociais gerados nas cidades ; que deveriam ser a fonte aonde fossemos beber identidade e regionalidade , perderam essa função . Daí sermos o que somos :-- uma presa fácil de abutres endinheirados que nos expoliam indecorosamente
Efectivamente a terra ´e mãe que nos alimenta que nos alimenta a mata a sede ; é espaço e refrigérios nossos movimentos ,onde logramos espairecer . Mas há uma condição :-- temos de merece-la e isso passa por preserva-la em nossas mãos , consciente de que ao faze-lo estamos a honrar os nossos antepassados e a passar á geração seguinte o nossos testemunho identitário
2.a)—Em parte alguma do mundo é possível processar-se ,assim pacífica , tal como acontece no Alentejo . Cada povo encontra as fórmulas necessárias e suficientes para obstar a ocupação do seu território
---No Brasil ,depois de comprar legalmente uma propriedade agrícola, pode perfeitamente acontecer ,algum tempo depois , aparecer alguém , acompanhado por um capanga convenientemente armado , reivindicando a sua posse ;
---em África , nós , os que fomos agricultores por lá , sabemos , por amarga experiência , que os constantes vandalismos impedem a permanência na actividade já que a terra é pertença comunitária a nível clânico , sendo objecto de permanentes reivindicações ;
--- o desenvolvimento da Irlanda deve-se á substituição dos latifúndios ingleses por agricultores locais ,circunstancia que foi decisiva mas nunca é mencionada ao analisar-se o seu fulgurante sucesso económico ;
--- na Europa , aonde estamos integrados , enquanto os nossos parceiros estão sistematicamente a comprar o Alentejo ,não há a menor reciprocidade em relação aos nossos emigrantes Não porque não seja legal mas tão só porque é pura e simplesmente impossível .
2.b)— Nós , no Alentejo , com as portas escancaradas de par em par, anuimos ,sem o menor sinal de inconformidade , á sua compra como se estivéssemos em saldo .
O Alentejo deve ser o único lugar do mundo aonde alguém , sem que sequer tenha havido o cuidado prévio de se saber quem é , quais os seu propósitos ou sequer a capacidade de integração na comunidade rural regional , pode comprar uma vasta área agrícola (não estou a falar de quintas ou pequenos espaços de recreio , residência ou espairecimento ) , confinante a uma aldeia ,cerca-la com solidas cercas de rede e arame farpado , acantonando assim as gentes que ficam impedidas de aceder aos locais de tradição. Resta-lhes a ligação das ás estradas que os levam na demanda da emigração , de trabalho para outras paragens Isto acontece em oitenta por cento do Alentejo .Parece incrível mas é verdade
Pelo que atrás se disse conclui-se que é ás populações rurais quem compete defender o seus espaço rural , nas suas múltiplas vertentes Que foi um êrro ,que se está apagar caro , terem-nos compelido a ser bem comportadinhos , obedientes e reverentes , de tal forma que , face a um estado manietado pelos acordos de livre estabelecimento , seríamos nós a indispensável força supletiva ,com legitimidade acrescida, que colmatasse as insuficiências do estado nesta matéria Não é isso que acontece .E isso está a ter um preço muito elevado
2.c)--- Até mesmo , entre nós , a tradição não é de venda de terra . As terras eram conquistadas pelos reis e ordens religiosas , que as mantinham como forma de engrandecimento pessoal .As gentes das aldeias tinham o seu quinhão em courelas que lhe eram cedidas pela forma de aforamento ou enfiteuse e a parte dos baldios comunitários de onde eram retirados sesmos sempre que se fizesse notar a falta de terra .Terra essa que , segundo a tradição , era pertença de quem a trabalhasse Não podia se alienada e era-lhe cassado o foro sempre que não cumprisse as condições da concessão
A extinção dos foros e o esbulho dos baldios ,na ultima metade do século XlX ,foi uma terrível machadada disferida no homem do Alentejo da qual até hoje não se recuperou
A instalação de uma classe de donos de terras que se apossou simultaneamente das terras , dos órgãos administrativos especialmente das abundantes forças da ordem , fizeram o resto
2.d)--- Lembro-me , no após a ultima guerra mundial , gaiato ainda , sentado no rabanejo da charrua , enquanto as bestas faziam uma aguada , comentar , com outros rapazes da minha igualha e olhando para a autentica muralha constituída pela cintura envolvente de grandes herdades , cujos donos eram gente absolutamente estranha , aonde , trabalhávamos até á exaustão., na qualidade de seareiros .Frugais , simples , empobrecidos , a um nível que hoje não se faz a menor ideia , não conseguíamos produzir o suficiente para alimentar a luxuria dos donos das terras .
Conscientes da injustiça que nos vitimava , era comummente aceite , entre nós , que , nem que fosse pela força do tempo , eles não se aguentariam e seriamos nós , os autóctones rurais ,que trabalhávamos nessas terras , na qualidade de seareiros(repito) , os continuadores , mas então libertos de tão inumana suserania. Isto baseado no facto de na vizinha Espanha (que fica a poucos quilómetros da aldeia) depois da guerra civil , uma dúzia de anos antes, terem , os seareiros das herdades , continuado nas mesmas terras ,mais tarde concedidas depois de expurgadas dos factores parasitários Estávamos convencidos que , em relação a nós , mais tarde ou mais cedo aconteceria uma reforma análoga Também a Espanha , muito antes da Irlanda , deve igualmente o seu desenvolvimento a uma política fundiária coerente
2.e)--- .Ao regressar a Portugal , uns anos após o revolução de Abril , constato que o nosso prognostico , de há trinta anos , na atrás citada conferencia em volta da charrua , se havia cumprido .Certos de que a opção pelo colectivismo era um acidente que não podia ter continuidade , entre nós , estava aberto o caminho mais difícil para trazer paz e produtividade e dignidade aos campos alentejanos O destino ,mais uma vez , foi irónico .A seguir a 1986 , fez-se um estranho recuou , para o pior ,se pior possa ser possível , do antes da revolução .
Agora que os fundos comunitários começam a ser aplicados mais parcimoniosamente , o nosso prognostico ,de meio século antes ,parecia que se iria cumprir .Senão quando , mais uma traiçoeira curva da história , duas gerações depois , vemos a transferencia da terra ,passando por sobre as nossas cabeças , e cair no regaço dos bem financiados espanhóis . È preciso ter azar .
3--- É este o Alentejo de hoje Ficaram ,em muitos de nós , lindos sonhos transformados em desilusões .Sonhos tão infantilmente acalentados , em volta de uma charrua , por uns tantos jovens ,imberbes e idealistas , que desconheciam que tinha de enfrentar uma força numericamente insignificante , mas imensamente poderosa
O Alentejo agrícola está definitivamente perdido para nós .Não faz mal ,dirão alguns . Outros , quaisquer que venham ,seja lá de onde for , é impossível que sejam piores do que estes que cá estão Mas isso é uma falsificação do problema .Nós não nascemos para sermos serventuários na nossa terra , mas sim para dete-la e com base nela exercermos ,em pleno ,o direito ao nosso regionalismo
Tal como está , na actual fase de grande mobilidade das gentes e mercadorias ,pode perfeitamente acontecer que vastas parcelas do Alentejo sejam possuídas por alguém ,com sede algures em Espanha , de onde parte administração , os trabalhadores e os factores de produção e para onde vai a produção aqui gerada ; para onde vão de férias, os doentes curarem-se , as mulheres procriar mantendo a nacionalidade ; outros morrer .Parcelas do Alentejo acabarão por ser uma feitoria fazendo parte integrante de um território estrangeiro , com parcelas descontinuas ,
O nosso negro destino , tal como o dos índios de Seatle , está traçado . Simplesmente porque , tal como o seu chefe disse ,também nós não fomos capazes de considerar que a terra é mãe e , como tal, defende-la
A não ser que ,------ - ( já que em nossas veias corre o sangue dos povoadores de 1375 que , por força da lei das Sesmarias , travaram o passo ás sucessivas investidas dos belicosos espanhóis fronteiriços ; dos que , dez anos depois , foram recrutados para Aljubarrota ; dos que , depois de 1640 , desbarataram , as sucessivas invasões que se lhe seguiram ; dos que , nos meados do século XIX , fizeram do Alentejo o celeiro de Portugal ----) a não ser que , como se disse atrás , haja um milagre e esse gesta nos volte a correr nas veias despertando-nos desta letargia .
FRANCISCO PÃNDEGA(agricultor )
e-mail:-- fjnpandega@hotmail.com
Blog:-- alentejoagrorural .blogspot,com
e a
MÃE REGIÃO
1---- Quando propuseram, ao chefe índio de Seatle ,a compra das suas terras , ele respondeu com irredutível altivez :-- mas a terra é mãe e a mãe não se vende .
Nas minhas deambulações por outros continentes e, nestes, por diversas paragens , na observação da relação homem/terra , e até na participação directa dos seus “mundos rurais “ é assim ,como disse o índio americano ,em todo o lado .Excepto no nosso Alentejo que está sendo objecto de uma excessiva colonização por parte de estrangeiros .
Isto vem a propósito da celeuma em volta da questão da electricidade .
Que outros sectores de actividade , estratégicos ou não , sejam adquiridos por estrangeiros quem sou eu (, um simples servo da gleba ),para me pronunciar a favor ou contra ? Outros o farão , quiçá , com mais propriedade . Porem ,quando se trate da alienação do nosso espaço físico , (a terra ) este chão sagrado que nos foi legado pelas nossos antepassados , lá a isso oponho-me terminantemente com argumentos validos e irrebatíveis
O facto do sector energético estar a ser adquirido pelos espanhóis está a fazer-nos despertar daquilo que parece ser uma longa sonolência Pena é que jamais tenha havido idêntica postura perante o facto de uma considerável fatia do Alentejo ,junto a fronteira da Extremadura , estar a ser incorporada na economia vizinha .Há aqui uma clara inversão de valores que , no mínimo , traduzem uma preocupante decrepitude moral e um perigosíssimo laxismo na avaliação ,preservação e defesa dos nossos interesses básicos .
Quanto a mim , podem perder-se essas empresas que nem tudo fica perdido . Mantenhamos , porem , o nosso espaço regional certos de que , sobre ele e com gente determinada , ergueremos outras . Sem espaço e com gente acomodada espera-nos a subserviência abjecta , a outros poderes ; limitações de acção ; partilha de rendimentos ; extinção desta nossa comunidade rural milenar Em suma entramos para a galeria dos povos que se deixaram vencer e extinguir .Ou seja a geração /vergonha ao fim de um milénio de nacionalidade
2----- A terra não pode ser vendida como se de um objecto descartável se tratasse . Deve ser , sim, detida pelos melhores de entre nós que lhe dêem o devido uso .
Na actual situação, em que se vive numa autêntica paranóia pela captura de investimentos ,a venda do Alentejo está a ser uma fonte receitas .Só possível , porem , devida a esta confrangedora abulia da comunidade rural local .Venda essa que , ,sendo legal ,nem por isso deixa de ser eticamente imoral. Isto só é possível por ter havido previamente o cuidado de tonar inoperacional as suas gentes
Ha razões do passado recente que levam a comunidade rural tradicional a abominar os campos . Foram cento e setenta anos de servidão inqualificável , de perda de identidade , de exclusão e maus tratos .O doce sabor que dimana do facto de ter terra e de nela exercer a actividade digna que lhe está implícita , com orgulho e grandeza de alma , foi-nos esbulhado . A existência de uma forma de estar no mundo rural , com seus diversos equilíbrios , foi apagada . E os campos , que deveriam ser um meio de manter em paz e sossego uma boa percentagem da população ; que deveriam ser como que a almofada que amortecesse os choque sociais gerados nas cidades ; que deveriam ser a fonte aonde fossemos beber identidade e regionalidade , perderam essa função . Daí sermos o que somos :-- uma presa fácil de abutres endinheirados que nos expoliam indecorosamente
Efectivamente a terra ´e mãe que nos alimenta que nos alimenta a mata a sede ; é espaço e refrigérios nossos movimentos ,onde logramos espairecer . Mas há uma condição :-- temos de merece-la e isso passa por preserva-la em nossas mãos , consciente de que ao faze-lo estamos a honrar os nossos antepassados e a passar á geração seguinte o nossos testemunho identitário
2.a)—Em parte alguma do mundo é possível processar-se ,assim pacífica , tal como acontece no Alentejo . Cada povo encontra as fórmulas necessárias e suficientes para obstar a ocupação do seu território
---No Brasil ,depois de comprar legalmente uma propriedade agrícola, pode perfeitamente acontecer ,algum tempo depois , aparecer alguém , acompanhado por um capanga convenientemente armado , reivindicando a sua posse ;
---em África , nós , os que fomos agricultores por lá , sabemos , por amarga experiência , que os constantes vandalismos impedem a permanência na actividade já que a terra é pertença comunitária a nível clânico , sendo objecto de permanentes reivindicações ;
--- o desenvolvimento da Irlanda deve-se á substituição dos latifúndios ingleses por agricultores locais ,circunstancia que foi decisiva mas nunca é mencionada ao analisar-se o seu fulgurante sucesso económico ;
--- na Europa , aonde estamos integrados , enquanto os nossos parceiros estão sistematicamente a comprar o Alentejo ,não há a menor reciprocidade em relação aos nossos emigrantes Não porque não seja legal mas tão só porque é pura e simplesmente impossível .
2.b)— Nós , no Alentejo , com as portas escancaradas de par em par, anuimos ,sem o menor sinal de inconformidade , á sua compra como se estivéssemos em saldo .
O Alentejo deve ser o único lugar do mundo aonde alguém , sem que sequer tenha havido o cuidado prévio de se saber quem é , quais os seu propósitos ou sequer a capacidade de integração na comunidade rural regional , pode comprar uma vasta área agrícola (não estou a falar de quintas ou pequenos espaços de recreio , residência ou espairecimento ) , confinante a uma aldeia ,cerca-la com solidas cercas de rede e arame farpado , acantonando assim as gentes que ficam impedidas de aceder aos locais de tradição. Resta-lhes a ligação das ás estradas que os levam na demanda da emigração , de trabalho para outras paragens Isto acontece em oitenta por cento do Alentejo .Parece incrível mas é verdade
Pelo que atrás se disse conclui-se que é ás populações rurais quem compete defender o seus espaço rural , nas suas múltiplas vertentes Que foi um êrro ,que se está apagar caro , terem-nos compelido a ser bem comportadinhos , obedientes e reverentes , de tal forma que , face a um estado manietado pelos acordos de livre estabelecimento , seríamos nós a indispensável força supletiva ,com legitimidade acrescida, que colmatasse as insuficiências do estado nesta matéria Não é isso que acontece .E isso está a ter um preço muito elevado
2.c)--- Até mesmo , entre nós , a tradição não é de venda de terra . As terras eram conquistadas pelos reis e ordens religiosas , que as mantinham como forma de engrandecimento pessoal .As gentes das aldeias tinham o seu quinhão em courelas que lhe eram cedidas pela forma de aforamento ou enfiteuse e a parte dos baldios comunitários de onde eram retirados sesmos sempre que se fizesse notar a falta de terra .Terra essa que , segundo a tradição , era pertença de quem a trabalhasse Não podia se alienada e era-lhe cassado o foro sempre que não cumprisse as condições da concessão
A extinção dos foros e o esbulho dos baldios ,na ultima metade do século XlX ,foi uma terrível machadada disferida no homem do Alentejo da qual até hoje não se recuperou
A instalação de uma classe de donos de terras que se apossou simultaneamente das terras , dos órgãos administrativos especialmente das abundantes forças da ordem , fizeram o resto
2.d)--- Lembro-me , no após a ultima guerra mundial , gaiato ainda , sentado no rabanejo da charrua , enquanto as bestas faziam uma aguada , comentar , com outros rapazes da minha igualha e olhando para a autentica muralha constituída pela cintura envolvente de grandes herdades , cujos donos eram gente absolutamente estranha , aonde , trabalhávamos até á exaustão., na qualidade de seareiros .Frugais , simples , empobrecidos , a um nível que hoje não se faz a menor ideia , não conseguíamos produzir o suficiente para alimentar a luxuria dos donos das terras .
Conscientes da injustiça que nos vitimava , era comummente aceite , entre nós , que , nem que fosse pela força do tempo , eles não se aguentariam e seriamos nós , os autóctones rurais ,que trabalhávamos nessas terras , na qualidade de seareiros(repito) , os continuadores , mas então libertos de tão inumana suserania. Isto baseado no facto de na vizinha Espanha (que fica a poucos quilómetros da aldeia) depois da guerra civil , uma dúzia de anos antes, terem , os seareiros das herdades , continuado nas mesmas terras ,mais tarde concedidas depois de expurgadas dos factores parasitários Estávamos convencidos que , em relação a nós , mais tarde ou mais cedo aconteceria uma reforma análoga Também a Espanha , muito antes da Irlanda , deve igualmente o seu desenvolvimento a uma política fundiária coerente
2.e)--- .Ao regressar a Portugal , uns anos após o revolução de Abril , constato que o nosso prognostico , de há trinta anos , na atrás citada conferencia em volta da charrua , se havia cumprido .Certos de que a opção pelo colectivismo era um acidente que não podia ter continuidade , entre nós , estava aberto o caminho mais difícil para trazer paz e produtividade e dignidade aos campos alentejanos O destino ,mais uma vez , foi irónico .A seguir a 1986 , fez-se um estranho recuou , para o pior ,se pior possa ser possível , do antes da revolução .
Agora que os fundos comunitários começam a ser aplicados mais parcimoniosamente , o nosso prognostico ,de meio século antes ,parecia que se iria cumprir .Senão quando , mais uma traiçoeira curva da história , duas gerações depois , vemos a transferencia da terra ,passando por sobre as nossas cabeças , e cair no regaço dos bem financiados espanhóis . È preciso ter azar .
3--- É este o Alentejo de hoje Ficaram ,em muitos de nós , lindos sonhos transformados em desilusões .Sonhos tão infantilmente acalentados , em volta de uma charrua , por uns tantos jovens ,imberbes e idealistas , que desconheciam que tinha de enfrentar uma força numericamente insignificante , mas imensamente poderosa
O Alentejo agrícola está definitivamente perdido para nós .Não faz mal ,dirão alguns . Outros , quaisquer que venham ,seja lá de onde for , é impossível que sejam piores do que estes que cá estão Mas isso é uma falsificação do problema .Nós não nascemos para sermos serventuários na nossa terra , mas sim para dete-la e com base nela exercermos ,em pleno ,o direito ao nosso regionalismo
Tal como está , na actual fase de grande mobilidade das gentes e mercadorias ,pode perfeitamente acontecer que vastas parcelas do Alentejo sejam possuídas por alguém ,com sede algures em Espanha , de onde parte administração , os trabalhadores e os factores de produção e para onde vai a produção aqui gerada ; para onde vão de férias, os doentes curarem-se , as mulheres procriar mantendo a nacionalidade ; outros morrer .Parcelas do Alentejo acabarão por ser uma feitoria fazendo parte integrante de um território estrangeiro , com parcelas descontinuas ,
O nosso negro destino , tal como o dos índios de Seatle , está traçado . Simplesmente porque , tal como o seu chefe disse ,também nós não fomos capazes de considerar que a terra é mãe e , como tal, defende-la
A não ser que ,------ - ( já que em nossas veias corre o sangue dos povoadores de 1375 que , por força da lei das Sesmarias , travaram o passo ás sucessivas investidas dos belicosos espanhóis fronteiriços ; dos que , dez anos depois , foram recrutados para Aljubarrota ; dos que , depois de 1640 , desbarataram , as sucessivas invasões que se lhe seguiram ; dos que , nos meados do século XIX , fizeram do Alentejo o celeiro de Portugal ----) a não ser que , como se disse atrás , haja um milagre e esse gesta nos volte a correr nas veias despertando-nos desta letargia .
FRANCISCO PÃNDEGA(agricultor )
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