AlentejoAgroRural
A CRISE numa perspectiva agrária
1----Inimaginável até há bem pouco ,estamos confrontados com uma crise económico /financeira cujos efeitos ,contornos e duração ninguém sabe prever . Profunda , abrangente e preocupante , a qual , a prolongar-se por muito tempo ,pode vir a inquinar a paz social pela via mais gravosa :-- escassez de alimentos . Isto porque , não obstante termos o AlentejoAgroRural com colossais potencialidades agrícolas , capaz de ,só por si , alimentar o pais e anular o desemprego ,não o fazemos pura e simplesmente por “não saber por onde lhe pegar “ ou então , o que é pior , para não bulir com os poderosos interesses instalados que estão a tornar cada vez mais longínqua a possibilidade de reabilitação da agro-ruralidade regional e ,com isso , a superação da crise .
.Estou certo de que a presente crise ultrapassar-se-ia , mais facilmente e sem danos de maior , se o AlentejoAgroRural , com base na sua dimensão , vocação agrícola e com o que resta da sua comunidade rural residente , lhes fosse permitido porem-se ao serviço do desenvolvimento sócio/económico regional .Tal com estamos ,enredados nas malhas de direitos adquiridos , as mais das vezes de duvidosa legitimidade , resultam distorções agro-fundiários gritantes Daí a razão porque a nossa produção se quede nos 50%das nossa necessidades , o despovoamento seja algo angustiante e o desemprego , mais que uma preocupação ,uma ameaça latente .
2--- Inicialmente de âmbito financeiro , já está a afectar a economia e ,desta, a transitar para o sector social havendo já afloramentos contestatários e um aumento de casos de fome e incapacidade de aquisição dos bens essenciais .Está claramente naquele ponto em que ou se actua rapidamente e em força ou fica-se expectante e começa a fazer-se tarde O actuar significa trazer para a usufruição da economia os recursos latentes , de uma forma regionalizada e, na região, sector a sector
Compreende-se melhor dando exemplos :-- .A crise da industria têxtil do Vale do Ave , dos vinhedos do Douro ,ou dos empregados fabris de Lisboa ,sendo diferente do das searas , montados e rebanhos de gado do Alentejo ,terão que ter soluções diferentes .A solução bancária preconizada pelos EUA ou pela GB ,países com interesses comerciais em todo o mundo podem não ser a nossa prioridade ; a França ,ás voltas com a sua industria automóvel ou a Espanha a digerir os excessos na construção civil , têm problemas que não os nossos ou são-no em escala menor Contrastando como esses países , que tem os respectivos mundos rurais sólidos e funcionais , com excedentes de produção e suficientemente estáveis para suportar , sem titubear , os reboliços com origem nas grandes urbes , nós , nesse domínio , somos os que pode designar por uma lastima Daí ser por ai que se tem que começar .Só assim se podem despoletar as colossais potencialidades agro/alimentares que aqui jazem assim como a empregabilidade que pode multiplicar, por muitos , a existente
Produzindo somente de 50% das necessidades alimentares e endividados com certa gravidade , por este andar estamos sujeitos a faltarem-nos euros para comprar os viveres , que nos faltam , no mercado internacional . Sem bens como elementos de troca , podemos vir a ser convidados a abdicar de parte da nossa soberania regional ou então, na mão estendida , trazer , de volta , a fabula da “formiga e a cigarra”.
3---Estamos numa época caracterizada pela aglomeração das regiões , em grandes blocos de interesses , sendo a UE um deles Mas essa forma federativa de vida é-a somente em sectores mais altos da administração (finanças , negócios estrangeiros ,defesa ,entre outros ) .Jamais ao nível das comunidades rurais e do uso do respectivos espaço rústicos Esta é uma questão em que ninguém toca já que se pressupõe que ela o produtos de uma organização consolidada em liberdade .Não é porem , esse ,o nossos caso já que a questão fundiária vigente é a resultante de uma ocupação com cerca de dois séculos e só se mantém porque estamos politicamente dependentes de um norte mais populoso e de uma continuada anulação da comunidade rural autóctone Assim se compreende a transferência de largas porções de espaço , para uma diáspora de interesses estrangeiros , sem que suscite a menor contestação
.As crises tambem servem para corrigir os constrangimentos que lhes deram origem Daí ser fundamental que o nosso espaço rústico seja liberto de suseranias e desimpedindo de empecilhos afim de que , com as gentes residentes , possamos processar as suas multifuncionalidades que o mesmo será dizer a persecução dos superiores desígnios regionais .É com base nele ( o nosso mundo rural )que iremos arribar .Sem ele estamos condenados a ser párias ,na nossa própria terra, até á nossa extinção .Quanto a mim , que já passei por ser apátrida em território estrangeiro ,não aceito voltar a sê-lo na terra que me viu nascer Em liberdade, ou melhor , liberto de factores condicionantes que limitam a acção das comunidade rurais ,sem os interventores parasitários do costume , apossa-se das gentes rurais um frenesim laboral (podem crer que sei do que falo por experiencia própria ) que leva a vencer obstáculos antes inimagináveis Para o Alentejo ,o despoletar de tal atitude , é um problema de estado já que tem sido este , ao longo de sucessivas gerações ,o responsável por esta perigosíssima abulia agro-rural em que nos encontramos .Para esse tipo de luta nós já estamos exaustos Convêm , a muita gente ,a manutenção deste estado de alma . Não convêm , de forma alguma , aos superiores interesse regionais
Francisco Pândega (agricultor ) ///fjnpandega@hotmail.com /// alentejoagrorural.blogspot.com
16.3.09
10.12.08
AlentejoAgroRural
A AGRICULTURA E A CRISE
1---O mundo ocidental está confrontado com uma crise muito séria. De início parecia limitar-se a uma questão financeira Não se quedou por ai dado que já esta a danificar a economia, não sendo de excluir a hipótese de dar origem a bolsas de contestação senão mesmo de turbulência social. As soluções terão que ser rápidas, diferentes de pais para pais e, em cada um, de região para região.
No nosso Alentejo, porque ainda não estava resolvido o problema agro-fundiário, velho, profundo e obstaculizante, a solução está particularmente dificultada. Falta-lhe, para a superar, um mundo rural estável, cuja força tampão, antepara contra das convulsões provindas do exterior, amorteça e dissolva os seus efeitos
2— Não digo que não haja alguma analogia dos efeitos entre o campo e as cidades. Mas sei que a solução para o mundo rural é diferente da urbana. A solução para a região Alentejo, de grande vocação agrícola e tendo em conta a sua especificidade agrícola, passa pela sua individualização e dispensa ,em termos agro-fundiários , da intervenção de estranhos á região Só assim se torna possível fazer brotar as suas colossais potencialidades agro-rurais e, com isso, cumprir o seu desígnio que , tal como toda e qualquer região agrícola que se preze, é . ; -- produzir alimentos, proporcionar bem-estar social, povoar o território e preservar a soberania
a)— A agricultura. Com potencialidades colossais na produção de alimentos, é capaz de, só por si, não só abastecer o pais dos víveres principais, poupando-se nas despesas de importação, como exportar uma vasta gama de excedentes obtendo-se divisas que, na presente crise, vêm mesmo a calhar . Cumulativamente construir e manter esta agradabilíssima paisagem e harmonia ambiental, preciosa dádiva do destino que importa conservar a todo o custo Se na terra alentejana, em vez deste imobilismo fundiário, estático , gerador de exclusão, dor, opressão e servilismo, houvesse dinamismo e justiça agro-social, promotores de prosperidade e prazer de viver, crises como esta não nos afectariam minimamente.
b)-- A família Outra das funções do homem do campo, de hoje, é a manutenção desse pilar social que é a família Como se sabe a trepidante actividade urbana não favorece a sua constituição.Daí os jardins-de-infância os lares de terceira idade e o numero em crescendo de famílias monoparentais. Acontece que nos campos (não tanto nas aldeias aonde as pessoas estão acantonadas e com pouca ligação á periferia) e especialmente nos montes para aonde a actividade agrícola se têm que deslocar, a família é a peça fundamental do agregado . Ela vai desde a nuclear, até a clãnica, passando pela a alargada Nela há uma verdadeira cooperação e inter-ajuda fundamental para o bom desempenho da actividade Todos , seja qual for a faixa etária, tem a suas funções no seio da família : -- as crianças, nos intervalos da escola, participam nos trabalhos mais simples aprendendo a ser adultos responsáveis ,o contacto com a produção e respeito para com os produtos para consumo em vez de arremesso como presentemente se verifica ; os velhos transmitem conhecimentos e valores, são páginas abertas da história local e transmissores de experiencias vividas. São úteis ate ao fim no ambiente familiar e no meio por eles construídos . Úteis até ao fim nem que seja a enxotar as galinhas do quinchoso. Procriar, em vez de pretender entregar essa tarefa a imigrantes, é uma função dos homens do campo já que toda a actividade campestre gravita em torno da reprodução.
c) --O povoamento harmónico do território e manutenção da soberania são mais uma das diversas funções da ruralidade. Valor que anda um pouco arredio de alguns de nós e que é preciso reintroduzir. A propósito de defesa da soberania por parte da comunidade rural alentejana, importa recordar o bicentenário das invasões francesas, cujos efeitos na cidade de Évora, pelos actos hediondos praticados por esses conquistadores, deixaram marcas indeléveis nas nossas gentes De tal ordem que ainda hoje se diz, referindo-nos a alguém que desaparece que “foi para o maneta “ Isto porque o comandante do destacamento francês, sediado em Évora, era um autentico facínora a quem lhe faltava um braço. Alentejano que fosse chamada á sua presença era alentejano que desaparecia.”Ia para o maneta “
. Enquanto a cidade se lhes submetia os campos resistiam Ficaram célebres as flagelações que os malhadeiros da serra de Serpa provocaram nas suas colunas Malhadeiros eram famílias que viviam na serra, com enorme mobilidade, sendo apicultores, caçadores e recolectores. Exímios conhecedores do meio e manejadores de todo tipo de armas, surpreendiam-nos e flagelavam-nos, nas curvas das veredas, causando-lhes inúmeras baixas.
Desbaratados, os franceses restantes, acolheram-se, no lado de lá da fronteira, junto dos parceiros da coligação do tratado de Basileia , aonde haviam acordado a invasão e partilha do nosso pais. São factos históricos que convêm ter presentes .
3---Toda a gente sabe que o Alentejo, palco dos mais estranhos interesses que por aqui pululam, tal como esta , não pode continuar. Importa que se tomem medidas no sentido de um desenvolvimento rural auto-sustentável Sabia-o Mário Soares em 1977 e Sá Carneiro em 1980 ao produzirem legislação que ia no sentido do seu restabelecimento; Capoulas Santos, certamente tinha-o em mente ao defende-lo, com tanto empenho, no Parlamento Europeu
O nosso desenvolvimento rural, que foi normal até 1835, assentava na lei do aforamento, que remonta aos princípios da nacionalidade, potenciado pela lei das Sesmarias, dos anos setenta do século XIV. Foi com base nelas que se povoou o Alentejo por volta de 1385 e, mais tarde, nos pós -1640,tendo prestado elevados serviços nessas épocas cruciais da nossa nacionalidade É repescando-as e adaptando-as á necessidades hodiernas que se põe em ordem o nosso mundo rural As grandes crises (e esta pode vir a ser uma delas) também servem para se fazerem grandes roturas com um passado aonde campeiam direitos adquiridos que não se compaginam com os superiores desígnios regionais Assim se criou este medonho vazio humano que constitui uma perigosa tentação no seio desta Europa super-povoada Sem agricultores provenientes da comunidade rural autóctone e sem os malhadeiros da serra de Serpa, pode dar azo ao aparecimento de um novos tipo de manetas iguais nos propósitos embora diferentes nos métodos
Francisco Pândega (agricultor) ///fjnpandega@hotmail.com ///alentejoagrorural.blogspot.com.
A AGRICULTURA E A CRISE
1---O mundo ocidental está confrontado com uma crise muito séria. De início parecia limitar-se a uma questão financeira Não se quedou por ai dado que já esta a danificar a economia, não sendo de excluir a hipótese de dar origem a bolsas de contestação senão mesmo de turbulência social. As soluções terão que ser rápidas, diferentes de pais para pais e, em cada um, de região para região.
No nosso Alentejo, porque ainda não estava resolvido o problema agro-fundiário, velho, profundo e obstaculizante, a solução está particularmente dificultada. Falta-lhe, para a superar, um mundo rural estável, cuja força tampão, antepara contra das convulsões provindas do exterior, amorteça e dissolva os seus efeitos
2— Não digo que não haja alguma analogia dos efeitos entre o campo e as cidades. Mas sei que a solução para o mundo rural é diferente da urbana. A solução para a região Alentejo, de grande vocação agrícola e tendo em conta a sua especificidade agrícola, passa pela sua individualização e dispensa ,em termos agro-fundiários , da intervenção de estranhos á região Só assim se torna possível fazer brotar as suas colossais potencialidades agro-rurais e, com isso, cumprir o seu desígnio que , tal como toda e qualquer região agrícola que se preze, é . ; -- produzir alimentos, proporcionar bem-estar social, povoar o território e preservar a soberania
a)— A agricultura. Com potencialidades colossais na produção de alimentos, é capaz de, só por si, não só abastecer o pais dos víveres principais, poupando-se nas despesas de importação, como exportar uma vasta gama de excedentes obtendo-se divisas que, na presente crise, vêm mesmo a calhar . Cumulativamente construir e manter esta agradabilíssima paisagem e harmonia ambiental, preciosa dádiva do destino que importa conservar a todo o custo Se na terra alentejana, em vez deste imobilismo fundiário, estático , gerador de exclusão, dor, opressão e servilismo, houvesse dinamismo e justiça agro-social, promotores de prosperidade e prazer de viver, crises como esta não nos afectariam minimamente.
b)-- A família Outra das funções do homem do campo, de hoje, é a manutenção desse pilar social que é a família Como se sabe a trepidante actividade urbana não favorece a sua constituição.Daí os jardins-de-infância os lares de terceira idade e o numero em crescendo de famílias monoparentais. Acontece que nos campos (não tanto nas aldeias aonde as pessoas estão acantonadas e com pouca ligação á periferia) e especialmente nos montes para aonde a actividade agrícola se têm que deslocar, a família é a peça fundamental do agregado . Ela vai desde a nuclear, até a clãnica, passando pela a alargada Nela há uma verdadeira cooperação e inter-ajuda fundamental para o bom desempenho da actividade Todos , seja qual for a faixa etária, tem a suas funções no seio da família : -- as crianças, nos intervalos da escola, participam nos trabalhos mais simples aprendendo a ser adultos responsáveis ,o contacto com a produção e respeito para com os produtos para consumo em vez de arremesso como presentemente se verifica ; os velhos transmitem conhecimentos e valores, são páginas abertas da história local e transmissores de experiencias vividas. São úteis ate ao fim no ambiente familiar e no meio por eles construídos . Úteis até ao fim nem que seja a enxotar as galinhas do quinchoso. Procriar, em vez de pretender entregar essa tarefa a imigrantes, é uma função dos homens do campo já que toda a actividade campestre gravita em torno da reprodução.
c) --O povoamento harmónico do território e manutenção da soberania são mais uma das diversas funções da ruralidade. Valor que anda um pouco arredio de alguns de nós e que é preciso reintroduzir. A propósito de defesa da soberania por parte da comunidade rural alentejana, importa recordar o bicentenário das invasões francesas, cujos efeitos na cidade de Évora, pelos actos hediondos praticados por esses conquistadores, deixaram marcas indeléveis nas nossas gentes De tal ordem que ainda hoje se diz, referindo-nos a alguém que desaparece que “foi para o maneta “ Isto porque o comandante do destacamento francês, sediado em Évora, era um autentico facínora a quem lhe faltava um braço. Alentejano que fosse chamada á sua presença era alentejano que desaparecia.”Ia para o maneta “
. Enquanto a cidade se lhes submetia os campos resistiam Ficaram célebres as flagelações que os malhadeiros da serra de Serpa provocaram nas suas colunas Malhadeiros eram famílias que viviam na serra, com enorme mobilidade, sendo apicultores, caçadores e recolectores. Exímios conhecedores do meio e manejadores de todo tipo de armas, surpreendiam-nos e flagelavam-nos, nas curvas das veredas, causando-lhes inúmeras baixas.
Desbaratados, os franceses restantes, acolheram-se, no lado de lá da fronteira, junto dos parceiros da coligação do tratado de Basileia , aonde haviam acordado a invasão e partilha do nosso pais. São factos históricos que convêm ter presentes .
3---Toda a gente sabe que o Alentejo, palco dos mais estranhos interesses que por aqui pululam, tal como esta , não pode continuar. Importa que se tomem medidas no sentido de um desenvolvimento rural auto-sustentável Sabia-o Mário Soares em 1977 e Sá Carneiro em 1980 ao produzirem legislação que ia no sentido do seu restabelecimento; Capoulas Santos, certamente tinha-o em mente ao defende-lo, com tanto empenho, no Parlamento Europeu
O nosso desenvolvimento rural, que foi normal até 1835, assentava na lei do aforamento, que remonta aos princípios da nacionalidade, potenciado pela lei das Sesmarias, dos anos setenta do século XIV. Foi com base nelas que se povoou o Alentejo por volta de 1385 e, mais tarde, nos pós -1640,tendo prestado elevados serviços nessas épocas cruciais da nossa nacionalidade É repescando-as e adaptando-as á necessidades hodiernas que se põe em ordem o nosso mundo rural As grandes crises (e esta pode vir a ser uma delas) também servem para se fazerem grandes roturas com um passado aonde campeiam direitos adquiridos que não se compaginam com os superiores desígnios regionais Assim se criou este medonho vazio humano que constitui uma perigosa tentação no seio desta Europa super-povoada Sem agricultores provenientes da comunidade rural autóctone e sem os malhadeiros da serra de Serpa, pode dar azo ao aparecimento de um novos tipo de manetas iguais nos propósitos embora diferentes nos métodos
Francisco Pândega (agricultor) ///fjnpandega@hotmail.com ///alentejoagrorural.blogspot.com.
29.10.08
AlentejoAgroRural
Regulamentações
1—O mercado de capitais está em crise .Com ele arrasta toda a economia inclusivamente a agrária .Que haja mercado de capitais e os respectivos especuladores financeiros , enfim , um produto urbano que ,para nós ,rurais , é perfeitamente dispensável Mais que dispensável ,agora que se vêm os danos que causa na agricultura , digo mesmo ,que é de evitar Para colmatar os seus estragos tomam-se medidas no sentido de garantir a solvência do sistema bancária e ,com isso , o retorno dos depósitos ; um novo contrato de habitação afim de evitar o deprimente espectáculo , que os EE.UU nos oferece , de assistirmos a despejos em massa ;e o avanço de grandes obras publicas visando a reactivação do emprego e de actividades adjacentes Acho bem que se minimizem os estragos sem que , contudo , deixe de pensar que tais fórmulas financeiras devam ser suprimidas do nosso ordenamento económico/financeiro pelo menos na presente versão
Uma conclusão já se esta a extrair :-- há sectores não podem ser deixados em roda livre .A pressão dos accionistas pela obtenção de dividendos , conduz á ganância desmedida ,obliterando os valores éticos e morais. Daí que até mesmo entre os ultra-liberais ,defensores do mercado selvagem , se aceite um regulador como forma de conter tais desmandos, especialmente nos sectores estratégicos da actividade económica
2--- Este terramoto vai ditar o fim do mercado de capitais especulativo no actual formato .A sociedade terá que assumir uma acção mais interventiva nos sectores estratégicos da nossa sociedade Como de entre os estratégicos a agricultura é o mais estratégico de todos , é por ele que terá que começar.
O drama porque passa a agricultura alentejana é o resultado disso mesmo Há nos nossos celeiros milhares de toneladas de trigo sem que haja compradores para ele .O pouco que vai saindo é destinado á industria de rações para gado .Sabendo que o trigo alentejano é, em termos de panificação , o melhor do mundo , ir para o gado é no mínimo ofensivo .Acresce o facto de estarem a ser descarregados navios de trigo na Trafaria ,que vai directo para as moagens e destas para as indústrias de panificação , indo fazer pão junto daqueles que têm o trigo retido Isto , no mínimo, é surrealista . Mas o pior é que sabendo-se que de um quilo de trigo se faz um quilo de pão e esse trigo é vendido a €0,15 e um quilo de pão comprado por €1,20 ,há aqui uma multiplicação por oito que se enquadra perfeitamente no perfil especulativo que é a razão deste escrito
.Mas não se fica por aqui esta comercialização sem regras .Nas malhadas há muitos novilhos prontos para abate que não tem escoamento ; milhares de porcos alentejanos gordos e anafados , sem haver quem os consuma ; nas adegas há vinhos para muitos anos ; nos lagares azeite..Enquanto isso, á população são oferecidos produtos importados cada vez mais caros
Uma constatação ressalta á evidência :-- Nos produtos atrás referidos , se produzidos sem constrangimento nós somos imbatíveis quer em termos de qualidade quer de preços . Ora , face a estas dificuldades de comercialização ,das duas uma :-- ou temos constrangimentos que dificultam e encarecem a produção tendo que ser extirpados , ou então o mercado internacional , aonde pululam todo o tipo de especuladores , faz batota usando o conhecido dumping , tendo que ser condicionado
3—Consola dizer-se que esta crise é generalizada .Não me parece que os respectivos mundos rurais dos nossos parceiros estejam assim tanto afectados quanto o nosso .Diminuiu o consumo , é certo, mas continuam prontos a fornecer três refeições diariamente aos seus concidadãos como condição intrínseca desta actividade A crise agrícola do Alentejo é diferente , velha ,profunda , estrutural , inumana.
Pode ser que se aprenda com esta lição e se interiorize que o nosso mundo rural tenha que ser regulamentado a nível regional por agentes emanados dos nossos estratos agrícolas Nestas ocasiões de crise aguda , tudo pode acontecer :--desde , devido ao facto do Alentejo ser um vazio humano , ser alvo de ocupação por parte desses capitalistas especuladores que danificaram o mercado de capitais , reduzindo-nos á vil condição de seus servidores , ou então arregaçarmos as mangas e pormo-lo em ordem Esta ultima será a maneira honrarmos os nossos antepassados e tornarmo-nos dignos dos nossos descendentes Ainda é possível. Nós somos capazes
Francisco Pândega (agricultor)////fjnpandega @hotmail .com ////alentejoagrorural.blogspot.com
Regulamentações
1—O mercado de capitais está em crise .Com ele arrasta toda a economia inclusivamente a agrária .Que haja mercado de capitais e os respectivos especuladores financeiros , enfim , um produto urbano que ,para nós ,rurais , é perfeitamente dispensável Mais que dispensável ,agora que se vêm os danos que causa na agricultura , digo mesmo ,que é de evitar Para colmatar os seus estragos tomam-se medidas no sentido de garantir a solvência do sistema bancária e ,com isso , o retorno dos depósitos ; um novo contrato de habitação afim de evitar o deprimente espectáculo , que os EE.UU nos oferece , de assistirmos a despejos em massa ;e o avanço de grandes obras publicas visando a reactivação do emprego e de actividades adjacentes Acho bem que se minimizem os estragos sem que , contudo , deixe de pensar que tais fórmulas financeiras devam ser suprimidas do nosso ordenamento económico/financeiro pelo menos na presente versão
Uma conclusão já se esta a extrair :-- há sectores não podem ser deixados em roda livre .A pressão dos accionistas pela obtenção de dividendos , conduz á ganância desmedida ,obliterando os valores éticos e morais. Daí que até mesmo entre os ultra-liberais ,defensores do mercado selvagem , se aceite um regulador como forma de conter tais desmandos, especialmente nos sectores estratégicos da actividade económica
2--- Este terramoto vai ditar o fim do mercado de capitais especulativo no actual formato .A sociedade terá que assumir uma acção mais interventiva nos sectores estratégicos da nossa sociedade Como de entre os estratégicos a agricultura é o mais estratégico de todos , é por ele que terá que começar.
O drama porque passa a agricultura alentejana é o resultado disso mesmo Há nos nossos celeiros milhares de toneladas de trigo sem que haja compradores para ele .O pouco que vai saindo é destinado á industria de rações para gado .Sabendo que o trigo alentejano é, em termos de panificação , o melhor do mundo , ir para o gado é no mínimo ofensivo .Acresce o facto de estarem a ser descarregados navios de trigo na Trafaria ,que vai directo para as moagens e destas para as indústrias de panificação , indo fazer pão junto daqueles que têm o trigo retido Isto , no mínimo, é surrealista . Mas o pior é que sabendo-se que de um quilo de trigo se faz um quilo de pão e esse trigo é vendido a €0,15 e um quilo de pão comprado por €1,20 ,há aqui uma multiplicação por oito que se enquadra perfeitamente no perfil especulativo que é a razão deste escrito
.Mas não se fica por aqui esta comercialização sem regras .Nas malhadas há muitos novilhos prontos para abate que não tem escoamento ; milhares de porcos alentejanos gordos e anafados , sem haver quem os consuma ; nas adegas há vinhos para muitos anos ; nos lagares azeite..Enquanto isso, á população são oferecidos produtos importados cada vez mais caros
Uma constatação ressalta á evidência :-- Nos produtos atrás referidos , se produzidos sem constrangimento nós somos imbatíveis quer em termos de qualidade quer de preços . Ora , face a estas dificuldades de comercialização ,das duas uma :-- ou temos constrangimentos que dificultam e encarecem a produção tendo que ser extirpados , ou então o mercado internacional , aonde pululam todo o tipo de especuladores , faz batota usando o conhecido dumping , tendo que ser condicionado
3—Consola dizer-se que esta crise é generalizada .Não me parece que os respectivos mundos rurais dos nossos parceiros estejam assim tanto afectados quanto o nosso .Diminuiu o consumo , é certo, mas continuam prontos a fornecer três refeições diariamente aos seus concidadãos como condição intrínseca desta actividade A crise agrícola do Alentejo é diferente , velha ,profunda , estrutural , inumana.
Pode ser que se aprenda com esta lição e se interiorize que o nosso mundo rural tenha que ser regulamentado a nível regional por agentes emanados dos nossos estratos agrícolas Nestas ocasiões de crise aguda , tudo pode acontecer :--desde , devido ao facto do Alentejo ser um vazio humano , ser alvo de ocupação por parte desses capitalistas especuladores que danificaram o mercado de capitais , reduzindo-nos á vil condição de seus servidores , ou então arregaçarmos as mangas e pormo-lo em ordem Esta ultima será a maneira honrarmos os nossos antepassados e tornarmo-nos dignos dos nossos descendentes Ainda é possível. Nós somos capazes
Francisco Pândega (agricultor)////fjnpandega @hotmail .com ////alentejoagrorural.blogspot.com
20.10.08
AlentejoAgroRural
UMA SOLUÇÃO PARA A CRISE
1---A Islândia está a ser severamente atingida pela crise financeira e económica que afecta a Europa e ,em menor escala , outros países Ao ponto de , dado que a sua moeda deixou de funcionar como elemento de trocas , ter as reservas alimentares esgotadas ,aventado a hipótese de racionamento , falando-se mesmo de fome Quem diria que a Islândia , uma nação anglo-saxónica do bloco geográfico de que fazem parte a Inglaterra , a Irlanda , a Escócia , ,conhecidas pela solidez económica e estabilidade das instituições ,que chegaria a este estado .Surpreendente ,no mínimo , o que diz bem da gravidade crise ,por um lado , mas que ,por outro , indica que anda bem avisado quem organize o seu espaço rústico no sentido de acelerar a produção ,de forma a conseguir a auto-suficiência alimentar e providencie uma reserva estratégica de viveres .Quanto a nós é bom lembrar o ditado que “ Quando veres as barbas do vizinho a arder , põe as tuas a amolecer “As nossas , tendo em conta as baixas produções e produtividade agrícola , já estão chamuscadas .Nestas condições ,é preciso ter-se algum cuidado já que a solidariedade entre os povos ,quando a crise é generalizada ,nem sempre funciona em tempo útil.
2—Mas esta crise atinge umas nações mais do que outras e nestas uns sectores mais do que noutros .Os EE.UU da América , passada esta borrasca financeira , que pouco ou nada afecta o sector agro-produtivo conhecida a sua democraticidade e pragmatismo , regressam á normalidade quiçá mesmo fortalecidos Continuarão a ser descarregados barcos de trigo e milho enquanto tivermos valores para os pagar Aqui ao lado , a Espanha ,que foi seriamente afectada no imobiliário urbano , está a sofrer um abaixamento do poder de compra .Mas a sua economia agrária , porque próspera , continua montada e reanima logo que necessário Continua a exportar alimentos e vai recomeçar a expandir a sua área de produção.
Quanto a nós dizer-se que , devido ao facto de integrarmos os quinze do euro , não vamos ser atingidos como a Irlanda, é ser-se optimista impenitente .Mesmo que o euro se aguente , como elemento de troca entre as nações , nós , para comprarmos o mais de metade que falta para o nosso consumo , temos que ter euros disponíveis Para tê-los é preciso produzir e poupar , coisa que os nossos hábitos de novo rico se foram perdendo
Temos uma administração pública caríssima ,que retira da actividade privada os melhores de entre nós .Como se isso não bastasse agora os custos de produção estão acrescidos devido á exorbitância dos combustíveis ; as despesas dos imigrantes ao enviaram remessas para os seus países de origem ; assim como os custos de manutenção da ordem publica cada vez mais complicada
3--- Se as crises assim como as guerras ,são calamidades que importa evitar ,caso aconteçam também podem constituir-se numa oportunidade para fazerem , mais do que simples reformas , roturas com as formulas que obstaculizem a normalidade rural . Nas actuais circunstancias , e tendo em conta as colossais potencialidades agro-sociais do Alentejo , este pode converter-se na solução para a crise que nos atinge Basta arranca-lo da pasmaceira fundiária em que está mergulhado e traze-lo para a economia real
Acontece que isso tem que ser rápido .A nossa margem de manobra é cada vez mais escassa
Francisco Pândega ( agricultor ) fjnpandega@hotmail.com /// alentejoagrorural.blogspot.com
UMA SOLUÇÃO PARA A CRISE
1---A Islândia está a ser severamente atingida pela crise financeira e económica que afecta a Europa e ,em menor escala , outros países Ao ponto de , dado que a sua moeda deixou de funcionar como elemento de trocas , ter as reservas alimentares esgotadas ,aventado a hipótese de racionamento , falando-se mesmo de fome Quem diria que a Islândia , uma nação anglo-saxónica do bloco geográfico de que fazem parte a Inglaterra , a Irlanda , a Escócia , ,conhecidas pela solidez económica e estabilidade das instituições ,que chegaria a este estado .Surpreendente ,no mínimo , o que diz bem da gravidade crise ,por um lado , mas que ,por outro , indica que anda bem avisado quem organize o seu espaço rústico no sentido de acelerar a produção ,de forma a conseguir a auto-suficiência alimentar e providencie uma reserva estratégica de viveres .Quanto a nós é bom lembrar o ditado que “ Quando veres as barbas do vizinho a arder , põe as tuas a amolecer “As nossas , tendo em conta as baixas produções e produtividade agrícola , já estão chamuscadas .Nestas condições ,é preciso ter-se algum cuidado já que a solidariedade entre os povos ,quando a crise é generalizada ,nem sempre funciona em tempo útil.
2—Mas esta crise atinge umas nações mais do que outras e nestas uns sectores mais do que noutros .Os EE.UU da América , passada esta borrasca financeira , que pouco ou nada afecta o sector agro-produtivo conhecida a sua democraticidade e pragmatismo , regressam á normalidade quiçá mesmo fortalecidos Continuarão a ser descarregados barcos de trigo e milho enquanto tivermos valores para os pagar Aqui ao lado , a Espanha ,que foi seriamente afectada no imobiliário urbano , está a sofrer um abaixamento do poder de compra .Mas a sua economia agrária , porque próspera , continua montada e reanima logo que necessário Continua a exportar alimentos e vai recomeçar a expandir a sua área de produção.
Quanto a nós dizer-se que , devido ao facto de integrarmos os quinze do euro , não vamos ser atingidos como a Irlanda, é ser-se optimista impenitente .Mesmo que o euro se aguente , como elemento de troca entre as nações , nós , para comprarmos o mais de metade que falta para o nosso consumo , temos que ter euros disponíveis Para tê-los é preciso produzir e poupar , coisa que os nossos hábitos de novo rico se foram perdendo
Temos uma administração pública caríssima ,que retira da actividade privada os melhores de entre nós .Como se isso não bastasse agora os custos de produção estão acrescidos devido á exorbitância dos combustíveis ; as despesas dos imigrantes ao enviaram remessas para os seus países de origem ; assim como os custos de manutenção da ordem publica cada vez mais complicada
3--- Se as crises assim como as guerras ,são calamidades que importa evitar ,caso aconteçam também podem constituir-se numa oportunidade para fazerem , mais do que simples reformas , roturas com as formulas que obstaculizem a normalidade rural . Nas actuais circunstancias , e tendo em conta as colossais potencialidades agro-sociais do Alentejo , este pode converter-se na solução para a crise que nos atinge Basta arranca-lo da pasmaceira fundiária em que está mergulhado e traze-lo para a economia real
Acontece que isso tem que ser rápido .A nossa margem de manobra é cada vez mais escassa
Francisco Pândega ( agricultor ) fjnpandega@hotmail.com /// alentejoagrorural.blogspot.com
9.10.08
AlentejoAgroRural
UMA ANÀLISE COMPARATIVA
1— Estávamos na década sessenta .No Cuanhama , a sul de Angola , a comunidade rural manifestava-se ,com alguma turbulência , contra a instalação de fazendeiros , na sua região .Alegavam , e com muita razão , que alguns deles , ao construírem cercas de arame farpado , interrompiam os trajectos da transumância e dificultavam-lhes o acesso aos locais de abeberação
.Os cuanhamas são povos pastores , muito altivos e determinados . Vivem de forma tribal e todos os seus interesses gravitam em torno da criação de gado bovino . Muito aguerridos , combateram o exercito português com alguma eficácia .Não obstante as pesadas derrotas que lhes foram infringidas quer pelo capitão Alves Roçadas quer pelo general Pereira DÉça , mantiveram a liberdade de acção a independência de carácter ,para alem de uma postura de superioridade tribal .
Para analisar a situação foram indicados o eng. Possinger, alemão, da Universidade Munique ; os nossos serviços incumbidos de lhe prestar apoio logístico ; e eu , técnico dos mesmos , como motorista , guia e interprete nalgumas das viagens ..As recomendações protagonizadas foram a prova cabal da nossa sensibilidade e respeito dos direitos das comunidades rurais .Daí resulta o facto de , passados os desmandos da descolonização , as nossos relações ,com esses povos , voltarem a ser amistosas .Uma pergunta ,porem , se impõe :--- Porque é que se não se usam os mesmos critérios de respeito ,em relação aos autóctones alentejanos , que usamos com os povos que colonizamos ?
2--Foi produzido um trabalho que continha recomendações audazes .Localizava a região com muito detalhe ; descrevia o meio natural com algum pormenor ,; o tipo de povoamento que era exclusivamente de pastores itinerantes ; e alvitrava uma solução pacificadora evitando um possível recrudescer contestatário .
Sem considerações desnecessárias ,fez-se um trabalho isento, corajoso e muito profissional que se podia resumir assim :-- Nas actuais circunstancias ,a viabilidade funcional da região ,quer económica quer social , impõe que seja mantida e preservada na presente configuração geográfica com um mínimo de interferências externas .
a)—Trata-se de região natural e tribal homogénea , com uma superfície semelhante a Portugal . .Situa-se entre o sopé sul do planalto do Huambo numa extensão de 200Km aprox. e a norte da Namíbia numa extensão de cerca de 400Km É considerada a região de transição entre o Planalto do Huambo , fecundo e rico em recursos hídricos e o deserto do Kalaari um local extremamente inóspito .A Poente é limitada pelo rio Cunene e a Nascente pelo Cubango .Estes dois rios têm em comum o facto de serem enormes e a particularidade nascerem ambos na anhara do Vulo-Vulo a 15 km de distancia um do outro , entre a cidade do Huambo ( junto a embala do soba grande ) e o Chinguar Ambos se dirigem para sul .Chegados a Namíbia , o Cubango inflecte para nascente na direcção do Indico só não o alcançando porque antes se perde nos pantanais do Botswana O Cunene inflecte para poente ,na direcção do Atlântico raras vezes lá chegando porque antes infiltra-se nas areias da Namíbia
b)--- Caracteriza-se ainda ,em termos orográficos ,por ser uma planura arenosa ; com um regime de chuvas do tipo torrencial mas com uma queda anual muito baixa ; em termos climáticos ,seco com altas e baixas temperaturas no mesmo dia ; vegetação do tipo savana com predominância de espinhosas ; abundância de caça (elefantes rinocerontes .zebras , palancas , e outras antílopes ) ;pastagens espontânea do tipo pasto salgado muito palatável e nutritivo conferido á carne (dos bovinos assim como da caça ) um sabor muito especial ; não praticam agricultura limitando-se ao cultivo de sorgo (massango e massambala , ) nos currais desactivados beneficiando dos estrumes e da protecção do cercado .A grande limitante é a escassez de agua dado que ,exceptuando aqueles dois rios periféricos , no seu interior não há cursos de agua com caudal permanente mas sim pequenas lagoas resultantes das chuvas , dispersas , a esmo , que vão progressivamente secando na medida em que se entra no verão, condicionando toda a vida animal
c)---Escassamente povoada por diversas tribos do grupo etnográfico cuanhama concentram-se geralmente na margem esquerda do Cunene de onde irradiam na demanda de pastagem e para onde voltam geralmente acossado pela escassez de agua .Grandes produtores de “olongombe” (bovinos ) consomem e vendem anualmente muitos milhares de “garrotes” e “nemas” (novilhos e novilhas ) criados de uma modo ultra-extensivo cujos custos de produção ,descontada a mão de obra , são zero A transumância constitui uma espécie de façanha bem própria de homens audazes dado que pastar uma manada ,em tão estranhas condições , implica não deixar tresmalhar nenhuma rês ; conduzi-la para boas pastagens ; não a deixar morrer de fome nem de sede , nem serem devorada pelos leões com os quais têm frequentes lutas .
Isto tem efeitos no comportamento dos homens e determina , se efectuada com êxito ,que passe de adolescente para adulto tal como nós ,alentejanos , aquando das “acêfas “ .Tal dureza no trabalho fez do cuanhama um homem altivo senão mesmo belicoso mas também leal no comportamento Dai a razão porque tinha que ser tomada em devida conta a sua resistência a instalação de fazendeiros E quando lhe aconselhávamos moderação, respondiam , apontado para o forte de Roçadas ,recordação de duros combates contra os portugueses , exclamando “” Vocês , brancos ,vem e vão .Nós é que ficamos com os problemas que vocês cá nos deixam “” .Contra tais factos escasseavam-nos os argumentos .
d)----O relatório concluía pela cessação da emissão de concessões de terras .Que a cassação das licenças existentes , nas rotas da transumância , era desnecessária dado não haver a menor possibilidade de alguém , seja lá onde for , se instalar na agricultura contra a vontade das respectivas populações locais .E estas estavam determinadas a opor-se Logo seriam naturalmente desactivadas regressando ao domínio público . E com medidas , a prazo , dar-se-iam início á construção de “chimpacas” (charcas de terra nos locais a onde agua estava memos funda ) e nos locais mais secos a construção de furos com aero-bombas de elevação tal como fizeram a os sul-africanos na vizinha Namíbia Com isso os pastores sedentarizar-se-iam ,aumentando ,assim o encabeçamento .Alterar-se-iam os costumes de forma a que na geração seguinte houvessem locais de colonização sem afrontar os hábitos dos pastores indígenas
3---Certamente devido ao facto de ser aldeão , pequeno agricultor e filho de seareiro na época da extinção dessa modalidade , deu-me uma maior sensibilidade para a analise das questões agro-rurais de outras comunidades ,em cujos estudo e intervenção participei .Sempre com alma de rural alentejano .Daí facilmente ter constatado a veracidade do ditado que diz “ só se entende a dimensão de uma floresta se vista de fora “. Nessa perspectiva o Alentejo também é melhor entendido , em toda a sua plenitude , se visto de outras paragens a partir de outras realidades .Sobressaindo , então , com toda a pujança a sua grandeza espacial e as suas colossais potencialidades agrícolas Por outro lado e em contraste com outras comunidades , avultam os injustificados constrangimentos fundiários ,que lhe tolhem a produção e o bem estar rural , assim como o facto das gentes não fazerem parte da solução antes sim serem agentes ,tantas vezes passivos, dos estranhos interesses aqui instalados
Nestas condições e excluindo os sectores comerciais , industriais e serviços , que têm uma lógica muito própria , tem inteiro cabimento a recomendação preconizada para o Cuanhama “
“Nas actuais circunstancias ,a viabilidade funcional da região ,quer económica quer socialmente , impõe que seja mantida e preservada na presente configuração geográfica com um mínimo de interferências externas “.
Francisco Pandega (agricultor ) /// fjnpandega@hotmail.com/// Alentejoagrorural.blogspot.com
UMA ANÀLISE COMPARATIVA
1— Estávamos na década sessenta .No Cuanhama , a sul de Angola , a comunidade rural manifestava-se ,com alguma turbulência , contra a instalação de fazendeiros , na sua região .Alegavam , e com muita razão , que alguns deles , ao construírem cercas de arame farpado , interrompiam os trajectos da transumância e dificultavam-lhes o acesso aos locais de abeberação
.Os cuanhamas são povos pastores , muito altivos e determinados . Vivem de forma tribal e todos os seus interesses gravitam em torno da criação de gado bovino . Muito aguerridos , combateram o exercito português com alguma eficácia .Não obstante as pesadas derrotas que lhes foram infringidas quer pelo capitão Alves Roçadas quer pelo general Pereira DÉça , mantiveram a liberdade de acção a independência de carácter ,para alem de uma postura de superioridade tribal .
Para analisar a situação foram indicados o eng. Possinger, alemão, da Universidade Munique ; os nossos serviços incumbidos de lhe prestar apoio logístico ; e eu , técnico dos mesmos , como motorista , guia e interprete nalgumas das viagens ..As recomendações protagonizadas foram a prova cabal da nossa sensibilidade e respeito dos direitos das comunidades rurais .Daí resulta o facto de , passados os desmandos da descolonização , as nossos relações ,com esses povos , voltarem a ser amistosas .Uma pergunta ,porem , se impõe :--- Porque é que se não se usam os mesmos critérios de respeito ,em relação aos autóctones alentejanos , que usamos com os povos que colonizamos ?
2--Foi produzido um trabalho que continha recomendações audazes .Localizava a região com muito detalhe ; descrevia o meio natural com algum pormenor ,; o tipo de povoamento que era exclusivamente de pastores itinerantes ; e alvitrava uma solução pacificadora evitando um possível recrudescer contestatário .
Sem considerações desnecessárias ,fez-se um trabalho isento, corajoso e muito profissional que se podia resumir assim :-- Nas actuais circunstancias ,a viabilidade funcional da região ,quer económica quer social , impõe que seja mantida e preservada na presente configuração geográfica com um mínimo de interferências externas .
a)—Trata-se de região natural e tribal homogénea , com uma superfície semelhante a Portugal . .Situa-se entre o sopé sul do planalto do Huambo numa extensão de 200Km aprox. e a norte da Namíbia numa extensão de cerca de 400Km É considerada a região de transição entre o Planalto do Huambo , fecundo e rico em recursos hídricos e o deserto do Kalaari um local extremamente inóspito .A Poente é limitada pelo rio Cunene e a Nascente pelo Cubango .Estes dois rios têm em comum o facto de serem enormes e a particularidade nascerem ambos na anhara do Vulo-Vulo a 15 km de distancia um do outro , entre a cidade do Huambo ( junto a embala do soba grande ) e o Chinguar Ambos se dirigem para sul .Chegados a Namíbia , o Cubango inflecte para nascente na direcção do Indico só não o alcançando porque antes se perde nos pantanais do Botswana O Cunene inflecte para poente ,na direcção do Atlântico raras vezes lá chegando porque antes infiltra-se nas areias da Namíbia
b)--- Caracteriza-se ainda ,em termos orográficos ,por ser uma planura arenosa ; com um regime de chuvas do tipo torrencial mas com uma queda anual muito baixa ; em termos climáticos ,seco com altas e baixas temperaturas no mesmo dia ; vegetação do tipo savana com predominância de espinhosas ; abundância de caça (elefantes rinocerontes .zebras , palancas , e outras antílopes ) ;pastagens espontânea do tipo pasto salgado muito palatável e nutritivo conferido á carne (dos bovinos assim como da caça ) um sabor muito especial ; não praticam agricultura limitando-se ao cultivo de sorgo (massango e massambala , ) nos currais desactivados beneficiando dos estrumes e da protecção do cercado .A grande limitante é a escassez de agua dado que ,exceptuando aqueles dois rios periféricos , no seu interior não há cursos de agua com caudal permanente mas sim pequenas lagoas resultantes das chuvas , dispersas , a esmo , que vão progressivamente secando na medida em que se entra no verão, condicionando toda a vida animal
c)---Escassamente povoada por diversas tribos do grupo etnográfico cuanhama concentram-se geralmente na margem esquerda do Cunene de onde irradiam na demanda de pastagem e para onde voltam geralmente acossado pela escassez de agua .Grandes produtores de “olongombe” (bovinos ) consomem e vendem anualmente muitos milhares de “garrotes” e “nemas” (novilhos e novilhas ) criados de uma modo ultra-extensivo cujos custos de produção ,descontada a mão de obra , são zero A transumância constitui uma espécie de façanha bem própria de homens audazes dado que pastar uma manada ,em tão estranhas condições , implica não deixar tresmalhar nenhuma rês ; conduzi-la para boas pastagens ; não a deixar morrer de fome nem de sede , nem serem devorada pelos leões com os quais têm frequentes lutas .
Isto tem efeitos no comportamento dos homens e determina , se efectuada com êxito ,que passe de adolescente para adulto tal como nós ,alentejanos , aquando das “acêfas “ .Tal dureza no trabalho fez do cuanhama um homem altivo senão mesmo belicoso mas também leal no comportamento Dai a razão porque tinha que ser tomada em devida conta a sua resistência a instalação de fazendeiros E quando lhe aconselhávamos moderação, respondiam , apontado para o forte de Roçadas ,recordação de duros combates contra os portugueses , exclamando “” Vocês , brancos ,vem e vão .Nós é que ficamos com os problemas que vocês cá nos deixam “” .Contra tais factos escasseavam-nos os argumentos .
d)----O relatório concluía pela cessação da emissão de concessões de terras .Que a cassação das licenças existentes , nas rotas da transumância , era desnecessária dado não haver a menor possibilidade de alguém , seja lá onde for , se instalar na agricultura contra a vontade das respectivas populações locais .E estas estavam determinadas a opor-se Logo seriam naturalmente desactivadas regressando ao domínio público . E com medidas , a prazo , dar-se-iam início á construção de “chimpacas” (charcas de terra nos locais a onde agua estava memos funda ) e nos locais mais secos a construção de furos com aero-bombas de elevação tal como fizeram a os sul-africanos na vizinha Namíbia Com isso os pastores sedentarizar-se-iam ,aumentando ,assim o encabeçamento .Alterar-se-iam os costumes de forma a que na geração seguinte houvessem locais de colonização sem afrontar os hábitos dos pastores indígenas
3---Certamente devido ao facto de ser aldeão , pequeno agricultor e filho de seareiro na época da extinção dessa modalidade , deu-me uma maior sensibilidade para a analise das questões agro-rurais de outras comunidades ,em cujos estudo e intervenção participei .Sempre com alma de rural alentejano .Daí facilmente ter constatado a veracidade do ditado que diz “ só se entende a dimensão de uma floresta se vista de fora “. Nessa perspectiva o Alentejo também é melhor entendido , em toda a sua plenitude , se visto de outras paragens a partir de outras realidades .Sobressaindo , então , com toda a pujança a sua grandeza espacial e as suas colossais potencialidades agrícolas Por outro lado e em contraste com outras comunidades , avultam os injustificados constrangimentos fundiários ,que lhe tolhem a produção e o bem estar rural , assim como o facto das gentes não fazerem parte da solução antes sim serem agentes ,tantas vezes passivos, dos estranhos interesses aqui instalados
Nestas condições e excluindo os sectores comerciais , industriais e serviços , que têm uma lógica muito própria , tem inteiro cabimento a recomendação preconizada para o Cuanhama “
“Nas actuais circunstancias ,a viabilidade funcional da região ,quer económica quer socialmente , impõe que seja mantida e preservada na presente configuração geográfica com um mínimo de interferências externas “.
Francisco Pandega (agricultor ) /// fjnpandega@hotmail.com/// Alentejoagrorural.blogspot.com
16.9.08
AlentejoAgroRural
BREVE CARACTERIZAÇÃO
1— A comunidade rural alentejana, outrora enérgica e determinada , está hoje abúlica e enfraquecida. Um povo absolutamente identificado com o meio agrícola ,detentor de uma região tão vasta e rica, ter caído assim tão baixo, é porque algo de muito grave lhe aconteceu: -- Essa algo muito grave chama-se exclusão, de facto, no acesso ao seu espaço rústico
Sem o recurso á agricultura , ficamos dependentes do poder económico /fundiário instalado o qual facilmente se apoderou do poder politico /administrativo.Com isso , ficamos-lhes nas mãos ou debaixo dos pés como se diz entre nós . Só há pouco o poder administrativo foi recuperado mas o económico/fundiário mantêm-se intacto tal como se encontrava na Idade Media.
. Restava-nos abalar, para longe ,quanto mais longe melhor . Muitos emigraram tendo –se ficado pelos centros urbanos não tendo tido ocasião de se aperceber das diferenciações existentes dado que entre cidades as diferenças vivenciais não são significativas .Houve-os ,porem , que tiveram o ensejo de se integrarem noutras comunidades rurais concluindo estupefactos quão inumana e discriminatória é a nossa .Os que ficaram submetidos a uma penosa existência ,dependentes e sem esperança ,adquiriram um estilo próprio para lidar com a situação: -- uma subserviência, geralmente exagerada, que não conseguia disfarçar um permanente estado de inconformidade senão mesmo de revolta. O 25 de Abril ,no Alentejo ,é disso consequência
Os donos do Alentejo (refiro-me obviamente aos grandes proprietários rurais), não obstante o enorme poder que aqui detinham , nunca estiveram seguros de que estávamos vencidos Daí o facto de daqui transferirem os capitais e manterem interesses , a salvo, fora da região. Cientes da sua responsabilidade na decrepitude regional ,e porque estavam em estado de falência , o 25 de Abril não foi uma surpresa antes sim uma moratória para as dividas .A expropriação das terras não os surpreendeu Surpresos ficaram ,depois da morte de Sá Carneiro ,que lhes tenham sido devolvidas Mais ainda o ter-se-lhes permitido a sua detenção até hoje
Sendo assim, é tarefa inadiável do actual governo, reformador por natureza, regulamentar o uso da terra e com isso dar vida á comunidade rural alentejana. Restabelecer a auto-estima rural ponto de partida para a recuperação de uma espécie de espírito guerreiro na defesa de “uma certa forma de ser alentejano “. É muito tarde, todos sabemos; os danos socioculturais são profundos, sentimo-lo todos os dias; mas ainda possível, certamente .
2) — Estamos numa época caracterizada pela luta constante, entre os povos, pela preservação dos respectivos espaços rústicos histórico/regionais . Uns vencem e ficam livres para o natural exercício da soberania, outros são vencidos, reduzindo-se á submissão e, de seguida ,á extinção.
Fazendo uma breve analise do mundo rural alentejano podemos concluir que; ----
a)— O espaço rústico alentejano tem sido palco da voracidade de qualquer um desde que portador de dinheiro É por isso que mais de metade dos solos alentejanos não atingem os mínimos de aproveitamento; outros praticam uma agricultura do golpe e contra golpe ao sabor dos incentivos de Bruxelas. As aldeias, com pouca actividade , transformam-se em dormitórios e relíquias agrícolas.
Nelas predominam os velhos, doentes e achacados; os desempregados, reformados e acomodados, que vivem a expensas da segurança social contando os dias a que faltam para receber a respectiva subvenção Homens estropiados prematuramente devido a uma vida de trabalhos esforçados, geralmente subalimentados e raras vezes recorrendo aos serviços médicos atempadamente. Ter sido trabalhador rural, nessas condições , sem a mais remota possibilidade de aceder a terra , constitui uma autêntica fatalidade do destino.
A aptidão da gente nova, para a agricultura, salvo alguns casos que felizmente ainda há, pode sintetizar-se assim: -- uns, porque comparticipantes do drama dos pais , trabalhadores rurais, perdem a atracção pela actividade; outros, filhos dos pequenos agricultores, tais servos da gleba, exaustos, sabem não ser forma de vida; ou ainda os filhos dos grandes proprietários que, em vez de agricultura, aprenderam a ser egoístas e autoritários, certos de os espera a continuação de uma vida luxuriante com base nas terras sobre as quais auto-proclamam um direito sagrado, não têm a menor noção do que é a ruralidade O rejuvenescimento do tecido rural, por estas e outras razões, não se verifica.
b)--As courelas periféricas, porque não foram, em devido tempo, redimensionadas, tornam-se inviáveis agricolamente. Entre essa cintura envolvente e a congénere da aldeia mais alem, ficam as herdades hoje pertença de sociedades cujos donos, desconhecidos e distantes, nada têm que ver connosco nem com os nossos valores .Inacessíveis, sem qualquer ligação afectiva ao meio nem as gentes, leva a que os fregueses (no âmbito do poder local) se sintam desobrigados de considerar essas terras , como parte integrante da freguesia É como que a abjuração de um dever sobre um espaço capturado
É uma postura que contrasta abissalmente com a prática de outros povos que travam uma luta insana pela preservação da sua região na posse das respectivas comunidades A razão é simples: - sendo a região natural um espaço edafo-climática específico, que molda e uniformiza o homem, de acordo com essa especificidade, torna-se num factor de união altamente agregador
c)---Mas a inconformidade, em vez de conduzir a um baixar os braços, leva muitos povos a agir: --Na Europa, aonde estamos inseridos, sendo perfeitamente possível a alienação dos espaço rústico a qualquer um na verdade isso pura e simplesmente não acontece; em África os povos libertaram-se dos colonos europeus, certamente um mau negócio porque antecipado, mas fizeram-no com os aplausos de todo o mundo; a Irlanda, ao libertar-se da Inglaterra, anulou as grandes sociedades agrícolas alterando as regras no acesso a terra. Outros lutam por maior autonomia tal como as nossas regiões insulares; as províncias espanholas e as regiões um pouco por toda a Europa. Nos Balcãs, Cáspio, Báltico e Cáucaso, travam-se lutas de vida e morte para se libertarem da federação russa; Lula da Silva devolve, aos sem terra, espaços para “assentarem as suas chácaras “ e aos que vivem de forma tribal as respectivas áreas tradicionais.
E nós, ignorando a depauperada comunidade rural regional, em benefício de miragens desenvolvimentistas, entregamo-nos nas mãos de estranhos ignorando que a solução reside em nós mesmos. Solução óbvia e assegurada desde que haja coragem para alterar as regras do acesso a terra. A usufruição desse precioso bem, colectivo no sentido político-social mas individual no uso, terá que ser um privilégio somente de quem tenha condições para lhe dar uma função agro-social consentânea com os superiores desígnios regionais
3---. O Alentejo está farto de medidas salvadoras. Salvo essa grande obra de irrigação que é Alqueva, quanto ao resto, estamos cada vez mais debilitados A opção pela permissão de aquisição de grandes áreas por sociedades agrícolas, tal como se estivéssemos na América latina , é um erro colossal Não se retiram todas as potencialidades da biodiversidade inerentes a uma exploração á” escala do homem” ; não se preserva a cultura regional; não se repovoa o território; facilita-se a continuação desta hemorragia humana que nos depaupera .,etc . Mas há outra consequência não menos graves : -- A emergência de um PCP com grande implantação nas autarquias locais. Com a agravante de, se bem que tenha razão na identificação do problema agro-rural, a solução, por ele preconizada, é errada. A nossa região tem que conseguir o auto -equilíbrio político por si própria ,e jamais por indução externa. E isso passa pela justiça fundiária. A nossa região, agora , depois de Alqueva, está em condições de suprir a maior parte das necessidades alimentares essências da nação . Mas isso passa pelo bom senso fundiário
Francisco Pândega(agricultor )//// fjnpandega@hotmail.com///alentejoagrorural.blogspot.com
BREVE CARACTERIZAÇÃO
1— A comunidade rural alentejana, outrora enérgica e determinada , está hoje abúlica e enfraquecida. Um povo absolutamente identificado com o meio agrícola ,detentor de uma região tão vasta e rica, ter caído assim tão baixo, é porque algo de muito grave lhe aconteceu: -- Essa algo muito grave chama-se exclusão, de facto, no acesso ao seu espaço rústico
Sem o recurso á agricultura , ficamos dependentes do poder económico /fundiário instalado o qual facilmente se apoderou do poder politico /administrativo.Com isso , ficamos-lhes nas mãos ou debaixo dos pés como se diz entre nós . Só há pouco o poder administrativo foi recuperado mas o económico/fundiário mantêm-se intacto tal como se encontrava na Idade Media.
. Restava-nos abalar, para longe ,quanto mais longe melhor . Muitos emigraram tendo –se ficado pelos centros urbanos não tendo tido ocasião de se aperceber das diferenciações existentes dado que entre cidades as diferenças vivenciais não são significativas .Houve-os ,porem , que tiveram o ensejo de se integrarem noutras comunidades rurais concluindo estupefactos quão inumana e discriminatória é a nossa .Os que ficaram submetidos a uma penosa existência ,dependentes e sem esperança ,adquiriram um estilo próprio para lidar com a situação: -- uma subserviência, geralmente exagerada, que não conseguia disfarçar um permanente estado de inconformidade senão mesmo de revolta. O 25 de Abril ,no Alentejo ,é disso consequência
Os donos do Alentejo (refiro-me obviamente aos grandes proprietários rurais), não obstante o enorme poder que aqui detinham , nunca estiveram seguros de que estávamos vencidos Daí o facto de daqui transferirem os capitais e manterem interesses , a salvo, fora da região. Cientes da sua responsabilidade na decrepitude regional ,e porque estavam em estado de falência , o 25 de Abril não foi uma surpresa antes sim uma moratória para as dividas .A expropriação das terras não os surpreendeu Surpresos ficaram ,depois da morte de Sá Carneiro ,que lhes tenham sido devolvidas Mais ainda o ter-se-lhes permitido a sua detenção até hoje
Sendo assim, é tarefa inadiável do actual governo, reformador por natureza, regulamentar o uso da terra e com isso dar vida á comunidade rural alentejana. Restabelecer a auto-estima rural ponto de partida para a recuperação de uma espécie de espírito guerreiro na defesa de “uma certa forma de ser alentejano “. É muito tarde, todos sabemos; os danos socioculturais são profundos, sentimo-lo todos os dias; mas ainda possível, certamente .
2) — Estamos numa época caracterizada pela luta constante, entre os povos, pela preservação dos respectivos espaços rústicos histórico/regionais . Uns vencem e ficam livres para o natural exercício da soberania, outros são vencidos, reduzindo-se á submissão e, de seguida ,á extinção.
Fazendo uma breve analise do mundo rural alentejano podemos concluir que; ----
a)— O espaço rústico alentejano tem sido palco da voracidade de qualquer um desde que portador de dinheiro É por isso que mais de metade dos solos alentejanos não atingem os mínimos de aproveitamento; outros praticam uma agricultura do golpe e contra golpe ao sabor dos incentivos de Bruxelas. As aldeias, com pouca actividade , transformam-se em dormitórios e relíquias agrícolas.
Nelas predominam os velhos, doentes e achacados; os desempregados, reformados e acomodados, que vivem a expensas da segurança social contando os dias a que faltam para receber a respectiva subvenção Homens estropiados prematuramente devido a uma vida de trabalhos esforçados, geralmente subalimentados e raras vezes recorrendo aos serviços médicos atempadamente. Ter sido trabalhador rural, nessas condições , sem a mais remota possibilidade de aceder a terra , constitui uma autêntica fatalidade do destino.
A aptidão da gente nova, para a agricultura, salvo alguns casos que felizmente ainda há, pode sintetizar-se assim: -- uns, porque comparticipantes do drama dos pais , trabalhadores rurais, perdem a atracção pela actividade; outros, filhos dos pequenos agricultores, tais servos da gleba, exaustos, sabem não ser forma de vida; ou ainda os filhos dos grandes proprietários que, em vez de agricultura, aprenderam a ser egoístas e autoritários, certos de os espera a continuação de uma vida luxuriante com base nas terras sobre as quais auto-proclamam um direito sagrado, não têm a menor noção do que é a ruralidade O rejuvenescimento do tecido rural, por estas e outras razões, não se verifica.
b)--As courelas periféricas, porque não foram, em devido tempo, redimensionadas, tornam-se inviáveis agricolamente. Entre essa cintura envolvente e a congénere da aldeia mais alem, ficam as herdades hoje pertença de sociedades cujos donos, desconhecidos e distantes, nada têm que ver connosco nem com os nossos valores .Inacessíveis, sem qualquer ligação afectiva ao meio nem as gentes, leva a que os fregueses (no âmbito do poder local) se sintam desobrigados de considerar essas terras , como parte integrante da freguesia É como que a abjuração de um dever sobre um espaço capturado
É uma postura que contrasta abissalmente com a prática de outros povos que travam uma luta insana pela preservação da sua região na posse das respectivas comunidades A razão é simples: - sendo a região natural um espaço edafo-climática específico, que molda e uniformiza o homem, de acordo com essa especificidade, torna-se num factor de união altamente agregador
c)---Mas a inconformidade, em vez de conduzir a um baixar os braços, leva muitos povos a agir: --Na Europa, aonde estamos inseridos, sendo perfeitamente possível a alienação dos espaço rústico a qualquer um na verdade isso pura e simplesmente não acontece; em África os povos libertaram-se dos colonos europeus, certamente um mau negócio porque antecipado, mas fizeram-no com os aplausos de todo o mundo; a Irlanda, ao libertar-se da Inglaterra, anulou as grandes sociedades agrícolas alterando as regras no acesso a terra. Outros lutam por maior autonomia tal como as nossas regiões insulares; as províncias espanholas e as regiões um pouco por toda a Europa. Nos Balcãs, Cáspio, Báltico e Cáucaso, travam-se lutas de vida e morte para se libertarem da federação russa; Lula da Silva devolve, aos sem terra, espaços para “assentarem as suas chácaras “ e aos que vivem de forma tribal as respectivas áreas tradicionais.
E nós, ignorando a depauperada comunidade rural regional, em benefício de miragens desenvolvimentistas, entregamo-nos nas mãos de estranhos ignorando que a solução reside em nós mesmos. Solução óbvia e assegurada desde que haja coragem para alterar as regras do acesso a terra. A usufruição desse precioso bem, colectivo no sentido político-social mas individual no uso, terá que ser um privilégio somente de quem tenha condições para lhe dar uma função agro-social consentânea com os superiores desígnios regionais
3---. O Alentejo está farto de medidas salvadoras. Salvo essa grande obra de irrigação que é Alqueva, quanto ao resto, estamos cada vez mais debilitados A opção pela permissão de aquisição de grandes áreas por sociedades agrícolas, tal como se estivéssemos na América latina , é um erro colossal Não se retiram todas as potencialidades da biodiversidade inerentes a uma exploração á” escala do homem” ; não se preserva a cultura regional; não se repovoa o território; facilita-se a continuação desta hemorragia humana que nos depaupera .,etc . Mas há outra consequência não menos graves : -- A emergência de um PCP com grande implantação nas autarquias locais. Com a agravante de, se bem que tenha razão na identificação do problema agro-rural, a solução, por ele preconizada, é errada. A nossa região tem que conseguir o auto -equilíbrio político por si própria ,e jamais por indução externa. E isso passa pela justiça fundiária. A nossa região, agora , depois de Alqueva, está em condições de suprir a maior parte das necessidades alimentares essências da nação . Mas isso passa pelo bom senso fundiário
Francisco Pândega(agricultor )//// fjnpandega@hotmail.com///alentejoagrorural.blogspot.com
29.7.08
AlentejoAgroRural
E a
AGRICULTURA
1---Cada região natural é uma unidade agrícola ,com a sua própria especificidade , em resultado das condições edafo-climática onde se insere Passada a faixa de transição , de largura variável , o Alentejo perde toda e qualquer semelhança com as regiões agrícolas contíguas Daí resultam diferentes sistemas agrícolas, raças de animais , variedades de plantas , assim como calendários agrícolas
Fazendo jus ao ditado que diz que “ na terra aonde não nascer faça como ver fazer” é por isso que todos nós , agricultores , sentimos algumas dificuldades na interpretação dos sistemas das outras regiões . Ate mesmo eu , não obstante ter sido agricultor em zonas equatoriais , planálticas e até desérticas e tenha sido profissional de analise da adequação das comunidades autóctones aos respectivos meios ,logo com tarimba na matéria , sempre que saio do Alentejo e perante novas realidades rurais , dou por mim a considerar :--- se tivesse que viver da agricultura aqui morreria de fome
Ora se transpusermos essas dificuldades para os adquirentes ,vindos de outros lados , que por aqui pululam na demanda das terras alentejanas , melhor se compreendem os inúmeros e sucessivos desaires agrícolas a que aqui temos assistido .
2--- Desta permissividade , do tipo colonial , resulta o facto de grande parte do nosso solo rústico estar consignado a estranhos interesses e as gentes rurais alentejanas condicionadas por valores que pouco ou nada tem que ver com a nossa realidade regional .Nestas condições melhor se percebe porque o Alentejo não consegue dar o necessário contributo para a superação da crise que assola o pais e as suas gentes debandem do mundo rural para o urbano , onde perdem a identidade e se descaracterizam
De facto a opressão sobre o mundo rural tem sido uma constante em todos os países ao longos dos tempos Com uma diferença que nos desfavorece :-- os outros , aos poucos e cada um de sua maneira , vão-se libertando
a)---É assim em França a qual , desde a ultima guerra , tem procedido a programas de emparcelamento agrícola .Com base neles procede-se á anexação das explorações desactivadas visando a sua o seu redimensionamento para nives mais consentâneos com as necessidades da época .Com um bem regulamentado apoio bancário a modernização das explorações agrícolas vá-se processando sem atritos .Nessas condições a terra deixa de ser um bem comercial e especulativo , como se de algo descartável ou perecível se tratasse , para ser cedida a agricultores elegíveis ,não interrompendo , desta forma ,a sua função útil Assim se explica a conhecida pujança agro-rural francesa .Assim melhor se compreende a garra com que eles defendem a PAC no seio comunitário
Mas esta vocação agro-rural ,para alem de decisiva em termos económicos , tem também uma importantíssima função na estabilidade social .A contenção do movimento estudantil de Maio-68 foi um dos casos em que a eficiência rural anti-impactos urbanos , funcionou . As enormes proporções contestarias de que ia animado , só perderam a impetuosidade quando os pais dos estudantes , a partir da província , fizeram regressar os filhos que se manifestavam em Paris.
b)--- E a Suiça , mesmo sendo um pequeno pais encravado entre montanhas , subdividido , ate em termos linguísticos , terra do dinheiro , dos instrumentos de precisão , dos medicamentos, etc . faz questão de manter uma relativa autonomia alimentar . Indo ao ponto de ainda pastarem o gado , montanha acima na medida em que a neve derrega e montanha abaixo á frente dos nevões .Como se compreende , um pais assim rico não tem necessidade de se expor a um trabalho tão penoso . Sem desperdiçar as oportunidades económicos , sociais e ambientais , que o pastoreio proporciona , fá-lo , certamente ,também por ousadia ou por brio profissional o que sem duvida é mais enaltecedor do que uma exibição, desprovida de efeitos consequentes , num recinto desportivo
c)---E no Japão , como se sabe , logo a seguir á sua derrota na ultima guerra mundial , os EE.UU encarregaram o general MacArtur para proceder á sua reconstrução . Este , perante as queixas dos mandarins ,que se diziam estarem a perder privilégios agrícolas longamente detidos , depressa se apercebeu da existência de servos da gleba no mundo rural japonês .A resposta foi peremptória :--” a reestruturação do Japão também passa pela eliminação dos parasitas” . Também por isso o Japão é, hoje ,o que é .
3---Não restem duvidas a ninguém .A grandeza de uma nação é sempre directamente proporcional ao desenvolvimento do seu mundo rural .E a reconstrução da agro-ruralidade alentejana,,tal como os casos atrás citados ,também passa pelo parcelamento/emparcelamento ; pela eliminação de privilégios que obstruam o desenvolvimento regional ;pelo esforço continuado do subir e descer esta íngreme montanha da vida , que enobrece ,enrijece e endurece o homem rústico .Sob a égide de um Zé ,um João ou um Manel , em substituição de um MacArtur ,o Alentejo não pode esperar mais .
Francisco Pândega (agricultor) - //// - fjnpandega@hotmail.com -////- alentejoagrorural.blogspot.com.
E a
AGRICULTURA
1---Cada região natural é uma unidade agrícola ,com a sua própria especificidade , em resultado das condições edafo-climática onde se insere Passada a faixa de transição , de largura variável , o Alentejo perde toda e qualquer semelhança com as regiões agrícolas contíguas Daí resultam diferentes sistemas agrícolas, raças de animais , variedades de plantas , assim como calendários agrícolas
Fazendo jus ao ditado que diz que “ na terra aonde não nascer faça como ver fazer” é por isso que todos nós , agricultores , sentimos algumas dificuldades na interpretação dos sistemas das outras regiões . Ate mesmo eu , não obstante ter sido agricultor em zonas equatoriais , planálticas e até desérticas e tenha sido profissional de analise da adequação das comunidades autóctones aos respectivos meios ,logo com tarimba na matéria , sempre que saio do Alentejo e perante novas realidades rurais , dou por mim a considerar :--- se tivesse que viver da agricultura aqui morreria de fome
Ora se transpusermos essas dificuldades para os adquirentes ,vindos de outros lados , que por aqui pululam na demanda das terras alentejanas , melhor se compreendem os inúmeros e sucessivos desaires agrícolas a que aqui temos assistido .
2--- Desta permissividade , do tipo colonial , resulta o facto de grande parte do nosso solo rústico estar consignado a estranhos interesses e as gentes rurais alentejanas condicionadas por valores que pouco ou nada tem que ver com a nossa realidade regional .Nestas condições melhor se percebe porque o Alentejo não consegue dar o necessário contributo para a superação da crise que assola o pais e as suas gentes debandem do mundo rural para o urbano , onde perdem a identidade e se descaracterizam
De facto a opressão sobre o mundo rural tem sido uma constante em todos os países ao longos dos tempos Com uma diferença que nos desfavorece :-- os outros , aos poucos e cada um de sua maneira , vão-se libertando
a)---É assim em França a qual , desde a ultima guerra , tem procedido a programas de emparcelamento agrícola .Com base neles procede-se á anexação das explorações desactivadas visando a sua o seu redimensionamento para nives mais consentâneos com as necessidades da época .Com um bem regulamentado apoio bancário a modernização das explorações agrícolas vá-se processando sem atritos .Nessas condições a terra deixa de ser um bem comercial e especulativo , como se de algo descartável ou perecível se tratasse , para ser cedida a agricultores elegíveis ,não interrompendo , desta forma ,a sua função útil Assim se explica a conhecida pujança agro-rural francesa .Assim melhor se compreende a garra com que eles defendem a PAC no seio comunitário
Mas esta vocação agro-rural ,para alem de decisiva em termos económicos , tem também uma importantíssima função na estabilidade social .A contenção do movimento estudantil de Maio-68 foi um dos casos em que a eficiência rural anti-impactos urbanos , funcionou . As enormes proporções contestarias de que ia animado , só perderam a impetuosidade quando os pais dos estudantes , a partir da província , fizeram regressar os filhos que se manifestavam em Paris.
b)--- E a Suiça , mesmo sendo um pequeno pais encravado entre montanhas , subdividido , ate em termos linguísticos , terra do dinheiro , dos instrumentos de precisão , dos medicamentos, etc . faz questão de manter uma relativa autonomia alimentar . Indo ao ponto de ainda pastarem o gado , montanha acima na medida em que a neve derrega e montanha abaixo á frente dos nevões .Como se compreende , um pais assim rico não tem necessidade de se expor a um trabalho tão penoso . Sem desperdiçar as oportunidades económicos , sociais e ambientais , que o pastoreio proporciona , fá-lo , certamente ,também por ousadia ou por brio profissional o que sem duvida é mais enaltecedor do que uma exibição, desprovida de efeitos consequentes , num recinto desportivo
c)---E no Japão , como se sabe , logo a seguir á sua derrota na ultima guerra mundial , os EE.UU encarregaram o general MacArtur para proceder á sua reconstrução . Este , perante as queixas dos mandarins ,que se diziam estarem a perder privilégios agrícolas longamente detidos , depressa se apercebeu da existência de servos da gleba no mundo rural japonês .A resposta foi peremptória :--” a reestruturação do Japão também passa pela eliminação dos parasitas” . Também por isso o Japão é, hoje ,o que é .
3---Não restem duvidas a ninguém .A grandeza de uma nação é sempre directamente proporcional ao desenvolvimento do seu mundo rural .E a reconstrução da agro-ruralidade alentejana,,tal como os casos atrás citados ,também passa pelo parcelamento/emparcelamento ; pela eliminação de privilégios que obstruam o desenvolvimento regional ;pelo esforço continuado do subir e descer esta íngreme montanha da vida , que enobrece ,enrijece e endurece o homem rústico .Sob a égide de um Zé ,um João ou um Manel , em substituição de um MacArtur ,o Alentejo não pode esperar mais .
Francisco Pândega (agricultor) - //// - fjnpandega@hotmail.com -////- alentejoagrorural.blogspot.com.
8.7.08
AlentejoAgroRural
PORQUÊ…?
.
1---A desertificação humana e a reduzida produção e produtividade , no meio rural ,são uma iniludível realidade regional Nos povoados predominam as gentes, reformadas ,achacadas e sem esperança , confinadas aos limites das courelas periféricas , perdendo o contacto com os campos mais alem .. Excluídos da usufruição do espaço rústico . mesmo ate no alargado sentido administrativo , fica-se com a sensação de que somos uns estranhos no nosso próprio meio .Uma comunidade envelhecida já que a juventude ,indisponível para “vender a alma ao diabo” como aconteceu connosco , não se submete a um tipo de suserania que ,em vez de mérito , tenha por base direitos adquiridos de duvidosa legitimidade .Alienando vastas áreas a sociedades , cujos sócios , capitais e propósitos são uma incógnita ,importa que haja alguma prudência defensiva já que o território é , para alem do suporte física sobre o qual se exerce a regionalidade /nacionalidade.,um bem precioso que temos o dever de legar aos nossos vindouros .
2---Face ao exposto convêm responder a algumas interrogações , geralmente com propósitos depreciativos ,que se fazem quando nos analisam :-- Será que nós , gentes rurais alentejanas , temos alguma incapacidade congénita que nos inibe de lutar pelos nossos valores ? Que aconteceu que nos levou a cair nesta atoleiro agro-rural em que nos encontramos ? Será que há alguma forma de sair dele ? Perguntas pertinentes as quais setem que dar uma resposta
. a)— Nos somos os descendentes dos aguerridos “fronteiros” de 1375 que , com base nas lei das Sesmarias, contiveram os sucessivos “fossados” sobre a nossa região ; dos que , recrutados dos campos alentejanos ,foram decisivos na vitória de Aljubarrota .Nós somos os filhos dos heróis vencedores das diversas batalhas da restauração , anulando as ambições que impendiam sobre a nossa região ; nós somos os descendentes dos “foreiros” da primeira metade do século XIX cujo esforço hercúleo , na arroteia do Alentejo , humanizou a nossa região .
Nós somos o que resta da autêntica razia resultante da limitação no acesso ao nosso espaço rústico ; o que sobrou dos indómitos seareiros , de até ao inicio da década cinquenta , que fizeram do Alentejo o celeiro do pais ;somos os destroços do enorme logro que foi a reforma agrária do 25 Abril de 1974; somos os despojos do que foi uma comunidade rural , outrora pujante e orgulhosa da sua condição , hoje , em perda de identidade e qualidade .
Tal planta , até há pouco sã porque tinha as raízes bem fincadas na terra , estiola porque arrancada da sua base de sustentação .
b)--Mas importa não esconder –- se bem que a corar de vergonha --- que também somos os sucessores dos vencidos de uma colonização alienígena que aqui se instalou a partir de 1835 O país , então ainda não refeito das invasões fraco/espanholas , digladiava-se numa guerra fratricida entre duas forças politicas :-- absolutistas e liberais .Entretanto surgiu uma nova classe , denominada “os devoristas” , enriquecida nos rescaldo das invasões francesa e nas lutas fratricidas, que foram os licitadores dos leilões fraudulentos onde se alienou grande parte do Alentejo que há pouco havia sido confiscado á ordens religiosas .
. Os direitos dos foreiros residentes de nada serviram .Nem o facto de pagarem anualmente os respectivos foros ,décimas e dízimos foi tomada em consideração .Tornaram-se os senhores absolutos não só das terras como da administração publica e , .porque não dize-lo , da alma alentejana Poderosos , impiedosos , egoístas sem limites ,não sentiam remorsos de reduzirem á mísera servidão as gentes locais . Quantas mortes prematuras á falta de cuidados ; quantas fomes e misérias inenarráveis a falta de alimentos ; quantas crianças deixaram de ir a escola por terem que trabalhar ; quantos trabalhadores , com o corpos destruídos, foram lançados na exclusão Nos meados da 2ª guerra mundial a situação tornou-se insustentável a debanda mais parecia uma implosão .O estado novo, incapaz de suster o êxodo e , com isso ,continuar a garantir mão de obra barata e dócil aos seus apaniguados, contrafeito , abriu as portas á emigração ; a população rústica ficou reduzida a uma insignificância O 25 de Abril ,foi uma das consequências , um pouco tardia , mas aquilo que poderia ter sido um movimento salvador resultou em mais uma oportunidade perdida.
c)—Dir-se-á que colonização sempre houve e nós , portugueses , fomos os seus arautos nos quatro cantos do mundo ,o que é verdade .Mas também é verdade que regressamos a casa sempre que esses povos entenderam dever ser eles a assumir seu próprio destino
Mas há diferenças abissais só sentidas pelos poucos que tenham tido o ensejo de ter estado nos dois lados da barrica :-- colonizados no Alentejo e de seguida colonizadores em Africa . Enquanto em Africa ,sem condicionar o modo de vida das indígenas , fomos precursores de uma agricultura desenvolvida com base na qual os autóctones iam modernizando a sua , cá houve uma usurpação do espaço e a conversão dos agricultores autóctones em seareiros e trabalhadores rurais ao serviço deles Sem trazerem mais valia tecnológica (pelo simples facto de não saberem nada disto ) limitaram-se locupletarem-se com as receitas e constituíram-se nuns “ empatas “ .
Sendo assim e nas actuais circunstancias ,qual a solução ? É simples . De imediato, e antes de tomar outras medidas mais elaboradas ,aplicar , em simultâneo, as quatro seguintes ;--
“ I)—Que as terras sub aproveitadas ,deixem de se considerar propriedade rústica e se enquadrem no âmbitos do lazer e/ou especulação imobiliária e, como tal , objecto de um imposto especifico ; II)- que se agrave o imposto sucessório sobre as heranças de grandes propriedades rústicas . III)-- as transmissões , quer por arrendamento quer por compra , fiquem limitadas a residentes que provem estar em condições de exercer a actividade de uma forma efectiva e individual ; IV)-que se institucionalize um banco de terras à semelhança dos em uso para aquisição de casa própria” --- Só isto. Parece pouco ,mas não é . Para já , e antes de mais , chega
3--- O que aqui defendo não é inédito nem sequer da minha autoria .Foram medidas aplicadas por três estadistas que se destacaram , pela positiva , na morigeração do AlentejoAgroRural .São eles :--Mário Soares , Sá Carneiro e Capoulas Santos . Dir-se-á ! Então porque não prosseguiram e porque não são visíveis os resultados .? Porque o nossa drama , a razão porque aborta toda e qualquer tentativa de reactivar a actividade rural regional ,é estarmos subordinados ,em termos de ruralidade , a uma Assembleia da Republica centralizada em Lisboa .Como se sabe , nela estão os representantes de todo o país e , como tal , a agir na defesa dos interesses dos seus representados Sendo as decisões tomadas por maioria e essas maiorias são do norte do pais e das áreas urbanas de Lisboa/Setúbal são esses os interesses melhor defendidos .Os primeiros, com problemas diferentes senão mesmo inversos aos nossos , não nos entendem nem cooperam connosco ; os segundos ,área da residência dos interessados directos sobre o Alentejo , sabem que quanto mais débeis nós estivermos tanto melhor para eles na medida em que, com maior tranquilidade , prosseguem na captura dos proventos aqui gerados
A solução , milhentas vezes reproduzida nesta rubrica , só se alcança quando conseguirmos coragem para aplicar as medidas atrás preconizadas ; o Alentejo for regionalizado ; e a nossa agro –ruralidade for gerida pelos melhores de entre nós . Francisco Pândega (agricultor) //e-mail--fjnpandega@hotmail.com // blog--.alentejoagrorural .blogsport.com
PORQUÊ…?
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1---A desertificação humana e a reduzida produção e produtividade , no meio rural ,são uma iniludível realidade regional Nos povoados predominam as gentes, reformadas ,achacadas e sem esperança , confinadas aos limites das courelas periféricas , perdendo o contacto com os campos mais alem .. Excluídos da usufruição do espaço rústico . mesmo ate no alargado sentido administrativo , fica-se com a sensação de que somos uns estranhos no nosso próprio meio .Uma comunidade envelhecida já que a juventude ,indisponível para “vender a alma ao diabo” como aconteceu connosco , não se submete a um tipo de suserania que ,em vez de mérito , tenha por base direitos adquiridos de duvidosa legitimidade .Alienando vastas áreas a sociedades , cujos sócios , capitais e propósitos são uma incógnita ,importa que haja alguma prudência defensiva já que o território é , para alem do suporte física sobre o qual se exerce a regionalidade /nacionalidade.,um bem precioso que temos o dever de legar aos nossos vindouros .
2---Face ao exposto convêm responder a algumas interrogações , geralmente com propósitos depreciativos ,que se fazem quando nos analisam :-- Será que nós , gentes rurais alentejanas , temos alguma incapacidade congénita que nos inibe de lutar pelos nossos valores ? Que aconteceu que nos levou a cair nesta atoleiro agro-rural em que nos encontramos ? Será que há alguma forma de sair dele ? Perguntas pertinentes as quais setem que dar uma resposta
. a)— Nos somos os descendentes dos aguerridos “fronteiros” de 1375 que , com base nas lei das Sesmarias, contiveram os sucessivos “fossados” sobre a nossa região ; dos que , recrutados dos campos alentejanos ,foram decisivos na vitória de Aljubarrota .Nós somos os filhos dos heróis vencedores das diversas batalhas da restauração , anulando as ambições que impendiam sobre a nossa região ; nós somos os descendentes dos “foreiros” da primeira metade do século XIX cujo esforço hercúleo , na arroteia do Alentejo , humanizou a nossa região .
Nós somos o que resta da autêntica razia resultante da limitação no acesso ao nosso espaço rústico ; o que sobrou dos indómitos seareiros , de até ao inicio da década cinquenta , que fizeram do Alentejo o celeiro do pais ;somos os destroços do enorme logro que foi a reforma agrária do 25 Abril de 1974; somos os despojos do que foi uma comunidade rural , outrora pujante e orgulhosa da sua condição , hoje , em perda de identidade e qualidade .
Tal planta , até há pouco sã porque tinha as raízes bem fincadas na terra , estiola porque arrancada da sua base de sustentação .
b)--Mas importa não esconder –- se bem que a corar de vergonha --- que também somos os sucessores dos vencidos de uma colonização alienígena que aqui se instalou a partir de 1835 O país , então ainda não refeito das invasões fraco/espanholas , digladiava-se numa guerra fratricida entre duas forças politicas :-- absolutistas e liberais .Entretanto surgiu uma nova classe , denominada “os devoristas” , enriquecida nos rescaldo das invasões francesa e nas lutas fratricidas, que foram os licitadores dos leilões fraudulentos onde se alienou grande parte do Alentejo que há pouco havia sido confiscado á ordens religiosas .
. Os direitos dos foreiros residentes de nada serviram .Nem o facto de pagarem anualmente os respectivos foros ,décimas e dízimos foi tomada em consideração .Tornaram-se os senhores absolutos não só das terras como da administração publica e , .porque não dize-lo , da alma alentejana Poderosos , impiedosos , egoístas sem limites ,não sentiam remorsos de reduzirem á mísera servidão as gentes locais . Quantas mortes prematuras á falta de cuidados ; quantas fomes e misérias inenarráveis a falta de alimentos ; quantas crianças deixaram de ir a escola por terem que trabalhar ; quantos trabalhadores , com o corpos destruídos, foram lançados na exclusão Nos meados da 2ª guerra mundial a situação tornou-se insustentável a debanda mais parecia uma implosão .O estado novo, incapaz de suster o êxodo e , com isso ,continuar a garantir mão de obra barata e dócil aos seus apaniguados, contrafeito , abriu as portas á emigração ; a população rústica ficou reduzida a uma insignificância O 25 de Abril ,foi uma das consequências , um pouco tardia , mas aquilo que poderia ter sido um movimento salvador resultou em mais uma oportunidade perdida.
c)—Dir-se-á que colonização sempre houve e nós , portugueses , fomos os seus arautos nos quatro cantos do mundo ,o que é verdade .Mas também é verdade que regressamos a casa sempre que esses povos entenderam dever ser eles a assumir seu próprio destino
Mas há diferenças abissais só sentidas pelos poucos que tenham tido o ensejo de ter estado nos dois lados da barrica :-- colonizados no Alentejo e de seguida colonizadores em Africa . Enquanto em Africa ,sem condicionar o modo de vida das indígenas , fomos precursores de uma agricultura desenvolvida com base na qual os autóctones iam modernizando a sua , cá houve uma usurpação do espaço e a conversão dos agricultores autóctones em seareiros e trabalhadores rurais ao serviço deles Sem trazerem mais valia tecnológica (pelo simples facto de não saberem nada disto ) limitaram-se locupletarem-se com as receitas e constituíram-se nuns “ empatas “ .
Sendo assim e nas actuais circunstancias ,qual a solução ? É simples . De imediato, e antes de tomar outras medidas mais elaboradas ,aplicar , em simultâneo, as quatro seguintes ;--
“ I)—Que as terras sub aproveitadas ,deixem de se considerar propriedade rústica e se enquadrem no âmbitos do lazer e/ou especulação imobiliária e, como tal , objecto de um imposto especifico ; II)- que se agrave o imposto sucessório sobre as heranças de grandes propriedades rústicas . III)-- as transmissões , quer por arrendamento quer por compra , fiquem limitadas a residentes que provem estar em condições de exercer a actividade de uma forma efectiva e individual ; IV)-que se institucionalize um banco de terras à semelhança dos em uso para aquisição de casa própria” --- Só isto. Parece pouco ,mas não é . Para já , e antes de mais , chega
3--- O que aqui defendo não é inédito nem sequer da minha autoria .Foram medidas aplicadas por três estadistas que se destacaram , pela positiva , na morigeração do AlentejoAgroRural .São eles :--Mário Soares , Sá Carneiro e Capoulas Santos . Dir-se-á ! Então porque não prosseguiram e porque não são visíveis os resultados .? Porque o nossa drama , a razão porque aborta toda e qualquer tentativa de reactivar a actividade rural regional ,é estarmos subordinados ,em termos de ruralidade , a uma Assembleia da Republica centralizada em Lisboa .Como se sabe , nela estão os representantes de todo o país e , como tal , a agir na defesa dos interesses dos seus representados Sendo as decisões tomadas por maioria e essas maiorias são do norte do pais e das áreas urbanas de Lisboa/Setúbal são esses os interesses melhor defendidos .Os primeiros, com problemas diferentes senão mesmo inversos aos nossos , não nos entendem nem cooperam connosco ; os segundos ,área da residência dos interessados directos sobre o Alentejo , sabem que quanto mais débeis nós estivermos tanto melhor para eles na medida em que, com maior tranquilidade , prosseguem na captura dos proventos aqui gerados
A solução , milhentas vezes reproduzida nesta rubrica , só se alcança quando conseguirmos coragem para aplicar as medidas atrás preconizadas ; o Alentejo for regionalizado ; e a nossa agro –ruralidade for gerida pelos melhores de entre nós . Francisco Pândega (agricultor) //e-mail--fjnpandega@hotmail.com // blog--.alentejoagrorural .blogsport.com
22.6.08
AlentejoAgroRural
EXAME À SAUDE DA PAC
1----Subordinado a este tema, realizou-se um encontro de agricultores, presidido pelo senhor director regional da agricultura do Alentejo, Dr. João Libório; com a presença do dr.Capoulas Santos, nosso deputado Europeu e relator para a reformulação da PAC (politica agrícola comum); assim como do nosso representante na Comissão, engº Freitas. Tratou-se de uma iniciativa do Parlamento Europeu com o objectivo de proceder a alterações das ajudas á agricultura.
Um debate bastante vivo, nem sempre contido nos limites do tema, na qual os agricultores reivindicaram a manutenção das ajudas, pretensão absolutamente justa, pelo menos enquanto se verificar, no nosso mercado, uma certa abundância de produtos importados claramente subsidiados na origem, tantas vezes por formas engenhosas Mas, por outro lado, os países da CE têm necessidade de vender automóveis, computadores, medicamentos, etc. nos mercados dos países que, por sua vez, querem vender produtos agrícolas para a Europa mas que se sentem coarctados nesse intento devido á subsidiação em uso na CE
A solução tem passado pela substituição das ajudas directas por fórmulas desligadas da produção. Ou seja: -- ter terra pode dar direito a obtenção de subsídios sem a correspondente produção Isto poderá ser funcional noutras regiões aonde o ruralismo seja um facto. Não o é, certamente, entre nós, aonde, salvo algumas honrosas excepções, ter terra não significa que se seja agricultor.
2— Foi em torno da fórmula de subsidiação que se desenrolou o debate Tendo sido abordados os diversos tipos de ajudas dos quais destacamos alguns: --
a)— A condicionalidade É condição, para se abterem certas ajudas , o uso de boas praticas agrícolas Geralmente andam em torno da defesa do ambiente, do uso dos nitratos dado que inquinam as águas; das mobilizações que provoquem erosão ; entre outros,
Na nossa região e enquadrado na rubrica ambiente deveria ser condicionado o uso dos solos D+E que representam mais de metade do Alentejo São do tipo solos pobres, declivosos, esqueléticos que deveriam ser destinados a reflorestação por montados assim como a pratica tradicional designada por agro-silvo-pastorícia. Intervir nesse tipo de solos implica cuidados especiais na sua mobilização , assim como no calendário de intervenção , já que disso depende a erosão , a regeneração dos montados, a preservação das espécies cinegéticas , assim como toda uma vasta e complexa biodiversidade
b)— RPU – regime de pagamento único. Entre nós foi adoptados o regime histórico correspondente ás superfícies, (não produções) dos anos 2002/4 É a formula de receber sem produzir que tanto irrita o cidadão comum e que, tendo em conta os elevadíssimos montantes em causa , tem causado alguma perplexidade
Acresce que foi o trigo, especialmente de regadio ,que é uma pratica inabitual entre nós ,que mais contribuiu para a sua atribuição, Se a isso acrescentarmos o facto de ter sido subsidiado á superfície ,no ano do cultivo , e ainda nos anos de referencia ter tido produções irrisórias , este subsidio ,que já esta sob ameaça , obviamente que acabará por ser desactivado . Importa que essas verbas fiquem na região e revertam em beneficio do desenvolvimento rural regional ou seja tenham uma função útil
c)— Set-aside .Os pousios são uma pratica agrícola tradicional e indispensável na agricultura regional. Agora ainda mais, já que é preciso poupar nos combustíveis ,fertilizantes e pesticidas
A função do pousio é múltipla: -- melhorar as pastagens, restituir a fertilidade dos solos preparando-os para uma cultura; eliminar as ervas daninhas e as pragas e doenças do solo; e tornar possível e regeneração espontânea dos montados Trata-se de uma pratica normalíssima tradicionalmente em uso entre nós .O impedimento do seu pastoreio é algo que não se entende A sua extinção é uma inevitabilidade
d)— OCM—organização comum de mercados .Trata-se da livre circulação dos produtos agrícolas, ao nível mundial, o que mais não é do que um imperativo duma época de comunicações instantâneas . Significa que cada região cultive e envie para o mercado global aquilo que faz melhor Se não houver batota trata-se de uma medida de extrema importância que, desde há cinquenta anos a esta parte, a FAO vem pugnando, como forma de atenuar a fome e a desnutrição de muitos povos . Reduzem -se as desmatações e, com isso, a obtém-se mais estabilidade climática; deixam de ser necessárias a intensificação das culturas e confinamento do gado , condições que estão na origem da doença das vacas loucas , dos venenos nos vegetais, dos antibióticos na carne, etc., doenças pavorosas contra as quais a medicina experimenta manifesta dificuldade em enfrentar Essa globalização , se bem que contenha alguma perigosidade , não deixa de ter vantagens desde que com regras E, acima de tudo, porque a alternativa seria o mercado fechado que faz parte do passado . Daí que organizarmo-nos de acordo com a nossa especificidade regional é o melhor remédio.
3---Organizarmo-nos de acordo com a nossa especificidade regional ; preparar e robustecer a nossa classe no sentido de não dar azo a contestações tantas vezes justas; adoptar um comportamento de seriedade perante a comunidade regional ,que nos concedeu o uso do espaço rústico comum ,no sentido mais elevado do termo, em relação à qual temos o dever de um bom desempenho Parece ter ido nesse sentido a ênfase, com que o deputado europeu, defendeu o desenvolvimento rural
Vão ser para ai canalizadas abundantes verbas, remanescentes das restantes rubricas, na medida em que forem sendo desactivadas. Deduz-se ser pela via do desenvolvimento rural que se irão amortecer os efeitos da nova filosofia das ajudas
Mas há uma questão que não pode ser olvidada:--o tecido agro-fundiário regional esta viciado . Não obstante desde há vinte e um anos a esta parte (três QCA), para aqui terem sido canalizadas verbas imensas, a resposta não tem sido satisfatória; não obstante, neste mesmo período, a cortiça, um recuso natural de custo zero, ter valido mais de dez biliões de euros, no mesmo período, o Alentejo não obteve um desenvolvimento compaginavel com tanto dinheiro . Daí que se possa inferir que não basta dinheiro para o Alentejo sair da cepa torta. É preciso uma reestruturação fundiária profunda. Mas rápida. O tempo urge . Francisco Pândega (agricultor); fjnpandega@hotmail.com ;alentejoagrorural.blogspot.com
EXAME À SAUDE DA PAC
1----Subordinado a este tema, realizou-se um encontro de agricultores, presidido pelo senhor director regional da agricultura do Alentejo, Dr. João Libório; com a presença do dr.Capoulas Santos, nosso deputado Europeu e relator para a reformulação da PAC (politica agrícola comum); assim como do nosso representante na Comissão, engº Freitas. Tratou-se de uma iniciativa do Parlamento Europeu com o objectivo de proceder a alterações das ajudas á agricultura.
Um debate bastante vivo, nem sempre contido nos limites do tema, na qual os agricultores reivindicaram a manutenção das ajudas, pretensão absolutamente justa, pelo menos enquanto se verificar, no nosso mercado, uma certa abundância de produtos importados claramente subsidiados na origem, tantas vezes por formas engenhosas Mas, por outro lado, os países da CE têm necessidade de vender automóveis, computadores, medicamentos, etc. nos mercados dos países que, por sua vez, querem vender produtos agrícolas para a Europa mas que se sentem coarctados nesse intento devido á subsidiação em uso na CE
A solução tem passado pela substituição das ajudas directas por fórmulas desligadas da produção. Ou seja: -- ter terra pode dar direito a obtenção de subsídios sem a correspondente produção Isto poderá ser funcional noutras regiões aonde o ruralismo seja um facto. Não o é, certamente, entre nós, aonde, salvo algumas honrosas excepções, ter terra não significa que se seja agricultor.
2— Foi em torno da fórmula de subsidiação que se desenrolou o debate Tendo sido abordados os diversos tipos de ajudas dos quais destacamos alguns: --
a)— A condicionalidade É condição, para se abterem certas ajudas , o uso de boas praticas agrícolas Geralmente andam em torno da defesa do ambiente, do uso dos nitratos dado que inquinam as águas; das mobilizações que provoquem erosão ; entre outros,
Na nossa região e enquadrado na rubrica ambiente deveria ser condicionado o uso dos solos D+E que representam mais de metade do Alentejo São do tipo solos pobres, declivosos, esqueléticos que deveriam ser destinados a reflorestação por montados assim como a pratica tradicional designada por agro-silvo-pastorícia. Intervir nesse tipo de solos implica cuidados especiais na sua mobilização , assim como no calendário de intervenção , já que disso depende a erosão , a regeneração dos montados, a preservação das espécies cinegéticas , assim como toda uma vasta e complexa biodiversidade
b)— RPU – regime de pagamento único. Entre nós foi adoptados o regime histórico correspondente ás superfícies, (não produções) dos anos 2002/4 É a formula de receber sem produzir que tanto irrita o cidadão comum e que, tendo em conta os elevadíssimos montantes em causa , tem causado alguma perplexidade
Acresce que foi o trigo, especialmente de regadio ,que é uma pratica inabitual entre nós ,que mais contribuiu para a sua atribuição, Se a isso acrescentarmos o facto de ter sido subsidiado á superfície ,no ano do cultivo , e ainda nos anos de referencia ter tido produções irrisórias , este subsidio ,que já esta sob ameaça , obviamente que acabará por ser desactivado . Importa que essas verbas fiquem na região e revertam em beneficio do desenvolvimento rural regional ou seja tenham uma função útil
c)— Set-aside .Os pousios são uma pratica agrícola tradicional e indispensável na agricultura regional. Agora ainda mais, já que é preciso poupar nos combustíveis ,fertilizantes e pesticidas
A função do pousio é múltipla: -- melhorar as pastagens, restituir a fertilidade dos solos preparando-os para uma cultura; eliminar as ervas daninhas e as pragas e doenças do solo; e tornar possível e regeneração espontânea dos montados Trata-se de uma pratica normalíssima tradicionalmente em uso entre nós .O impedimento do seu pastoreio é algo que não se entende A sua extinção é uma inevitabilidade
d)— OCM—organização comum de mercados .Trata-se da livre circulação dos produtos agrícolas, ao nível mundial, o que mais não é do que um imperativo duma época de comunicações instantâneas . Significa que cada região cultive e envie para o mercado global aquilo que faz melhor Se não houver batota trata-se de uma medida de extrema importância que, desde há cinquenta anos a esta parte, a FAO vem pugnando, como forma de atenuar a fome e a desnutrição de muitos povos . Reduzem -se as desmatações e, com isso, a obtém-se mais estabilidade climática; deixam de ser necessárias a intensificação das culturas e confinamento do gado , condições que estão na origem da doença das vacas loucas , dos venenos nos vegetais, dos antibióticos na carne, etc., doenças pavorosas contra as quais a medicina experimenta manifesta dificuldade em enfrentar Essa globalização , se bem que contenha alguma perigosidade , não deixa de ter vantagens desde que com regras E, acima de tudo, porque a alternativa seria o mercado fechado que faz parte do passado . Daí que organizarmo-nos de acordo com a nossa especificidade regional é o melhor remédio.
3---Organizarmo-nos de acordo com a nossa especificidade regional ; preparar e robustecer a nossa classe no sentido de não dar azo a contestações tantas vezes justas; adoptar um comportamento de seriedade perante a comunidade regional ,que nos concedeu o uso do espaço rústico comum ,no sentido mais elevado do termo, em relação à qual temos o dever de um bom desempenho Parece ter ido nesse sentido a ênfase, com que o deputado europeu, defendeu o desenvolvimento rural
Vão ser para ai canalizadas abundantes verbas, remanescentes das restantes rubricas, na medida em que forem sendo desactivadas. Deduz-se ser pela via do desenvolvimento rural que se irão amortecer os efeitos da nova filosofia das ajudas
Mas há uma questão que não pode ser olvidada:--o tecido agro-fundiário regional esta viciado . Não obstante desde há vinte e um anos a esta parte (três QCA), para aqui terem sido canalizadas verbas imensas, a resposta não tem sido satisfatória; não obstante, neste mesmo período, a cortiça, um recuso natural de custo zero, ter valido mais de dez biliões de euros, no mesmo período, o Alentejo não obteve um desenvolvimento compaginavel com tanto dinheiro . Daí que se possa inferir que não basta dinheiro para o Alentejo sair da cepa torta. É preciso uma reestruturação fundiária profunda. Mas rápida. O tempo urge . Francisco Pândega (agricultor); fjnpandega@hotmail.com ;alentejoagrorural.blogspot.com
7.6.08
AlentejoAgroRural
E o
GASÓLEO
1--A subida do preço do gasóleo e os seus efeitos na produção dos alimentos estão a afectar economia domestica de todas as famílias . Daí que se exija dos agricultores alentejanos ,já que a comunidade lhes concedeu o uso da terra ,que cumpram o dever que está subjacente a essa concessão procedendo ás adaptações que forem necessárias afim de acelerar a produção de alimentos de qualidade ,a preços justos , preservando o meio ambiente . Isto, porem , implica ,para que o Alentejo volte a ser o celeiro do pais ,que seja libertado dos factores exógenos que atravancam o seu desenvolvimento rural .Trata-se de uma medida indispensável , que só peca por tardia , para a qual nos tem faltado coragem politica .
2---A presente crise petrolífera e os constrangimentos fundiários que aqui persistem, tornam evidente que o Alentejo , se bem que seja potencialmente um colosso agrícola ,tem dificuldades em enfrentar este novo desafio .Analisa-lo ,numa óptica agro-silvo-pastoril , que constitui a trave-o mestra do seu desenvolvimento , é o que nos propomos neste escrito.
Reconhecendo , embora , que corro o risco de ser tido por agricultor tradicionalista ,a minha tese é sustentada no facto de que, no exercício da actividade agrícola , se têm que equacionar duas componentes :-- uma , de acordo com as condições edafo-climáticas de cada região ,exploração e , nesta, de cada parcela ; e outra os instrumentos, em permanente evolução , ,com que se intervêm, agiliza e humaniza essa mesma intervenção
a)---Agricultura ..È verdade que 80% dos solos alentejanos , têm que ter um aproveitamento agrícola extensivo ,por meio dos tradicionais sistemas de afolhamentos e , em cada folha , uma rotação de culturas de acordo com a sua capacidade auto-regenerativa da fertilidade .Na rotação , e após um alqueive ,semeiam-se cereais cuja produções unitárias são geralmente baixas. Mas os custos da cultura não são somente imputáveis aos cereais mas também ás pastagens e preservação do montados ,para alem do ambiente , cinegética , paisagem, etc , o que torna a cultura viável mesmo com base em baixas “fundas”
É assim porquê ?—Porque se a terra não for mobilizada , com certa periodicidade , transforma-se em matagal inóspito e agressivo , os solos compactam-se cessando o arejamento ; impermeabilizam-se e impedem a penetração das aguas ; a erosão laminar faz diminuir a camada arável ; reacções químicas favoráveis deixam de se processar; os montados entrem em decrepitude e morrem ; as pastagens dão lugar a plantas grosseira . Logo ,o Alentejo, tem que ser arado com regularidade..
Após uma ou duas culturas (cabeça de rotação e relvas ) segue-se um período regenerador de pousio/pastagem em que a terra readquire a fertilidade ,perdida na cultura anterior, e, com isso , necessita de menos fertilizantes ; elimina as ervas daninhas assim como as pragas e doenças do solo , e , com isso ,torna desnecessária a utilização de pesticidas .Na meia dúzia de anos seguintes , produz pastagem natural ..É assim o Alentejo .Mas deixa de o ser se apossado por quem não queira ou não saiba tirar partido dessa característica .
b)—Montados .Falar de silvicultura , significa montados ou seja:--- azinho e sobro. Desnecessário se torna frisar as suas funções :--- estabilidade climática, a função paisagística e ambiental ; cortiça que , só por si , daria para viabilizar todos os sonhos regionais , e a bolota que continua a ser o produto por excelência na engorda de porcos de montanheira
Mas é preciso que se entenda que os montados não são bosques que se votem ao abandono .Se bem que não necessitem dos cuidados dispensados a um pomar, exigem , porem , alguma intervenção que geralmente se faz em simultâneo e em articulação com o aproveitamento do sub coberto como nos referimos um pouco atrás .
O sobro e azinho , sendo arvores de grande longevidade (cerca de dois séculos) e muita rusticidade ,são muito frágeis e morrem com o mau uso da maquina agrícola .Os grandes montados , de até há pouco , hoje com pouca densidade e uma muito baixa percentagem de arvores novas ,devem-se a uma correcta gestão agrícola e mobilizações do solo pela tracção animal. Um tractor usado por quem não lhe “doa” abalroa as arvores adultas , esfarripa , “esnoca” e soterra as novas É esse o mau caminho que trilhamos que vai conduzir á ruína , cada vez mais evidente , dos montados Não se podendo restaurar a tracção animal terá que se continuar a mecanização se bem que usada por quem lhe doa
Ou seja por agricultores usufrutuários , directos e assíduos ,que lhe façam um uso digno e consciente .
c) – Gados-- Vacas ,ovelhas ,porcos e cabras são o gado indígena do Alentejo com vocação para ser explorado em regime de manadio e com permanecia nas pastagens . Maneio diferente da restante Europa que , por questões climáticas , implica que os animais tenham acesso a pavilhões aonde pernoitem sejam suplementados
No Alentejo as raças autóctones são as que mais se adaptam ao meio e melhor superam as crises. Assim , e numa óptica de economia de rações , medicamentos e outros custos , damos algumas sugestões :--
---As vacas devem parir nas aguas novas (Outono) afim de desmamar as crias na Primavera , quando há pastagem em abundância , amortecendo o choque da desmama Um ano depois da desmama ou seja na primavera /verão seguinte ,os novilhos ,com dezoito meses , estão gordos e acabados , sem que tenham tido necessidade de rações mas tão só palha e fenos durante o Inverno ..
--As ovelhas parem no fim do verão (Setembro )Dado serem animais dóceis e de fácil contenção , podem ser levados, a pastar e a parir ,para as vinhas comendo as parras , rabisco e ervas ; para os olivais aonde procedem ao desladroamento comem azeitonas gafas e rama das podas; para o levantamento dos meloais e tomatais ,fazendo o aproveitamento dos resíduos da cultura que de outra forma se perderiam
E ,com isso , passam o período critico do Outono .Os borregos engordam e desmamam-se na Páscoa seguinte No imediato dá-se inicio ao alavão que o mesmo será dizer ao fabrico de queijos de ovelhas ,uma autentica iguaria da gastronomia tradicional .No verão , e após as ceifas , vão para os agostadores comer pastos e espigas assim como os “arrepêlos “ sob a copa das arvores ou junto ás extremas e valados onde as maquinas não chegam.
Sem custos adicionais mas perfeitamente integradas no sistemas ,as ovelhas são rentáveis .Pena é que tenham sido descriminadas negativamente em sede de RPU.
--Os porcos alentejanos fazem duas parições :-- uma em Março e outra em Setembro Isto também por uma questão de temperaturas dado que o frio de Inverno e o calor de verão afectam os recém nascidos .Em Março comem erva , como as vacas e ovelhas ,mas também raízes e tubérculos alem de efectuarem “desinça” da bicheza que , nesse período do ano, abunda nas pastagens ; no verão vão para o agostadoro recolhendo os grãos de cereais debulhados, tal como se fossem aves granívoras .Nas aguas novas , as formigas denunciam os formigueiros .Cheios de cereais armazenados , os porcos ,com a sua potente tromba , captam-nos até ás galerias mais fundas
No Inverno ,os destinados ao montado , trocam de denominação .Em vez de rebanho chama-se “vara” .Vara porque dantes eram guardados por um “vareiro” o homem que transportava uma comprida vara com a qual varejava os chaparros , fazendo cair a bolota e com isso agrupando os porcos á sua volta
Não há animal algum que , como o porco , tenha tanta capacidade de converter a bolota em carne . Carne de porco , bastante gordurosa ,com base na qual o homem do campo, exposto aos rigores do Inverno , obtinha resistências
3—É assim o AlentejoAgroRural aonde o homem e o meio podem viver em perfeita sintonia .Ou melhor :--Seria assim se factores estranhos ao sistema não impedissem que a normalidade se processasse É que , não há razões nenhumas , sejam elas de natureza edafo-climáticas ,técnica agrícola , humanas ou a sociais , para que nós não nos possamos enquadrar nesta nova ordem que impõe :--- Que extraiamos da terra alimentos de qualidade , com baixos custos de produção e um mínimo de consumo de energia
Não se pode , porem , pretender fazê-lo sequestrando o espaço rústico ; nem com pequenos agricultores ,nas suas inviáveis courelas , acantonadas na periferia das aldeias ; nem com donos de vastas terras residentes algures que impedem o normal exercício da actividade ; nem com especuladores fundiários que a sequestram e usam para lazer e estatuto pessoal ; ou por parte de quem somente vise a rapina dos recursos regionais , tal como acontece com a cortiça , cuja produção , nos últimos vinte anos , ascendeu a muitos biliões de euros , totalmente daqui desviados
Temos, pois , que mudar de paradigma O actual modelo está viciado . Já causou danos demais A população rural , que nas aldeias sobrevive a expensas da segurança social , começa a dar sinais de inquietude Temos pela frente uma complicada situação agro-rural que expulsa as suas gentes e as que restam são pacificadas pela coacção Os grandes donos do Alentejo (não estou a falar de agricultores eficazes que felizmente ainda os há ) , incapazes de estar a altura dos superiores desígnios que a detenção da terra implica , perdem a noção do respeito e patriotismo que sua posse pressupõe Esta questão dos combustíveis esta pôr a nu as fragilidades e incoerências aqui perpetradas A manutenção da paz rural , agora contaminada pelos reboliços urbanos , impõe uma rápida justiça fundiária
Francisco Pândega (agricultor ) ; fjnpandega@homail.com ; alentejoagrorural ,blogspot.com
E o
GASÓLEO
1--A subida do preço do gasóleo e os seus efeitos na produção dos alimentos estão a afectar economia domestica de todas as famílias . Daí que se exija dos agricultores alentejanos ,já que a comunidade lhes concedeu o uso da terra ,que cumpram o dever que está subjacente a essa concessão procedendo ás adaptações que forem necessárias afim de acelerar a produção de alimentos de qualidade ,a preços justos , preservando o meio ambiente . Isto, porem , implica ,para que o Alentejo volte a ser o celeiro do pais ,que seja libertado dos factores exógenos que atravancam o seu desenvolvimento rural .Trata-se de uma medida indispensável , que só peca por tardia , para a qual nos tem faltado coragem politica .
2---A presente crise petrolífera e os constrangimentos fundiários que aqui persistem, tornam evidente que o Alentejo , se bem que seja potencialmente um colosso agrícola ,tem dificuldades em enfrentar este novo desafio .Analisa-lo ,numa óptica agro-silvo-pastoril , que constitui a trave-o mestra do seu desenvolvimento , é o que nos propomos neste escrito.
Reconhecendo , embora , que corro o risco de ser tido por agricultor tradicionalista ,a minha tese é sustentada no facto de que, no exercício da actividade agrícola , se têm que equacionar duas componentes :-- uma , de acordo com as condições edafo-climáticas de cada região ,exploração e , nesta, de cada parcela ; e outra os instrumentos, em permanente evolução , ,com que se intervêm, agiliza e humaniza essa mesma intervenção
a)---Agricultura ..È verdade que 80% dos solos alentejanos , têm que ter um aproveitamento agrícola extensivo ,por meio dos tradicionais sistemas de afolhamentos e , em cada folha , uma rotação de culturas de acordo com a sua capacidade auto-regenerativa da fertilidade .Na rotação , e após um alqueive ,semeiam-se cereais cuja produções unitárias são geralmente baixas. Mas os custos da cultura não são somente imputáveis aos cereais mas também ás pastagens e preservação do montados ,para alem do ambiente , cinegética , paisagem, etc , o que torna a cultura viável mesmo com base em baixas “fundas”
É assim porquê ?—Porque se a terra não for mobilizada , com certa periodicidade , transforma-se em matagal inóspito e agressivo , os solos compactam-se cessando o arejamento ; impermeabilizam-se e impedem a penetração das aguas ; a erosão laminar faz diminuir a camada arável ; reacções químicas favoráveis deixam de se processar; os montados entrem em decrepitude e morrem ; as pastagens dão lugar a plantas grosseira . Logo ,o Alentejo, tem que ser arado com regularidade..
Após uma ou duas culturas (cabeça de rotação e relvas ) segue-se um período regenerador de pousio/pastagem em que a terra readquire a fertilidade ,perdida na cultura anterior, e, com isso , necessita de menos fertilizantes ; elimina as ervas daninhas assim como as pragas e doenças do solo , e , com isso ,torna desnecessária a utilização de pesticidas .Na meia dúzia de anos seguintes , produz pastagem natural ..É assim o Alentejo .Mas deixa de o ser se apossado por quem não queira ou não saiba tirar partido dessa característica .
b)—Montados .Falar de silvicultura , significa montados ou seja:--- azinho e sobro. Desnecessário se torna frisar as suas funções :--- estabilidade climática, a função paisagística e ambiental ; cortiça que , só por si , daria para viabilizar todos os sonhos regionais , e a bolota que continua a ser o produto por excelência na engorda de porcos de montanheira
Mas é preciso que se entenda que os montados não são bosques que se votem ao abandono .Se bem que não necessitem dos cuidados dispensados a um pomar, exigem , porem , alguma intervenção que geralmente se faz em simultâneo e em articulação com o aproveitamento do sub coberto como nos referimos um pouco atrás .
O sobro e azinho , sendo arvores de grande longevidade (cerca de dois séculos) e muita rusticidade ,são muito frágeis e morrem com o mau uso da maquina agrícola .Os grandes montados , de até há pouco , hoje com pouca densidade e uma muito baixa percentagem de arvores novas ,devem-se a uma correcta gestão agrícola e mobilizações do solo pela tracção animal. Um tractor usado por quem não lhe “doa” abalroa as arvores adultas , esfarripa , “esnoca” e soterra as novas É esse o mau caminho que trilhamos que vai conduzir á ruína , cada vez mais evidente , dos montados Não se podendo restaurar a tracção animal terá que se continuar a mecanização se bem que usada por quem lhe doa
Ou seja por agricultores usufrutuários , directos e assíduos ,que lhe façam um uso digno e consciente .
c) – Gados-- Vacas ,ovelhas ,porcos e cabras são o gado indígena do Alentejo com vocação para ser explorado em regime de manadio e com permanecia nas pastagens . Maneio diferente da restante Europa que , por questões climáticas , implica que os animais tenham acesso a pavilhões aonde pernoitem sejam suplementados
No Alentejo as raças autóctones são as que mais se adaptam ao meio e melhor superam as crises. Assim , e numa óptica de economia de rações , medicamentos e outros custos , damos algumas sugestões :--
---As vacas devem parir nas aguas novas (Outono) afim de desmamar as crias na Primavera , quando há pastagem em abundância , amortecendo o choque da desmama Um ano depois da desmama ou seja na primavera /verão seguinte ,os novilhos ,com dezoito meses , estão gordos e acabados , sem que tenham tido necessidade de rações mas tão só palha e fenos durante o Inverno ..
--As ovelhas parem no fim do verão (Setembro )Dado serem animais dóceis e de fácil contenção , podem ser levados, a pastar e a parir ,para as vinhas comendo as parras , rabisco e ervas ; para os olivais aonde procedem ao desladroamento comem azeitonas gafas e rama das podas; para o levantamento dos meloais e tomatais ,fazendo o aproveitamento dos resíduos da cultura que de outra forma se perderiam
E ,com isso , passam o período critico do Outono .Os borregos engordam e desmamam-se na Páscoa seguinte No imediato dá-se inicio ao alavão que o mesmo será dizer ao fabrico de queijos de ovelhas ,uma autentica iguaria da gastronomia tradicional .No verão , e após as ceifas , vão para os agostadores comer pastos e espigas assim como os “arrepêlos “ sob a copa das arvores ou junto ás extremas e valados onde as maquinas não chegam.
Sem custos adicionais mas perfeitamente integradas no sistemas ,as ovelhas são rentáveis .Pena é que tenham sido descriminadas negativamente em sede de RPU.
--Os porcos alentejanos fazem duas parições :-- uma em Março e outra em Setembro Isto também por uma questão de temperaturas dado que o frio de Inverno e o calor de verão afectam os recém nascidos .Em Março comem erva , como as vacas e ovelhas ,mas também raízes e tubérculos alem de efectuarem “desinça” da bicheza que , nesse período do ano, abunda nas pastagens ; no verão vão para o agostadoro recolhendo os grãos de cereais debulhados, tal como se fossem aves granívoras .Nas aguas novas , as formigas denunciam os formigueiros .Cheios de cereais armazenados , os porcos ,com a sua potente tromba , captam-nos até ás galerias mais fundas
No Inverno ,os destinados ao montado , trocam de denominação .Em vez de rebanho chama-se “vara” .Vara porque dantes eram guardados por um “vareiro” o homem que transportava uma comprida vara com a qual varejava os chaparros , fazendo cair a bolota e com isso agrupando os porcos á sua volta
Não há animal algum que , como o porco , tenha tanta capacidade de converter a bolota em carne . Carne de porco , bastante gordurosa ,com base na qual o homem do campo, exposto aos rigores do Inverno , obtinha resistências
3—É assim o AlentejoAgroRural aonde o homem e o meio podem viver em perfeita sintonia .Ou melhor :--Seria assim se factores estranhos ao sistema não impedissem que a normalidade se processasse É que , não há razões nenhumas , sejam elas de natureza edafo-climáticas ,técnica agrícola , humanas ou a sociais , para que nós não nos possamos enquadrar nesta nova ordem que impõe :--- Que extraiamos da terra alimentos de qualidade , com baixos custos de produção e um mínimo de consumo de energia
Não se pode , porem , pretender fazê-lo sequestrando o espaço rústico ; nem com pequenos agricultores ,nas suas inviáveis courelas , acantonadas na periferia das aldeias ; nem com donos de vastas terras residentes algures que impedem o normal exercício da actividade ; nem com especuladores fundiários que a sequestram e usam para lazer e estatuto pessoal ; ou por parte de quem somente vise a rapina dos recursos regionais , tal como acontece com a cortiça , cuja produção , nos últimos vinte anos , ascendeu a muitos biliões de euros , totalmente daqui desviados
Temos, pois , que mudar de paradigma O actual modelo está viciado . Já causou danos demais A população rural , que nas aldeias sobrevive a expensas da segurança social , começa a dar sinais de inquietude Temos pela frente uma complicada situação agro-rural que expulsa as suas gentes e as que restam são pacificadas pela coacção Os grandes donos do Alentejo (não estou a falar de agricultores eficazes que felizmente ainda os há ) , incapazes de estar a altura dos superiores desígnios que a detenção da terra implica , perdem a noção do respeito e patriotismo que sua posse pressupõe Esta questão dos combustíveis esta pôr a nu as fragilidades e incoerências aqui perpetradas A manutenção da paz rural , agora contaminada pelos reboliços urbanos , impõe uma rápida justiça fundiária
Francisco Pândega (agricultor ) ; fjnpandega@homail.com ; alentejoagrorural ,blogspot.com
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